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Posts com a tag Barbára Malagoli

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5ª (14/9) é dia de papo com Bárbara Malagoli, Paula Puiupo e Julia Balthazar sobre a criação de Topografias na Laje

Tá em São Paulo? Tem programa pra 5ª (14/9)? Então recomendo um pulo na Laje, às 19h30, pra assistir um papo com Bárbara Malagoli, Paula Puiupo e Julia Balthazar sobre a criação de Topografias. O evento é gratuito e consiste numa conversa com as três quadrinistas sobre os processos utilizados por cada uma delas para a criação de suas HQs pra coletânea lançada ano passado pelo selo Piqui. Gosto muito da Topografias, cheguei inclusive a escrever pra Rolling Stone sobre o projeto, e também acompanho com atenção os trabalhos das três que estarão na Laje falando sobre o álbum. Enfim, acho um programão esse bate-papo. Você confere as instruções sobre como chegar na Laje e mais sobre o conteúdo do encontro lá na página do evento no Facebook.

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Bárbara Malagoli e a produção do quinto número da Série Postal

Volto a reunir por aqui a íntegra de mais uma leva de depoimentos de um dos autores da Série Postal sobre a produção de cada HQ. Dessa vez, reproduzo as falas da Bárbara Malagoli comentando a criação do quinto número da coleção, batizado por ela de Submerso e inspirado no filme Segredos de Sangue do diretor Chan-wook Park. A arte aqui em cima é o primeiro rascunho da quadrinista para o que viria a ser o quadrinho. Sempre lembrando que lá no tumblr da Série Postal você encontra com exclusividade todo esse material de bastidores da coleção. A seguir, aspas de Bárbara Malagoli:

“As coisas fluíram bem durante a produção. Eu gosto muito de falar da perspectiva feminina e desse lance de autoconhecimento. Há alguns anos eu assisti um filme que ficou na minha cabeça, ‘Segredos de Sangue’ do Chan-wook Park, e o quadrinho é baseado nele. Eu tava louca pra expressar de algum jeito o que eu sentia, é tipo uma homenagem mesmo, fiquei muito tocada e queria botar pra fora isso tudo. Ainda assim, o postal pode ser interpretado de diversas formas”

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“Eu gosto muito do Chan-wook Park, da personagem feminina que tá se conhecendo e da trilha sonora do Philip Glass. O desenrolar do filme é toda uma descoberta e o final não é necessariamente feliz. Aliás, o final parece ser o começo de uma outra jornada e talvez isso tenha me chamado ainda mais a atenção, esse processo de se conhecer que não é nunca algo finalizado. Somos seres humanos inacabados, estamos sempre nos conhecendo. Nem sempre é bom se conhecer, mas é um processo natural”

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“Estava claro pra mim o que eu queria fazer. A frase presente no postal passa toda a mensagem. Eu trabalho de uma forma não tão convencional com quadrinhos, né? É meio brega falar assim, mas talvez eu queira passar uma mensagem maior em cada página em que trabalho. Eu fico até confortável com as restrições espaciais do postal, não acho ruim trabalhar dentro dessas limitações”

“Essa ideia de produzir a história toda em uma única página pode fugir um pouco do convencional, mas hoje em dia é importante as pessoas possam expressar de formas não convencionais e não estejam presas a formatos tradicionais. É muito legal você ver pessoas experimentando e ver o leitor ter um leque mais amplo em termos de quadrinhos. Considero isso uma evolução”

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“Eu começo no papel, vou rabiscando umas coisinhas que gostaria de fazer. Fiz a mão essa ideia e ficou lá no subconsciente, em uma gavetinha. Quando veio o convite pra participar do projeto a ideia voltou. Aí desenhei e depois passei pro Ilustrator, um programa de ilustração vetorial. Depois disso, eu passei pro Photoshop, lá eu finalizei com texturas, cores e acabamentos. Geralmente todos os meus trabalhos são assim”

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“Eu sou a louca das cores, eu consigo ver paletas em qualquer cenário. Eu vejo o meu quarto com muito rosa, muito amarelo, muito verde-água, umas cores que eu gosto muito. Não sei como chego numa seleção final de quais delas entram em cada trabalho, é um feeling, eu vou misturando e testando. Eu gosto muito de cores quentes, gosto muito de rosa, é algo meio ligado a uma psicodelia típica dos anos 70, não consigo categorizar. No final das contas é uma coisa muito mais intuitiva do que pensada, vou testando até o meu cérebro falar que gostou”

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“Cores quentes chamam mais a minha atenção. Escolher quais cores eu vou utilizar é a parte mais divertida do trabalho, passo horas e sofro por indecisão. Sofri muito por indecisão pro postal, principalmente por ser livre. Mas no final das contas é a parte mais gostosa pra mim, pensar nas cores e no acabamento, tira a pressão do trabalho. Já está tudo feito, a forma tá lá, agora é hora de brincar. E no digital é mil vezes mais fácil que no analógico, há a possibilidade de você mudar as cores com um clique, não tem como não pirar”

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“Pra mim é muito mais difícil fazer algo autoral. Quando eu recebo encomendas de trabalho, pode vir uma tabela de cores, uma data de entrega, um tema, um local no qual a arte vai entrar, tá tudo pronto, já vem com os ingredientes. Comercialmente isso é muito agradável. Quando é pessoal o bicho pega, precisa ser algo que eu queira falar e passar e eu posso fazer o que quiser. É melhor, mais prazeroso, trabalhar com total liberdade de tema e técnica, mas também dá muito medo, só tem você pra culpar. Se ficar uma bosta é você que mandou mal”

