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Assista ao debate Indefinidas Tiras em Quadrinhos, com Laerte e Galvão Bertazzi

Mediei o debate Indefinidas Tiras em Quadrinhos, uma conversa com Laerte e Galvão Bertazzi que fez parte da programação do evento Quadrinhos Impossíveis – edição online. O foco do nosso papo foi na produção recentes dos dois artistas, além da rotina de ambos como autores de tiras. Falamos sobre títulos como Manual do Minotauro e Vida Besta e também sobre técnicas e práticas dos dois em suas produções diárias.

Aproveito para recomendar os outros vídeos da programação do Quadrinhos Impossíveis. Ainda não assisti todos, mas foi muita gente boa envolvida, com vários temas interessantes. Tudo de graça no canal da produtora Monstra no YouTube. A seguir, a minha conversa com Laerte e Galvão Bertazzi:

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3ª (21/12) é dia de Indefinidas Tiras em Quadrinhos, papo com Laerte e Galvão Bertazzi no Quadrinhos Impossíveis

Vou mediar o debate Indefinidas Tiras em Quadrinhos, uma conversa com Laerte e Galvão Bertazzi, marcada para as 19h de amanhã, terça-feira, dia 21 de dezembro, como parte do evento Quadrinhos Impossíveis – Edição Online. Você assiste ao papo, de graça, no canal da produtora Monstra no YouTube. O foco da nossa conversa será na produção recentes dos dois artistas, além da rotina de ambos como autores de tiras.

O link para a live tá aqui.

Lembro que: escrevi em junho sobre Manual do Minotauro, coletânea de mais de 400 páginas publicada pela editora Companhia das Letras reunindo o melhor da produção recente de Laerte. E conversei Bertazzi sobre seus trabalhos na série Vida Besta em 2019, quando as tiras publicadas por ele desde os anos 1990 ganharam coletânea pela editora Pé de Cabrae voltamos a nos falar quando divulguei a arte do cartaz de 9 anos do Vitralizado.

Enfim, certeza de papo bom, aguardo a sua presença.

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Quadrinhos Impossíveis – edição online: 20, 21 e 22 de dezembro de 2021

Sou um dos convidados da edição online da Quadrinhos Impossíveis, evento de HQs organizado pela produtora cultural Monstra e marcado para os dias 20, 21 e 22 de dezembro de 2021. Vou mediar uma conversa com Laerte Coutinho e Galvão Bertazzi na próxima terça-feira, dia 21 de dezembro, mas falo mais sobre esse papo nos próximos dias. Compartilho mais abaixo a programação do evento, toda gratuita, no canal da Monstra no YouTube.

Também participam das conversas e oficinas do evento: Fábio Vermelho, Pablo Carranza, Juscelino Neco, Sirlanney, Manhã Ortiz, Carol Ito, Laerte, Galvão Bertazzi, Yuri Moraes, Xavier Ramos, Douglas Utescher, Aline Lemos, Helô D’Angelo, Gabriela Güllich, Marcio Jr, João Pinheiro e Marcello Quintanilha. A arte do material de divulgação é de autoria do lendário Jaca. Segue a íntegra da programação da Quadrinhos Impossíveis:

*20/12, 2ª, 21h: Confissões nas Redes Sociais, com Sirlanney e Manhã Ortiz, mediação de Carol Ito;
*21/12, 3ª, 19h: Indefinidas Tiras em Quadrinhos, com Galvão Bertazzi e Laerte Coutinho, mediação de Ramon Vitral;
*21/12, 3ª, 21h: Quadrinhos Sem Pretensão, com Xavier Ramos e Yuri Moraes, mediação de Douglas Utescher;
*22/12, 4ª, 19h: Quadrinhos dos Dias, com Helô D’Ângelo e Aline Lemos, mediação de Gabriela Güllich;
*22/12, 4ª, 21h, Brasil em Quadrinhos, com João Pinheiro e Marcello Quintanilha, mediação de Marcio Jr.

Também estão marcadas três oficinas online gratuitas, com inscrições em linktr.ee/monstra.art:

*2ª, 20/12, 15h: Diário de Criação – Método de Organização e Criatividade para Produzir Quadrinhos, com Sirlanney;
*3ª, 21/12, 15h: O Método Bertazzi de Fazer Quadrinhos, com Galvão Bertazzi;
*4ª, 22/12, 15h: Abordagens do Zine, com Aline Lemos.

