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(Quase) Toda a Mino na Geek

Cara, se estiver em São Paulo na 5ª (16/6) a noite, apareça lá na Geek no Conjunto Nacional. O pessoal da editora Mino organizou um bate-papo com vários de seus autores e me chamou pra mediar essa conversa. O encontro tá marcado pra começar às 19h30. Saca a galera que vai estar por lá: Shiko (Lavagem), Alcimar Frazão (O Diabo e Eu), L.M. Melite (Dupin), Diego Sanchez (Quadrinhos Insones), Felipe Nunes (Dodô), Pedro Cobiaco (Aventuras na Ilha do Tesouro) e Janaína de Luna e Lauro Larsen – os editores da Mino. Certeza de papo bom. A bela arte do cartaz aqui em cima ficou por conta do Pedro Cobiaco. Vamos?

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Ainda sobre o Prêmio Grampo 2016

Queria ter mais tempo pra escrever sobre tudo que andei pensando em relação ao resultado do Grampo. A planilha com os votos de cada um dos 20 eleitores dá um tremendo panorama do que foi o ano de 2015 para os quadrinhos brasileiros – dentre MUITOS panoramas possíveis, diga-se de passagem. Foram 32 editoras mencionadas, 20 obras independentes citadas dentre 81 títulos no total e cerca de 90 autores – as coletâneas atrapalham um pouco nessa contagem. Gostei do resultado final. Das dez primeiras colocações, a única com a qual fico um pouco incomodado de ver por lá é O Escultor do Scott McCloud. Já reli duas vezes e, por melhor que seja, ainda é uma obra imatura, com roteiro e personagens bastante rasos, principalmente por ter vindo de quem veio.

Das minhas três primeiras colocações (1-Talco de Vidro, 2-A Propriedade e 3-Lavagem) consta apenas a obra de Marcello Quintanilha no top 3 geral. Ainda assim, fiquei bastante feliz de ver os trabalhos de Pedro Cobiaco e L.M. Melite ocupando o pódio final. Fiz duas longas entrevista com Cobiaco ao longo do ano passado (aqui e aqui) e uma imensa com Melite. Enquanto Quintanilha não precisa mais de qualquer aval ou aclamação pública para sacramentar a qualidade de seu trabalho, o autor da Ilha ainda é um artista novo, em formação, e o responsável por Dupin está longe de ter recebido seu devido reconhecimento. Fiquei realmente feliz por ter terminado dessa maneira.

Claro, por mais interessante e legítimo que seja o sistema de votação escolhido, ele permite algumas falhas. Fazer um top 10 em formato de ranking é injusto pra caramba. Se fossem os 15 primeiros, gosto de acreditar que títulos extremamente queridos do ano passado teriam ainda mais destaque (O Beijo Adolescente #3, os trabalhos da Nébula, Espiga, Quiral, Mayo, Dodô, Dinâmica de Bruto e acho melhor parar por aqui ou então não termino nunca hehe). Fossem as 20 então, certeza que o resultado seria completamente diferente, e por aí vai.

A ideia do Grampo – não com esse nome, que só veio já nos finalmentes da votação – tava na minha cabeça tinha um tempo, mas quieta lá num canto. Numa das minhas primeiras conversas com o Lielson, acho que no final de 2014, já havíamos brincado sobre a possibilidade de fazer algo do tipo. No final do ano passado, inspirado pela saudosa eleição de melhores do Gibizada do Telio Navega, o Lielson voltou a cantar essa bola. Fiquei meio reticente, sei que uma eleição do tipo exige responsabilidade e compromisso pra caramba. Por mais informal que possa parecer, não deixa de ser a avaliação do trabalho de alguém, de uma obra que uma pessoa investiu tempo e esforço pra colocar no papel – ou na internet. Resolvemos fazer, a coisa rolou e ficou legal pra caramba. Sem qualquer falsa modéstia: acho o resultado mais interessante de qualquer ranking/lista/eleição de melhores quadrinhos de 2015 que vi por aí e um dos mais bem fundamentados dos meus muitos anos como leitor de HQs. Espero que inspire novas ideias e dê novo fôlego a novas e velhas premiações dos quadrinhos nacionais.

Se tudo der certo, caso sobre tempo e vocês ainda queiram, o Grampo volta em 2017.

Até.

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– Prêmio Grampo 2016 de Grandes HQs – O resultado final: as 20 HQs mais votadas

por Lielson Zeni e Ramon Vitral*

O quadrinista Pedro Cobiaco é o vencedor do Prêmio Grampo 2016 de Grandes HQs. Aventuras na Ilha do Tesouro consta em 15 das 20 listas dos eleitores convidados do Grampo, tendo acumulando 102 pontos na contagem dos votos. O gibi vencedor ficou à frente de Talco de Vidro de Marcello Quintanilha (89 pontos) e Dupin de L.M. Melite (76 pontos). Os rankings individuais de cada um dos eleitores estão disponíveis aqui. Os 20 primeiros colocados e as demais obras listadas constam a seguir.

