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Papo com Artur Fujita

Conheci o trabalho do Artur Fujita por publicações de outros artistas do selo Dead Hamster. Já havia lido gibis produzidos por Julia Bax, Davi Calil, Greg Tochini e Roger Cruz, mas apenas no final do ano passado comprei Ascensão e Queda de Big Mini. Em fevereiro Fujita publicou Escrevendo com o Lado Esquerdo do Fígado (R$35). Também lançado pela Dead Hamster e produzido com verba do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), o título é um dos primeiros grandes gibis independentes e autorais brasileiros de 2015. A obra conta a história de Atílio, um rapaz ingênuo do interior que chega a São Paulo com a aspiração de virar escritor de histórias em quadrinhos de super-heróis. Sem dinheiro, ele vai trabalhar em um bar da Rua Augusta, onde conhece jovens com opiniões sobre todo e qualquer assunto e descobre que a bebida é sua melhor fonte de inspiração. O título também é o primeiro grande trabalho de um ano promissor não só para Fujita: em algum momento do segundo semestre de 2015, ele, Roger Cruz e Davi Calil lançam a Graphic MSP estrelada pelos personagens da Turma da Mata. Conversei com o quadrinista sobre a produção de Escrevendo com o Lado Esquerdo do Fígado, a dinâmica da Dead Hamster e um pouco da produção do blockbuster da Maurício de Sousa Produções. Ó:

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Destaque / HQ

Uma hora de conversa sobre Will Eisner com Brian Bendis

Além de responsável por alguns dos melhores gibis produzidos nos Estados Unidos nos últimos anos e principal escritor da Marvel, o Brian Bendis é professor de texto para quadrinhos na Portland State University. Semana passada ele passou pros seus alunos o documentário Will Eisner: Portrait of a Sequential Artist. Depois da exibição houve um debate sobre os trabalhos do criador do Spirit, a influência de Eisner na narrativa sequencial e seu legado para a indústria dos quadrinhos. Junto com o Bendis estava o Matt Wagner (responsável pela próxima série do Spirit), o escritor Douglas Wolk e a também professora e pesquisadora da Universidade de Portland Susan Kirtley. Uma hora de papo bem bom:

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Como A Queda de Murdock explica a relação entre o Universo Marvel no cinema e no Netflix

Dia 10 de abril estreia a série do Demolidor no Netflix. Tenho altas expectativas em relação a essas produções ampliando o universo cinematográfico da Marvel. Outro dia até falei por aqui do potencial desses seriados serem ainda melhores que os próprios filmes do estúdio. Uma das coisas que me faz acreditar nisso está ligada à própria dinâmica de uma série de TV. Claro, o que a Marvel está fazendo com seus filmes é tornar seus produtos para o cinema mais semelhantes a um seriado: cada longa é um episódio e cada uma das Fases que reúnem as produções é uma temporada. Também é possível fazer uma relação com revistas de histórias em quadrinhos: cada filme/episódio é uma edição, cada fase/temporada é um arco de histórias. Tendo cada uma das cinco produções do Netflix entre oito e treze episódios, cada arco poderá ser muito mais aprofundado que as obras para o cinema, óbvio.

GuerraInfinita

Apesar de Agents of S.H.I.E.L.D. ter encontrado seu rumo, ainda acho a série meio deslocada na cronologia do Universo Marvel. Tenho curiosidade em relação a como os fatos ligados ao enredo dos Inumanos serão inserido no filme do grupo, com lançamento em 2019. Acredito que os filmes continuarão determinando os rumos das séries. Sempre de cima pra baixo, do maior pro menor, e tudo relacionado a Inumanos será explicado no filme, como se Agents of S.H.I.E.L.D. jamais houvesse existido. A mesma regra valerá para as séries do Netflix. Talvez, em pelo menos uma das duas partes de Vingadores: Guerra Infinita, a galera toda dê as caras pro pau contra o Thanos. Será uma oportunidade única de juntar todo mundo num mesmo campo de batalho e mostrar o quão fodão é o inimigo da vez. Fala sério: quando você era pequeno e tinha seus bonequinhos, não deixava pro final da história uma luta épica envolvendo todo mundo? Pois é, esses são os bonequinhos do Kevin Feige e ele sabe que será a hora de reunir a tropa toda.

AQueda1

Pensando nessa relação entre filmes e séries da Marvel lembrei de algumas cenas que retratam perfeitamente a relação entre os personagens desses dois contextos diferentes. Tá tudo em A Queda de Murdock, talvez a melhor história do Demolidor. Frank Miller estava no seu auge e David Mazzucchelli ainda era um artista de revistas de super-heróis. O vilão Bazuca está destruindo a Cozinha do Inferno, quebrando tudo enquanto enfrenta o Demolidor. O estrago é tão grande que os três principais Vingadores precisam dar as caras. Capitão América, Thor e Homem de Ferro chegam ao mesmo tempo pra controlar a situação. A cena é narrada do ponto de vista de Ben Urich, amigo do Demolidor. Ele deixa claro o desnível entre a simbologia dos quatro heróis ali presentes: o alter-ego de Matt Murdock é o cara que toma conta da Cozinha do Inferno e os três protegem o planeta. O mesmo conceito volta a a ser explorado mais pra frente na mesma obra, quando o Demolidor percebe a presença do Capitão América por perto e narra como seus sentidos estão detectando a presença de uma criatura superior.

AQueda2

Por mais épicos que sejam os eventos narrados nos programas do Netflix, eles devem seguir essa mesma lógica. O que acontece na série, fica por lá, e isso é conveniente para engrandecer ainda mais os principais produtos da Marvel hoje em dia, os filmes e os personagens que compõem os Vingadores.

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Lembro de uma entrevista de Jeph Loeb quando as produções do Netflix foram anunciadas. Quadrinista de altos e baixos, ele ficou responsável por produzir os trabalhos da Marvel para televisão. Ele disse o que passou na sua cabeça quando viu no cinema o exército alienígena comandado por Loki surgir no céu acima da Torre Stark no primeiro Vingadores. “No Universo Marvel de verdade, dez quarteirões dali há um lugar chamado Cozinha do Inferno, habitado por Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Esses caras não estarão envolvidos em um incidente bélico intergalático”. Papum. A fala casa perfeitamente com os significados presentes nesses encontros de A Queda de Murdock. Dê um jeito de ler (ou reler) esse gibi até 10 de abril.

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O primeiro episódio de Powers na íntegra online

Já comentei por aqui como o Brian Bendis é um dos meus escritores de quadrinhos preferidos. No entanto, a série Powers dele nunca me pegou da mesma forma que seus trabalhos em Alias e Demolidor. O seriado que adapta a história em quadrinho estreou ontem na PlayStation Network e está disponível na íntegra no Youtube. Darei uma chance pra série e até animei a dar uma segunda pro gibi. Assiste aí, também não vi ainda, e depois conversamos sobre. Ó: