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Entrevistas / HQ

Papo com Jão, editor da coletânea PARAFUSO 1: “Minha ideia foi fazer uma investigação sobre os recursos da linguagem das narrativas gráficas com o auxílio de restrições criativas”

Caso você esteja em Belo Horizonte no próximo sábado (30/11), recomendo um pulo na Livraria da Rua (R. Antônio de Albuquerque, 913, Funcionários), a partir das 13h, para o lançamento da coletânea PARAFUSO 1. Editada e idealizada pelo quadrinista Jão, o álbum de narrativas gráficas experimentais conta com trabalhos de 12 artistas de Belo Horizonte além do autor responsável pelo projeto: Aline Lemos, Batista, Bruno Pirata, Daniel Pizani, Estevam, Faw Carvalho, Gabriel Nascimento, Ing Lee, João Belo, Julhelena e Priscapaes.

Parceria das editoras Pulo e Miguilim, PARAFUSO 1 tem 48 páginas e é fruto de um período de três dias de trabalhos dos 12 artistas envolvidos no projeto no Laboratório de Quadrinhos Potenciais coordenado por Jão em janeiro de 2018. O Laboratório inclusive já rendeu dois posts de bastidores aqui no blog: um no qual Jão escreveu sobre a origem do projeto e outro sobre os temas e das restrições impostas aos artistas participantes. Também compartilhei por aqui uma prévia de sete páginas da PARAFUSO 1.

Às vésperas do lançamento de PARAFUSO 1 eu bati um papo com Jão sobre a criação, o desenvolvimento e a publicação da coletânea. Ele falou sobre a dinâmica dos trabalhos do Laboratório de Quadrinhos Potenciais, suas inspirações no OuBaPo, a opção pela cidade como tema central da obra e uma explicação didática sobre seu “universo PARAFUSO”. Como sempre, conversa bem massa. Saca só:

(na imagem que abre o post, quadros do trabalho de Ing Lee para a coletânea PARAFUSO 1)

“Minha ideia foi priorizar as trocas a partir do convívio de produção em conjunto”

Quadros do trabalho de Bruno Pirata para a coletânea PARAFUSO 1

Os quadrinhos presentes na PARAFUSO 1 foram criados durante o Laboratório de Quadrinhos Potenciais que você organizou em janeiro de 2018. O que foi o Laboratório? Como você concebeu esse projeto?

O Laboratório de Quadrinhos Potenciais foi uma residência artística que criei para desenvolver trabalhos em conjunto com outros profissionais que já tinham experiências com publicações impressas. É importante frisar que a proposta não era direcionada apenas para quadrinistas, mas também para pessoas de outras áreas ligadas às artes visuais, que poderiam contribuir por meio de um certo deslocamento em relação aos quadrinhos, o que é ótimo. Minha ideia, ao desenvolver a atividade, foi priorizar as trocas a partir do convívio de produção em conjunto, assim como fazer uma investigação sobre os recursos da linguagem das narrativas gráficas com o auxílio das restrições criativas do OuBaPo. Ao longo dos encontros uma série de exercícios foram propostos para os artistas, com várias limitações pré-estabelecidas, para analisarmos, em conjunto, a forma como esses desafios seriam trabalhados. Os resultados são incríveis e muito do que foi discutido no período está transposto na PARAFUSO 1! Além disso, temos ainda uma quantidade grande de páginas prontas para lançar em uma publicação futura.

“As histórias e narrativas presentes na PARAFUSO 1 ganharam outras dimensões para mim”

Página de Aline Lemos presente na coletânea PARAFUSO 1

Quase dois anos depois dos encontros do Laboratório de Quadrinhos Potenciais, a PARAFUSO 1 está sendo finalmente lançada. Qual balanço você faz desse projeto? Você consegue fazer um comparativo entre o que imaginava que essa obra poderia ser e a versão que acabou sendo impressa?

Apesar do distanciamento em relação ao momento em que as histórias foram geradas e a publicação eu já tinha preparado a organização e como gostaria de apresentar este trabalho ainda no primeiro semestre de 2018. De todo modo, um lado bom da espera foi que quando retomei as conversas com a Miguilim, para finalmente lançarmos esse trabalho, percebi que as histórias e narrativas presentes na PARAFUSO 1 ganharam outras dimensões para mim, o que acho importante, pois não gostaria de desenvolver algo que ficasse datado. Ainda aprendo e ainda sou estimulado pelo que os autores criaram ali.

Por mais que você tivesse planos para o lançamento de uma obra impressa fruto do Laboratório de Quadrinhos Potenciais, esse é um projeto que você tinha controle mínimo em relação àquilo que era realizado pelos 12 autores. O que mais te surpreendeu nessa experiência?

Nossa, existem tantas surpresas! É difícil até criar uma lista, mas vou citar duas situações que me marcaram: 

Em primeiro lugar a produção da Ing Lee: até então ela não havia feito nenhuma história em quadrinhos, mas eu gostava muito do trabalho que ela desenvolvia com os zines e, em uma edição da Faísca, convidei ela para produzirmos alguma coisa juntos. Acabou que até o Laboratório não conseguimos, mas a participação dela na atividade e depois é fundamental para mim. A Ing tem uma energia e uma vontade, assim como uma sabedoria gráfica e narrativa, que sempre me levam a lugares que ainda não tinha estado. Desde os encontros do Laboratório que ela tem se tornado, cada vez mais, uma das grandes representantes dos quadrinhos em Belo Horizonte e no país.

A maior surpresa que tive, no entanto, foi com o trabalho do Batista: eu conhecia as obras dele por conta dos cartuns que lançava na internet e, até então, ainda não tinha visto nenhuma narrativa um pouco mais longa feita por ele. Lembro de uma conversa durante o Laboratório, que ele dizia que estava aberto e que queria experimentar situações que o tirassem da zona de conforto. Foi o que aconteceu. Quando a história que ele produziu chegou ao meu e-mail foi como uma explosão. O grau de amadurecimento e sensibilidade que estavam presentes nas páginas que ele enviou, e que estão presentes na revista, é gigantesco! É impressionante como, em apenas quatro páginas, ele consegue desenvolver algo tão denso, tão aberto, e que me fez pensar (e ainda estou) durante tanto tempo.

“O OuBaPo e a experimentação na linguagem eram isso: novos universos a serem explorados”

Página de Julhelena presente na coletânea PARAFUSO 1

Nos posts de bastidores que fizemos aqui no blog você falou sobre seu interesse em uma “forma lúdica de criação”. Foi lúdico o processo de criação desse livro? Quais são as suas principais lições e experiências e suas melhores memórias desse processo de criação coletivo com esses 12 autores que participam do livro?

