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Posts por data março 2014

HQ

Gosh! Comics: a melhor loja de quadrinhos de Londres

Antes de tudo, a Gosh! Comics é a melhor loja de quadrinhos de Londres segundo o meu padrão de qualidade. Ainda assim, gosto da Forbidden Planet e acho a Orbital imperdível – fiquei na maior dúvida se ela não seria a minha preferida -, mas no final das contas a Gosh! é a que mais gosto. Começo pelo lugar em que ela está localizada. Fica no número 1 da Berwick Street, uma das ruas mais legais de Londres. É possível chegar nela pela Oxford Street, a estação mais próxima é a Tottenham Court Road. Outras opções de metrô são as estações Piccadilly Circus ou a Oxford Circus, ambas ficam a menos de 10 minutos da Berwick. Nos anos 90, a rua Berwick era um dos principais centros de venda de discos da cidade, ela era bastante frequentada por músicos e serviu de cenário pra capa de (What’s the Story) Morning Glory?, do Oasis. Ainda há algumas lojas de discos e cds por lá, mas hoje também têm galerias, lojas revistas de várias partes do mundo, alguns restaurantes e bares e uma feira com várias barracas que só fecham aos domingos. O site da feira está aqui e vale conferir antes de passar lá: o número de barracas varia de acordo com os dias da semana.

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Das três lojas de quadrinhos aqui de Londres, talvez a Gosh! seja a menor, com dois andares e ambos não muito grandes. No nível da rua, na entrada da loja, ficam os mais recentes lançamentos e alguns clássicos, mas quase nada de super-heróis. Os gibis de editoras americanas (Marvel, DC e Image) por ali estão nas prateleiras de autores. Há uma dedicada apenas a clássicos de Alan Moore e Neil Gaiman, outra com Grant Morrison e Mark Millar e mais algumas. As outras obras mais famosas e populares nesse espaço são principalmente quadrinhos policiais (muita coisa do Ed Brubaker) e ficções científicas (como Saga). O resto desse primeiro andar é repleto de obras de editoras menores ou publicações independentes. Há uma mesa imensa com lançamentos e algumas obras-primas recentes, como Jimmy Corrigan e Building Stories do Chris Ware. Pra quem não é de ler muito quadrinho, essa mesa pode ser uma tremenda amostra do que tem de melhor no meio hoje. Também há uma prateleira apenas com publicações da Nobrow e outra com produções de artistas mais alternativos. Vale prestar atenção nos muitos gibis autografados, todos pelo preço da capa e misturados com outras edições normais. Vi um Robert Crumb com a assinatura dele por 22£.

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O canto da foto aqui de cima mostra uma outra mesa, menor, e uma prateleira dedicada apenas a obras independentes. Publicações de diversos formatos, com experimentações de cores, traços e enredos. São edições de tiragem bem limitada na maioria das vezes, então é bem grande a rotatividade dos trabalhos expostos por ali. Em frente a esse espaço fica uma outra prateleira, com livros técnicos sobre linguagem e história dos quadrinhos britânicos e mundias, e também impressões sobre grafitti, design e cinema. Mais no canto fica uma estante com trabalhos infantis e talvez esse seja o único ponto fraco da loja. Como na Forbidden Planet e na Orbital, na minha última visita havia bastante coisa de A Hora da Aventura. Mas…cara, é uma loja de quadrinhos, provável que qualquer criança se divirta por lá de qualquer forma.

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No subsolo ficam os quadrinhos de super-heróis, outros gibis de grandes editoras americanas e alguns mangás. É bastante organizado e bem fácil de entender a distribuição das revistas e encadernados. De qualquer forma, essa parte da loja não é a mais interessante, mais voltado pra obras que você pode encontrar facilmente em qualquer outra comic shop. Na escada até lá ficam expostas artes originais a venda. Também dá pra comprar um pôster da Liga Extraordinária assinado por Alan Moore e Kevin O’Neill (80£). Falando nos dois, no próximo sábado eles vão estar na Gosh! pra uma sessão de autógrafos do novo livro da Liga Extraordinária, Nemo: Roses of Berlin. Isso é outra coisa bem legal da loja, vale ficar de olho na agenda do site deles pra ficar sabendo dos eventos agendados, costumam ser vários e são bastante concorridos. Vai que você está de bobeira em Londres e tá rolando algo legal? Qualquer dúvida, vale trocar uma ideia com os funcionários também. São bastante simpáticos e atenciosos.

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Cinema

X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido: trailer e pôster novos

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Já viu né? Estão bem legais. Acho que o filme vai ser um dramalhão enorme, sem o bom-humor de Primeira Classe. Aposto que dos mutantes do futuro, não sobra ninguém, vai ser uma carnificina imensa. Mas tudo bem. Já disse por aqui: acredito que no final de Dias de Um Futuro Esquecido, vai sumir a continuidade da série com os três primeiros filmes (X-Men, X-Men 2 e X-Men: O Confronto Final) e todos com Wolverine. Tipo o que fez o J.J. Abrams no primeiro Star Trek em relação à série clássica. Aí ficaríamos com os X-Men do passado e um cenário zerado pra mais uma leva de filmes deles. Segue o trailer:

Ah…e quando falei do drama todo, tava pensando na cena do começo do trailer em que a Tempestade parece sendo atacada por trás por uma Sentinela. Pensei na hora no destino da personagem no quadrinho em que Dias de Um Futuro Esquecido foi baseado. Já leu? Não creio que seja spoiler – ninguém viu o filme e é só uma aposta. No gibi ela morre após um ataque bastante semelhante de uma das armas de Bolivar Trask. O pessoal do Comicbook.com lembrou da mesma coisa e arrumou a imagem do quadrinho. Saca só, primeiro a cena do trailer:

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E no gibi:

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Entrevistas / HQ

Papo com Luciana Foraciepe/Maria Nanquim, a editora da Xula

Pode ser que você não conheça o nome Luciana Foraciepe, mas é bastante provável que já tenha ouvido falar na Maria Nanquim. O alter-ego famoso da publicitária está próximo dos 33 mil likes no facebook. No ar desde fevereiro de 2012, a fanpage republica tiras e quadrinhos de todo o mundo, mas principalmente de autores brasileiros alternativos e independentes. Com planos de produzir uma versão impressa do site nos próximos anos, Luciana editou e lançou a Xula, durante a segunda edição da Feira Plana. A revista reúne produções dos quadrinistas Calote, Ricardo Coimbra, Bruno di Chico e Bruno Maron, quatro das mentes mais criativas e subversivas dos quadrinhos nacionais, e está a venda aqui (R$30). Bati um papo imenso por email com a Luciana. Ela comentou sobre as suas prováveis próximas empreitadas no papel, as origens da Maria Nanquim, a criação da Xula, algumas de suas compras na Feira Plana e o atual cenário dos quadrinhos nacionais. Saca só:

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Você trabalha com publicidade, certo? Como começou a sua relação com os quadrinhos? Quando surgiu o Maria Nanquim e como você define a página? A Xula tá a venda na internet?

Eu sou formada em propaganda e marketing e sempre trabalhei com publicidade. Há uns 2 anos eu tentei “entrar” em alguma editora, mandei currículo, mas nada aconteceu. Não sei se foi a minha experiência, mas achei o mercado editorial bem fechado. Mas a vontade ainda existe.

Minha relação com os quadrinhos vem desde que me entendo por gente. Meus pais sempre assinaram as revistas da Turma da Mônica e da Disney e com 2 ou 3 anos de idade, eu já tentava decifrar os gibis. Minha mãe brinca que eu aprendi a ler com os gibis. Também gostava de Peanuts, Calvin e Haroldo e Mafalda (amo até hoje). Esse trio (Charles Schulz, Bill Wattterson e Quino) é a Santíssima Trindade pra mim. Toda crianca, ao completar, sei lá, 6 anos, deveria ganhar a coleção completa rs Meus pais sempre incentivaram a leitura em casa. Isso foi muito importante na minha formação. Como meus pais também sempre assinaram jornal, na pré-adolescência eu já me interessava pelas tiras do Níquel Náusea (amo de paixão o trabalho do Fernando Gonsales), Laerte, Angeli, Glauco, Adão… amo todos eles até hoje, claro.

O Maria Nanquim surgiu em fevereiro de 2012, se não me engano. Eu postava algumas tiras na minha página pessoal do facebook e meus amigos gostavam. Pensei em criar uma página pra divulgar só as coisas que eu gostava. Já que eu não tenho talento pra desenhar, mas sou apaixonada por desenhos e quadrinhos, era uma maneira de estar mais próxima desse universo. E eu fico feliz com resultado. Eu realmente só posto/ divulgo o que eu gosto. O único critério da página é meu gosto pessoal. Não sou uma estudiosa dos quadrinhos, apenas uma apaixonada.

E no final de 2011, antes da página surgir, eu já tinha tido a ideia de editar uma revista de quadrinhos. Que depois virou a Xula. Lançamos na Feira Plana 2 e estamos vendendo pela internet agora. Aqui o link da lojinha rs http://mariananquim.iluria.com/

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A primeira vez que ouvi falar da Xula foi no meio de 2013, pelo Ricardo Coimbra. O Rafael Roncato estava junto e disse que era o Chinese Democracy dos quadrinhos, pela demora pra sair. A ideia é tão antiga assim?

A ideia é antiga sim rs Surgiu no final de 2011, se não me engano, nem eu me lembro mais hahahaha Era muito fã do trabalho do Calote e do Bruno Di Chico, e acabamos ficando muito amigos. Tive a ideia de editar uma revista só com histórias deles. E talvez chamar um convidado.

Um dia, em casa, nós três ficamos pensando num nome pra revista e surgiu Xula. Pouco tempo depois, conhecemos o Bruno Maron, que tinha acabado de se mudar pra São Paulo, e o Ricardo Coimbra. Também era muito fã dos dois, e acabamos virando grandes amigos. Nos reuníamos em casa toda semana pra falar merda e dar risada. Um dia, eu, Calote e Di Chico conversamos e decidimos chamar os dois pra Xula. Eles toparam, pra nossa felicidade.

Só que como eu trabalhava em agência (até tarde todo dia – quem trabalha em agencia sabe que você não tem horário pra sair) e os meninos também tinham os compromissos deles, a Xula rolou bem devagar mesmo. Quando eu realmente comecei a pegar no pé deles, o Ricardo Coimbra e Bruno Di Chico foram os que me deram mais trabalho hahahahaha Era um parto. O Coimbra prometia entregar as páginas finais dele todo final de semana. Mas elas nunca chegavam. Depois que ele entregou a parte dele, faltava o Bruno Di Chico terminar uma história longa que ele estava desenhando.

E eu fiquei na espera dessa história alguns meses, pra poder fechar a Xula pra Feira Plana 1. Não rolou. E aí, fomos (todos) procrastinando. Mas no fim de 2013, quando soube da Feira Plana 2, resolvi fechar a revista sem a história longa do Di Chico (se um dia ele me entregar, edito um álbum só dele rs Parece que a história já está com 30 páginas, mas ele ainda não finalizou). Pra fechar com chave de ouro, convidei meu ídolo maior, Jaca, para fazer a capa e ele topou. Ficamos muito, mas muito felizes mesmo. A capa da Xula ficou maravilhosa, estou muito feliz. Seremos eternamente agradecidos ao Jaca.

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Como você define a Xula?

Como eu adoro humor, queria lancar uma revista que as pessoas pudessem dar risada. Defino a Xula como uma revista de humor. O nosso único desejo é fazer as pessoas rirem. Fico feliz quando alguém me escreve que leu a Xula e rolou de rir. Eu sou suspeita pra falar, mas leio e releio e sempre dou risada.

E como foi a produção da revista? Você pensou alguma história? Encomendou algum enredo ou todos tiveram liberdade pra criar o que quisessem?

Não pensei em nenhuma história, a tarefa deles era mandar histórias que me fizessem rir. O critério foi esse. Eles tinham total liberdade. Te confesso que foi bem fácil editar, porque eu sou muito fã do trabalho dos quatro, então, recusei poucas histórias. Poucas mesmo, talvez umas três. E claro que, como andamos sempre muito juntos, tenho um pouquinho de participação em algumas histórias, que surgiram de conversas. Mas nada que tenha que ser creditado, porque o mérito é deles de pegarem alguma coisa absurda que eu disse e transformar aquilo numa HQ.

