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HQ / Matérias

Bianca Pinheiro, Greg Stella e o nonsense experimental de Eles Estão Por Aí

Escrevi para a edição de junho da revista Rolling Stone sobre Eles Estão Por Aí, álbum do casal Bianca Pinheiro e Greg Stella publicado pela editoria Todavia. Escrever a sinopse desse trabalho mais recente da dupla de Meu Pai é Um Homem da Montanha foi um desafio bem divertido, que já leu saca a loucura da obra, mas acho que valeu o empenho. Eles Estão Por Aí é uma das minhas leituras favoritas do ano, pela trama nonsense e a vibe quase experimental do quadrinho. Aposto alto como um dos destaques de 2018 lá no final do ano. A Rolling Stone de junho já está nas bancas.

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2ª (18/12) é dia de lançamento duplo em Curitiba: Alho-Poró, de Bianca Pinheiro, e Já Era, de Felipe Parucci

Segunda-feira (18/12) é dia de lançamento em Curitiba! A Itiban Comic Shop vai realizar uma sessão de autógrafos com o Felipe Parucci, autor de Já Era, e com a Bianca Pinheiro, responsável por Alho-Poró. Os dois títulos estão entre as minhas leituras preferidas desse final de 2017, ambos apoiados com muito gosto no Catarse. O evento rola a partir das 19h e ainda contará com um bate-papo com os autores mediado pelo João Varella, editor da Lote 42. Você confere outras informações sobre os lançamentos lá na página do evento no Facebook. Enquanto isso, reproduzo a íntegra das minhas entrevistas com os autores para a matéria que escrevi os trabalhos dos dois pro UOL:

“Acho bizarro como o consumismo evolui hoje em dia, principalmente nas artes”

Você lembra do instante em que teve a ideia de criar Já Era? Qual é a origem da história?

Felipe Parucci: O JÁ ERA tem uma origem curiosa. Quando eu tava finalizando o Apocalipse, Por Favor já estava começando a trabalhar em algumas ideias pra um próximo projeto grande. Ideias totalmente diferentes do que eu trabalhei no JÁ ERA. Acontece que numa noite, conversando com a namorada por telefone antes de dormir (ela mora em Curitiba e eu em Floripa), ela me pediu pra contar uma história, pra estimular o sono. Na hora não me lembrava de nenhuma, então resolvi inventar qualquer coisa, no freestyle. A história que eu inventei ali na hora virou o JÁ ERA.

O Apocalipse, Por Favor foi bancado pelo Catarse, o Auto Ajuda foi 100% independente e o Já Era foi bancado pelo Catarse e tá saindo por uma editora. Como você distingue cada uma dessas experiências? Você pode falar um pouco o que aprendeu/tá aprendendo com cada uma delas?

Felipe Parucci: A ideia de ser independente é muito bonita e acho que combina muito com o que eu faço, com o que eu falo. Mas com o Apocalipse, Por Favor saindo, percebi que o autor independente precisa se preocupar com muito mais coisa além de simplesmente fazer quadrinhos. A gente tem que vender livros, vender a nossa imagem, divulgar, distribuir, cobrar, passar nota fiscal, cadastrar o isbn, fechar arquivo, orçar, estocar… É muito difícil manter uma produção frequente com tanta atividade que envolve lançar um livro. Não é à toa que ainda tenho algumas caixas mofando no meu apartamento.

A publicação do Auto-Ajuda já foi bem mais tranquila. É um gibi pequeno, não ocupa muito espaço no apê. Fiz só 500 cópias, então foi bem barato de produzir e não fiz muito esforço pra divulgar ou distribuir. Tem muita gente que nem sabe que ele existe hehehe Pretendo continuar fazendo publicações assim pra intercalar com os projetos grandes. É legal pra dar de presente pros amigos.

Encontrar uma editora pro JÁ ERA aos poucos foi entrando nos meus planos. Acabei optando pelo financiamento coletivo porque o projeto era muito grande, e precisava financiar a produção desde a origem e não só a impressão do livro. Fiquei feliz de encontrar a Lote 42, que tem um ideal bem parecido com o meu em relação às publicações. A gente faz isso porque gosta e nada além disso.

O Já Era é uma crítica enfática ao consumismo e a toda vacuidade de uma cultura formatada a partir de imagem e comércio. Há um universo geek crescente muito firmado em cima de colecionismo e ostentação. É importante pra você propor as reflexões do Já Era pra esse público leitor de quadrinhos?