Acredito que em janeiro de 2018, quando o Laboratório foi realizado, eu precisava encontrar novos motivos para seguir com minha produção autoral. Para isso optei por procurar paralelos com o momento e a energia que me fizeram começar minha carreira nos quadrinhos. O que descobri foi que, naquela época (2007, 2008…), eu não criava histórias como um modelo de trabalho, mas sim porque era divertido para mim. Era um universo completamente novo a ser explorado, o que sempre me instigou. Ao chegar nessa conclusão, percebi que queria construir algo assim tanto para as atividades como para uma forma de produzir quadrinhos que pudesse ser passada para outras pessoas. O OuBaPo e a experimentação na linguagem eram isso: novos universos a serem explorados. Ao partir desta premissa, elaborei alguns exercícios para guiar os encontros, mas outras atividades foram pensadas em conjunto também. A residência foi muito boa nesse sentido, pois percebi que todos ali estavam se divertindo ao produzir e elaborar histórias, foi meio que um jeito de sair do cotidiano. Dos retornos que tive dos artistas quando o Laboratório já havia acabado e cada um estava criando as narrativas que comporiam a PARAFUSO 1, também recebi muitas mensagens deles sobre o quanto estavam gostando de fazer aquilo. Percebo que a imersão nesses processos foi um bom respiro para os participantes e para a cena de Belo Horizonte.

“Foi estabelecido uma espécie de tema, que permeia toda a obra, que é a ‘cidade'”

Página de Estevam presente na coletânea PARAFUSO 1

Pelos prévias já divulgadas por você, chama atenção a variedade de estilos e técnicas presentes no livro. Como foi conciliar toda essa diversidade e dar unidade à coletânea?

Acho que já falei aqui no Vitralizado sobre o meu grande interesse pelo formato revista. Eu fui criado assim e é algo que me atrai demais. Essa experiência vai também de encontro com as antologias de quadrinhos, sejam elas gringas ou nacionais, sendo que a principal influência que tenho é da Graffiti 76% Quadrinhos, que era uma antologia editada aqui em BH. Nesse tipo de publicação é comum essas reuniões de variados estilos e técnicas. No caso da PARAFUSO 1, o que fiz foi organizar tudo de um jeito que fazia algum sentido para mim, mas que também pudesse contar uma história por meio da sequência de narrativas, que gerasse uma experiência de leitura mesmo. Além disso, foi estabelecido uma espécie de tema, que permeia toda a obra, que é a “cidade”. Não Belo Horizonte ou algum outro lugar determinado, mas o espectro de cidade. Sendo assim, meio que uma unidade já havia sido formatada desde o início.

Por que “a cidade” como tema desse projeto?

Quando estava elaborando o Laboratório de Quadrinhos Potenciais pensei que deveria encontrar um mote para ligar tudo aquilo que seria produzido na residência, mas estava com dificuldades para achar isso. Foi a Helen Murta, minha companheira e sócia na Editora Pulo, que sugeriu o tema “cidade”. Pesquei na hora essa ideia porque já era algo que estava muito enraizado em meu trabalho, mas percebi que seria legal que a troca de experiências entre os participantes partisse desse lugar para que outras conclusões sobre os centros urbanos fossem discutidas a partir da linguagem dos quadrinhos.

“Já tenho dois ou três universos distintos para números posteriores da PARAFUSO”

Página de Gabriel Nascimento presente na coletânea PARAFUSO 1

Você já lançou a PARAFUSO 0, agora esta lançando a PARAFUSO 1 e prometeu para breve o lançamento da PARAFUSO ZERO – Expansão. Qual a diferença entre cada um desses trabalhos? Por que esse interesse por parafusos?

Desde o início, com o lançamento da revista PARAFUSO 0, eu tinha definido que queria desenvolver 10 edições da PARAFUSO. A ideia, no início, era fazer duas ou três por ano, mas acabei percebendo que PARAFUSO é um projeto de vida, é meu laboratório e um jeito de dar vazão ao que estou pensando e criando como autor. Dessa forma, acho que o projeto vai me acompanhar durante um bom tempo.

Para complicar um pouco as coisas, percebi que as edições não precisavam, necessariamente, serem fechadas em um número. Então tenho trabalhado cada obra como um universo, que pode ter desdobramentos ou não.
O universo PARAFUSO ZERO é uma série sobre superseres, uma reflexão sobre a sociedade e uma jornada pelos estudos que tenho feito sobre autoritarismo e democracia, que são, no fim, o que tenho vivido e pensado. Ela está sendo ampliada por meio da construção do PARAFUSO ZERO – Expansão, que em breve será publicado.

Já o universo PARAFUSO UM é mais ligado à produção de quadrinhos do que sobre uma temática específica. A ideia é que outras antologias e outras formas de pensar o processo de confecção das narrativas gráficas sejam desdobrados a partir daí.

Como não me canso, já tenho dois ou três universos distintos para números posteriores da PARAFUSO. Vamos ver quando começo a trabalhar neles…

“Minha forma de apreciação para essa linguagem está muito mais focada na narrativa ou no desenho do que nos textos”

Página de Batista presente na coletânea PARAFUSO 1

O que mais te interessa em termos de quadrinhos hoje? O que você mais tem interesse em ler e tentar fazer e experimentar com a linguagem das HQs?

Eu tenho lido poucos quadrinhos nos últimos anos, apesar de ser bem nerd quando sismo de encontrar trabalhos por conta própria. Mas normalmente eu não leio quadrinhos, ou, pelo menos, não do jeito que costumamos tratar como leitura. Minha forma de apreciação para essa linguagem está muito mais focada na narrativa ou no desenho do que nos textos ou para saber o que acontece a seguir numa história. Tive uma conversa com o Bruno Pirata (que também participa da PARAFUSO 1), há algum tempo, em que chegamos juntos na conclusão de que os quadrinhos se tornaram um meio obsoleto para se contar histórias por conta de toda a quantidade de informação e mecanismos que existem, como Netflix, cinema, literatura etc. Estou muito mais interessado nos conceitos sobre a narrativa gráfica. Vez ou outra eu me pergunto os motivos para seguir fazendo quadrinhos e não partir para outros caminhos artísticos, mas sempre chego na conclusão de que esta é minha forma de expressão, é como consigo passar o que penso, que, de certa forma, é como segue o meu fluxo de pensamentos no cotidiano. Enfim, fui para um lugar bem distante do que me perguntou, então retomando: pesquiso muito sobre novos autores ou artistas que estão desenvolvendo trabalhos nessa linguagem pelo mundo. Sigo acompanhando também o que hoje pode ser considerado um recorte do nosso mercado, que seriam os trabalhos de vanguarda dos quadrinhos, aqueles que estão à margem, mas que empurram a nossa produção para frente, como o Gerlach, a Puiupo, a Lovelove 6, o Sica, o Odyr, o Dahmer, o Gabriel Góes, o Lucas Gehre, a Ing Lee, a Aline Lemos, e mais um monte de gente. E o Chris Ware sempre.

A capa da coletânea PARAFUSO 1
Entrevistas / HQ

A Zica está de volta: “Não estamos aqui para publicar historinhas sobre crises existenciais românticas, estamos aqui pra zoar o plantão”

A revista A Zica está de volta. O quinto número da publicação editada por Luiz Navarro, Marcos Batista e João Perdigão será lançado no sábado (22/9), na galeria de arte Mama/Cadela, em Belo Horizonte – você confere outras informações sobre a festa na página do evento no Facebook. Com capa assinada pelo quadrinista Diego Gerlach, o mais novo número da publicação iniciada em 2010 teve como tema ‘vermes, astronautas e América Latina’ e contou com a participação de 64 artistas.

“‘América Latina’ foi uma escolha política mesmo, para trazermos o olhar para a nossa própria identidade cultural”, conta Luiz Navarro. Em entrevista ao blog, Batista, Navarro e Perdigão falam sobre o processo de edição desse quinto número, tratam dos desafios de dar vida a uma obra independente de mais de 132 páginas via financiamento coletivo, cogitam o futuro da publicação e contam como o caos político brasileiro e dos demais países latino-americanos pesou no desenvolvimento da obra.

Reproduzo a seguir os nomes de todos os envolvidos no projeto e logo depois a íntegra da minha conversa com os editores. Ó: Adão Iturrasgarai, Vinicius Capo (AKOP), Allan Sieber, Annima de Mattos Aruan Emiele, Bernardo Pádua, Breno Ferreira, Carolina Deptulski, Onofre, Warley Desali, Diego Gerlach, Emilly Bonna, Emmanuel Alcala, Estan de Lau, Fabio Cobiaco, Fernando Torelly, Flávio Duarte, Froiid, Gabriel Cerqueira, Gabriel Nascimento, Guilherme Boschi, Guto Respi, Henrique Mourão, Henrique Oliveira, Ian Indiano, Joao Henrique Belo, José Lucas Queiroz, Rafael la Cruz, Larissa Reis, Ana Luiza Lacerda, LOR, Lucas Borges, Luciano Irrthum, Luiz Navarro, Luiza Maximo, Luiza Nasser, Marco Vieira, Marcos Batista, Maria Trika, Mariana Moyses, Matheus Lopes, Maurício Falleiro, Morgana Azul, Narowe, Nava (Latino Toons), Nicole Wafer, Osvaldo Reis, Carlos Panhoca, Paola Rodrigues, Pedro Vó, Matheus Frasan Praia Podre, Ricardo Coimbra, Rodrigo Terra Vargas, Rogério Rodrigues, Rosana Oliveira, Luís Teixeira, Estêvão Vieira, Tenesmo, Thiago Souza, Toni Cesar Graton, Victor Stephan, Xablutz, Yalaki De Sucre, Benson Chin, Estevam Gomes, Hugo de Paula, Batista, Warley Desali, Aline Lemos, Dayane Lima, Binho Barreto e Diego Sanchez.

“A Zica um trampo gigante, um rabo de foguete que a gente topa pegar porque não é só de nós três, é literalmente coletivo”

Trabalho de Adão Iturrusgarai para A Zica #5

Vocês lembram do momento em que decidiram produzir esse número novo da Zica? Antes de vocês darem início à campanha de financiamento coletivo houve algum instante específico em que você decidiram que ela iria acontecer?

Batista: Em 2016, na primeira edição da feira Des.gráfica, o Gerlach veio conversar comigo sobre a Zica, falando como era massa e perguntando quando sairia a próxima. Eu fiquei sem graça de falar para ele que a revista tinha acabado, que fazer a número quatro esmigalhou nossos nervos e que a gente não pensava em fazer mais revista, hehe. E então, além dele mais algumas pessoas vieram me perguntar sobre a revista e a contar casos de carinho com ela, aí percebi que a Zica não era nossa, era de muito mais gente, e de volta a Belo Horizonte, se não me engano reavivei o grupo de chat da Zica, ‘Ei galera, acho que temos que fazer mais algumas Zica…’.

João: Corroborando com o que o Batista falou, realmente, depois da #4, parecia que acabou mesmo, foi bem desgastante – mas olha, isto acontecia desde a #2 (2012). Início de 2017, propus aos caras de voltar, mas como nosso $ havia esgotado, o financiamento era a única forma de reavivar. Topamos, numa ideia que foi praticamente a refundação d’A Zica, pois conseguimos colocar na revista tudo que sempre sonhamos, mas tínhamos limitação financeira – agora não mais.

Luiz: A Zica é assim, é um trampo gigante, um rabo de foguete que a gente topa pegar porque não é só de nós três, é literalmente coletivo, como o Batista falou. Depois da última edição, talvez eu fosse o mais relutante dos três em publicar uma nova edição. Daí Batista e João chamaram pra conversar, sentamos numa mesa e eles colocaram a ideia em pauta, já tava rolando essa possibilidade de um financiamento coletivo. Combinamos uma nova configuração de trabalho pra não ficarmos batendo cabeça em cada detalhe, o que definitivamente é inviável. Isso foi muito importante. Daí pra frente assumimos o risco mais uma vez e mergulhamos nessa loucura de produção que é fazer a Zica. E a campanha, logo que começou, nos trouxe de novo o prazer todo de envolver um monte de gente além de nós mesmos pra fazer a revista acontecer. Isso é muito bom e muito gratificante.

“‘América Latina’ foi uma escolha política mesmo, para trazermos o olhar para a nossa própria identidade cultural”

Trabalho de Aruan Emile para A Zica #5

Porque Vermes, Atronautas e América Latina? Aliás, como vocês determinam os temas de cada edição?

Batista: Não sei responder porque, mas de uma lista de temas que cada uma monta formamos uma maior, e vamos debatendo. Vermes creio que foi o único consenso que saiu dessa lista, e meu voto nele foi pela molecagem que ele carrega em si, o terror, o nojo, a surpresa, o gore que ele podia representar. Astronauta fica na conta do Luiz – nessa edição decidimos nomeá-lo editor chefe, e com isso ele ganhou direito a escolher um tema, e foi esse. E América Latina surgiu após termos definido por Michael Jackson, mas deu uma semana e os outros editores não sentiam firmeza nele. A troca foi bem-vinda pois a Zica sempre tem um tema que é a tônica do seu ano de edição (bullying em 2012, vandalismo em 2013, Rússia em 2015,…), e América Latina está em mais uma de suas notórias ebulições políticas.

João: Quanto aos temas, tem que ter uma liga ilustrativa pra que vire desenho, e que seja inspiradora criticamente ou zoeira, além do fator nonsense. Todo ano tem algum tema mais universal que os outros. Desde a #0: morte, putaria, apocalipse, trevas, Rússia e agora acho que seja América Latina. Só pra completar aqui: bullying foi o tema que achei mais mal-escolhido até hoje, já que a tônica para escolher trabalhos é originalidade e ironia, com bullying acho bem difícil fazer piada sem soar babaca – poderia ter sido meme ou coisa assim, seria mais inspirador. Além do tema universal, sempre tem um tema que não tem nada a ver com os outros, algo pra desconstruir – na #0 classe média, na #1 propaganda, na #2 a tentativa com ‘bullying’, só na #3 que foi tudo darkzera (gosto desse número por ele ser uma ‘cartilha educativa’ de 2013), na #4, dinossauro, e agora astronautas.

Luiz: O momento de escolher os temas é um dos mais divertidos da Zica. Depois da listinha que cada um faz, a gente senta só os três, um olha pra cara do outro, dá um trago numa cerveja ou num cigarro e fala: ‘e aí, qual vai ser?’. A gente se diverte, zoa pra caramba nessa tal reunião. Fala um monte de merda. Sai um monte de coisa que a princípio parece genial, daí passa um tempo alguém fala: ‘peraí galera, cês já pensaram que é bem possível que com esse tema vai ter maluco que vai desenhar um monte de besteira assim ou assado?’. Daí tem que pensar em outro. Foi assim com o Michael Jackson, que era pra ser um dos temas dessa última edição. É um tema incrível, mas corria grande risco de cair num lugar comum de caricaturas clichê. Claro que a maioria dos artistas que manda trampo pra Zica é bem criativo e vai além do óbvio. Mas a gente pensa nessas possibilidades e tenta evitar essas armadilhas. Sobre os temas que definimos, na minha opinião a escolha foi pelo seguinte: ‘vermes’ tem esse tom meio zuero e nojentinho; ‘astronautas’ por todo o potencial narrativo e mitológico que ele traz, além de um potencial iconográfico e ilustrativo muito bom também. E ‘América Latina’ foi uma escolha política mesmo, para trazermos o olhar para a nossa própria identidade cultural. Na real, é uma loucura pensar que essas três palavrinhas que saem dessa reunião vão nortear o nosso trabalho e nossa vida nos próximos muitos meses. E mais loucura ainda pensar em três temas e não ter a menor ideia do que vai sair disso, o que os artistas vão conseguir transformar e produzir com eles.

“Saímos do formatinho e do material convencional de gráfica e arriscamos num projeto editorial vistoso, com mais espaço para os trabalhos”

Trabalho de Narowe para A Zica #5

Eu imagino que cada número da Zica tenha suas peculiaridades em relação a edição e produção. O que houve de mais singular durante o desenvolvimento desse quinto número?

Batista: Para mim, a mudança de formato tanto da revista quanto do modo de trabalho quebrou alguns paradigmas e redefiniu uma nova forma de existirmos. Saímos do formatinho e do material convencional de gráfica e arriscamos num projeto editorial vistoso, com mais espaço para os trabalhos. Por mim, depois dessa mudança, nem sei se a próxima edição terá o mesmo tamanho, por exemplo, não sei mais se A Zica deve seguir um tamanho standard ou cada número é um número. E a forma de trabalhar, com designers responsáveis pelo projeto, e com um de nós destacado como editor-chefe, ajudou muito a ordenar o fluxo de trabalho e a agilidade nas decisões.

João: Além da ousadia do projeto, que foi o mais experimental até hoje, teve o rodízio do editor principal, que nesta edição é o Luiz. O que houve de mais singular, pra mim, além de aumentar o formato, de fazermos stickers, patch fotozine e dois posters em serigrafia foi a concepção de A Criatura, que é um projeto bem ousado que convidamos três editoras para selecionar trampos de minas que ainda tá em andamento. Já fizemos uma coisa ou outra extra A Zica antes, mas só coisa de tiragem pequena. Finalmente uma produção no nosso selo com uma tiragem de circulação razoável e com outra editoria que a gente provocou, que são a Ing Lee (uma quadrinista fodona), a Maria Trilka (que produz colagens inventivas e estuda cinema), e a Clarice G. Lacerda, que é uma editora experiente com larga experiência no mundo das artes.

Luiz: Como João e Batista disseram, essa foi a edição mais ousada da revista até agora. Sem dúvida nenhuma, a gente deu um passo além. Pegamos várias ideias e desejos que já tínhamos e falamos: ‘é agora!’. Talvez o principal, na minha opinião, tenha sido o fato de decidirmos investir num projeto gráfico bem elaborado. Pra isso, precisamos sair do ‘do-it-yourself’ que manteve a Zica lindamente em edições anteriores e contratamos dois designers, Matheus Ferreira e Bruno Rios, pra nos ajudar nessa empreitada. A gente deu uma certa autonomia para eles sugerirem e criarem de acordo com aquilo que eles achavam que podia ficar legal. E essa colaboração deles fez toda a diferença.

Trabalho de Praia Podre para A Zica #5

Quais eram as principais expectativas que vocês tinham em relação a esse número e o que mais surpreendeu vocês nessa edição?

Batista: Minha principal expectativa era em relação a atender o Catarse. Não é fácil fazer pré-campanha, campanha e pós-campanha. Estamos no pós-campanha e ainda temos muito trabalho pela frente, e isso ainda me causa borboletas no estômago. E o que mais me surpreendeu é o apoio recebido por quem contribuiu no Catarse ou de outras formas, como enviando trabalhos para vendermos e usarmos o dinheiro na campanha. De fato, a Zica é do povo!

João: Conseguir captar um trabalho com um valor acima da média no Catarse foi uma façanha. A nossa expectativa de apoios iniciais foi abaixo do esperado. A partir desta constatação levantamos de outra forma, vindo pra realidade e o que mais me surpreendeu nesta campanha foi a mobilização que fizemos off-line, com eventos de arte no mundo real, que deu super certo e ajudou a alavancar o financiamento coletivo de uma forma que não imaginávamos.Torço para que a publicação ainda me surpreenda positivamente a partir de quando estiver circulando entre seus leitores.

Luiz: O financiamento coletivo foi muito emocionante e, apesar da tensão que é normal que rolasse, eu pessoalmente achei bem divertido (vão me cobrar vacilo por dizer isso! hahaha!). Mas além do financiamento, a gente tinha a expectativa de que essa fosse a edição mais especial já produzida. E sem dúvida alcançamos esse objetivo, a revista tá incrível de bonita. Essa dinâmica de abrir chamada e receber trabalho é muito divertida por isso também: sempre nos surpreendemos quando recebemos trabalhos fodas de vários artistas fodas, alguns menos e outros mais conhecidos. Mas, pra mim, a ilustra do Gerlach (que foi convidado) na capa, foi a mais impactante. É impressionante a capacidade que ele tem de construir uma narrativa num único quadro, cheio de detalhes e referências.

Trabalho de Benson Chin para A Zica #5

Uma das propostas da Zica é também servir de vitrine para novos talentos. Nesse novo número, quais novos talentos chamaram mais atenção de vocês?

Batista: Vou falar da Luiza Maximo, que não sei se é bem um novo talento, mas é a primeira vez que ela pinta na revista e tive oportunidade de ver suas aquarelas e sai com lágrimas nos olhos. Tem o Maurício Falleiros, que para mim é a maior aquisição do humor gráfico nacional dos últimos dois anos, e o Allan Sieber, que não é um talento novo mas tem mostrado uma nova face de sua produção como pintor, e nos mandou uma pintura que me deixou arrepiado, e que eu acho a mais bonita das que tive oportunidade de ver.

João: Quanto ao quesito revelação, também gostei muito do quadrinho da Luiza Reis e do Aruan Mattos (apesar de não ser uma revelação pra mim, já admirava o trabalho dele enquanto artista plástico, não sabia que ele fazia quadrinhos) e da ilustra do Toni Cesar Graton. Ah, os posters do Hugo e do Estevam também ficaram sensacionais – já que fora de BH eles são revelação também, pode falar.

Luiz: Essa pergunta é muito boa e tem muito a ver com a anterior, porque uma das melhores coisas da Zica, para nós e acredito que também para quem a lê, é descobrir novos artistas muito fodas. Nessa edição, talvez eu posso citar o Toni Cesar Graton ou a Paola Rodrigues.

“No número zero colocamos o preço na capa, era R$5, coisa que posteriormente nos arrependemos, coisa horrível colocar preço, a gente faz é arte e não $, porra”

Trabalho de Toni Cesar Graton para A Zica #5

De 2010 pra cá, do lançamento do número zero da revista até hoje, quais vocês consideram as principais transformações desse cenário de quadrinhos/publicações independentes no qual A Zica está inserido? Como essas mudanças se fazem presentes na revista?

Batista: Bem, acho que a Zica é a única revista que continua sendo publicada desde aquele tempo. Hoje em dia os autores e editores têm investido em trabalhos maiores (hqs e novelas gráficas), coletâneas de trabalho de um autor só ou publicações de coletivos, mas que dificilmente passa de 8 autores. Isso muito graças ao incentivo dos financiamentos coletivos ou pequenas editoras que se formaram. E no momento esse formato ‘revista grande com um tanto de trabalhos’ está sumido. Tínhamos a Quase, Tarja Preta, SAMBA, Grafitti 76%, Prego e algumas outras, que hoje ou estão extintas ou estão adormecidas por seus editores estarem tratando de outros trampos (mas uma hora voltam a publicar, dedos cruzados). Então acho legal numa feira ver que vários autores têm seus próprios livros, mas poucos têm uma publicação colaborativa com mais de 50 autores com uma grande mostra de estilos e linguagens. E que estamos ai fazendo esse tipo de publicação.

João: A transformação veio de centenas ou milhares de talentos revelados no cenário independente desde então e obviamente do mercado que amadureceu e ficou mais plural, aberto a novas experiências. A análise do Batista sobre publicações alternativas tá ótima, a única publicação mais substancial que apareceu na nossa pegada nesses últimos anos foi a Pé de Cabra, cujo editor, Panhoca foi nosso colaborador e apoiador – dos mais empolgados inclusive. Voltando no tempo, pra ilustrar como o mercado era tacanho em 2010, não havia o costume de vender zine (a maioria era distribuição 0800), no número zero colocamos o preço na capa, era $5 – coisa que posteriormente nos arrependemos, coisa horrível colocar preço, a gente faz é arte e não $ porra. As mudanças presentes na revista são através do sangue novo dos artistas que conhecemos através dela e de novos produtos que produzimos, como o patch desenhado pelo Paulo Marcelo Oz, mas se for olhar, sticker, por exemplo, é algo que eu e o Luiz fazíamos/conhecíamos desde 2005 e a gente gosta muito desta cultura de rua, de onde viemos, nunca nos desligamos dela – inclusive o Luiz fez um livro contando o histórico disto aqui em BH, o Pele de Propaganda: Lambes e Stickers em Belo Horizonte [2000-2010], que inclusive voltará a ser vendido no lançamento d’A Zica #5 – momento jabá.

Luiz: Obrigado, João, pelo jabá! Hahahah. E concordo com o que disseram. Quando começamos, o cenário era bem diferente. As revistas primas da Zica que o Batista citou ainda eram bem vivas e nossas maiores referências. Rolava ainda, naquela época, um tesão em se fazer revistas colaborativas de quadrinhos de humor hardcore. Depois a galera deu vazão a outros projetos, o que é normal. A cena de feiras de publicações também mudou muito! Antes havia uma ou outra feira ou festival. Agora rola um calendário com dezenas ao longo do ano no país inteiro. Mas publicações com a proposta como a da Zica já não são tão comuns.

“Não estamos aqui para publicar historinhas sobre crises existenciais românticas, estamos aqui pra zoar o plantão”

Trabalho de Victor Stephan para A Zica #5

Esse quinto número d’A Zica tá saindo às vésperas das eleições de 2018, em meio a um contexto de conservadorismo crescente e crise aflorada. Qual vocês consideram ser o papel de uma publicação independente, com ares subversivos, como A Zica, dentro desse cenário?

Batista: Nosso papel é continuar publicando a revista, ato que por si só é uma resposta a esses tempos. Desde o codex até a impressão digital, quem escreve, desenha, imprime e publica sempre é alvo de crises políticas. Não passamos por nada de novo. Imprimir e editar o que se vive em seu tempo é o grande barato. Deixar o registro das crises, e documentar os erros e acertos de nossos tempos, creio ser a parte mais importante do nosso papel. A gente não responde ao presente, a gente é uma caixa de areia para artistas e leitores pensarem o futuro.

João: Olha, a gente mudou o tema de Michael Jackson para América Latina durante este contexto, para dar vazão a trabalhos politizados, mas não apenas. Isto não quer dizer levantar bandeira e pronto, já que material panfletário/partidário não é nossa onda. Mas ser politizado chega a ser necessário neste momento em que afirmar que a terra não é plana é política, que tristeza né? Tem até um trabalho que publicamos do Maurício Falleiros com a frase ‘Onda conservadora invade América Latina’ que ilustra bem a pergunta, ou seja: ‘This is America…Latina também’. Nosso papel é editar, fazer a revista e pronto, mas não uma coisa que você lê agora e só entende agora, não é nosso interesse, a gente pensa em publicar algo que se for lido daqui 10, 20, 50 anos, a pessoa vai entender. Inclusive, tem uma coisa sobre a criação d’A Zica que nunca falamos em entrevista, nem é nada definitivo, mas A Zica foi criada depois de já termos passado por algumas decepções institucionais e a ideia era que a publicação sempre fosse feita autonomamente. Nunca nos inscrevemos em Lei de Incentivo (até porque, não queremos camisa de força, mas isto também pode mudar, não somos quadrados, mas nunca foi a tônica, quando alguém propuser isto, vou ser advogado do diabo). Engraçado, agora com a chegada galopante do liberalismo sem freio e a eminente ameaça de extinção deste tipo de patrocínio com o abandono de políticas culturais, dá até vontade de ser subversivo de verdade.

Luiz: Concordo com praticamente tudo o que João e Batista disseram, mas acho importante sermos mais explícitos nesse ponto. A Zica é uma publicação que tem uma intenção e uma força política, sim. Isso é muito importante e temos que saber reconhecer. Dada a situação crítica da política institucional e do clima do país, com revisionismos de fatos históricos e de uma força cada vez maior que o reacionarismo e o fascismo ganham no Brasil, publicar uma revista com ‘ares subversivos’, como você disse, é uma necessidade. É claro que fugimos de panfletagem ideológica, mas um trabalho artístico não precisa ser panfletário para ser político. A Zica nasceu para ser provocativa mesmo. Para ser um contraponto a caretice, a pensamentos conservadores, inclusive no mundinho das artes gráficas. Não estamos aqui para publicar historinhas sobre crises existenciais românticas, estamos aqui pra zoar o plantão. E também pra provocar a reflexão nos artistas, para tirá-los de uma zona de conforto e de repente se colocarem pra pensar no lugar onde vivem e o que vivem, sobre a sua própria realidade no mundo, e não apenas no seu umbigo.

Qual o futuro da Zica? Vocês já estão cogitando um sexto número?

Batista: O futuro da Zica é uma briga eterna entre seus editores sendo mediada por um carinho enorme do público. Essa relação é boa, tem funcionado até aqui e seguirá pelas edições 6, 7, 8 e tantas outras que virão, no formato que vierem.

João: Só espero que tenhamos bala na agulha pra continuar. Assim como desejo que o Batista seja o próximo editor, espero que eu também tenha espaço pra ser, completando o rodízio dos editores em novos formatos.

Luiz É isso aí! E que sejamos cada vez mais ousados nas nossas propostas, com cada vez mais fôlego e paz de espírito para encarar a produção e que pelo menos ganhemos algum troquinho!

