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Cinema / Matérias

The Record Breaker – O campeão dos campeões

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Um dos documentários mais legais que vi ano passado foi The Record Breaker, do diretor norte-americano Brian McGinn. Ele conta a história de Ashrita Furman, o cara com a maior quantidade de recordes quebrados no Livro dos Recordes. Entrevistei o diretor sobre o filme pra Galileu. Tentei de várias formas falar com o próprio Furman, mas como me explicou McGinn, ele é extremamente recluso. O que torna o documentário ainda mais interessante. Segue o meu texto e a íntegra da minha entrevista com o Brian McGinn:

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O campeão dos campeões

Documentário retrata vida do maior recordista do livro Guiness

De todas as façanhas do norte-americano Ashrita Furman, de 59 anos, a que mais impressiona é o seu número de marcas no Guinness, o livro dos recordes. Desde 1979, quando fez 27 mil polichinelos, foram cerca de 500 (o Guinness diz ter perdido parte dos registros, mas 181 delas ainda não derrubadas), o que o transformou no maior recordista da publicação.

São feitos como ingerir a maior quantidade de gelatina em um minuto com olhos vendados e mãos amarradas ou soprar um selo ao longo de 100 me- tros arrastando-se no chão com um bicho-preguiça abraçado em seu peito — é isso mesmo o que você leu. “Até o mais bobo desses recordes é praticamente impossível”, conta o cineasta Brian McGinn, autor do documentário The Record Breaker sobre a vida de Furman. O recordista cresceu cercado por livros e sofrendo bullying por ser nerd. Seus pais contam que o garoto tinha notas para entrar em Harvard, mas resolveu dar outro rumo à vida. Aos 16 anos, virou discípulo do guru indiano Sri Chinmoy (1931-2007), largou os estudos, brigou com os pais e começou uma busca pela “iluminação” por meio de uma pai- xão de infância, o Livro dos Recordes. Sua busca é sustentada pelo salário como gerente de uma loja em Nova York e por outros discípulos de Chinmoy. “Uma das lições que se aprende dele é que você só vive uma vez. Se não segue suas paixões, pode desperdiçar tempo”, diz o documentarista.

Você se lembra da primeira vez que ouviu falar de Ashrita Furman? Qual foi a primeira coisa que pensou sobre ele?

Conheci Ashrita em um artigo publicado no New York Times. Havia uma pequena nota sobre ele, acompanhada de uma foto com ele cortando uma maçã com uma espada de samurai. Pensei que era um cara interessante – quem poderia se importar tanto em ser bom em algo tão bobo? Amo filmes como O Equilibrista e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, e estava tentando fazer um documentário com o mesmo espírito desses filmes, então o Ashrita apareceu como o personagem perfeito. Ele é tão intenso e focado, mas também pateta, e as coisas que ele estava fazendo eram absurdas. Só queria saber mais sobre ele.

Suas opiniões sobre ele mudaram muito ao longo do filme?

Fazer um filme sobre alguém sempre muda sua opinião sobre a pessoa – ao invés de ver alguém de longe, você passar a pensar nela como pessoa, com tudo que isso implica. O Ashrita continua uma espécie de enigma para mim, mas acredito que fazer o filme me ajudou a compreender o porquê dele fazer o que faz e também o que é necessário para ser o melhor em qualquer coisa que você faça: é tudo uma questão de dedicação, gasto de tempo e trabalho duro.

Imagino que seja difícil para ele conseguir financiamento para as quebras de recordes, mas acho que deve ser ainda mais difícil produzir um filme sobre alguém tão excêntrico. Como seus produtores reagiram quando você resolveu filmar o documentário?

Os projetos do Ashrita são financiados de algumas formas: o pai dele dá o dinheiro, o grupo espiritual dele paga para seus seguidores divulgarem sua causa e várias iniciativas ele faz perto de casa.

Em relação ao gasto no documentário, é sempre difícil financiar qualquer tipo de filme. Minha sorte ao fazer The Record Breaker foi que meu produtor amou o tema – e realmente, ao longo das filmagens, investidores disseram: “amamos o assunto e nossa audiência vai amar o filme, só descubra o que está além da quebra de recordes e estamos dentro”. Então eu apenas foquei em descobrir qual seria a história humana que iríamos contar. Depois disso, o dinheiro foi moleza.

De onde você acha que vem a origem da obsessão dele com recordes?

Acho que a obsessão do Ashrita com a quebra de recordes decorre da relação com o guru espiritual dele e, um pouco antes, provavelmente tem suas origens na relação com o pai, que era um poderoso advogado em Nova York. O Ashrita tinha um perfil de criança estudiosa, nerd, e se dar bem em um ambiente atlético é algo atraente pra ele. Ele credita todos seus recordes às suas práticas espirituais. Como uma pessoa sem crenças, sou mais cético em relação ao poder da religião, mas acho interessante pois essas práticas realmente ajudaram ele a acreditar nas suas habilidades, deram a ele a crença de que ele poderia realizar qualquer coisa.

Quanto tempo você passou com ele fazendo o filme?

Levei mais ou menos um ano tentando convencer o Ashrita a fazer o filme comigo, depois filmamos em cerca de três semanas e mais um ano de produção.

E qual dos recordes dele você acha mais absurdo?

Ele tem o recorde de comer maior quantidade de gelatina em 60 segundos com uma venda e as mãos amarradas para trás. O que quer dizer que ele fica enfiando a cara em uma bacia gigante cheia de gelatina e come como um louco ao longo de um minuto. É bem engraçado e bastante absurdo.

Os recordes dele são bastante impressionantes. Mas a história fica ainda mais interessante quando ficamos sabendo das notas altas e todas as possibilidade de carreira que ele teve. Na sua opinião, o que significa hoje em dia abandonar tudo para viver de sonhos como o Ashrita fez?

Histórias como a dele, de pessoas que seguiram rumos alternativos à norma cultural, são inspiradoras nos dias de hoje pois há mais pessoas optando por rotas mais seguras em suas vidas e carreiras. Escolher realizar seus sonhos, ainda mais quando eles são repletos de atividades bobas e engraçadas, é admirável quando você não sabe como vai arrumar dinheiro, pagar o aluguel, a comida e tudo mais que você precisa para sobreviver. Acho que uma das lições do filme é que você só vive uma vez. Se você não segue suas paixões, pode acabar desperdiçando seu tempo na Terra.

O Ashrita diz no filme que a maioria dos recordes que ele quebra são coisas de criança e que o estilo de vida que ele leva é justificado pela busca por iluminação. Você acha que ele se considera próximo do sucesso dessa missão?

Ele se considera uma pessoa “a procura”, o que acho que quer dizer que ele nunca vai alcançar a iluminação, mas sua missão será eterna. O fato de Ashrita mensurar seu sucesso espiritual pelo Guinness World Records é uma das coisas que tornam ele um personagem interessante.Sempre procuro por personagens que sejam complicados e humanos e amo que exista uma certa ironia nessa busca: ele está numa missão espiritual, mas também quer acumular recordes no Guinness, algo aparentemente pouco espiritual.

Apesar dos recordes serem bastante infantis, eles não parecem muito fáceis. Você tentou praticar algum deles?

Até o mais bobo dos recordes é quase impossível de fazer. As pessoas sempre dizem “eu faria isso” quando acompanham o Ashrita em ação, mas quando elas tentam não é nada fácil. Tentei vários deles enquanto o Ashrita treinava e achei todos difíceis.

O pai dele diz no documentário que o Ashrita é a pessoa mais feliz que ele conhece. Você teve a mesma impressão?

O Ashrita é uma pessoa muito animada. Os momentos em que ele está quebrando recordes são com certeza seus instantes mais felizes, você vê a alegria no rosto dele. Tenho certeza que ele tem seus momentos de tristeza, como qualquer pessoa, mas prefiro pensar nele como um pessoa feliz, empolgada e um pouco infantil.

Por quanto tempo o Ashrita e o pai pararam de conversar?

Isso nunca ficou claro pra mim. O Ashrita diz que foram alguns anos e o pai falou em seis meses. Mas foi um período significativo. Ele também teve alguns desentendimentos com a mãe, mas não consegui incluir esse enredo na versão final do filme.

Li algumas críticas do seu filme comparando Ashrita a Forrest Gump e a alguns personagens de filmes do Wes Anderson. O que você acha dessas comparações?

Sou um grande fã de Wes Anderson, então é uma honra ter o filme comparado ao trabalho dele. Acho que o nosso filme tem um personagem peculiar, mas trata de temas universais – sobre família, como você vive sua vida e como ser feliz. Nesse sentido, Record Breaker é provavelmente semelhante ao trabalho do Wes – a princípio é estranho e engraçado, mas ao analisar um pouco mais, é na verdade sobre como todos nós vivemos.

Há alguma história peculiar que você vivenciou com o Ashrita e não entrou no filme?

Acho que a mais reveladora sobre ele é uma que está no filme, quando ele tenta estabelecer um recorde pessoal de tempo na retirada do lixo. Ela mostra como natureza competitiva dele e o esforço contínuo dele para se superar superar tomou conta da vida dele. É uma cena engraçada, mas mostra como você precisa ser se quiser ser tão bom quanto ele na hora de quebrar recordes. Uma outra que ficou fora da versão final: quando filmávamos em Londres, ele estabeleceu o recorde em andar com os sapatos mais pesados. Jantamos e fomos imediatamente para uma loja de calçados para que ele quebrasse novamente a marca com um peso extra. Então ele queria quebrar um recorde que ele havia estabelecido mais cedo naquele mesmo dia. Isso diz muito sobre a motivação.

Literatura / Matérias

The Martian: um relato de sobrevivência em Marte

Nos meus primeiros dias em Londres vi no metrô uma propaganda sobre o livro The Martian, recém-lançado e de autoria do engenheiro de software norte-americano Andy Weir. Terminei de ler a obra em alguns poucos dias e entrevistei o autor. Descobri que o livro será lançado no Brasil em breve e que a Fox comprou os direitos de adaptação para cinema ou televisão. Transformei isso tudo em uma matéria publicada hoje no Estadão:

TheMartianEstadão

Um relato de sobrevivência em Marte

Ficção científica criada por engenheiro de software faz sucesso na Nasa e deve virar filme pelos estúdios Fox

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

O 17.º astronauta a pisar em Marte não poderia imaginar seu destino fatídico. Tido como morto por seus companheiros de missão, ele foi deixado no planeta vermelho com estoque limitado de alimento e sem qualquer forma de comunicação com a Terra. O engenheiro de software norte-americano Andy Weir também não imaginava que seu conto de ficção científica publicado em um site pessoal ganharia uma versão impressa por um dos maiores grupos editorias dos Estados Unidos e teria seus direitos para o cinema comprados pela 20th Century Fox.

The Martian (O Marciano, 385 páginas, US$15) chegou às livrarias dos Estados Unidos e da Inglaterra no início de fevereiro, pela Crown, um dos selos da Random House. O livro tem previsão de lançamento no Brasil no segundo semestre de 2014, pela Editora Arqueiro, sem nome e preços definidos.

Os primeiros boatos sobre o filme ligam o roteirista de Guerra Mundial Z, Cloverfield e do seriado Lost, Drew Gorddard, à direção. Mais recentemente, sites norte-americanos especializados em bastidores de Hollywood cogitaram que o ator Matt Damon poderia protagonizar a produção.

“Eu postava cada um dos capítulos no meu site. Então resolvi publicar na Amazon para as pessoas lerem mais facilmente em seus e-readers. Vendeu muito bem e isso chamou a atenção da editora”, explica Andy Weir em entrevista por e-mail.

Ainda trabalhando em tempo integral como engenheiro, Weir tem recebido críticas bastante positivas por seu primeiro romance. “Essa é uma ficção científica em um nível que nem mesmo Arthur C. Clarke chegou”, exaltou o diário nova-iorquino The Wall Street Journal em referência a um dos cânones do gênero, o autor de 2001: Uma Odisseia no Espaço, morto em 2008.

Em seguida à entrevista ao Estado, Weir publicou em sua página no Facebook que as próximas semanas seriam as últimas nas empresa de computação na qual trabalhou nos últimos anos. “Tenho uma oportunidade para trabalhar com o emprego dos meus sonhos e preciso arriscar. Caso contrário, eu me arrependeria pelo resto da minha vida”, avisou na rede social.

Estratégia. O livro de Andy Weir é contado a partir dos registros do protagonista em seu computador pessoal. Já consciente após ser atingido por uma tempestade de areia, o engenheiro mecânico Mark Watney retorna ao acampamento da segunda missão tripulada da Nasa a Marte. Com ração para apenas 50 dias e 300 litros de água, o herói passa a pensar uma estratégia para sobreviver até a próxima viagem da Nasa ao planeta, em aproximadamente quatro anos.

As soluções mirabolantes criadas pelo engenheiro Mark Watney para tentar resistir até o retorno de uma nave terrestre são um dos pontos altos do livro.

Na internet, Andy Weir foi celebrado pelo bom uso de seus conhecimentos científicos no romance e foi respaldado por empregados da própria agência espacial americana. “Recebi vários e-mails de funcionários da Nasa que gostaram bastante”, conta o engenheiro de software.

Na entrevista abaixo, o autor contou ter criado um programa de computador para simular a rota mais precisa entre a Terra e Marte presente em sua obra.

Entrevista. Andy Weir, engenheiro de software e escritor independente.

‘Sempre fui fã de viagens espaciais’

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Como surgiu a ideia do livro?

Estava imaginando como seria uma missão tripulada a Marte. Passei a considerar todas as formas possíveis de tudo dar errado e como a tripulação agiria. Percebi como essas vá- rias falhas poderiam resultar em uma história bastante inte- ressante. Depois levei três anos para escrever.

Sua formação como engenheiro ajudou na produção do livro?

Sempre fui grande fã de viagens espaciais tripuladas, en- tão comecei a escrever já com um enorme conhecimento da área. A partir daí fiz uma pesquisa enorme. Minha profissão também fez muita diferença. Eu precisei criar alguns programas de computação que simulassem a órbita do percurso que os astronautas fazem entre a Terra e Marte e depois o caminho de volta.

Como o livro acabou sendo publicado por uma grande editora?

Inicialmente eu postava cada um dos capítulos no meu site. Então resolvi publicar na Amazon para as pessoas lerem mais facilmente em seus e-readers. Vendeu muito bem e isso chamou a atenção dos editores da Crown, uma divisão da Random House.

E o quanto você precisou pesquisar além dos seus conhecimentos?

Gastei um tempo enorme fazendo pesquisas e toda a matemática do livro, mas eu gosto desse tipo de coisa, então não foi um problema pra mim. Para cada novo problema que o Mark enfrentava eu tentava encontrar a solução.

Depois que o livro foi lançado você parou de trabalhar como engenheiro?

Ainda estou trabalhando em tempo integral como engenheiro. Caso consiga um adiantamento para o próximo livro, pretendo largar o emprego e viver apenas como escritor.

Sobre o que será esse segundo livro?

Será uma ficção científica intensa, como The Martian.

Você soube de alguém da Nasa que tenha lido o livro?

Não soube de qualquer comentário oficial da Nasa sobre o livro, mas recebi vários e-mails de funcionários.

Entrevistas / HQ / Matérias

Amazon/ComiXology, David Lloyd e webcomics brasileiros

Entrevistei o David Lloyd, co-autor de V de Vingança, e alguns quadrinistas e editores brasileiros pra falar sobre o mercado de webcomics e da compra da ComiXology pela Amazon. A matéria  e a entrevista foram publicadas no Link do Estadão de hoje:

Chegada da Amazon no mercado de quadrinhos digitais empolga autores

Novo capítulo. Comprada pela gigante do comércio eletrônico, loja virtual ComiXology vendeu 4 bilhões de páginas de HQs em 2013; para os profissionais do meio, negócio é o mais recente e categórico indício do potencial de um mercado virtual de gibis

Ramon Vitral
Especial para O Estado

Há algo em curso no mundo dos quadrinhos virtuais. O consumo gratuito de gibis na internet reina soberano, mas autores e editores de HQs digitais operam em várias frentes para passar a lucrar com seus conteúdos. A compra da loja digital de quadrinhos ComiXology pela Amazon na primeira semana de abril foi o mais recente e categórico indício do potencial de um mercado virtual de gibis.

“Quadrinhos digitais ainda não são rentáveis, pois a internet está cheia de coisa anteriormente impressa disponível de graça”, afirma ao Link o desenhista britânico David Lloyd. Ilustrador do clássico V de Vingança, o artista lançou no final de 2012 o projeto Aces Weekly, um portal dedicado à venda de obras exclusivamente digitais.

“Vendemos quadrinhos de qualidade feitos por autores de qualidade, e esperamos dar a eles algum retorno constante. Se acontecer, podemos tornar a publicação de quadrinhos digitais tão bem sucedida quanto a impressa e os autores seriam os principais beneficiários”, explica Lloyd. A assinatura de sete semanas do projeto custa US$9,99 e ao final do período o leitor terá uma coletânea de 210 páginas de diferentes histórias. Até o momento estão disponíveis 10 volumes de quadrinhos.

Após quase dois anos de experiência com o Aces Weekly, Lloyd conta que o projeto demanda mais envolvimento do que ele previa. “Estamos conseguindo manter e tentando crescer o mais rápido possível. Mas não é fácil de administrar pessoalmente como eu imaginei que fosse. É um trabalho em tempo integral.”

No Brasil, Lloyd tem a companhia de outras iniciativas semelhantes. No ar desde janeiro de 2014, o Mais Gibis vende quadrinhos nacionais e estrangeiros em formato semelhante ao da ComiXology, em arquivos PDF, CBR ou CBZ. Os preços variam entre R$ 6,90 e R$ 1. “Estamos falando de um mercado muito recente, que vai das dezenas a, no máximo, (poucas) centenas de “compras”, mesmo de títulos gratuitos”, conta o fundador e editor do site, Fabiano Denardin. No catálogo do Mais Gibis constam títulos ingleses publicados pela editora britânica 2000 AD e editados em português pela Mythos Editora, como Juiz Dredd.

O site de Denardin está dividido em cinco segmentos, separados entre editoras e publicações independentes. “Até agora, nos três primeiros meses de operação, já foram baixadas mais de mil HQs do site. A esmagadora maioria dos downloads ainda é gratuita. As HQs pagas são uma porcentagem bem menor, mas a tendência é de crescimento”, diz o editor.

Bônus. Sócio da Balão Editorial e editor de títulos disponíveis para compra online, Guilherme Kroll ressalta que o gosto dos quadrinistas pelo formato é um incentivo. “Muitos já publicavam parcialmente versões gratuitas das HQs que editamos em seus blogs e sites.”

Segundo ele, a compra feita pela Amazon no início do mês é reveladora em relação ao potencial do mercado. “A Amazon tem um perfil de comprar e assimilar, então acho que a ComiXology se tornará uma parte integrante da corporação. Isso implica que o modelo de venda de quadrinhos que a ComiXology tinha era bom, rentável o bastante para interessar a Amazon. Resumindo, significa que há dinheiro para ser ganho nesse mercado”, diz.

No entanto, Kroll ressalta que os ganhos com as versões digitais ainda são pequenos. “Essencialmente, o projeto é rentável, especialmente porque os livros tiveram um custo de produção para o impresso que deve ser pago pelas suas versões impressas. As vendas de digital acabam sendo um bônus muito bem-vindo.”

Entusiasta da produção e do consumo de webcomics, o quadrinista carioca André Diniz levanta outras questões sobre a mais recente aquisição da empresa de Jeff Bezos. “Imagino como resultado disso uma facilidade maior de autores independentes publicarem na ComiXology. E, talvez, haja um investimento maior no formato de produção, leitura e vendas de HQs digitais. Mas é sempre preocupante ver os mercados se concentrando cada vez mais nas mãos das mesmas empresas”, pondera.

Formação de público. Assim como David Lloyd, Diniz acredita que um dos pontos positivos da venda de gibis digitais está na mudança da relação entre o autor e sua obra. “Ao criar o meu site tive as seguintes questões: como tornar a leitura perfeita em telas de diferentes tamanhos, desde o monitor tradicional, passando pelos tablets de diferentes tamanhos e chegando aos celulares pequenos? Como fazer algo contínuo, mas ao mesmo tempo acessível aos leitores que tomarem conhecimento das HQs lá pelo capítulo 50? Como fidelizar esse leitor e levá-lo a buscar outras obras minhas? Como conciliar qualidade e rapidez de produção? E por aí vai.”

Para o autor, o momento atual do mercado de gibis digitais é de formação de leitores. “O público é pequeno ainda. É uma nova cultura que está se formando. Mas veio pra ficar, não como algo que vá substituir o modelo antigo, mas como mais uma opção”, aposta.

Indicado ao prêmio HQMIX 2014 nas categorias “Novo Talento – Roteirista” e “Publicação Independente”, o pesquisador Liber Paz lançou seu As Coisas que Cecília Fez em versão impressa e depois colocou à disposição para compra pela internet no Mais Gibis. Ele lembra o único aspecto no qual os gibis à venda online não podem suprir: “Embora o formato digital tenha muitas vantagens, entre elas o custo de produção gráfica, penso que o impresso ainda tem um aspecto único de permanência, de materialidade”.

‘O futuro é digital e oferece boas perspectivas’

Criador de plataforma para venda de HQs digitais, David Lloyd vê ‘desperdício’ na impressão e quer controle na mão dos quadrinistas

Ilustrado por David Lloyd e roteirizado por Alan Moore, V de Vingança foi lançado em 1982 e a máscara de seu protagonista virou símbolo de resistência e luta. Hoje, o objetivo de Lloyd com seu Aces Weekly é oferecer uma alternativa ao mercado de quadrinhos impresso dominado por super-heróis e pela falta de empreendedorismo dos autores. O Link falou com ele por e-mail.

Como surgiu o Aces Weekly?

Era uma forma fácil de publicar e também de vender quadrinhos. Há tanto desperdício e custos desnecessários em impressão. Estamos no século 21, não precisamos imprimir porque temos computadores. Deveria significar uma revolução o fato do artista ser livre para publicar material e usar plataformas simples para chegar à sua audiência sem obstáculos.

Há muitos quadrinhos digitais publicados de graça. Por que as pessoas pagariam para ler?

Essa é a falha principal. Quadrinhos digitais ainda não são rentáveis pois a internet está cheia de coisa anteriormente impressa disponível de graça. Ou então por webcomics gratuitos, pois seus criadores estão preocupados em exposição. Esperamos dar aos autores algum retorno constante. Se acontecer, podemos tornar a publicação de HQs digitais tão bem sucedida quanto a impressa. Assim, os criadores seriam os principais beneficiados.

A internet é a principal diferença do seus primeiros anos como quadrinistas e hoje?

Sim. A posse, o controle da distribuição e da apresentação e a ausência de problemas da impressão tornam o formato muito atraente. O futuro é digital – e ele oferece boas perspectivas para os autores, só depende deles quererem.

Cinema / HQ / Marvel / Matérias

A Arte dos Super-heróis Marvel

Fui a Paris para a abertura da exposição A Arte dos Super-heróis Marvel, no museu Art Ludique. A mostra reúne artes originais de várias épocas da editora, assinadas por gênios como Jack Kirby e Steve Ditko, e também artefatos e peças dos filmes da Marvel Studios. Escrevi sobre a minha visita pro Estadão e adiantei um pouco do que podemos esperar nos próximos filmes do estúdio. Segue a matéria:

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Figuras de museu

Personagens dos quadrinhos criados pelo americano Stan Lee são tema de exposição na França

Ramon Vitral – Paris – Especial para O Estado de S. Paulo

Aos 91 anos, Stan Lee tem um sonho. Criador do Homem-Aranha, X-Men, Vingadores e a maioria dos demais coprotagonistas do Universo Marvel, o quadrinista norte-americano já viu seus personagens ganharem versões animadas, virarem brinquedos e games e dominarem as principais bilheterias do mundo com uma série aparentemente inesgotável de adaptações para os cinemas. O sonho de Stan Lee, agora, é ver suas criações ocuparem um museu e ele poderá ser realizado caso o autor visite Paris até o dia 31 de agosto, data de encerramento da exposição L’Art des Super-Héros Marvel (A Arte dos Super-heróis Marvel), em cartaz no museu Art Ludique e visitada pelo Estado na véspera da abertura para o público.

“Já vi estátuas de Apolo, Sansão e Júpiter em museus, então imagino que um dia também possa haver do Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Tocha Humana, Hulk…”, diz o artista no vídeo de abertura da exposição. Ele é exibido na primeira das sete salas da exposição, dedicada à mais recente produção do braço cinematográfico da Marvel Comics, Capitão América 2: O Soldado Invernal. Além do depoimento de Lee, o espaço é ocupado por artes originais datadas de 1941, ano da criação do personagem por Jack Kirby (1917-1994) e Joe Simon (1913-2011), artes mais recentes de edições protagonizadas pelo herói, storyboards e estudos de cenas para o cinema e objetos das produções. Além de uma arma usada pelo exército do Caveira Vermelha no filme de 2011, está exposta a moto do Capitão e um dos objetos mais concorridos do evento: um dos escudos utilizados no segundo filme.

Os outros espaços seguem o mesmo padrão, contrapondo ilustrações originais em preto e branco de histórias em quadrinhos da Marvel com grandes impressões coloridas de alguns clássicos e outros artefatos dos filmes. A segunda sala é dividida entre os Vingadores e o Quarteto Fantástico. É o ambiente com maior destaque dado às artes originais, com várias páginas de obras ilustradas por Kirby. O desenhista deu forma à maioria das concepções de Stan Lee e virou a referência para a estética dos quadrinhos da Marvel desde então. Também estão expostos o primeiro molde da máscara do Capitão América para o filme dirigido por Joe Johnston, um dos capacetes utilizados por Robert Downey Jr. na trilogia do Homem de Ferro e um primeiro modelo para o uniforme de Thor no cinema.

Na outra sala, os X-Men dividem espaço com o Homem de Ferro. As páginas expostas apresentam os traços inacabados de outros artistas que ajudaram a conceber alguns dos enredos levados para os cinemas. Responsável pela arte de uma das fases mais aclamadas dos heróis mutantes, inclusive o arco de histórias que deu origem ao próximo filme dos personagens (X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido), o ilustrador inglês John Byrne tem vários de seus trabalhos emoldurados nas paredes. No espaço do alter ego de Tony Stark, uma versão em três dimensões do Homem de Ferro apresenta um dos primeiros testes do visual que seria levado aos cinemas a partir de 2008.

Na sala dedicada ao Deus do Trovão estão algumas armas utilizadas pelos vilões de Thor: O Mundo Sombrio e uma miniatura dos primeiros testes para o trono de Odin. Em seguida, há uma galeria com ilustrações clássicas de heróis urbanos, como Homem-Aranha, Demolidor, Punho de Ferro e Justiceiro. São apresentadas ilustrações originais de artistas importantes nas histórias dos personagens ao longo de várias décadas. Nomes conhecidos por fãs, como John Romita, Steve Ditko, Todd McFarlane, Sal Buscema e Frank Miller.

O sexto ambiente é reservado quase exclusivamente aos filmes da Marvel Studios. Além da reprodução do storyboard que deu origem à cena do ataque à mansão de Tony Stark em Homem de Ferro 3, há uma homenagem aos três principais artistas responsáveis pelos estudos que dão origem ao visual das versões cinematográficas da Marvel, Ryan Meinerding, Ady Granov e Charlie Wen. No mesmo espaço estão expostos o martelo de Thor e uma estrutura idêntica a uma presente em uma cena de Capitão América 2, com o uniforme do herói acompanhado das vestimentas de sua equipe na 2ª Guerra Mundial, o Comando Selvagem.

Mostra aponta o futuro das franquias no cinema

A última sala da exposição no museu Art Ludique é reservada a alguns dos heróis menos populares da editora, mas protagonistas da investida mais ousada da Marvel Studios nos cinemas. Os Guardiões da Galáxia foram criados por Dan Abnett e Andy Lanning em 1969 e a equipe é composta apenas por personagens desconhecidos: Star-Lord, um terráqueo filho de um Rei alienígena; Gamora, filha de Thanos (o vilão que aparece sorrindo no final de Os Vingadores); Groot, uma árvore com vocabulário limitado a apenas “Eu sou Groot”; Drax, O Destruidor, um guerreiro capaz de fazer frente ao Hulk; e Rocket Racoon, um guaxinim super inteligente e com tendências homicidas.

O primeiro encadernado da série mais recente do grupo foi impresso com seu título acompanhado da frase: “Os Vingadores cósmicos”. Agendado para estrear em julho de 2014 no Brasil, o filme é dirigido por James Gunn e protagonizado por Chris Pratt (Star-Lord), Bradley Cooper (a voz de Rocket Racoon) e Vin Diesel (dublando o pouco articulado Groot). O filme será o último antes da estreia da Os Vingadores 2 – A Era de Ultron, capítulo final da segunda fase da Marvel Studios no cinema. A primeira foi iniciada em 2008, com o primeiro Homem de Ferro e terminou em Os Vingadores e, para a terceira, estão previstos um novo Thor, outro Capitão América, mais Guardiões da Galáxia, um terceiro Vingadores e a estreia do Homem-Formiga no cinema – com Michael Douglas e Paul Rudd vestindo o uniforme do herói.

Além de artes conceituais da pré-produção de Guardiões da Galáxia, a sala do personagem era composta por artes das mais recentes edições da equipe, com formação completamente diferente dos primeiros gibis do grupo. No meio do espaço e encerrando a exposição, um impressionante busto do personagem Groot. 

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Entrevistas / HQ / Matérias

Papo com Jeffrey Brown

Entrevistei o quadrinista Jeffrey Brown e nossa conversa foi publicada hoje no Caderno 2 do Estadão. Ele acabou de lançar seu mais recente trabalho, Kids Are Weird, sobre as várias perguntas estranhas e hábitos pouco usuais de seu filho pequeno. É dele o álbum Darth Vader & Son, ainda inédito no Brasil, um dos maiores blockbusters de quadrinhos de 2012. Apesar do sucesso com os trabalhos ambientados no universo Star Wars, ele continua produzindo outras obras sensacionais sobre relacionamentos, vida, morte, paternidade, religião e sexo. Só clicar na imagem pra ver o pdf da matéria:

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A força está com o cartunista Jeffrey Brown
O autor norte-americano lança gibi autobiográfico após sucesso com a famosa série ‘Star Wars’

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

O quadrinista norte-americano Jeffrey Brown nunca escreveu sobre aventuras cósmicas de super-heróis, mas cruzar entre universos tem sido uma constante em sua carreira recente. Autor independente de histórias autobiográficas sobre relacionamentos, religião, emprego e dramas existenciais, ele virou artista best-seller em 2012 ao lançar o quadrinho Darth Vader and Son (Darth Vader e Filho). Protagonizado pelo capanga-mor do Império Galáctico e seu filho Luke Skywalker, o álbum é baseado na rotina de Brown com seus dois filhos pequenos e mostra uma versão infantil do herói Jedi acompanhando seu pai em passeios pelo zoológico ou em uma loja de brinquedos.

Após mais dois gibis ambientados no universo criado pelo cineasta George Lucas, Brown está de volta às suas origens em Children Are Weird (Crianças São Estranhas, 108 páginas, Chronicle Books, US$11,53). Recém-lançado nos Estados Unidos e na Inglaterra, o quadrinho retoma os enredos autobiográficos do autor, mas dessa vez com histórias protagonizadas por seu filho mais velho, Oscar.

“Por mais verdadeiras que as histórias sejam, ainda há partes delas que permanecem comigo, que eu não preciso compartilhar”, explica o ilustrador e escritor de 39 anos sobre a veracidade de suas tramas, em entrevista ao Estado. Segundo ele, 2014 promete ser um dos anos mais agitados de sua vida, com mais dois lançamentos dedicados a Star Wars e outro sobre seus filhos, além de seu emprego como professor de pintura e ilustração no Instituto de Artes de Chicago, sua cidade natal.

Mesmo fã das aventuras do clã Skywalker, Brown conta não ter esperado a tamanha repercussão que seu trabalho com a série de filmes ganhou. O sucesso das vendas de Darth Vader and Son contribuiu para o lançamento de outros dois trabalhos. Vader’s Little Princess (A princesinha de Darth Vader) é sobre o relacionamento do vilão com sua passional filha Leia. Já Jedi Academy (Academia Jedi) mostra um jovem aspirante a cavaleiro Jedi em sua rotina com mestres como Yoda. Em julho, ele lança Jedi Academy 2 e Good Night Darth Vader, com as histórias que Darth Vader conta para Luke e Leia dormirem.

Também diretor do clipe da música Your Heart is an Empty Room, da banda indie Death Cab for Cutie e ainda inédito no Brasil, Brown falou sobre as origens de seu trabalho com os personagens de George Lucas, os vários gêneros de suas obras e a produção de outros artistas independentes de sua geração.

As prateleiras dedicadas aos seus trabalhos nas lojas de quadrinhos reúnem seus gibis independentes com os trabalhos de Guerra nas Estrelas. São universos muito extremos?

Não acho, para mim há muitas semelhanças no que diz respeito à audiência e aos temas. São ambos muitos pessoais, mesmo nos livros de Star Wars, acabo desenhando minhas próprias experiências. Sinto que todo trabalho que faço reflete minha personalidade e meus sentimentos, tenham eles um tom mais sério ou então mais cômico e divertido.