Pelo que conheço do trabalho dos quatro, são estilos de desenho muito diferente, mas há um certo padrão de conteúdo ou abordagem. Você vê alguma semelhança entre as obras deles?

A semelhança é o gosto pelo humor, pela piada, pelo deboche. Acho, de verdade, que os quatro são grandes humoristas. Sair com eles é certeza de risada a noite toda. E acho legal que esteticamente sejam estilos completamente diferentes. Dá pra saber exatamente quem é quem na Xula, só de olhar pro traço.

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Como foi sua experiência editando a Xula?

Eu amei a experiência. Quero pagar a Xula logo, pelo menos empatar a grana que eu investi, pra poder investir em outra publicação em breve! O Jaca fez o logo Maria Nanquim, agora já tenho uma marca pra chamar de minha! A ideia é publicar outros artistas que eu gosto. É bom demais pegar a Xula na mão e saber que está tudo do jeitinho que eu queria. É uma revista que eu adoraria comprar, sem falsa modéstia.

Há planos para uma segunda edição da revista?

Sim! Queremos lançar a Xula 2 ano que vem! Talvez na Feira Plana 3.

Como foi a repercussão da revista na Feira Plana?

Foi ótimo. Vendemos quase 180 revistas. Ficamos muito felizes. Um evento desses, deveria acontecer pelo menos duas vezes ao ano. Foi demais. A Bia Bittencourt arrasou.

E o que você achou da Feira? Você chegou a ir na primeira edição? 

Na primeira edição fomos sem a Xula. Ficamos muito tristes, porque víamos nossos amigos vendendo horrores e a gente sem nada pra vender rs Acho que as duas foram ótimas pra quem participou. O público que a Feira atrai é enorme. Muito bom mesmo estar presente.

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Você comprou muita coisa na Feira Plana? 

Olha, eu circulei muito pouco. Tinha que ficar na mesa da Xula, controlando as vendas enquanto os meninos bebiam hahahahaha Mas deu pra ver que tinha MUITA coisa boa. Consegui comprar algumas coisas no final, mas não tudo que eu queria. Comprei tudo que o Rafael Sica levou e que eu não tinha: Novela (que foi editado pela Bebel Abreu, da Bebel Books e está fantástico!!!), uma obra-prima. Fim (editora Beleléu), o zine Manada. Também comprei duas gravuras com tiragem limitada. Isso tudo do Sica.

Comprei o Jornal Pimba, da galera de Brasília, também excelente, sou fã dos caras (Gomez, Daniel Carvalho, Lenadro Mello, Felipe Sobreiro e Danylton Penacho). Fiquei triste porque não comprei os pôsters do Daniel Carvalho, deixei pra comprar na última hora e esgotou. Também comprei um original do DW. Comprei um poster do Góes, maravilhoso. Comprei o fanzine do Jaca e do Fabio Zimbres (ídolos) – eles faziam o zine ali, na hora, um projeto deles que chama Desenhomatic. Bom demais. Comprei um zine da Ale Kalko, que apaixonei, chama Amarelo. Ele vira um poster lindo!!

Na minha entrevista com o Ricardo Coimbra , ele disse que o que acha mais fascinante no atual cenário dos quadrinhos brasileiros “é a chance que as pessoas estão tendo de mostrar um trabalho autoral, uma coisa honesta, verdadeira e sabendo que vai ter público, que tem gente lendo e comentando”. O que você acha desse cenário? Aliás, há um cenário? Pra você, há alguma coisa acontecendo com os quadrinhos nacionais?

Eu acho que o cenários sempre existiu, a duras penas, mas sempre existiu. Agora, com internet, as pessoas conseguem mesmo fazer um trabalho autoral sem depender das editoras. Acho isso bom demais. Mas não sei medir ou dizer se o interesse por quadrinhos aumentou ao longo dos anos, porque eu sempre fui interessada. Posso estar dizendo uma bobagem, mas na minha opinião o cenário sempre existiu, só que antes o acesso era mais complicado. As pessoas tinham que se contentar com o que era publicado. Com o que as editoras publicavam. Hoje, com as publicações independentes e com a internet, dá pra conhecer um monte de gente boa produzindo quadrinhos. Isso é lindo.