A capa de Diego Gerlach para A Zica #5

Entrevistas / HQ

Está no ar a terceira temporada do Novo Amanhecer: “Somos o que há de mais próximo de uma igreja evangélica no mundo dos quadrinhos”

Está no ar a terceira temporada do projeto Novo Amanhecer. Criado em 2016 por Gabriel Góes, Oriol Barberà e Pedro D’Apremont, a série de tiras e quadrinhos hospedada em novoamanhecertm.tumblr.com chega ao seu terceiro ano de publicações com atualizações diárias e a participação de Batista, Rafael Coutinho, Flavushh e Bárbara Malagoli. Além da continuação de títulos fixos do projeto – como a tira do Novo Amanhecer (que dá título ao projeto), Billy Soco e Jinx – foram incluídas na nova leva de publicações séries como Jesus Idoso, por Batista; Férias de Verão, por Flavushh; Tiger Fist, por Gabriel Góes e Oriol Barberà; e Pedro & Luiz, por Batista e Rafael Coutinho.

Bati um papo por Skype com Gabriel Góes, Oriol Barberà e Batista sobre os planos para o Novo Amanhecer nessa terceira temporada do projeto. Em meio a lamentos em relação à concorrência desleal dos memes, eles lembraram da origem do Novo Amanhecer, falaram sobre os planos para cada série e cogitaram a possibilidade de um final inesperado para um dos principais títulos do site. Saca só:

“Os memes já ganharam, nós tomamos uma surra deles”

Tiger Fist, por Gabriel Góes e Oriol Barberà.

“Não gostamos de falar de Guerra nas Estrelas, não gostamos de falar de super-heróis e nem de quadrinho falando sobre quadrinho”

O que é o Novo Amanhecer?

Oriol Barberà: O Novo Amanhecer… Vamos ser formais?

Gabriel Góes: Não, é só alegria. Vamos ser alegres.

Oriol: O Novo Amanhecer é uma família, quase como uma seita. A gente ainda não tem roupas que combinem, mas aos pouco estamos pensando em criar uma família ainda maior. Nós nos reunimos uma vez por ano, na Des.Gráfica, e tentamos renovar a nossa energia. É o mais perto que tem de uma Igreja Evangélica no mundo dos quadrinhos.

Gabriel: Mas com masturbação coletiva.

Oriol: Isso não é verdade, é só o Coutinho e o Gabriel que se tocam.

E como surgiu o Novo Amanhecer?

Oriol: O Novo Amanhecer nasceu uma vez que eu, o Gabriel Góes e o Pedro Dapremont sentamos…

Gabriel: O Pedro estava meio triste.

Oriol: É. Nós sentamos e tentamos animá-lo, como família, uma coisa que ele não tem. É um menino triste, um menino que foi abandonado muito cedo pelos pais e apanhou muito da vida. Aí criamos a ideia do Novo Amanhecer, às vezes nós até nos vestimos com umas capas muito legais. Não é mentira.

Gabriel: E também temos máscaras. E uma vez que estamos juntos, colocamos as nossas máscaras.

Oriol: Todo mundo que entra no Novo Amanhecer ganha capas e máscaras. Aí uma vez por ano a gente se junta e faz nossa pequena seita. Cada ano é um pouquinho diferente. Mas algo muito importante para o Novo Amanhecer é que as pessoas não podem ser chatas, não podem ficar enchendo o saco… O que mais Gabriel? Fala alguma coisa. Nas tiras do Novo Amanhecer não pode nenhuma piada posterior aos anos 70. A tira na qual nasceu o Novo Amanhecer não tem nada, nada, nada, nada de posterior aos anos 70. Não gostamos de falar de Guerra nas Estrelas, não gostamos de falar de super-heróis.

Gabriel: Não pode quadrinho sobre fazer quadrinhos.

Oriol: Não pode quadrinhos sobre fazer quadrinhos!

Jesus Idoso, por Batista.

A primeira temporada entrou no ar há dois anos, certo?

Oriol: Há dois anos!

Batista: Em 2016.

Oriol: Começamos com o Pedro Dapremont, o Gabriel Góes, eu… Éramos só três e o Batista entrou na segunda. Tínhamos a tira do Novo Amanhecer, de onde veio o nome da nossa pequena seita. Tinha o Billy Soco, do Gabriel, e também o Daví e Bróder, do Pedro Dapremont. Na segunda temporada entrou o Batista e a Bárbara Malagoli. Ela entrou com o Jinx e o Batista com o Dupont & Dupont, os cowboys gays, a coisa mais bonita que publicamos até agora. Também a Enterprise Empreendimentos S.A., a nossa tira mais fraquinha, sobre o Capitão Kirk viajando no tempo e tendo que trabalhar em uma empresa como corretor de seguros. E o JCVD.

Gabriel: Uma dupla de Brasília produz esse material misterioso pra caramba. Não conhecemos as pessoas ainda. Sabemos que é o JC e o VD, eles produzem juntos esses quadros, essas ilustrações magníficas, mas ninguém sabe quem eles são.

Férias de Verão, por Flavushh.

“A tira do Novo Amanhecer vai ser uma grande surpresa, vai mudar completamente a cena dos quadrinhos brasileiros”

Qual é a programação para essa próxima temporada? Vai ter gente nova? Séries novas? 

Batista: Eu vou começar uma série nova chamada Jesus Idoso, com a premissa que Jesus morreu, ressuscitou e por aqui ficou. Então ele ficou velho e a vida pra um idoso na Galileia não é fácil.

Oriol: Não é fácil mesmo, a aposentadoria não é fácil, principalmente quando você já morreu, né? Ninguém quer dar aposentadoria pra quem já morreu.

Batista: É, tem toda uma burocracia terrível, enfermeiras sem preparo… Essa é a minha, eu trabalhando com essa cabeça sempre muita excitada e ansiosa e, por isso, faço muito cartum. No Novo Amanhecer eu tenho esse tempo e essa frequência na qual posso fazer uma tira e uma sequência sem a ansiedade que o dia a dia me dá. Eu faço muito cartum por ansiedade. Então está sendo legal, tô fazendo a minha segunda tira, eu já tentei fazer outras tiras com ideias legais ao longo do meu dia a dia, mas a ansiedade toma conta. No Novo Amanhecer eu consigo desenvolver essa linguagem, algo que sempre quis fazer. Eu aprendi a ler lendo tiras. Eu até sei fazer mais do que eu achava, de tanto que já absorvi do formato. Pro Novo Amanhecer eu posso dizer que é a segunda tira que eu faço, tira longa, com uma ideia longa, é isso.

Oriol: Batista, você é muito bom. O Batista também vai fazer junto comigo e com o Gabriel Góes a tira do Novo Amanhecer. Como eu não sei desenhar, escrevo, e os dois desenham. A tira do Novo Amanhecer vai ser uma grande surpresa, vai mudar completamente a cena dos quadrinhos brasileiros… Na verdade eu posso dizer: nós vamos cancelar a tira do Novo Amanhecer na metade da temporada.

Batista: Um dos caras do Novo Amanhecer vai ser acusado de algum ato libidinoso equivocado e a gente vai ter que cancelar pra salvar o Novo Amanhecer.

Oriol: Na verdade a gente vai…

Gabriel: Não, não, não! O que vai acontecer é que a gente vai cancelar, vai acabar com a tira. Vai acabar. Como a gente tem preguiça de ficar postando o ano inteiro, funcionamos por temporadas de cinco meses e morremos de preguiça de fazer quadrinho. Ninguém lê e a gente vai cancelar. Essa é a surpresa desse ano. Spoiler. Spoiler alert! Pode avisar pro mundo que vai ser cancelado.

