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Posts por data março 2016

Entrevistas / HQ

Bulldogma: Wagner Willian lança a primeira grande HQ brasileira de 2016

Bulldogma é o primeiro grande quadrinho brasileiro de 2016. Wagner Willian produziu as 310 páginas de sua novela gráfica ao longo de um intervalo de dois anos. Recém-lançado pela editora Veneta, o título é protagonizado pela ilustradora Deisy Mantovani, no final de sua segunda década de vida/início de seus 30 anos. A personagem surgiu em um breve conto nas páginas do livro Lobisomem Sem Barba, publicado por Willian no início de 2014 e segundo lugar no prêmio Jabuti de ilustração em 2015. Recém-mudada para um apartamento supostamente alvo de abduções alienígenas, Deisy tenta conciliar sua rotina profissional instável e sua vida amorosa em frangalhos aos constantes acontecimentos absurdos que passam a cercar sua realidade.

Além de toda uma vibe sci-fi/conspiratória, há em Bulldogma um roteiro fluido, construído em cima de páginas com designs fragmentados e enquadramentos pouco usuais. Deisy é acompanhada na trama por seu bulldogue francês Lino. Apesar de estarem ambos no centro do enredo, eles também aparentam estar à margem do mundo, como os protagonistas de algumas das melhores obras da Nouvelle Vague. Não sei deixe enganar: por mais vasto, complexo e repleto de referências e citações que seja o universo de Bulldogma, o grande feito de Willian foi criar personagens tão verossímeis.

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Troquei alguns emails com Wagner Willian em seguida à minha leitura de Bulldogma. Conversamos sobre a origem da HQ, seus métodos de produção ao longo dos últimos anos, a influência de outras artes e técnicas na criação do gibi, suas inspirações e a já histórica campanha de divulgação do livro – marcadas por trailers lindos e uma série de entrevistas que já nasce clássica. Papo bom demais. Saca só:

“Eu queria envolvimento, algo que tomasse de assalto o tempo do leitor e permitisse a ele desenvolver um certo afeto. As histórias em quadrinhos são ideais para isso, principalmente pelo poder de sugestão dos desenhos.”

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HQ

Donald Trump, por Robert Crumb

Tá sabendo dessa obra feita pelo Robert Crumb e protagonizada pelo Donald Trump? Na verdade, é um trecho da HQ Point The Finger, publicada no número três da revista Hup, em novembro de 1989. Quase 30 anos depois, continua atual pra caramba, né? Como li no tumblr em que encontrei o quadrinho, a real é que pouca coisa mudou de 1989 pra cá – ou nos últimos 2000 anos, sei lá.

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Um papo entre Seth e Daniel Clowes sobre Patience e viagem no tempo

Tá massa demais acompanhar toda a cobertura feita pela imprensa sobre o lançamento de Patience, nova HQ do Daniel Clowes. Mas mais sensacional ainda tá sendo encontrar os registros das entrevistas e eventos dos quais o quadrinistas tem participado. Acabei de esbarrar com uma conversa gravada na Biblioteca Pública de Toronto, feita no início de fevereiro, entre o Clowes e o canadense Seth. Talvez seja o papo mais legal que encontrei até agora protagonizado pelo quadrinista durante sua turnê de divulgação de Patience. Ainda não consegui terminar, mas eles falam de tudo, de HQs a viagem no tempo. Foda demais. Salvem o link aí e assistam de boa quando estiverem com tempo. Vale a pena, cara. Ó:

E pra você que tá chegando agora, recomendo outros papos bem bons com o Daniel Clowes que já deram as caras por aqui: em junho do ano passado ele gravou com o pessoal da Meltdown Comics de Los Angeles uma entrevista falando da caixa com todas as edições de Eightball; depois, em novembro, divulgaram alguns trechos da fala dele no Comics Art Brooklyn 2015; e mais recentemente entrou no ar uma conversa de 45 minutos dele com os responsáveis pela livraria The Strand em Nova York. Só papo bom.

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30 anos de Gosh!, por Mike Allred

Já falei algumas vezes sobre a Gosh! por aqui – uma vez em um tour meu pela loja e outra numa matéria minha pra Folha sobre as lojas de quadrinhos de Londres. É das comic shops mais fodas que já visitei e os caras estão completando 30 anos de existência em 2016. Pra comemorar, os responsáveis pela loja encomendaram umas artes exclusivas para artistas sensacionais e estão vendendo como pôsteres lá no site da loja. Depois de um primeiro print lindo de autoria de Alessandra Criseo, agora foi a vez do Mike Allred. O quadrinista fez uma homenagem ao Soho, suas figuras mais lendárias e também à Berwick Street, onde atualmente está instalada a Gosh!. Sai por £40 – nada barato quando convertido pra real, mas uma investida que vale a pena, né não?

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Compraram Vagabond #1?

A proximidade do término de 20th Century Boys tá me deixando meio na seca por uma próxima coleção de mangá. Comprei o Blade – A Lâmina do Imortal da JBC, apesar de já ter lido os primeiros números pela Conrad e lembrar que não me empolguei tanto assim. Difícil dar uma segunda chance pra uma série que cada volume custa 40 conto. Não sei se insisto no número dois. Também pela Conrad comprei alguns Vagabond e não me lembro bem o motivo de não ter dado sequência. Talvez em algum momento tenha ficado claro que a série não ia terminar e desisti.

Daí que animei bastante com essa versão da Panini pra Vagabond. O preço é simpático e a edição tá bem bonita. Dei olhada por alto, já saiu até o número 28 no Japão e não terminou ainda. É isso mesmo? Taí um ponto negativo…mas acho que ainda vale, puta história e desenhos lindos. Também dou crédito pra Panini por ter completado Lobo Solitário e tá indo bem pra caramba com 20th Century Boys. Então fica assim: Vagabond entra de vez nas contas mensais e Blade tá ali meio em análise. E esse One Punch Man? Alguém tem algo a dizer sobre o gibi? Li coisas boas a respeito, mas ainda não convenceu. Recomendam? Sabem se já terminou lá no Japão ou tem perspectiva de término?

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Retrofit Comics 2016: está no ar o Kickstarter da editora de Box Brown

Tô insistindo há um tempo no trabalho do Box Brown aqui no blog. Não é de hoje que ele é uma das figuras mais interessantes dos quadrinhos norte-americanos. Além de ser um tremendo autor – sério cara, dá um jeito de ler Andre The Giant e An Entity Observes All Things – ele também é empreendedor pra caramba com seu selo/editora Retrofit Comics e tem um puta bom gosto pra selecionar seus autores. Daí que hoje entrou no ar a campanha da Retrofit Comics no Kickstarter pra bancar o lançamento de seis HQs da editora ainda em 2016. Os gibis já estão prontos e são de autoria de Leela Corman, Kaeleigh Forsyth, Alabaster Pizzo, James Kochalka, Paloma Dawkins, Eleanor Davis e Luke Howard.

Beleza que o dólar não tá lá essas coisas pra gente, mas acho que o projeto tem umas opções de financiamento bem criativas, aceitando contribuições a partir de US$1. Cara, faz assim: fica uns meses sem comprar Liga da Justiça ou Vingadores e investe nisso aqui. Certeza que vale a pena. A pedida dos caras é de 35 mil dólares e no primeiro dia já conseguiram mais de quatro mil conto, não tenho muitas dúvidas de que vai virar. Se ainda não conhece nada do Box Brown, dá uma lida na entrevista que fiz com ele no final de 2014, papo bem bom. Ó o vídeo de divulgação do projeto no Kickstarter: