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HQ

– Prêmio Grampo 2016 de Grandes HQs – O resultado final: as 20 HQs mais votadas

por Lielson Zeni e Ramon Vitral*

O quadrinista Pedro Cobiaco é o vencedor do Prêmio Grampo 2016 de Grandes HQs. Aventuras na Ilha do Tesouro consta em 15 das 20 listas dos eleitores convidados do Grampo, tendo acumulando 102 pontos na contagem dos votos. O gibi vencedor ficou à frente de Talco de Vidro de Marcello Quintanilha (89 pontos) e Dupin de L.M. Melite (76 pontos). Os rankings individuais de cada um dos eleitores estão disponíveis aqui. Os 20 primeiros colocados e as demais obras listadas constam a seguir.

Aventuras na Ilha do Tesouro é o primeiro quadrinho longo de Pedro Cobiaco. Publicado entre maio e outubro de 2015 na internet, o gibi ganhou uma versão impressa pela editora Mino em novembro. As 144 páginas do álbum apresentam um enredo extremamente passional sobre os habitantes da ilha mágica mencionada no título e as aventuras do herói Capitão. Em 2013 Cobiaco publicou o romance experimental Harmatã, no ano seguinte foi a vez do excepcional Dentes de Elefante. Aventuras na Ilha do Tesouro é, até agora, o trabalho mais maduro e sincero de um dos quadrinistas mais peculiares e promissores do país.

GrampoPrata

Talco de Vidro traz algumas mudanças no modo de produzir de Marcello Quintanilha. O desenho ainda segue realista, mas um pouco mais solto. Já o uso das repetições de imagens, bem como de artes menos figurativas trabalham a favor do desvario da protagonista, Rosângela. O texto do narrador apresenta incertezas, titubeios e reconstruções, quase como se estivesse aprendendo a contar história enquanto ela acontece. A construção psicológica da personagem alicerçada por essas técnicas narrativas faz de Talco de Vidro um dos materiais mais importantes já lançados no Brasil.

GrampoBronze

Dupin é a segunda narrativa longa de Leandro Melite, que com mais de 200 páginas, traduz o conto de Edgar Alln Poe, Os Assassinatos da Rua Morgue, pro melitês. Sim, porque o autor tem uma dicção muito particular e facilmente identificável em seus trabalhos. Por isso, por mais que trama se enrole por um assassinato inexplicado, o gibi trata de duas crianças que buscam pistas pra resolver o mistério que é crescer e se tornarem adultos. A capacidade narrativa de alto nível transparece na escolha dos quadros, no traço com muita personalidade e, destaque-se, a qualidade do texto, avis rara nos quadrinhos.

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4) Lavagem, Shiko (Mino): 65 pontos.

5) Pílulas Azuis, Frederik Peeters (Nemo): 57 pontos.

6) A Propriedade, Rutu Modan (Wmf Martins Fontes): 52 pontos.

7) Apocalipse Nau, Eloar Guazelli (Nós): 46 pontos.

8) Incidente em Tunguska, Pedro Franz (independente): 38 pontos.

9) Mate Minha Mãe, Jules Feiffer (Quadrinhos na Cia.): 34 pontos.

10) O Escultor, Scott McCloud (Marsupial): 33 pontos.

11) Ardalén, Miguelanxo Prado (Realejo): 30 pontos.

12) Hoje é o Último Dia do Resto da sua Vida, Ulli Lust (Wmf Martins Fontes): 28 pontos.

13) La Dansarina, Lillo Parra e Jefferson Costa (Quadro a Quadro): 23 pontos.

14) Turma da Mônica – Lições, Vitor e Lu Cafaggi (Panini): 16 pontos.

15) Dinâmica de Bruto, Bruno Maron (Maria Nanquim) // Dois Irmãos, Fábio Moon e Gabriel Bá (Quadrinhos na Cia) // Louco – Fuga, Rogério Coelho (Panini): 15 pontos.

