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Pedro Franz e a produção do primeiro número da Série Postal

Ao longo dos próximos meses vou publicar lá no tumblr da Série Postal vários depoimentos dos artistas envolvidos no projeto sobre a produção de seus quadrinhos para a coleção. A ideia é sempre divulgar as falas com exclusividade por lá e depois de algumas semanas reunir o conjunto de cada autor em um único post por aqui. Hoje comecei a compartilhar algumas aspas que peguei com o Pedro Cobiaco sobre o trabalho dele, daí agora reúno a íntegra dos depoimentos do Pedro Franz por aqui. São falas que não pretendem esgotar as HQs por completo, só aprofundar um pouco mais os temas e conceitos tratados em cada edição. A seguir, aspas do Pedro Franz:

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“Quando veio a proposta do postal eu pensei que tinha tanto a questão da limitação do formato, 10,5X14,8, quanto a noção de que você tem que fazer algo contido nesse espaço de só uma página, que não só fizesse sentido, mas que também fosse o mais próximo possível de uma história em quadrinhos. E também tem a questão de não sabemos pra onde ele vai, né? Em quem ele vai chegar e se alguém vai realmente utilizar como postal”

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“O desenho original é um pouco maior do que um 10,5X14,8, eu fiz em um A5 (14,8X21). O principal ponto é resolver o que cabe nesse espaço tão pequeno. O que mais me interessou foi o fato de ser nesse local estranho do postal. Pode ser que as pessoas enviem para alguém…Talvez não, pode ser que elas apenas colem na parede ou guardem, não sei até que ponto as pessoas ainda enviam postais. É um formato que levanta questões bem interessantes”

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“O tempo inteiro, quando fazemos um desenho ou uma história em quadrinhos, a gente lida com restrições. Só que muitas vezes o artista não está consciente delas. Se dar conta dessas restrições é importante. No caso foi algo que partiu da proposta do projeto, mas pode sempre ser algo que parte do próprio artista”

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“Eu queria falar da Mail Art. Tem um artista que eu gosto muito que é o Ray Johnson e eu queria muito fazer uma homenagem. Eu fiquei um período pesquisando e revendo os trabalhos dele. Daí surgiu uma tentativa de fazer algo sobre essa pesquisa que não deu certo. Eu acabei pensando no Ulises Carrión, outro artista que gosto bastante. Pensei em uma conversa entre o Carrión e o Johnson e também não deu certo. Cheguei a começar a escrever coisas sobre os dois e não funcionou”

*Leia mais sobre Mail Art;
*Leia mais sobre Ray Johnson;
*Leia mais sobre Ulises Carrión;

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“Nessa minha pesquisa eu acabei encontrando essa frase do Ray Johnson. Ele fala que Mail Art não é um quadrado, um retângulo ou um slide, mas que é um rio. Achei essa ideia muito bonita, de fluxo, de tratar da circulação desse postal. De certa forma ele vai circular, fluir e não temos controle sobre isso. Fui reunindo todos os temas que foram surgindo em função disso. Coisas que estavam comigo de certa forma e eu queria colocar juntas em um trabalho”

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“Quando estava produzindo o postal aconteceu uma coisa aqui em Florianópolis. Uma exposição de fotografias do Marco Martins já estava montada e foi cancelada pela prefeitura por falta de verba ou algo assim. O Renato Turnes fez uma das fotos quando estavam tentando abrir a exposição e parecia uma foto de presídio, isso acabou entrando na HQ. Se eu refizesse hoje esse trabalho eu teria outras questões pra falar, talvez próximas das que abordei, mas sobre outros acontecimentos”

*Leia mais sobre a exposição de Marco Martins;
*Veja a foto de Renato Turnes retrata em Rio;

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“Não gosto muito de ficar explicando pra não fechar as leituras, mas tem algo sobre esse trabalho… Não tenho certeza quando eu fiz, acho que outubro ou novembro. Eu tinha visto um dos primeiros discursos do Temer após o impeachment em que ele diz essa frase que aparece meio cortada ali no canto, “Um agronegócio exuberante que não conhece crises”. Pra mim foi muito simbólico, ele acreditando estar imune a tudo. Queria usar como título, mas o trabalho não é apenas sobre isso. Parece que estamos em uma época de muitas questões políticas difíceis de tratar e pensar e ainda precisamos lidar com o cotidiano, com as coisas do dia a dia”

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Série Postal: a arte de Rio, HQ de Pedro Franz que abre a coleção

Aí está o trabalho produzido pelo Pedro Franz para o primeiro número da Série Postal. A HQ foi batizada de Rio e será lançada amanhã, às 16h, no Dia do Quadrinho Nacional da Ugra aqui em São Paulo. Ontem eu dei início no tumblr do projeto ao making-of Série Postal, seção reunindo falas e depoimentos dos artistas envolvidos na coleção sobre a produção de seus trabalhos. Já incluí por lá dois depoimentos do Pedro Franz e há mais alguns pra serem publicados nos próximos dias.

