Vitralizado

Posts por data setembro 2020

HQ / Matérias

Sarjeta #12: Adrian Tomine fala sobre A Solidão de Um Quadrinho Sem Fim

Está no ar a 12ª edição da Sarjeta, minha coluna mensal sobre histórias em quadrinhos no site do Instituto Itaú Cultural. Conversei com o quadrinista norte-americano Adrian Tomine sobre o recém-lançado A Solidão de um Quadrinho Sem Fim (Nemo). O álbum com tradução de Érico Assis é um dos títulos mais celebrados de 2020 e deve ocupar as primeiras posições de muitas das principais listas de melhores do ano. Na entrevista que fecha a coluna, uma conversa com a quadrinista Verônica Berta, autora de Ânsia Eterna e coautora de Quincas Borba em Quadrinhos, ambas publicadas pela SESI-SP.

Você lê a 12ª Sarjeta clicando no link a seguir: Sarjeta #12: Adrian Tomine fala sobre os pequenos fracassos na vida de um quadrinista de sucesso.

HQ

Domingo (27/9) é dia de papo com Fido Nesti e Rodrigo Rosa sobre adaptação de literatura para HQs

Opa, tenho um convite procê. Vou mediar um papo batizado de Romance Gráfico, com a participação dos quadrinistas Fido Nesti e Rodrigo Rosa, no domingo (27/9), a partir das 11h, no canal da editora Companhia das Letras no YouTube. O foco da conversa será em adaptação de obras literárias para a linguagem das histórias em quadrinhos, com o Rodrigo Rosa falando sobre sua experiência adaptando Os Sertões, de Euclides da Cunha, e o Fido Nesti adiantando um pouco de sua aguardada adaptação de 1984, de George Orwell. Você chega no canal da Companhia das Letras clicando aqui.

A conversa que vou mediar faz parte do Na Janela: Quadrinhos, primeiro festival online de quadrinhos do selo Quadrinhos na Cia, da Companhia das Letras. Vão rolar outros oito encontros além desse que participo, com direito a participação da quadrinista sueca Liv Strömquist, autora de A Origem do Mundo; e homenagens aos 20 anos do lançamento de Persépolis, de Marjane Satrapi, e aos 50 anos de carreira de Angeli – em um papo mediado por Érico Assis com a presença de Laerte e Caco Galhardo. Você confere a programação completa no Instagram da Companhia das Letras.

HQ

Last Days, por Chris Ware

A capa da edição de 21 de setembro de 2020 da revista New Yorker é assinada pelo quadrinista Chris Ware. Batizada de Last Days, a arte é o terceiro trabalho do autor de Building Stories e Jimmy Corrigan para a revista com o foco na pandemia do novo coronavírus – ele primeira fez a capa com o título Bedtime, depois outra chamada Still Life e publicou uma HQ celebrando seu autoisolamento por conta da COVID-19.

Lá no site da New Yorker você encontra uma breve entrevista da Françoise Mouly, editora de arte da revista, com o Chris Ware, sobre a produção desse trabalho mais recente, além desse rascunho que reproduzo abaixo mostrando o desenvolvimento da ilustração.

O rascunho de Last Days, arte de Chris Ware para a capa da revista New Yorker
Last Days, arte de Chris Ware para a capa da revista New Yorker
Entrevistas / HQ

O MAU está de volta! Rogério de Campos fala sobre a retomada da publicação após 29 anos, em edição com Robert Crumb, Gilbert Shelton, Simon Hanselmann e Martin Rowson

O MAU está de volta. O editor Rogério de Campos anunciou a retomada do encarte publicado ao longo das 22 edições da lendária revista Animal, encerrada em novembro de 1991. O 24º número será distribuído de graça, a partir de 10 de setembro, em lojas de quadrinhos e livrarias independentes, também podendo ser adquirido como brinde no site da editora Veneta, com a compra de qualquer livro do selo.

Participam da revista Robert Crumb, Gilbert Shelton, Simon Hanselmann, Martin Rowson, Aline Zouvi, Juscelino Neco, João Pinheiro, Rafa Campos Rocha, Carolina Ito, Allan Sieber, Cynthia B., Gustavo Piqueira e Batista. Autora do livro Uma História da Tatuagem no Brasil, a historiadora Silvana Jeha assina um texto sobre o artista plástico Bispo do Rosário, e Rosane Pavam, editora de texto da Animal, produziu um texto sobre Nereu Gargalo, membro do Trio Mocotó.

“Vamos retomar com o número 24 porque na verdade eu perdi a conta”, disse o editor e idealizador do projeto em meio a risos. “O número 23 existiu de maneiras diferentes na cabeça de tanta gente que aí a gente pula e vai para o 24”.