Felipe Parucci: Eu acho importante propor essa reflexão pra todo mundo! Acho bizarro como o consumismo evolui hoje em dia, principalmente nas artes (não só nos quadrinhos, mas na música, no cinema, etc.). Tudo que faz sucesso me parece mega padronizado, e o artista que tenta fugir do padrão normalmente morre pobre ou é descoberto por um mega empresário que transforma seu trabalho numa nova tendência que vai virar padrão. É um ciclo vicioso que cresce como uma bola de neve! O público geek vai na mesma onda, mas é complicado culpar o público. Se eles estão felizes e curtindo, a única coisa que me resta é escrever um livro que critica tudo isso e torcer pra que eles leiam…

Você tem sido presença constante em eventos de quadrinhos nos últimos anos. Dessa sua experiência, o que você vê de mais interessante na cena brasileira de HQs?

Felipe Parucci: Eu tento participar do máximo que eu posso. Infelizmente só consigo ir nos que estão mais próximos (fico mais entre SC, PR e SP). Mas me considero meio novato, o primeiro que participei foi em 2014 (a Gibicon em Curitiba, agora Bienal de Quadrinhos). Acho que todo mundo que frequenta eventos há mais de dois anos percebe que a quantidade e qualidade das produções tá crescendo exponencialmente. Tem muita coisa boa sendo produzida e não é à toa que abriram uma categoria do Prêmio Jabuti só pra premiar quadrinhos. Essa evolução é notória, acho que até pra quem é de fora desse meio. Só fico na dúvida se o público também cresce com o mesmo fermento. Às vezes me parece que as pessoas que consomem os quadrinhos são as mesmas que fazem. Tá faltando alguém pra avisar as pessoas que o quadrinho tá aí pra todo mundo. Assim como o cinema, a música, o teatro, a literatura, o quadrinho tem um gênero pra você. Vai lá comprar um, vai!

“É necessário desenvolver no nosso público a vontade de ir atrás do que gosta sem exigir a presença física do autor”

Você pode me falar um pouco sobre a origem do projeto? Você lembra do instante em que teve a ideia de criar a HQ?

Bianca Pinheiro: Claro! A ideia surgiu quando a gente voltava do almoço um dia (eu, Greg Bert, Alexandre Lourenço e Yoshi Itice) e os meninos estavam falando sobre briga de moleque na época de escola, sobre como era e tudo o mais… E eu pensei, “caramba, as meninas não eram muito de sair no soco na minha escola” e comecei a desenvolver a ideia pra história a partir daí. Mas não vou contar muito mais pra não dar spoilers, hahaha!

Você é muito elogiada pela versatilidade do seu trabalho, pela variedade de estilos, gêneros e traços com os quais trabalha. No Alho-Poró você utilizou alguma técnica distinta de seus trabalhos prévios? Você se propôs a fazer algo diferente do que havia feita em suas obras anteriores?

Bianca Pinheiro: Sim! Eu fiz duas coisas que nunca havia feito antes, neste projeto. Primeiro foi que desenhei todas as páginas a lápis. Eu antes só havia usado grafite como esboço, finalizando no nanquim ou desenhando tudo direto no computador. Essa foi a primeira vez que decidi arte-finalizar com lápis. E foi muito legal! Não só porque o lápis é gostoso de trabalhar como porque ele faz aquele “risc, risc” no papel. É um barulhinho muito maneiro.

Outra coisa que fiz foi tentar fazer uma HQ que tivesse como parte principal (ou co-principal) um diálogo. Tem uma cena muito longa de duas personagens só conversando, sem mostrar flashback nem nada. E foi bem desafiador, uma vez que não me sinto totalmente segura ainda com a minha escrita. Tive bastante ajuda dos amigos (e principalmente do Greg) nessa parte. Espero que tenha ficado bom!

Você já publicou de forma independente, por editora e via catarse. Como você distingue cada uma dessas experiências? Você pode falar um pouco o que aprendeu/tá aprendendo com cada uma delas?

Bianca Pinheiro: Vixi! Esse papo é longo! Especialmente porque nenhuma das experiências foi igual à anterior. Trabalhei com três editoras, uma bem diferente da outra, fiz dois projetos de Catarse, ambos bem diferentes, e um livro independente… Tudo isso numa tentativa de encontrar a melhor forma de produzir, imprimir e distribuir quadrinhos. Além da ideia louca de se fazer algum dinheiro com eles hehehe. E o que eu aprendi até agora é que tá todo mundo aprendendo. Como o cenário de quadrinhos no Brasil é ainda muito pequeno, meio que ninguém sabe com certeza como as coisas devem (ou deveriam) funcionar. Aplicar o modelo americano ou o europeu ou o japonês de se fazer quadrinhos no Brasil me parece um tiro no pé. Porque a gente se comporta de maneira diferente e vem se criando um público de quadrinhos diferente.

