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Séries

A história das aberturas das séries de TV

Só passando pra deixar por aqui esse ensaio da Wired. Uma pensata de quase seis minutos sobre as várias mudanças que as aberturas das séries de TV norte-americanas passaram ao longo das últimas décadas, culminando nas belíssimas introduções presentes em clássicos recentes como Sopranos, Westworld e a primeira temporada de True Detective. Dá o play:

Séries

Matt Weiner e o fim de Mad Men

O careca conversando com o Don Draper na foto é o Matt Weiner, produtor executivo de Mad Men – e também de Sopranos, diga-se de passagem. Ele deu uma entrevista pro Saturday Evening Post sobre o fim da série, a alta expectativa do público e a confiança criativa que ele ganha com o sucesso das suas mais recentes produções. Dois trechos legais:

Q: Don Draper the main character on the show says, ‘Everyone thinks this is temporary.’ Do you think that?
MW: I am extremely aware that the end is coming but not when. I’ve always had to sweat. I never have been sure Mad Men was going to go on again. I live and die by this thing. I want people to say, ‘That was the best season of the show ever.’ I want them to progressively say during the season, ‘That was the best episode of the show ever!’ I am always aspiring to keep it new and fresh. But you’re going to lose if you’re always trying to top yourself. You end up doing something crazy.

Q: You are pretty secretive about the plots of the episodes.
MW: I’m not trying to tease people. I just don’t want to give away to viewers what’s coming because not knowing what is going to happen is part of what keeps people interested. I think fans of the show, the ones who really love it, don’t want to know. But it is hard to talk about a new season without getting specific. At the beginning of a season I’m always like, ‘I’m starting a whole new story. If you don’t like it, then it’s not for you. But it’s not because it’s not as good as last year. It’s just different.’ No matter what happens you’ll be able to understand it. It’s a TV show, it’s not War and Peace.

Séries

Tony Soprano e a maldade

(post com spoilers das temporadas finais de Sopranos, ok?)

Mas ninguém supera Tony Soprano no quesito maldade. O cara era simplesmente incapaz de aceitar a felicidade alheia e ninguém precisou aguentar mais essa pira dele do que sua irmã. Lembro de Cold Nuts, 5º episódio da 10ª temporada da série. A pentelha da Janice finalmente feliz com a vida e o Tony banca o Hannibal Lecter fazendo a mulher pirar. Ele sorri, sai da sala e começa a tocar Kinks. Demais. O cara matou o próprio sobrinho, mas poucas cenas da série expõem o personagem como essa.

Cinema

A máfia em crise em O Homem da Máfia

Escrevi sobre O Homem da Máfia na última edição do Divirta-se.

Os últimos instantes do governo de George W. Bush, a disputa entre democratas e republicanos pela Casa Branca nas eleições de 2008 e a posse do primeiro mandato de Barack Obama servem de pano de fundo para o enredo de O Homem da Máfia. O cenário de transformação instaurado no início da campanha que resultou na eleição do primeiro presidente negro dos EUA evidencia o tema preponderante desta produção estrelada por Brad Pitt: até os gângsteres, alguns dos elementos mais nefastos do idílico sonho americano, estão em ruínas no mundo pós-crise financeira de 2008.

Este é apenas o segundo longa do diretor Andrew Dominik, responsável também por ‘O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford’ (2007). O roteiro – adaptado de ‘Cogan’s Trade’, romance policial escrito por George Higgins em 1974, inédito no Brasil – coloca Brad Pitt no centro da trama. Ele interpreta Jackie, um assassino de aluguel contratado pela máfia para encontrar os responsáveis pelo assalto a um grupo de gângsteres durante um jogo de cartas.

O filme aparenta ter muito mais que seus 97 minutos e não por suas várias cenas de diálogo com longa duração. Pelo contrário: as extensas conversas entre o personagem de Pitt e alguns coadjuvantes, como os vividos por James Gandolfini (o patriarca de ‘Família Soprano’) e por Richard Jenkins (de ‘O Visitante’, 2007), são extremamente benéficas ao enredo. Os excessos ficam por conta de algumas cenas de violência. Sem o aspecto caricatural da brutalidade de ‘Drive’ (2012), o grafismo de alguns trechos de ‘O Homem da Máfia’ não acrescentam nada à história.

Intérprete de um suspeito pela organização do assalto, Ray Liotta é uma das presenças mais significativas do bom elenco reunido por Dominik. “Até onde me lembro, sempre quis ser um gângster”, disse Liotta na abertura de ‘Os Bons Companheiros’ (1990), de Martin Scorsese. Vinte e dois anos depois, ‘O Homem da Máfia’ mostra como até a menos célebre das aspirações pode ser desconstruída em uma economia quebrada.