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Galvão Bertazzi fala sobre a arte de aniversário de 9 anos do Vitralizado

O quadrinista Galvão Bertazzi assina a arte de aniversário de nove anos do Vitralizado. Bertazzi é autor das tiras das séries Vida Besta (reunida recentemente em coletânea da editora Pé-de-Cabra) e Um Ano Inteiro, do infantil Olivia Foi Pra Lua e de quadrinhos como Manual Prático da Complexidade Adquirida e Le Monstre (Ugrito #13). As artes prévias de aniversário do blog, produzidas a partir do quinto ano, foram assinadas por Jairo Rodrigues, Shiko, Benson Chin, Giovanna Cianelli e Deborah Salles.

Fiz a encomenda do cartaz para Bertazzi tendo em vista a Chamada Serigráfica, projeto do ateliê/editora Caderno Listrado voltado para a impressão de 365 obras em serigrafia. A obra foi impressa no formato A3, com três cores. Você pode comprar uma cópia do cartaz, numerada e autografada por Bertazzi, no site dele, clicando aqui.

Bati um papo com Bertazzi para saber mais sobre o desenvolvimento do cartaz celebrando os nove anos do blog. Ele me falou sobre alguns padrões recentes dos trabalhos dele que se fazem presentes na arte de aniversário do Vitralizado, comentou sua abordagem para ilustrações impressas em serigrafia e também expôs sua avaliação sobre o que considera essencial para um bom cartaz. Papo massa, saca só:

“A primeira coisa que me veio na cabeça foi: plantas!”

Detalhe da arte de Galvão Bertazzi para o cartaz de nove anos do Vitralizado, impresso pelo ateliê Caderno Listrado (@caderno.listrado/@chamadaserigrafica)

Logo quando começamos a conversar sobre esse cartaz do Vitralizado você já falou que estava pensando em algo relacionado à “temática plantas” em que tem trabalhado. Você pode falar, por favor, um pouco sobre essa tema predominante nos seus trabalhos mais recentes?

Durante anos eu tenho desenhado e pintado temas urbanos. É comum em quase todos os meus trabalhos a presença de prédios, carros, placas de sinalização e propaganda, fumaça e fogo e destruição em meio a janelas de prédios, muros e toda miscelânea de elementos de um centro urbano.  Num dado momento, em alguma tira (não me lembro qual) brotou um ramo de folhas em algum canto do desenho, como esses matinhos que insistem em nascer no meio do asfalto. Me apaixonei por aquilo e me apropriei dessa ideia, deixando com que as plantas tomassem conta da minha produção num determinado período, especialmente nas telas que eu vinha pintando. Foi um processo legal de transmutação dos temas no meu trabalho e quando voce me convidou pra fazer a arte do cartaz, não tive dúvidas e a primeira coisa que me veio na cabeça foi: plantas!

Você fez um trabalho com o pessoal do ateliê Caderno Listrado no ano passado e eu também imprimi o cartaz do aniversário do ano passado com eles. Não foi muito difícil a nossa decisão de irmos com eles nessa nossa parceria. O que mais te interessa na impressão serigráfica? Qual você considera a maior contribuição desse tipo de impressão para o seu trabalho?

Acho que o mais importante numa serigrafia é que a coisa fique bonita, aliás, que fique algo INCRÍVEL! É muito trabalho envolvido, desde a concepção até a impressão pra que a coisa fique mais ou menos. Numa serigrafia, é comum se ter um número pequeno de cores, então pra mim a primeira coisa a se pensar é a paleta e a combinação perfeita (ou quase) dessas cores. E existe toda uma arte na coisa de se revelar uma tela, e depois na impressão um encaixe perfeito de cada uma delas. O Caderno Listrado faz tudo isso com uma maestria e paixão por todo o processo que nem passaria na minha cabeça em fazer uma impressão serigráfica se não com eles.

“Convido o observador a ‘perder um tempo’ procurando detalhes e absorvendo a mensagem depois de um tempo namorando o cartaz”

Detalhe da arte de Galvão Bertazzi para o cartaz de nove anos do Vitralizado, impresso pelo ateliê Caderno Listrado (@caderno.listrado/@chamadaserigrafica)

E você pode falar, por favor, um pouco sobre as cores que optou para o cartaz do blog? Nós escolhemos trabalhar com três cores, como você chegou nas três que acabou usando?