Aventuras na Ilha do Tesouro é o primeiro quadrinho longo de Pedro Cobiaco. Publicado entre maio e outubro de 2015 na internet, o gibi ganhou uma versão impressa pela editora Mino em novembro. As 144 páginas do álbum apresentam um enredo extremamente passional sobre os habitantes da ilha mágica mencionada no título e as aventuras do herói Capitão. Em 2013 Cobiaco publicou o romance experimental Harmatã, no ano seguinte foi a vez do excepcional Dentes de Elefante. Aventuras na Ilha do Tesouro é, até agora, o trabalho mais maduro e sincero de um dos quadrinistas mais peculiares e promissores do país.

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Talco de Vidro traz algumas mudanças no modo de produzir de Marcello Quintanilha. O desenho ainda segue realista, mas um pouco mais solto. Já o uso das repetições de imagens, bem como de artes menos figurativas trabalham a favor do desvario da protagonista, Rosângela. O texto do narrador apresenta incertezas, titubeios e reconstruções, quase como se estivesse aprendendo a contar história enquanto ela acontece. A construção psicológica da personagem alicerçada por essas técnicas narrativas faz de Talco de Vidro um dos materiais mais importantes já lançados no Brasil.

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Dupin é a segunda narrativa longa de Leandro Melite, que com mais de 200 páginas, traduz o conto de Edgar Alln Poe, Os Assassinatos da Rua Morgue, pro melitês. Sim, porque o autor tem uma dicção muito particular e facilmente identificável em seus trabalhos. Por isso, por mais que trama se enrole por um assassinato inexplicado, o gibi trata de duas crianças que buscam pistas pra resolver o mistério que é crescer e se tornarem adultos. A capacidade narrativa de alto nível transparece na escolha dos quadros, no traço com muita personalidade e, destaque-se, a qualidade do texto, avis rara nos quadrinhos.

-X-

4) Lavagem, Shiko (Mino): 65 pontos.

5) Pílulas Azuis, Frederik Peeters (Nemo): 57 pontos.

6) A Propriedade, Rutu Modan (Wmf Martins Fontes): 52 pontos.

7) Apocalipse Nau, Eloar Guazelli (Nós): 46 pontos.

8) Incidente em Tunguska, Pedro Franz (independente): 38 pontos.

9) Mate Minha Mãe, Jules Feiffer (Quadrinhos na Cia.): 34 pontos.

10) O Escultor, Scott McCloud (Marsupial): 33 pontos.

11) Ardalén, Miguelanxo Prado (Realejo): 30 pontos.

12) Hoje é o Último Dia do Resto da sua Vida, Ulli Lust (Wmf Martins Fontes): 28 pontos.

13) La Dansarina, Lillo Parra e Jefferson Costa (Quadro a Quadro): 23 pontos.

14) Turma da Mônica – Lições, Vitor e Lu Cafaggi (Panini): 16 pontos.

15) Dinâmica de Bruto, Bruno Maron (Maria Nanquim) // Dois Irmãos, Fábio Moon e Gabriel Bá (Quadrinhos na Cia) // Louco – Fuga, Rogério Coelho (Panini): 15 pontos.

16) Maia, Denny Chang (Narval Comix) // Garota Siririca, Lovelove6 (independente): 14 pontos.

17) Dodô, Felipe Nunes (independente): 13 pontos.

18) Meu Pai é um Homem da Montanha, Bianca Pinheiro e Gregório Bert (independente): 12 pontos.

19) Gnut, Paulo Crubim (independente): 11 pontos.

20) O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015, org. Clarice Reichstul e Rafael Coutinho, editor convidado: Érico Assis (Narval Comix) // Por Mais um Dia com Zapata, Daniel Esteves, Al Stefano e Alex Rodrigues (independente) // Goela Negra, Antoine Ozanan e Lelis (Mino) // Navio Dragão, Rebeca Prado (independente): 10 pontos.

Outras HQs listadas pelos eleitores: 20th Century Boys, Naoki Urasawa (Panini); Afrodite – Quadrinhos Eróticos, Alice Ruiz e Paulo Leminski, com vários desenhistas (Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Claudio Seto…) (Veneta); Aokigahara, André Turtelli Poles e Renato Quirino (independente); Apocalipse, Por Favor, Felipe Parucci (independente); Batgirl (A Sombra do Batman), Cameron Stewart e Babs Tarr (Panini); Beco do Rosário, Ana Luiza Kohler (independente); O Beijo Adolescente #3, Rafael Coutinho (Narval Comix); Bete Vive, Lita Hayata (independente); Burroughs, João Pinheiro (Veneta); Cabuloso Suco Gástrico, Breno Ferreira (Elefante); O Cânone Gráfico – Volume 2, org. Russ Kick (Boitempo Editorial); Chance, Samanta Flôor e Diogo Cesar (Polvo Rosa); Como Tudo Começou, Bruna Vieira e Lu Caffagi (Nemo); Os Contos do Planta #1, Gustavo Ravaglio (independente); Coral, Taís Koshino (Piqui); Chuva de Merda, Luiz Berger (Ugra Press/Gordo Seboso); Dedos Mágicos, Marcatti e Laudo Ferreira (independente); Desengano, Camilo Solano (independente); Dias Interessantes, Liber Paz (independente); Don Drácula, Osamu Tezuka (New Pop); Don Juan Di Leônia, Dalton Cara (independente); Escrevendo com o Lado Esquerdo do Fígado, Artur Fujita (Dead Hamster); Espiga, Felipe Portugal (independente); Gata Garota, Fefê Torquato (Nemo); Gavião Arqueiro, Matt Fraction e David Aja (Panini); A Grande Cruzada, Theo Szczepanski (Devaneio); Hermínia, Diego Sanchez (Mino); HQs da Mazô na Nébula (Nébula); Jockey, André Aguiar e Rafael Calça (Veneta); Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço, Germana Viana (webcomic); O Lobisomem/A Múmia, Eduardo Belga (Narval Comix); Melindrosa, Aline Lemos (independente); Menina Infinito #1, Fabio Lyra (Beleléu); Uma Metamorfose Iraniana, Mana Neyestani (Nemo); Meu Aborto em Quadrinhos, Cynthia B. (Piauí ed. 99); Miracleman, Alan Moore e vários artistas (Panini); Moomin – Volume 2, Tove Janson (A Bolha); Mulheres, Carol Rossetti (Sextante); Mute, Marco Oliveira (Zarabatana); Patas Sujas, Cris Peter e Sula Moon (independente); Parasyte, Hitoshi Iwaaki (JBC); O Perfuraneve, Jacques Lob, Jean Marc-Rochette e Benjamin Legrand (Aleph); Planetes, Makoto Yukimura (Panini); O Poder do Pensamento Negativo, Rafael Campos Rocha (Garabato); Pogando, Psonha Camacho (Sesi – SP Quadrinhos); Robô Esmaga, Alexandre Lourenço (JBC); Quiral, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho (Mino); Saga – Volume 2, Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Devir); Sandman Prelúdio, Neil Gaiman e J.H. Williams III (Panini); A Samurai, Mylle Silva e vários (Manjericão/Tambor); Singular, Emanoel Melo (independente); Smegma Comix #2, Pablo Carranza (Beleléu); SPAM, Cynthia B., Samanta Flôor, Camila Torrano, Germana Viana e Cátia Ana (Zarabatana); Vidas Secas, Eloar Guazzelli e Arnaldo Branco (Galera Record); Zero Eterno, Naoki Hyakuta e Souichi Sumoto (JBC).

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Lielson Zeni é editor, pesquisador e roteirista de quadrinhos

Ramon Vitral é jornalista e editor do Vitralizado.

Entrevistas / HQ

Papo com L.M. Melite, o autor de Dupin, Desistência do Azul e Leviatã

Você encontrará poucos quadrinistas brasileiros com uma carreira recente tão consistente quanto a de L.M. Melite. O recém-lançado Dupin (Zarabatana) é apenas a terceira obra longa impressa do artista e constará nas primeiras colocações de muitas listas de melhores HQs de 2015. O impressionante Desistência do Azul de 2012 chama atenção por seu experimentalismo, pela arte repleta de detalhes e pelo texto refinado do autor. Publicadas no 13º número da revista Café Espacial, as vinte e cinco páginas de Leviatã compõem um dos enredos mais impactantes das HQs nacionais nos últimos anos. Dupin representa o ponto mais alto de Melite como escritor e desenhista: mesmo preocupado com as percepções de seus leitores, ele não tira o pé do acelerador ao criar uma trama com diversos níveis de leitura e vários simbolismos.

Como entrega o nome da obra, o quadrinho é inspirado nas aventuras do detetive C. Auguste Dupin, criado por Edgar Allan Poe e apresentado ao mundo em Os Assassinatos da Rua Morgue (1841). O quadrinista trouxe a trama do clássico para os dias de hoje e transformou o protagonista do enredo e seu parceiro em crianças. Dois primos com passados obscuros, Dupin e Eduardo investigam um crime macabro noticiado em programas policiais.

Fui apresentado a Melite na edição de 2015 do Festival Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte e marcamos uma entrevista em São Paulo. Nos encontramos e conversamos durante pouco mais de uma hora e meia. O bate-papo tratou de vários assuntos. Começamos por sua colaboração no primeiro número do Jornal Altamira, com a história Padja e o Gigante. Conversamos sobre o início de sua carreira com quadrinhos e a sua série em três números Homem da Casa, publicada no site O Nariz.

Melite falou sobre suas influências, sua paixão por literatura, seu passado como evangélico, a produção de Dupin e Leviatã e sua percepção do mercado brasileiro de quadrinhos. Caso não tenha lido Dupin, pare por aqui, dê um jeito de arrumar a HQ e depois volte para aproveitar melhor a entrevista. Se Dupin estiver entre suas leituras recentes, mande bala e respire fundo até o lançamento de Tablóide, próximo álbum do autor, previsto para o final de 2016. Papo bem legal, dos mais interessantes que já deram as caras por aqui. Ó:

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