“A minha ideia inicial era fazer um zine. O que acabou acontecendo é que eu falei com umas pessoas e todo mundo disse que queria participar. O Crumb falou: ‘pode pegar o que você quiser’. Aí o Gilbert Shelton mandou uma história nova do gato dos Freak Brothers, o Fat Freddy. Aí o Martin Rowson fez uma especial, linda. Aí ficou melhor que o meu plano original. E ainda tem Allan Sieber, Carol Ito, Aline Zouvi…. Mas não teve muito planejamento, não”. 

E por que retomar o MAU e não a Animal? “A Animal tinha uma certa ambição. Era papel couchê, cor e tudo…. E também porque todo mundo fica me pedindo para ressuscitar a Animal e não vou dar essa satisfação para ninguém. Vai parecer que eu fico atendendo as vontades dos leitores e isso não é uma coisa que me agrada”.

O projeto acabou ganhando fôlego à medida que os artistas convidados pelo editor começaram a enviar seus trabalhos – o que também resultou no corte de algumas histórias maiores que podem ficar para uma possível 25ª edição. Ele disse que apesar de não ter estabelecido nenhum recorte editorial, esse novo MAU reúne histórias principalmente de humor, respostas naturais a tempos reacionários.

“Qualquer sinal de vida é subversivo, né? Esses caras, essa extrema-direita, é anti-humana, né? Então qualquer sinal de vida, de alegria, de risada, de qualquer coisa, é subversão. Dança, riso, samba, rebolado, tudo isso deixa essa gente nervosa”. 

Leia a seguir a íntegra da minha entrevista com Rogério de Campos:

“Agora que acabou o mundo, não tem jeito, vamos fazer

O que você pode me contar sobre esse 24º MAU?

Cara, eu não sei porque eu tô fazendo (risos). A gente fica o tempo todo falando que precisa fazer uma revista, ‘como era bom fazer revista’, e eu fico falando, ‘mas o momento não é mais para isso, agora é mais difícil, não tem jeito’. Mas agora que acabou o mundo, não tem jeito, vamos fazer. Não ia vender mesmo na banca, né? Então vamos fazer desse jeito aí. 

Vai ser uma revista?

A minha ideia inicial era fazer um zine. O que acabou acontecendo é que falei com umas pessoas e todo mundo disse que queria participar. O Crumb falou: ‘pode pegar o que você quiser’. Aí o Gilbert Shelton mandou uma história nova do gato dos Freak Brothers, o Fat Freddy. Aí o Martin Rowson fez uma história especial, linda. Aí ficou melhor do que o meu plano original. E ainda tem o Allan Sieber, a Carol Ito, a Aline Zouvi,… Ficou bom, mas não teve muito planejamento, não. 

E quando sai? Já está pronta?

Tá pronta, já tá na gráfica. Não sei exatamente o que eu vou fazer. A minha ideia é cobrar o frete, a embalagem, o manuseio e pronto, a publicação seria de graça. A ideia é mandar para os pontos de venda, agitar as pequenas livrarias. Então vai ser de graça no site da editora, as pessoas pagam o transporte, a logística e tal, e as gibiterias recebem e resolvem o que fazer com isso (risos).

Vai ser só quadrinho? Tem texto também?

Tem texto, sim. Tem a Silvana Jeha, autora do Uma História da Tatuagem no Brasil. Ela escreveu sobre o Bispo do Rosário. E a Rosane Pavam, que era a editora de texto da Animal, escreveu um texto sobre o Nereu, do Trio Mocotó, que acompanhava o Jorge Ben, um herói nosso.

“Saudade tem limite

Mas por que o MAU e não a Animal?

Porque saudade também tem limite (risos). E vamos com o número 24 porque na verdade eu perdi a conta. Aí comecei com o número 24. Mas o número 23 existiu de maneiras diferentes na cabeça de tanta gente que aí a gente pula isso e vai para o 24. 

A coleção original terminou na 22?

Eu acho que sim, mas não tenho muita certeza (risos).

Então, de graça, nas lojas independentes e no site de vocês, certo?

É, vai ser nas livrarias independentes, nas livrarias pequenas… Ainda tô vendo como fazer com esse negócio do frete. A ideia é ser de graça com as pessoas pagando os custos da logística. Como se fazia fanzine na época, né? O cara pagava o selo.

“Um monte de gente fica me pedindo para ressuscitar a Animal e não vou dar essa satisfação para ninguém

Só voltando, acho que você não respondeu, por que não a Animal?

Para falar a verdade, a Animal tinha uma certa ambição. Era papel couchê, cor e tudo…. E também porque todo mundo fica me pedindo para fazer a Animal, um monte de gente fica me pedindo para ressuscitar a Animal e não vou dar essa satisfação para ninguém. Vai parecer que eu fico atendendo as vontades dos leitores e isso não é uma coisa que me agradar (risos).

E como foi o convite para os artistas? Você ligou para o Crumb, explicou o projeto, perguntou se ele tinha algum trabalho…

Não, no caso do Crumb ele falou que liberou o que eu quisesse usar da obra dele. No caso do Gilbert Shelton ele falou que estava preparando um negócio e ia me mandar. Já o Martin Rowson, ele perguntou ‘como você quer e tal?’, aí eu falei que era para ele fazer o que quisesse, ele disse que foi o melhor briefing que já teve. 

Como você selecionou os autores nacionais?

Fui chamando as pessoas que estavam mais próximas mesmo. Ficou bastante o povo da Veneta, teve gente que não entrou porque na hora de fechar precisamos derrubar algumas coisas. Ficaram coisas lindas para a próxima, se ela existir. Então foram os autores que estavam próximos: João Pinheiro, Juscelino Neco, Carol Ito… Pessoas que estavam próximas, como acontece em um fanzine.

“Não tem filtro nenhum

Você passou algum tema ou recorte? Você estabelece alguma linha editorial?

Na verdade eu gastei mais tempo explicando para o povo que não tinha nenhuma linha editorial e não tinha filtro nenhum. A Cynthia B e o Batista queriam fazer uma história grandona e tal, aí não cabia aquilo tudo e eles ficaram com cinco páginas, mas ficou muito bom. 

Você falou de “próxima”. Já tem uma próxima edição em mente?

Vai depender desse número. Na verdade a Animal nunca foi mensal, ela saía de vez em quando (risos). 

Por que fazer isso agora?

Porque me deu na veneta (risos).

“Qualquer sinal de vida é subversivo

Com a edição já fechada, você já consegue fazer um balanço dessa revista? O que ela representa para você?

Tem um negócio que eu sinto um pouco de falta, e que a internet até supre um pouco: o humor nos quadrinhos. Acho que o MAU tem esse negócio de humor. Você vê muita produção melancólica… O formato leva um pouco a isso: o quadrinho underground é um quadrinho de humor, principalmente de humor. E com o formato livrão as coisas ficaram um pouco mais sérias, né? Então foi uma diversão. 

É, quando eu conversei com o Simon Hanselmann recentemente…

Ele também está na revista!

Ele me falou sobre o papel do humor como subversão. 

Ah, cara, qualquer sinal de vida é subversivo, né? Esses caras, essa extrema-direita é anti-humana, né? Então qualquer de vida, de alegria, de risada, de qualquer coisa, é subversão. Dança, riso, samba, rebolado, tudo isso deixa essa gente nervosa. 

Post atualizado com a capa do MAU #24:

Cinema / HQ / Séries

Vitralizado #95 – 08.2020

Tô feliz com o índice de aproveitamento do conteúdo do Vitralizado em 2020. Textos que gosto de escrever e conversas com pessoas que admiro. Foi meio que sem querer, o trabalho que paga as contas impactou o ritmo do blog, mas tô curtindo esse ritmo mais leve.

Na imagem que abre o post, o original de uma dupla de Palookaville #21, do Seth, publicada pela Drawn and Quarterly em 2013 (achei lá no Bristol Board). A seguir, o sumário com os posts de agosto de 2020 do blog, ó:

*Entrevistei o quadrinista australiano Simon Hanselmann, autor de Mau Caminho, HQ recém-publicada no Brasil pela editora Veneta. Você lê a íntegra dessa entrevista clicando aqui;

*Escrevi para o jornal O Globo uma crítica sobre Mau Caminho, na qual chamo atenção para os aspectos mais singulares da HQ e conto um pouco sobre a carreira de Hanselmann até aqui;

*Dediquei a 11ª edição da Sarjeta, minha coluna mensal sobre HQs no site do Instituto Itaú Cultural, a Reanimator, obra do quadrinista Juscelino Neco publicada pela editora Veneta. Na seção que fecha a coluna, um papo com a quadrinista Aline Lemos. Leia!;

*Depois compartilhei por aqui a íntegra da minha entrevista com Juscelino Neco, na qual ele expõe suas impressões sobre o conto de H.P. Lovecraft e o filme Stuart Gordon que inspiraram a HQ.

>> Veja o que rolou no Vitralizado #94 – 07.2020;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #93 – 06.2020;
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