16) Maia, Denny Chang (Narval Comix) // Garota Siririca, Lovelove6 (independente): 14 pontos.

17) Dodô, Felipe Nunes (independente): 13 pontos.

18) Meu Pai é um Homem da Montanha, Bianca Pinheiro e Gregório Bert (independente): 12 pontos.

19) Gnut, Paulo Crubim (independente): 11 pontos.

20) O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015, org. Clarice Reichstul e Rafael Coutinho, editor convidado: Érico Assis (Narval Comix) // Por Mais um Dia com Zapata, Daniel Esteves, Al Stefano e Alex Rodrigues (independente) // Goela Negra, Antoine Ozanan e Lelis (Mino) // Navio Dragão, Rebeca Prado (independente): 10 pontos.

Outras HQs listadas pelos eleitores: 20th Century Boys, Naoki Urasawa (Panini); Afrodite – Quadrinhos Eróticos, Alice Ruiz e Paulo Leminski, com vários desenhistas (Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Claudio Seto…) (Veneta); Aokigahara, André Turtelli Poles e Renato Quirino (independente); Apocalipse, Por Favor, Felipe Parucci (independente); Batgirl (A Sombra do Batman), Cameron Stewart e Babs Tarr (Panini); Beco do Rosário, Ana Luiza Kohler (independente); O Beijo Adolescente #3, Rafael Coutinho (Narval Comix); Bete Vive, Lita Hayata (independente); Burroughs, João Pinheiro (Veneta); Cabuloso Suco Gástrico, Breno Ferreira (Elefante); O Cânone Gráfico – Volume 2, org. Russ Kick (Boitempo Editorial); Chance, Samanta Flôor e Diogo Cesar (Polvo Rosa); Como Tudo Começou, Bruna Vieira e Lu Caffagi (Nemo); Os Contos do Planta #1, Gustavo Ravaglio (independente); Coral, Taís Koshino (Piqui); Chuva de Merda, Luiz Berger (Ugra Press/Gordo Seboso); Dedos Mágicos, Marcatti e Laudo Ferreira (independente); Desengano, Camilo Solano (independente); Dias Interessantes, Liber Paz (independente); Don Drácula, Osamu Tezuka (New Pop); Don Juan Di Leônia, Dalton Cara (independente); Escrevendo com o Lado Esquerdo do Fígado, Artur Fujita (Dead Hamster); Espiga, Felipe Portugal (independente); Gata Garota, Fefê Torquato (Nemo); Gavião Arqueiro, Matt Fraction e David Aja (Panini); A Grande Cruzada, Theo Szczepanski (Devaneio); Hermínia, Diego Sanchez (Mino); HQs da Mazô na Nébula (Nébula); Jockey, André Aguiar e Rafael Calça (Veneta); Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço, Germana Viana (webcomic); O Lobisomem/A Múmia, Eduardo Belga (Narval Comix); Melindrosa, Aline Lemos (independente); Menina Infinito #1, Fabio Lyra (Beleléu); Uma Metamorfose Iraniana, Mana Neyestani (Nemo); Meu Aborto em Quadrinhos, Cynthia B. (Piauí ed. 99); Miracleman, Alan Moore e vários artistas (Panini); Moomin – Volume 2, Tove Janson (A Bolha); Mulheres, Carol Rossetti (Sextante); Mute, Marco Oliveira (Zarabatana); Patas Sujas, Cris Peter e Sula Moon (independente); Parasyte, Hitoshi Iwaaki (JBC); O Perfuraneve, Jacques Lob, Jean Marc-Rochette e Benjamin Legrand (Aleph); Planetes, Makoto Yukimura (Panini); O Poder do Pensamento Negativo, Rafael Campos Rocha (Garabato); Pogando, Psonha Camacho (Sesi – SP Quadrinhos); Robô Esmaga, Alexandre Lourenço (JBC); Quiral, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho (Mino); Saga – Volume 2, Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Devir); Sandman Prelúdio, Neil Gaiman e J.H. Williams III (Panini); A Samurai, Mylle Silva e vários (Manjericão/Tambor); Singular, Emanoel Melo (independente); Smegma Comix #2, Pablo Carranza (Beleléu); SPAM, Cynthia B., Samanta Flôor, Camila Torrano, Germana Viana e Cátia Ana (Zarabatana); Vidas Secas, Eloar Guazzelli e Arnaldo Branco (Galera Record); Zero Eterno, Naoki Hyakuta e Souichi Sumoto (JBC).

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Lielson Zeni é editor, pesquisador e roteirista de quadrinhos

Ramon Vitral é jornalista e editor do Vitralizado.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: o Dupin de L.M. Melite ##

Conheci tarde o trabalho de L.M. Melite. Apenas em 2015 li pela primeira vez seus quadrinhos. Leviatã, Desistência do Azul, algumas obras disponíveis apenas na internet e, finalmente, Dupin. Como disse por aqui na primeira vez que escrevi sobre a HQ, Dupin representa o ponto mais alto de Melite como escritor e desenhista: mesmo preocupado com as percepções de seus leitores, ele não tira o pé do acelerador ao criar uma trama com diversos níveis de leitura e vários simbolismos. Leia os trabalhos de Melite, todos. Depois dê uma conferida na conversa que tivemos no final do ano passado. Abro mó sorriso de lembrar que ele já tem uma HQ agendada pra 2016 – por enquanto batizada de Tabloide.

Entrevistas / HQ

Papo com L.M. Melite, o autor de Dupin, Desistência do Azul e Leviatã

Você encontrará poucos quadrinistas brasileiros com uma carreira recente tão consistente quanto a de L.M. Melite. O recém-lançado Dupin (Zarabatana) é apenas a terceira obra longa impressa do artista e constará nas primeiras colocações de muitas listas de melhores HQs de 2015. O impressionante Desistência do Azul de 2012 chama atenção por seu experimentalismo, pela arte repleta de detalhes e pelo texto refinado do autor. Publicadas no 13º número da revista Café Espacial, as vinte e cinco páginas de Leviatã compõem um dos enredos mais impactantes das HQs nacionais nos últimos anos. Dupin representa o ponto mais alto de Melite como escritor e desenhista: mesmo preocupado com as percepções de seus leitores, ele não tira o pé do acelerador ao criar uma trama com diversos níveis de leitura e vários simbolismos.

Como entrega o nome da obra, o quadrinho é inspirado nas aventuras do detetive C. Auguste Dupin, criado por Edgar Allan Poe e apresentado ao mundo em Os Assassinatos da Rua Morgue (1841). O quadrinista trouxe a trama do clássico para os dias de hoje e transformou o protagonista do enredo e seu parceiro em crianças. Dois primos com passados obscuros, Dupin e Eduardo investigam um crime macabro noticiado em programas policiais.

Fui apresentado a Melite na edição de 2015 do Festival Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte e marcamos uma entrevista em São Paulo. Nos encontramos e conversamos durante pouco mais de uma hora e meia. O bate-papo tratou de vários assuntos. Começamos por sua colaboração no primeiro número do Jornal Altamira, com a história Padja e o Gigante. Conversamos sobre o início de sua carreira com quadrinhos e a sua série em três números Homem da Casa, publicada no site O Nariz.

Melite falou sobre suas influências, sua paixão por literatura, seu passado como evangélico, a produção de Dupin e Leviatã e sua percepção do mercado brasileiro de quadrinhos. Caso não tenha lido Dupin, pare por aqui, dê um jeito de arrumar a HQ e depois volte para aproveitar melhor a entrevista. Se Dupin estiver entre suas leituras recentes, mande bala e respire fundo até o lançamento de Tablóide, próximo álbum do autor, previsto para o final de 2016. Papo bem legal, dos mais interessantes que já deram as caras por aqui. Ó:

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