Também tem muita coisa ruim, mas aí é só não acompanhar o que não te agrada. O que tenho certeza é que ainda é complicado viver de quadrinhos no Brasil. Vejo isso pelos meus amigos quadrinistas que estão sempre duros. Muito triste. Pessoas extremamente talentosas, mas que precisam sambar muito pra pagar as contas no fim do mês.

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Você já pensou em lançar uma versão impressa pra Maria Nanquim?

Sim! É meu próximo e mirabolante projeto rs Eu quero fazer um tipo de almanaque, com todos os artistas que eu gosto. Estou montando o projeto. Vai sair! Não sei quando, mas vai!

Hoje a página tem mais de 32 mil likes e o conteúdo é bastante alternativo. O que você acha desse número? Você acha que ele já engloba um público além do nicho dos leitores de quadrinhos?

Eu não sei dizer se é muito ou pouco. Pra mim é um número maravilhoso! Mas talvez seja pouco se comparado a outras páginas que postam um conteúdo mais eclético. Eu realmente só posto o que eu gosto. Não adianta nem ser amigo, se eu não curtir o trabalho, não vou postar. Mas é só a minha opinião. Como já disse, não sou uma crítica nem uma estudiosa de quadrinhos, apenas uma apaixonada. Além de quadrinhos, procuro postar trabalhos de artistas plásticos, ilustradores que eu gosto. Se eu gostar, e tiver a ver com a proposta da página, eu vou compartilhar. E se eu não posto, não é porque o trabalho é ruim, é só porque não é o estilo que me agrada. Gosto é gosto né? Quem sou eu pra definir o que é bom e o que não é?

Sobre o público, vejo que tem muita gente que entende de quadrinhos que curte a pagina. Isso me deixa feliz. Quando me escrevem, dizendo que gostam da minha seleção, fico toda satisfeita rs E percebo também que algumas pessoas não são necessariamente leitoras de HQ mas que curtem uma dose diária de tirinhas e de humor, então gostam de acompanhar a página. A única coisa que me mantém no facebook é a minha página.

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HQ / Literatura

Neil Gaiman e as histórias de fantasmas

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Em um evento paralelo ao Ted em Vancouver, o Neil Gaiman apresentou ontem um ensaio sobre histórias de fantasmas. O pessoal do Brain Pickings gravou alguns trechos da fala do escritor. Ele tenta explicar o que torna os enredos de terror tão populares. Seguem os áudios publicados no Brain Pickings e a transcrição da primeira fala (se alguém topar traduzir, é só postar nos comentários, que eu atualizo e dou o devido crédito):

Why tell ghost stories? Why read them or listen to them? Why take such pleasure in tales that have no purpose but, comfortably, to scare?

I don’t know. Not really. It goes way back. We have ghost stories from ancient Egypt, after all, ghost stories in the Bible, classical ghost stories from Rome (along with werewolves, cases of demonic possession and, of course, over and over, witches). We have been telling each other tales of otherness, of life beyond the grave, for a long time; stories that prickle the flesh and make the shadows deeper and, most important, remind us that we live, and that there is something special, something unique and remarkable about the state of being alive.

Fear is a wonderful thing, in small doses. You ride the ghost train into the darkness, knowing that eventually the doors will open and you will step out into the daylight once again. It’s always reassuring to know that you’re still here, still safe. That nothing strange has happened, not really. It’s good to be a child again, for a little while, and to fear — not governments, not regulations, not infidelities or accountants or distant wars, but ghosts and such things that don’t exist, and even if they do, can do nothing to hurt us.

And this time of year is best for a haunting, as even the most prosaic things cast the most disquieting shadows.

The things that haunt us can be tiny things: a Web page; a voicemail message; an article in a newspaper, perhaps, by an English writer, remembering Halloweens long gone and skeletal trees and winding lanes and darkness. An article containing fragments of ghost stories, and which, nonsensical although the idea has to be, nobody ever remembers reading but you, and which simply isn’t there the next time you go and look for it.