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O retorno de Bill Watterson, o autor de Calvin e Haroldo

Três quadros ilustrados pelo autor de Calvin e Haroldo foram publicados semana passada na tira Pearl Before Swine. Quem afirma é o autor da tira, Stephan Pastis. No início da semana, antes da publicação, Pastis já havia sugerido que os leitores seriam surpreendidos nos próximos capítulos de sua série. Durante os últimos dias alguns sites especularam que o traço presente no quadrinho pertencia a Watterson. A suspeita só foi confirmada hoje, quando Pastis postou em seu blog um texto explicando como conseguiu fazer Watterson retornar aos quadrinhos mais de 18 anos após o término de seu trabalho mais famoso. Além do quadro central da tira aqui de cima, o pai do Calvin supostamente também ilustrou o centro das próximas duas tiras:

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Segundo Pastis em seu blog, ele havia tentado entrar em contato com Watterson recentemente. Extremamente recluso, Watterson não respondeu. Algumas semanas depois, Pastis publicou um tira na qual fingia ser o autor de Calvin e Haroldo pra conseguir uma namorada em um bar. Ele mandou a tira pra Bill Watterson por email, agradecendo por seu trabalho em Calvin e dizendo o quanto ele era uma influência em Pearl Before Swine.

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Aí vem a surpresa: Watterson respondeu o email. Ele disse que adorou a tira e queria propor uma história para Pastis. A resposta do fã:

“Caro Bill,
Eu faço tudo o que você quiser, incluindo colocar fogo no meu cabelo.”

Watterson disse que conhecia o trabalho de Pastis, que costuma fazer piada do fato de suas habilidades como desenhistas não serem lá essas coisas. A ideia de Watterson era que Pastis batesse a cabeça e começasse a desenhar bem – e esses seriam os quadros ilustrados pelo convidado. O dono da tira propôs outra ideia: ele criaria uma nova personagem, uma criança, que soubesse desenhar melhor que ele. O traço dela seria de autoria de Watterson. O nome da garotinha chama Libby, que depois foi abreviado pra Lib – Bil ao contrário, como lembra Pastis em seu blog. A origem da personagem:

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De acordo com Pastis, foi extremamente tranquilo trabalhar com Watterson e seu conceito para a tira foi mantido quase integralmente. Apenas uma fala foi alterada por sugestão de Watterson. Vale bastante a pena a leitura do post de Pastis. Ele diz que prefere não revelar muito sobre a dinâmica da produção com seu convidado, até pra preservar Watterson. Ele conta que que a produção foi bastante analógica e o pai do Calvin preferiu evitar ao máximo qualquer ferramenta digital durante a produção das tiras. Todos os contatos foram feitos por email e ele jamais conversou por telefone com seu colega. Demais né?

Só fico aqui pensando…ano passado completou 18 anos do final de Calvin e Haroldo. Pouco depois, o Bill Watterson dá duas entrevistas seguidas após anos de reclusão (uma aqui e outra aqui). Daí ele produz um cartaz pro documentário Stripped. Pode ser só sonho meu, mas será que não tá batendo nele uma saudade dos quadrinhos hein? Podia ser.

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Uma arte inédita assinada por Bill Watterson

Os cineastas Dave Kellett e Fred Schroeder conseguiram algo considerado impossível por muitos: não só entrevistaram o Bill Watterson como ganharam uma arte exclusiva do recluso autor de Calvin e Haroldo. A ilustração foi pro cartaz do filme, que você vê aqui em cima. O nome do documentário com a entrevista do Watterson é Stripped e vai ser lançado em dvd no começo de abril. A produção fala das tiras de jornais, como esse formato tem passado por uma transformação nos últimos anos, tema presente em Dear Mr. Watterson, e conta com depoimentos de mais de 70 cartunistas. Lá no New York Times tem outras informações sobre o documentário.

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Calvin vive

Dia 31 de dezembro de 2013 completou 18 anos de encerramento de Calvin & Haroldo, no final do ano passado foi lançado um documentário sobre a série do Bill Watterson, pra 2014 há algumas reedições da série previstas para serem lançadas e rolou um boato de uma possível cinebiografia do autor das tiras. Conversei com o diretor de Dear Mr. Watterson e com mais um pessoal bem legal pra escrever sobre a maioridade  de Calvin e Haroldo na edição de janeiro da Galileu.

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Calvin vive

18 anos após o encerramento de Calvin & Haroldo, a série ganha documentários, reimpressões e até uma possível cinebiografia de seu criador

Um convite era feito no último quadrinho de uma tira publicada há 18 anos: “O mundo é mágico, Haroldo, meu chapa… vamos explorá-lo!”. O chamado era feito por Calvin para seu tigre de pano Haroldo, protagonistas da tira que deixou de ser publicada no dia 31 de dezembro de 1995, ao chegar ao número 3.160. O recado não ficava só na ficção: era feito pelo autor da série, Bill Watterson, como consolo para seus leitores, que lamentariam o fim da tira. Dezoito anos depois do quadrinho derradeiro, a exploração do universo de Calvin & Haroldo é crescente e as notícias mais recentes relacionadas à obra cogitam a possibilidade de cinebiografia produzida por Leonardo DiCaprio sobre a vida do recluso autor.