Na verdade são quatro cores, se contar com a cor do papel, que também faz parte da composição da arte. Eu tenho costume de trabalhar com paletas quentes, vermelho, laranja e amarelo. Gosto das referências: sangue, fogo, apavoro e fim do mundo. Porém, para a arte do Vitralizado eu queria algo mais sereno e menos agressivo. Aí eu optei por explorar um pouco uma coisa mais fria e “tranquila”: a ideia de uma garota apreciando um gibi, enquanto plantas florescem do livro, ao seu redor e das várias cabeças arrancados e que agora são vasos espalhados pela sala. Trabalhar com cores frias é sempre um desafio pra mim, parece que minha cabeça não funciona muito bem com essa gama de cores ( azul, verde, lilás, etc), então me toma muito mais tempo pensar em como resolver o desenho do que seria fazer algo no automático com vermelho e laranja. E geralmente, quando me aventuro nesses tons mais calmos acabo gostando muito do resultado, apesar de quase sempre ficar bem mais exausto mentalmente.

Na arte que fiz pro Vitralizado o vermelho ainda marca presença, mas está diluído numa massa turquesa e ambas se fundem aqui e acolá.

Já vi outros trabalhos seus para cartazes e pôsteres. Você gosta de projetos do tipo? O que você considera essencial em um bom cartaz? Como foi a experiência de desenvolver esse cartaz de aniversário do Vitralizado?

Acho que a principal função de um cartaz é comunicar, no sentido mais direto da coisa. Morro de inveja de quem consegue fazer um puta cartaz com poucas cores, a fonte certa e aquele desenho matador e enxuto pra que o observador capte tudo numa fração de segundo e PÁ!, a mágica está feita!

Meu desenho é poluído, tem sempre muita informação e eu desisti de tentar mudar isso nessa altura do campeonato! O traço e a linha preta não me dão trégua e sempre regem a composição. Então quando me solicitam algum cartaz, pra algum lançamento, evento ou shows por exemplo, eu pratico uma tal resiliência em não tentar chegar num resultado final perfeito ( pro que seria um cartaz ideal ), mas tento encontrar na bagunça dos meus traços um resultado estético bacana e que comunique, convidando o observador a “perder um tempo” procurando detalhes e absorvendo a mensagem depois de um tempo namorando o cartaz.  A mágica também acontece, mas é preciso um trabalho maior de observação e leitura.

A arte de Galvão Bertazzi para o cartaz de nove anos do Vitralizado, impresso pelo ateliê Caderno Listrado (@caderno.listrado/@chamadaserigrafica)
Cinema / HQ / Séries

Vitralizado: 9 anos!

[[O quadrinista Galvão Bertazzi assina a arte de aniversário de nove anos do Vitralizado. A obra foi impressa em serigrafia pelo ateliê Caderno Listrado. Nos próximos dias publicarei uma entrevista com Bertazzi falando sobre a produção desse trabalho. Você confere as edições prévias das artes de aniversário do Vitralizado ao final do post]]

Vitralizado: 9 anos!

O Vitralizado completa hoje, 3 de outubro de 2021, nove anos de existência. Assim como no aniversário do ano passado, não vejo motivos para muitas comemorações. Estamos às vésperas de 600 mil mortes por conta da pandemia do novo coronavírus e seguimos presididos por um genocida fascista. O contexto me leva a autoquestionamentos constantes sobre as minhas motivações por aqui, fazendo jornalismo sobre histórias em quadrinhos.

Escrevi sobre minhas práticas profissionais na Sarjeta de agosto, expondo a minha crença na construção de uma perspectiva pessoal e na prática do jornalismo como prestação de serviço público. O blog é reflexo dessas convicções. Um trabalho voltado ao jornalismo e à insistência. Um projeto que, até o momento, não diz respeito a dinheiro, mas à convicção de estar chegando em alguém e gerando alguma troca sincera de ideias e conhecimentos.

O trabalho de Galvão Bertazzi na arte de aniversário de nove anos do blog retrata uma pessoa lendo enquanto a realidade floresce ao redor dela. Acredito no Vitralizado como um espaço de florescimento de ideias, o mesmo que espero de uma boa HQ. Agradeço suas visitas ao longo desses nove anos e prometo a continuidade dos trabalhos enquanto houver fôlego. Valeu!  

A arte comemorativa de 4 anos do Vitralizado, obra de Jairo Rodrigues
A arte comemorativa de 5 anos do Vitralizado, obra de Shiko
A arte comemorativa de 6 anos do Vitralizado, obra de Benson Chin
A arte comemorativa de 7 anos do Vitralizado, obra de Giovanna Cianelli
A arte comemorativa de 8 anos do Vitralizado, obra de Deborah Salles
Entrevistas / HQ

Papo com Galvão Bertazzi, autor Olívia Foi Pra Lua: “O Galvão autor de livro infantil foi um espasmo fofo da minha natureza”

É explícito o contraste entre o Galvão Bertazzi autor da série Vida Besta e o Galvão Bertazzi autor do livro infantil Olívia Foi Pra Lua. Os traços e as cores são os mesmos, mas fica de lado o que o autor chama de sua versão “noiada-paranóica-apocalíptica”, presente nas tiras dele, e vem à tona uma personalidade mais otimista e poética do quadrinista.