Oriol: E ninguém dá bola pra gente, ninguém dá bola pra nada que a gente faz. Mas retomando: além da tira do Batista, ele também vai assinar uma tira com o Rafa Coutinho, a Pedro & Luiz.

Batista: Isso, a Pedro & Luiz. O Rafa me pediu pra escrever uma história de amor entre dois homens, aí eu escrevi a Pedro & Luiz. Já escrevi 20 capítulos, vão sair mais 20 e começa a ser publicado no Novo Amanhecer. Mas nessa pegada meio de saco cheio de fazer, vão sair duas por mês.

Oriol: É sobre um casal gay. Eu não vi ainda a tira.

Batista: É, o Pedro tem 28 anos e o Luiz 56. O Pedro tá se firmando profissionalmente e o Luiz tá se aposentando. O Pedro tá conhecendo pessoas e o Luiz fechando ciclos. O Pedro tá ganhando dinheiro e o Luiz perdendo dinheiro. Eles se amam, são casados e acho que vai ser bom pra preencher uma cota. O Novo Amanhecer foi cobrado no Ministério Público de acusações infundadas e agora a gente tá pagando cotas pra sociedade.

Oriol: Tínhamos a Dupont & Dupont, mas não tínhamos sexo com idoso. E o Batista foi realizar essa demanda com o Coutinho sobre sexualidade com idoso.

Batista: Coloca aí que os desenhos do Coutinho… Aliás, pode dizer como se fosse você Ramon, vai ficar parecendo mais verdade, diz que o Rafa tá desenhando umas cenas de sexo tão brutais de boas que somente um homem que já esteve lá saberia desenhar. Ele é um talento, me surpreende mais a cada dia.

Pedro & Luiz, por Rafael Coutinho e Batista.

“A gente cansou de quadrinho, queremos fazer apenas propaganda”

Tem mais alguma série nova no projeto?

Oriol: Teremos a Tiger Fist. Tira nova, escrita por mim e desenhada pelo Gabriel, sobre um saxofonista de free jazz muito bom, vítima de um acidente de carro e que perde as mãos. Quando ele vai pro hospital, como as mãos são perdidas, ao invés de colocar novas mãos, os médicos colocam duas cabeças de tigre.

Gabriel: Para salvar a vida dele, os médicos colocam mãos de cabeças de tigre no lugar das mãos dele.

Oriol: Aí ele não pode mais tocar free jazz, ele fica muito mal com isso. Ao mesmo tempo ele ganha uma grande força por ter uma cabeça de tigre em cada mão. Aí ele treina com um ieti no Himaláia, aprende a lutar artes marciais e começa a lutar contra os illuminati, o Google e o Facebook.

Gabriel: Tem toda uma conspiração. É muito original. Ela foi recusada pela Vice nos Estados Unidos, disseram que era muito previsível, eles não quiseram usar.

Oriol: Acho que eles não entenderam que estávamos debochando deles, acharam que não era piada. O que mais temos?

Gabriel: Temos a Flavushh. É a estreia da Flavushh na nossa página. Chama Férias de Verão o trampo dela. É lindo. É meio frustante pra gente, ficamos nos esforçando pra caralho e dá pra ver que ela faz aquilo com uma facilidade incrível. É tocante o material dela. Ela lançou recentemente um fanzine que chama Ensimesmada, uma beleza. Tem um pira corpórea e um final completamente chocante, achei perturbador. Vale demais ler. Ela é muito nova e está sendo assimilada agora para a nossa seita pseudo-cristã.

Batista: Tem também a continuação de Jinx da Bárbara Malagoli. Ela dá continuação ao trabalho dela do ano passado. O JCVD continua e é isso. E não falamos do Billy Soco, ela também é continuação do ano passado.

Gabriel: Na verdade o Billy Soco é mais um grande jabá, com novos produtos do Billy Soco. A gente cansou de quadrinho e queremos fazer apenas propaganda.

Oriol: Queremos ficar ricos.

Pedro & Luiz, por Rafael Coutinho e Batista.

E qual vai ser a periodicidade de cada tira?

Oriol: O Novo Amanhecer, a tira, sairá a cada semana, sempre às segundas, por Gabriel Góes, Batista e Oriol. Toda terça terá a Jesus Idoso, do Batista. Quarta, Billy Soco, os comerciais, por Gabriel Góes. Quinta, Férias de Verão, da Flavushh. Sexta-feira é Jinx, pela Bárbara Malagoli. Sábado vai revezar o Pedro & Luiz, do Rafa Coutinho com o Batista, e o Tiger Fist, meu e do Gabriel. O JCVD também pode entrar aos sábados, pra preencher os buracos. É um esforço, fazer cinco meses, não dá pra fazer dinheiro, ninguém dá retorno, mas é assim…

Gabriel: Dane-se o público.

O quanto vocês já têm adiantado de cada série?

Gabriel: Na verdade já temos uns três anos adiantados, é bizarro. A tira do Novo Amanhecer, por exemplo, já planejamos até 2024, mas não vamos chegar lá, vamos cancelar no meio da temporada. Vai acabar.

Oriol: Pode ser que renasça algo diferente das cinzas…

Gabriel: Não. Eu acho que não.

Oriol: Faz tempo que eu estou querendo fazer quadrinhos pra crianças…

Batista: Criança não sabe ler.

Billy Soco ® , por Gabriel Góes.

Eu quero saber sobre a dinâmica do trabalho de vocês. Como vocês trabalham juntos? Um interfere muito no desenvolvimento do trabalho do outro?

Gabriel: Temos um ritual, é um encontro no qual acontece a masturbação coletiva.

Oriol: Esse encontro é na Des.Gráfica, sempre em novembro.

Gabriel: Lá eu fico implorando pras pessoas colaborarem e aí começa ficar chato, porque eu vou mandando emails todos os dias, eu ligo pras pessoas, depois eu começo a aparecer na casa da pessoa pessoalmente e tento derrubar a porta. Até que fica chato e aí a pessoa é obrigada a participar. É mais ou menos assim que funciona. Depois é isso, começamos a ameaçar a vida dos colaboradores e eles acabam mandando direitinho.

Oriol: Às vezes a gente pede por favor e eles colaboram também. Ligamos pra eles…

Novo Amanhecer, por Gabriel Góes e Oriol Barberà.

Mas eu quero saber sobre o desenvolvimento mesmo. A tira que o Batista tá fazendo, ele mostra pra vocês? Vocês dão opinião no trabalho dele e ele no de vocês?

Oriol: Sim. O que fazemos normalmente: a gente troca emails uns meses antes de começar, vemos quem quer fazer cada coisa. As pessoas podem fazer o que quiserem. Se fizer uma foto do cocô que fez cada dia a gente vai publicar. Não tem nenhum mínimo filtro para que as pessoas que fazem parte do Novo Amanhecer tenham passado a fazer parte da família.

Gabriel: Não tem filtro!

Oriol: Algumas pessoas que são um pouco mais inseguras mandam no nosso grupo de email o que fizeram e pedem um conselho. Normalmente o nosso conselho é: ‘É muito bom! Publica!’. Não temos nenhum direito de falar um pro outro o que faz. Nunca vi ninguém falando um pro outro o que fazer.

Gabriel: A gente publica, não tem crivo, não temos escrúpulos.