Então, em resumo, o que me parece é que todo mundo (editores, artistas, jornalistas e amantes de quadrinhos) tem opiniões fortes a respeito do que seria o melhor para o quadrinho no Brasil. Mas me parece também que ninguém pode afirmar quase nada com certeza porque nosso cenário ainda não está devidamente estabelecido e somos pequenos demais para fazer alguma mudança significativa nesse país enorme em que vivemos. Então a gente vive assim, tentando e tropeçando aqui e ali, vendo o que dá certo (ou o quão certo é possível) para cada um.

Você tem sido presença constante em eventos de quadrinhos nos últimos anos. Dessa sua experiência, o que você vê de mais interessante na cena brasileira de HQs?

Bianca Pinheiro: Vejo uma grande variedade de temas, estilos e ideias. O Brasil é muito rico e isso é lindo! Não acho que a gente consiga enquadrar o “jeito brasileiro de fazer quadrinhos”. Tem estilo pra todo gosto e tem até brasileiro fazendo mangá e quadrinho de super-herói.

Mas o que a gente tá se tornando é escravo de eventos, e isso me preocupa. se isso se estabelecer completamente e o público passar a só comprar quadrinhos brasileiros que encontrarem em eventos, nós teremos uma cena ainda mais alienada, uma cena que não se sustenta direito porque o artista tem que ir até o público fisicamente. É necessário desenvolver no nosso público a vontade de ir atrás do que gosta sem exigir a presença física do autor. Senão acabaremos numa relação esquisita e complicada que corre risco de prender ainda mais o nosso minúsculo cenário e isolá-lo do resto do mundo.

HQ / Matérias

Dez HQs nacionais com lançamentos marcados pra CCXP 2017

Ei, vai à Comic Con Experience 2017 e não sabe por onde começar com os vários lançamentos de quadrinhos nacionais marcados para o evento? Conversei com alguns quadrinistas que estarão com publicações novas por lá, montei uma lista com alguns projetos que chamaram a minha atenção e transformei em matéria pro UOL. Não vou entregar o ouro por aqui, mas adianto que no texto tem papo com Wagner Willian, Bianca Pinheiro, Aline Zouvi, Luciano Salles e Felipe Parucci e menções a trabalhos de Paulo Crumbim, Julia Bax, Júlia Helena, Thiago Souto e Debora Santos e Márcio Moreira. Dá uma lida!

HQ

Série Postal: a HQ produzida por Bianca Pinheiro para o nº4 da coleção

Taí a arte produzida pela Bianca Pinheiro para o quarto número da Série Postal. A HQ já está disponível na mesa da quadrinista na CCXP Tour Nordeste, rolando até domingo em Olinda. Em São Paulo você já encontra a HQ na Ugra, na Gibiteria e na Banca Tatuí. Nas próximas semanas a edição começa a chegar em outras lojas e galerias do país. Lá no tumblr da coleção você encontra uma série de posts bem legais produzidos pela Bianca mostrando cada uma das etapas da criação do quadrinho. Dá uma olhada! E pra quem não viu (ou quer rever): aqui estão as edições assinadas pela Taís Koshino, pelo Pedro Cobiaco e pelo Pedro Franz.

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Série Postal: Bianca Pinheiro é a autora do quarto número da coleção de HQs em formato de cartão postal do Vitralizado

A quadrinista Bianca Pinheiro é a autora da obra que ilustra o 4º número da Série Postal. O projeto é a primeira investida impressa do Vitralizado e foi produzido com apoio do programa Rumos do Itaú Cultural. O lançamento da quarta edição será entre os dias 13 e 16 de abril na CCXP Tour Nordeste em Recife.

A Série Postal consiste em uma coleção de 12 HQs em formato de cartões postais, cada uma das obras é de autoria de um artista distinto da cena brasileira de quadrinhos. Os trabalhos estão sendo distribuídos de graça e mensalmente ao longo de 2017 em lojas especializadas de diferentes cidades do país. O primeiro número foi assinado por Pedro Franz, o segundo é de autoria de Pedro Cobiaco e o terceiro de Taís Koshino.

No tumblr da Série Postal você encontra informações exclusivas sobre o projeto, depoimentos dos artistas envolvidos e matérias sobre a coleção.