Com lançamento previsto para junho de 2021 pela editora Beleleu, Olivia Foi Pra Lua está atualmente em campanha de financiamento coletivo no Catarse. O projeto já alcançou a meta estabelecida para sua publicação, mas continua no ar até o dia 22 de maio de 2021.

Inspirada em uma história contada por Bertazzi para a filha dele antes de colocá-la para dormir, o livro infantil narra o empenho da jovem Olivia em viabilizar uma viagem pessoal para a lua. A arte sempre gritante do autor talvez seja o elemento mais emblemático da obra, mas chamo atenção para a missão bem-sucedida autoimposta por Bertazzi em não subestimar seu público infantil.

Conversei com Bertazzi sobre o ponto de partida e o desenvolvimento de Olívia Foi Pra Lua, suas inspirações por trás da obra e a experiência de ocupar o espaço de Laerte durante o período da autora se recuperando de COVID-19. Papo bem bom (assim como as conversas que tivemos em 2017 e 2019), saca só:

“Um bom livro infantil não subestima a criança”

Página de Olivia Foi Pra Lua, livro infantil do quadrinista Galvão Bertazzi (Divulgação)

Tenho perguntando para todo mundo que entrevisto desde o início do ano passado: como estão as coisas aí? Como você está lidando com a pandemia? Ela afetou de alguma forma a sua produção e a sua rotina diária?

As coisas estão loucas. Eu estou louco. Perdi a noção de tempo, de espaço. Tenho crianças em casa que pararam de ir pra escola, eu e minha companheira dividimos o tempo de home office, as contas não param, os trabalhos deram uma embananada completa, mas ainda sim consigo desenhar bastante, pintar e tocar guitarra e aos poucos essa anormalidade foi se tornando normal. Eu sou um puta privilegiado por morar numa casa com quintal, mato e espaço pra respirar e pensar. Mas essa coisa de não poder sair quando quer, fazer o que quer é um treco muito bizarro. Resumo, tá tudo louco de forma normal-anormal.

Você contou que o ponto de partida de Olivia Foi Pra Lua é uma história que você contava para a sua filha. Mas como foi o processo de transformar essa história em livro. O quanto da história original se manteve? Como foi essa adaptação de uma história oral para uma versão ilustrada e escrita?

A história original está praticamente ali, o que foi trabalhado e lapidado foi o texto. Me lembro de ter contado essa história pra Olivia, numa noite e enquanto eu estava botando ela pra dormir me veio o estalo: “Um livro infantil!”. O que até o momento era uma coisa que eu ainda não havia feito.

Me lembro dela pegar no sono e eu correr pro computador pra digitar as ideias iniciais e alguns desenhos rápidos do que logo depois seriam as ilustrações. A coisa toda deve ter durado uma semana mais ou menos. Eu tenho essa coisa de não fazer rascunhos antes de começar a desenhar, eu acabei trabalhando assim no processo do livro, tanto com os textos quanto ilustrações.

Eu ia escrevendo cada página e já desenhando o traço. Uma coisa que eu botei na cabeça foi fazer um trabalho meu, sem interferência de críticas, sugestões ou qualquer coisa externa. Eu não queria desconstruir narrativa e muito menos desenho. Foi pura diversão e a coisa fluiu rapidamente de um jeito legal. O texto foi a parte mais trabalhosa porque eu tenho uma tendência a ser verborrágico e ululante (como você pode notar nas minhas respostas). Eu gosto disso, mas tive que ir aceitando que é uma obra infantil, então precisei ser mais comedido

Essa não é a sua primeira experiência com obras infantis, certo? O que você considera mais essencial em uma obra voltada para crianças? Tem algum elemento que você acha que não pode ficar de fora de um livro ou uma HQ infantil?

Eu já ilustrei muitos livros infantis, mas nunca havia me aventurado em escrever e ilustrar. Um bom livro infantil é aquele que não subestima a criança. Eu sou pai de dois filhos, sabe? Uma das coisas que primeiro aprendi nessa maluquice de ser pai é que os moleques, desde muito cedo já estão atentos e compreendem (do jeito deles, claro) o mundo ao redor. E a gente aprende muito mais com eles do que o contrário. Então a primeira coisa que descartei foi a necessidade de passar alguma lição de moral, apresentar valores morais ou essa coisa clássica de enfrentar um grande obstáculo para se conseguir um objetivo final. MInha intenção era deixar tudo fluido e fácil. O mundo real já é chato demais!

“O mundo real é chato demais”

Página de Olivia Foi Pra Lua, livro infantil do quadrinista Galvão Bertazzi (Divulgação)

Acho que nos últimos meses, devido a todo o contexto social-político-pandêmico que estamos vivendo, as suas tiras têm ecoado sentimentos de cansaço, frustração e raiva. Fico curioso: é muito difícil para você desligar o modo Galvão-tiras para o Galvão-autor de livro infantil?

O Olivia Foi Pra Lua foi escrito em 2018, ou seja, nem em minhas previsões mais absurdas sobre o futuro eu poderia imaginar que estaríamos afundados nessa pandemia e o pior, essa pandemia no Brasil. O Galvão autor de livro infantil até o momento foi um espasmo fofo da minha natureza, coisa que ainda não se repetiu. Eu tenho trabalhado em passos lentíssimos num outro livro infantil, mas ao contrário do Olivia Foi Pra Lua que nasceu num lampejo, este está mais demorado que a encomenda.

Então, para todos os efeitos, eu sou apenas o Galvão-noiado-paranóico-apocalíptico-das-tiras-de-humor-duvidoso.

Você pode contar um pouco, por favor, sobre a concepção do projeto gráfico do Olívia Foi Para a Lua?

Os desenhos e as cores meio que já apareciam prontos na minha cabeça a medida que eu escrevia os textos. Os dois foram nascendo juntos e de certa formas resolvidos.  O que eu quis foi usar todo o repertório que eu tenho pra desenhar: linhas, cores, personagens e cenários absolutamente dentro do meu universo pictórico, então tudo surgiu naturalmente. Se eu ficasse preocupado demais em desconstruir desenhos, formas, abstrair as coisas eu teria travado e provavelmente o livro nunca ficaria pronto.

Agora, o pulo do gato partiu da Editora Beleleu. O editor Tiago Lacerda teve uma puta sacada em resgatar aqueles bonequinhos de papel destacáveis, muito comuns em revistinhas e livros infantis dos anos 80, juntamente com um cenário que pode ser montado. É uma coisa simples e que ficou LINDO de morrer. Vai ser um materia legal de se ter em mãos!

“Quis usar todo o repertório que tenho para desenhar”

Uma arte de divulgação de Olivia Foi Pra Lua, livro ilustrado do quadrinista Galvão Bertazzi (Divulgação)

Vi algo de Space Oddity do David Bowie no seu livro, faz sentido?

SIM! Space Oddity estava realmente rolando no repeat nessa época. Aliás Bowie está sempre tocando por aqui.

Você recentemente substituiu a Laerte nas tiras diárias da Folha enquanto ela se recuperava da COVID-19. Como foi essa experiência?

Primeiro, vou usar uma frase que to usando todas as vezes que me perguntam isso. A Laerte é insubstituível! Ou seja, o que eu fiz foi quebrar um galho, enquanto ela se recuperava desse vírus maldito.

Foi uma montanha russa de emoções porque não escondo de ninguém meu desejo de publicar diariamente naquela seção de tiras da Folha, mas levando em conta as circunstâncias, tudo que eu queria era honrar aquele espaço e devolver logo o espaço pra ela. E ufa!! Tudo terminou bem, publiquei umas tiras muito legais e a Laerte voltou melhor do que antes!!

Última! Você pode recomendar algo que esteja lendo, assistindo ou ouvindo no momento?

Eu gostaria de recomendar muito os livros da Editora Pé de Cabra. Com certeza é um material pros adultos, mas na minha cabeça, é a editora mais bacana da atualidade.

Acabei de receber o último lançamento, o Tiger Fist. Uma HQ divertidíssima e cheia de ação saída da cabeça do Gabriel Góes e desenhada por um time de quadrinistas fantásticos. Conseguiram resgatar com primasia esse gênero, estilo filmes de ação! Acho que tô um pouco de saco cheio de tanta HQ filosófica-existencial, então pra mim foi um prazer ter esse gibi na mão. Recomendo!

A capa de Olivia Foi Pra Lua, livro infantil do quadrinista Galvão Bertazzi (Divulgação)