Oriol: Alguém pode perguntar o formato do arquivo em que pode mandar, mas mais nada. A última vez que o Pedro mando por carta não foi legal…

Gabriel: A exceção é a tira do Novo Amanhecer, com tiras muito rígidas, muito específicas.

Oriol: É a única com regras. Aquilo que te falei: não pode ter nada depois dos anos 70, não pode ter quadrinho falando sobre quadrinho, não pode quadrinista falando sobre quadrinista, não pode ser autobiográfico e nem inteligente, não pode ter super-heróis. E muito importante: não pode ser engraçado. Tem que ter uma tira de morte a cada duas normais, mas a gente meio que erra e acaba sendo uma tira normal a cada três de morte. A gente acaba só escrevendo sobre morte.

Gabriel: Eu falo pro Oriol fazer mais tira sobre boquete e menos sobre morte.

Oriol: Eu não fiz nenhuma sobre peru ainda.

Batista: E foi assim que começamos a ter que pagar as coisas pro Ministério Público.

Novo Amanhecer, por Batista e Oriol Barberà.

“Quem não lê a gente, tá lendo coisa errada”

Também não tem regra pra formato, certo?

Oriol: Isso é uma merda, eu vou começar a fazer o Instagram do Novo Amanhecer e tô fudido. Mas tudo bem. Não tem formato, se quer mandar 20 páginas pode mandar. A única coisa que tem regra é a tira do Novo Amanhecer, é só uma tira, com três quadros e não pode ter mais nem menos. Só peço pras pessoas não mandarem arquivos muito pesados, meu Gmail não aguenta.

Batista: Acho que vale a lógica do scrooling também, né? Todo mundo olhou mais ou menos o que dava pra colocar naquela barra e se virou desenhando pensando naquela barra.

Vocês reclamaram que ninguém lê e estão indo pra terceira temporada do projeto. Porque continuar fazendo?

Oriol: A resposta é não. Ninguém gosta da gente.

Mas qual a motivação de vocês? Não ter um público grande não quer dizer…

Oriol: Eu te sigo no YouTube, Ramon. Não vem com drama não, tem pelo menos uma pessoa te seguindo sim.

Eu não tenho YouTube.

Oriol: No Tumblr então. Pode conferir que eu te sigo no Tumblr.

Enfim, porque continuar fazendo?

Oriol: Vamos não falar disso? A gente não gosta de falar disso.

Gabriel: Batista, responde pra gente?

Batista: Eu prefiro falar mal das pessoas. Quem não lê a gente, tá lendo coisa errada. Eu fico meio puto, saca? Fico vendo as pessoas lendo umas paradas e fico assim, ‘velho, como?’. Tá, tudo bem, diversidade, mas isso não é diversidade. Deveria estar lendo a gente. Eu fico mais frustado das pessoas não lerem a gente do que continuar fazendo quadrinho pra Gabrielzinho não aparecer na minha casa. Fico meio de cara com a galera não conhecer.

Gabriel: Todo mundo conhece todos os memes, mas ninguém conhece o Novo Amanhecer e nem o Ramon Vitral. Ninguém quer saber. Você já tentou fazer meme, Ramon? Você deveria fazer notícias com meme. Todo mundo deveria fazer meme.

Tiger Fist, por Gabriel Góes e Oriol Barberà

 

“Piada em papel, que parada mais cavernas de Lascaux”

Memes são concorrentes diretos de vocês?

Gabriel: Os memes já ganharam, cara.

Oriol: A gente toma uma surra dos memes.

Batista: As editoras acabaram, as gráficas acabaram, as telefonias acabaram… Tudo acabou! As pessoas que desenham piada em papel não teriam acabado antes disso tudo? É muito anacrônico. ‘Nossa, achei uma coisa muito engraçada, peraí que eu vou desenhar aí eu te mostro’. Piada em papel, que parada mais cavernas de Lascaux, sabe?

Oriol: O Gabriel dá aula de quadrinhos e as pessoas não chamam de quadrinhos, chamam de memes. Não é mentira!

Batista: O Ricardo Coimbra e o Ricardo Maron já passaram por isso também? Foram chamados de memes? O que é interessante também, dá pra dar um golpe. ‘Você faz quadrinho?’. ‘Não! Meme!’. ‘Ah, mas parece quadrinho!’. ‘Mas não é, é um meme’. ‘Mas eu nunca vi esse meme…’. ‘Ué, tem alguma coisa errada com você’.

Oriol: Nós temos uma média de seis pessoas por semana vendo as nossas tiras e estamos felizes. Não tem nenhum problema. Aliás, não procuremos que as pessoas gostem do que estamos fazendo.

Gabriel: O nosso meme que bateu recorde teve seis visualizações.

Oriol: Uma tira do Batista. Foi um meme proibido no Instagram, foi banido. Era do Dupont & Dupont.

Gabriel: Esse até bombou na internet, por ter sido proibido, por ser polêmico. ‘Ah, o cara sentou numa bengala, vamos proibir no Instagram!’.

Batista: Foi foda. Então, voltando à pergunta, porque continuar fazendo? Eu acho que pra, sei lá, romper as regras da sociedade.

Oriol: Eu faço porque já tenho outro emprego.

Gabriel: Eu quero revoltar o estômago das pessoas.

Batista: Eu quero tentar ser famoso.

Gabriel: Batista, eu falei que as piadas não podem ser engraçadas.

Oriol: Eu tenho um jeito melhor de ser famoso e rápido. Você coloca uma roupa de Super-Homem, vem pra São Paulo e fica andando pelas ruas um dia inteiro. Você vira famoso em dez dias. Você vira meme.

Gabriel: Você ja pensou em virar meme?

Batista: Nunca pensei em virar meme, boa proposta.

Oriol: Essa é a melhor entrevista de todos os tempos.

Gabriel: Ramon, foi um prazer.

Tiger Fist, por Gabriel Góes e Oriol Barberà

HQ

Está no ar a campanha de financimento coletivo da revista A Zica #5

Acabou de entrar no ar a campanha de financiamento coletivo da quinta edição da revista A Zica. Eu já apoiei e recomendo o mesmo procê. O número cinco d’A Zica é editado por Batista, Luiz Navarro e João Perdigão e terá como tema vermes, astronauta e América Latina. A capa da publicação já está pronta e é assinada pelo quadrinista Diego Gerlach. A pedida pra coletânea ser impressa é de R$ 22,085 e a expectativa de lançamento tá pra junho de 2018. As opções de recompensa são bem diversas e com umas ofertas bastante interessantes. Deixa passar esse projeto não, viu? Saca o vídeo de divulgação da campanha e a capa assinada por Gerlach:

HQ

Uma tarde de autógrafos com Pedro D’Apremont, Galvão Bertazzi e Batista

Amanhã rola uma tarde de autógrafos inspirada na loja da Ugra, tá sabendo? A partir das 15h, o Pedro D’Apremont vai estar por lá para o lançamento de O Retorno, novo número da coleção Ugritos – já falei um monte por aqui como gosto dessa série, né? O Galvão Bertazzi estará autografando Manual Prático da Complexidade Adquirida e Desatrem e o Batista também comparecerá com suas duas publicações mais recentes, Cutucando a Onça Com Vara Longa e Do Alto da Minha Sabedoria. Programão, viu? Eu vou, vamos?

ugra-sabado