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“Gosto muito do meu trabalho comercial, ele respeita bastante o que eu sinto prazer em fazer, mas no trabalho autoral você olha mais pra dentro. É quase uma terapia. É muito mais trabalhoso e também a recompensa de ver uma fase da sua vida materializada… Você vai olhar aquilo daqui alguns anos e pensar ‘aquela era eu’. É um resumo também da sua técnica, aquela que você era capaz de dominar. É isso, se reconhecer nesses materiais que você cria, ver a evolução e a marca do tempo em cada obra”

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HQ

Série Postal: Bárbara Malagoli é a autora do quinto número da coleção de HQs em formato de cartão postal do Vitralizado

A quadrinista Bárbara Malagoli é a autora da HQ da 5ª edição da Série Postal. O projeto é a primeira investida impressa do Vitralizado e foi produzido com apoio do programa Rumos do Itaú Cultural. O dia e o local de lançamento do quadrinho serão anunciados em breve.

A Série Postal consiste em uma coleção de 12 HQs em formato de cartões postais, cada uma das obras é de autoria de um artista distinto da cena brasileira de quadrinhos. Os trabalhos estão sendo distribuídos de graça e mensalmente ao longo de 2017 em lojas especializadas de diferentes cidades do país. O primeiro número foi assinado por Pedro Franz, o segundo é de autoria de Pedro Cobiaco, o terceiro de Taís Koshino e o quarto de Bianca Pinheiro.

No tumblr da Série Postal você encontra informações exclusivas sobre o projeto, depoimentos dos artistas envolvidos e matérias sobre a coleção.

Entrevistas / HQ

Papo com as autoras de Topografias: “Todas nós possuímos uma certa inquietação na forma de narrar”

O álbum Topografias será lançado amanhã (16/7) na Gibiteria, aqui em São Paulo, a partir das 16h. A coletânea chega às lojas especializadas já como um dos grandes trabalhos em quadrinhos publicados no Brasil em 2016. As seis autoras responsáveis pela obra são algumas das quadrinistas mais interessantes em atividade no país hoje. Todas elas também com grandes obras publicadas em 2015: Julia Balthazar (Internet Friends), Bárbara Malagoli (Glitter Galaxxia), Lovelove6 (Garota Siririca), Mariana Paraizo (O Ateneu), Puiupo (Úlcera) e Taís Koshino (Coral).

Com histórias principalmente sobre relacionamentos e de ficção científica, Topografias impressiona principalmente pelas diferentes técnicas utilizadas por cada uma de suas autoras, assim como os estilos individuais de cada trabalho. Publicado pelo Selo Piqui de Brasília, o livro não só reúne boas histórias como propõe reflexões sobre várias possibilidades das linguagens dos quadrinhos. Conversei com as autoras do álbum por email. Uma das responsáveis pelo Selo Piqui, Taís Koshino me falou sobre a origem do projeto, a escolha do tema da obra e a dinâmica de produção do livro. Também fiz perguntas individuais sobre questões relacionadas às histórias de cada uma das artistas. Segue o papo:

[OBS: também recomendo a leitura da entrevista dada pelas quadrinistas à Ovelha e da resenha do Topografias feita pela Laura Athyde lá no Minas Nerds]

“Dentro de cada história de Topografias, há um universo particular, onde percebemos um tipo diferente de experimento, seja através da técnica utilizada, da composição da página, da escrita ou da própria narrativa”

Taís Koshino (Teneusca):

Quando e como surgiu a Topografias?

Nós nos conhecemos pessoalmente no FIQ de 2015. Todas nós já conhecíamos e admirávamos o trabalho uma das outras, através da internet. Durante o evento, constatamos o que já sabíamos: que poucas autoras mulheres são chamadas ou conseguem participar de antologias e coletâneas de quadrinhos. Decidimos pensar em algo pra responder a isso. A vontade de fazer uma publicação com pessoas que você admira vem de forma natural. Ao percebermos a força que nossos trabalhos poderiam ter juntos, todas se animaram com a ideia de uma publicação coletiva. Tornar isso realidade era a parte difícil. Eu era a única que, além de autora, já possuía uma editora independente (o Selo Piqui), então fiquei responsável pela organização e produção gráfica do projeto, que tomou forma como o Topografias, lançado oito meses depois, na Feira DENTE.

No site da revista diz que o tema do projeto “é a passagem, o percurso”, como vocês definiram esse foco e por que ele?

Assim que o FIQ acabou, já criamos um grupo online para nos comunicarmos e darmos continuidade ao projeto, porém, percebemos a necessidade de um tema que guiasse todas as histórias. Eu fiquei incumbida de dar três sugestões de tema a serem votados pelas autoras, e passagem/percurso foi o tema vencedor.

O tema é amplo e possibilita várias formas de abordagem que foram adaptadas pelo estilo de cada autora. A sua potência subjetiva abre muitas possibilidades de interpretação e nos remete a nossa própria história: perdas, procuras e descobertas, o que estamos passando e já passamos em nossas próprias carreiras como artistas. É um tema intimista e afetuoso, que deu uma fluidez ao livro, transformando-o em mais um percurso dos percursos criados pelas autoras.

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