making-of Série Postal #1: “Quando veio a proposta do postal eu pensei que tinha tanto a questão da limitação do formato, 10,5X14,8, quanto a noção de que você tem que fazer algo contido nesse espaço de só uma página, que não só fizesse sentido, mas que também fosse o mais próximo possível de uma história em quadrinhos. E também tem a questão de não sabemos pra onde ele vai, né? Em quem ele vai chegar e se alguém vai realmente utilizar como postal”, Pedro Franz. 

making-of Série Postal #2: “O desenho original é um pouco maior do que um 10,5X14,8, eu fiz em um A5 (14,8X21). O principal ponto é resolver o que cabe nesse espaço tão pequeno. O que mais me interessou foi o fato de ser nesse local estranho do postal. Pode ser que as pessoas enviem para alguém…Talvez não, pode ser que elas apenas colem na parede ou guardem, não sei até que ponto as pessoas ainda enviam postais. É um formato que levanta questões bem interessantes”, Pedro Franz. 

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Série Postal: Pedro Franz é o autor do primeiro número da coleção de HQs em formato de cartão postal do Vitralizado

O quadrinista Pedro Franz assina o número de estreia da Série Postal. O projeto é a primeira investida impressa do Vitralizado, teve apoio do programa Rumos do Itaú Cultural e terá o lançamento de sua edição inaugural na última semana do mês de janeiro de 2017.

A Série Postal consiste em uma coleção de 12 HQs em formato de cartões postais, cada uma das obras é de autoria de um artista distinto da cena brasileira de quadrinhos. Os trabalhos serão distribuídos de graça e mensalmente ao longo de 2017 em lojas especializadas de diferentes cidades do país.

Em breve volto aqui pra falar mais sobre o evento de lançamento do primeiro número e também um pouco mais sobre as minhas inspirações com o projeto e a produção de cada um desses trabalhos. Os 12 números estão fechados e são todos matadores, prometo. Recomendo que você passe a seguir tanto a fanpage quanto o tumblr da Série Postal, algumas informações sobre a coleção vocês encontrarão na frente por lá.

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## Retrospectiva Vitralizado 2016 ## Rumor (Itaú Cultural), por Pedro Franz

O quadrinista Pedro Franz acompanhou a montagem e os ensaios do espetáculo Protocolo Elefante do grupo Cena 11 e transformou em um livro que é uma mistura de registro documental com ficção. Não sei se o próprio autor classifica Rumor como história em quadrinho ou livro ilustrado, mas sendo de autoria de um dos meus artistas preferidos e um dos personagens da cena brasileira de HQs, acho importante o registro.

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Rumor: o lançamento em São Paulo do livro de Pedro Franz com o grupo Cena 11

O Pedro Franz lança amanhã (23/8) a noite aqui em São Paulo o livro Rumor, parceria dele com o pessoal do grupo Cena 11. O evento tá marcado pra começar às 20h, lá no Auditório do Parque Ibirapuera, com a distribuição dos ingressos marcada pra ter início uma hora antes. Como o quadrinista já tinha me explicado na entrevista que fiz com ele no início do ano, a publicação é uma mistura de registro documental com ficção do período em que ele passou acompanhando a montagem e os ensaios do espetáculo Protocolo Elefante – que será apresentado também lá no Ibirapuera a partir das 21h. Você lê mais sobre a peça aqui e o lançamento do livro aqui. E sempre recomendo uma (re)leitura do meu papo com o Pedro Franz.

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A exposição de Incidente em Tunguska e o bate-papo com Pedro Franz na Ugra

E sábado também rolou na Ugra o lançamento de Incidente em Tunguska do Pedro Franz, com direito a exposição e um bate-papo com o autor. Já falei por aqui antes como considero Incidente em Tunguska outro grande quadrinho brasileiro dos últimos anos, principalmente por propor a retirada da HQ de seu espaço físico original, como livro, e a ida da obra para galerias e espaços expositivos. Durante pouco mais de uma hora conversei com o autor sobre a origem da HQ como parte de um projeto de mestrado na Universidade do Estado de Santa Catarina, as muitas reflexões que ele teve enquanto produzia o quadrinho e as várias conclusões em que ele chegou relacionadas às possibilidades crescentes da linguagem dos quadrinhos.

Depois o papo rendeu ainda mais com várias perguntas do pessoal que esteve presente no evento. A exposição do Incidente em Tunguska, com alguns dos originais do quadrinho, fica lá na Ugra até o dia 11 de junho. E caso você não tenha aparecido na loja no sábado, recomendo muito a leitura da minha entrevista com o Pedro, das minhas preferidas já publicadas por aqui.

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