O esforço do quadrinista para evitar qualquer forma de aparição pública e sua postura irrevogável em relação ao não-licenciamento dos direitos de suas criações não foram suficientes para conter uma onda crescente de interesse em relação a sua obra nos últimos meses. No fim de 2013 foi lançado o documentário Dear Mr. Watterson (Querido Sr. Watterson, em português) quando também foram disponibilizadas na Amazon versões em ebooks para três coletâneas de Calvin & Haroldo.

No Brasil, para 2014, estão previstos os lançamentos das quatro compilações. A Conrad, editora da série no país, cogita publicar as tiras em um aplicativo para celulares e estuda como lançar uma edição nacional para a enorme caixa luxuosa contendo três livros com a coleção completa da série.

“Calvin e Haroldo é tão bom que independe de merchandising e, ainda bem, Bill Watterson nunca precisou disso para viver de seus quadrinhos”, comemora o diretor do documentário Joel Allen Schroeder em entrevista a GALILEU. Em Dear Mr. Watterson ele tenta entender o culto à obra e a adoração aos personagens, apesar da relutância do autor em ganhar milhões de dólares com qualquer produto relacionado às suas criações além da reimpressão das tiras. Financiado coletivamente pela internet, o filme pode ser comprado em DVD e Blu-Ray no site dearmrwatterson.com.

Nascido no dia 5 de julho de 1958, Bill Watterson mora na pequena cidade de Cleveland Heights, no estado de Ohio, nos EUA. Em rara entrevista, publicada na edição de dezembro da revista norte-americana Mental Floss, reafirmou seus princípios contrários a qualquer produto ou continuação relacionado aos quadrinhos. “Um novo trabalho requer uma certa dose de paciência e energia e sempre há o risco de frustração. Você não pode culpar as pessoas por preferirem o que já conhecem e gostam. O ponto negativo, óbvio, é que previsibilidade é algo chato. Repetição é a morte da mágica”, disse.

As crenças do autor não impediram que fãs dessem continuidade às aventuras de Calvin. A ilustradora norte-americana Terra Snover, por exemplo, fez sucesso com Bacon & Hobbes (hobbes-bacon.com), HQ protagonizada por Haroldo e por Bacon, a filha de Calvin. “Não fui a primeira a fazer isso, criaram a história e perguntei se poderia levar adiante”, conta em referência ao trabalho original do site pantsareoverrated.com.

Editor da Maurício de Sousa Produções e responsável por pensar nos novos projetos relacionados à Turma da Mônica, Sidney Gusman crê que a postura de Watterson contribuiu para o crescimento do culto da série: “Por dar a ela um caráter finito, que nenhuma outra até então tinha”. Para ele, a receita de sucesso da série não tem segredo: “Creio que manter os personagens atuais geração após geração é um desafio e tanto. E poucos conseguem vencê-lo. Os que conseguiram estão aí até hoje, renovando seu público. E há, claro, casos como Calvin que continua atravessando gerações por sua qualidade atemporal”.

Protagonista ausente

Em busca pela compreensão do fenômeno Calvin, Joel Allen Schroeder conversou com leitores, editores e autores de publicações contemporâneas à tira, iniciada no dia 18 de novembro de 1988. Nem todos seus entrevistados apreciam a postura pouco social de Bill Watterson: “É natural que as pessoas queiram saber mais sobre ele. E como ele criou algo tão maravilhoso, há a crença que possa fazer ainda mais”, explica.

As reflexões propostas pelo documentário foram destaque nas críticas na imprensa norte-americana. O Hollywood Reporter ressaltou a análise sobre a perda de espaço dos quadrinhos em jornais após o fim da tira. Já o New York Times elogiou o espaço dado a outros cartunistas para falar sobre a obra de Watterson. Outro ponto enaltecido é a ida à cidade na qual Watterson foi criado e viveu por anos, Chagrin Falls, também em Ohio. Em uma das melhores sequências, são mostrados os locais que serviram de inspiração para os cenários das tiras. Ruas, prédios e praças são facilmente identificáveis.

Schroeder optou por não tentar entrar em contato com seu protagonista. “Eu teria amado falar com ele, mas sabia que as chances eram quase nulas. Não queria que o foco fosse a busca por ele, por isso decidi limitar ao máximo a intrusão à sua vida”, explicou.

Nos últimos meses, GALILEU tentou entrar em contato com o autor, mas, como consta no site da editora, “infelizmente, Bill Watterson não está disponível para entrevistas”.