Seu trabalho autobiográfico expõe muito de sua história. O que você sente quando vê outras pessoas lendo seus quadrinhos?

Tento não pensar no que elas estão lendo, quais detalhes íntimos estão descobrindo. Ao mesmo tempo, não é algo que me preocupa ou me deixa desconfortável, já que o mesmo processo de usar essas histórias reais para expressar ideias, de adaptar as memórias para o formato dos quadrinhos, é aquele que também transforma essas histórias em outra coisa. E, por mais verdadeiras que as histórias sejam, ainda há partes delas que permanecem comigo, que não preciso compartilhar.

E o que as pessoas retratadas nos seus livros acham de estarem lá? Alguém já não gostou de virar um personagem?

Na verdade, não. Até aconteceu, mas era mais uma questão de como elas acharam que estavam sendo retratadas, mas sempre em aparições menores, com nada pessoal ou embaraçoso sendo exposto. A maioria das pessoas que compõem minhas histórias entende, acho, que não estou tentando escrever sobre elas, mas sobre emoções, eventos e coisas que vivenciamos.

Lendo os seus trabalhos em ordem cronológica, é possível acompanhar as várias mudanças pelas quais sua vida passou. Quais as principais transformações seu trabalho até hoje?

Acho que a principal mudança foi eu mudar meu foco adolescente, em amor romântico em juvenil, para família e realizações pessoas. Me tornei mais interessado em dar aula e acabo pensando num cenário maior que as emoções imediatas relacionadas a um determinado evento. Espero que as histórias que conto hoje façam sentido em um contexto mais amplo, relacionado com mais do mundo.

Como começou seu trabalho com a série Star Wars?

Fui procurado pelo Ryan Germick, chefe da equipe responsável pelas ilustrações da homepage do Google. Ele me perguntou se eu poderia fazer uns rascunhos para uma possível ilustração do Dia dos Pais, eles queriam alguma coisa mostrando como seria esquisito um momento cotidiano entre pai e filho vivenciado por Darth Vader e Luke Skywalker. O Google acabou usando uma ideia diferente, mas fiquei com as ilustrações e transformei em Darth Vader and Son.

Esperava tal repercussão?

Agora já lancei três livros de Star Wars, com mais três a caminho e alguns itens extras, como cartões postais e diários. Eu achava que o primeiro livro venderia bem por ser Star Wars, mas não imaginava que teria a resposta positiva que teve. Não esperava especialmente as reações das crianças e o tanto que elas amam os livros.

É famoso o controle que os donos da marca Star Wars tem em relação aos produtos relacionados a ela. Como foi trabalhar com esses personagens e até onde ia sua liberdade criativa?

De certa forma, tive muito pouco controle, pois a LucasFilm tem a palavra final em tudo e eles são muito envolvidos em todas as etapas, do conceito à versão final. Felizmente, eu e meus editores sempre estivemos na mesma sintonia, e sinto que eles confiaram na forma como eu queria escrever e desenhar os livros. No final, os livros acabam melhores com o retorno que recebo da LucasFilm e o nosso relacionamento tem sido bastante tranquilo para mim.

Mas os livros de Star Wars também têm aspectos autobiográficos?

Darth Vader and Son é, de alguma forma, bastante autobiográfico. Estou apenas pegando as minhas histórias como pai e substituindo pelo Luke e o Darth Vader Acredito que essa é uma das razões para o sucesso dos livros. Eles são tanto sobre encontrar humor nos desafios diários dos pais quanto sobre Star Wars.

E os próximos trabalhos?

2014 vai ser um ano bastante agitado. Meu primeiro trabalho vai ser Kids Are Weird, com lançamento em março. Depois vem Goodnight Darth Vader e Jedi Academy 2, no final de julho. Então são vários Star Wars mais uma vez, mas estou tentando produzir mais um autobiográfico, dessa vez sobre as coisas estranhas e engraçadas que o meu filho mais velho diz.

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Cinema / Matérias

Agenda cheia

Escrevi pra edição de janeiro da Galileu sobre os principais lançamentos previstos para as salas de cinema em 2014. Conversei com um monte de gente legal sobre a transformação do calendário dos blockbusters e bati um papo com o ilustrador Mike Deodato sobre as grandes estreias da Marvel agendadas para os próximos meses. Só clicar nas páginas pra ver o pdf. Segue a matéria:

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Agenda cheia

Questionado por público e crítica, o formato blockbuster tem lançamentos para quase todos os meses de 2014

O calendário de estreias dos arrasa-quarteirões de 2014 está definido, mas assombrado pela agenda do ano que vem. O Episódio VII de Guerra nas Estrelas chega aos cinemas dia 18 de dezembro de 2015 e será o primeiro filme da saga do clã Skywalker lançado fora do mês de maio. A estreia no final do ano que vem quebra um padrão estabelecido pelo próprio George Lucas com seu amigo Steven Spielberg nos anos 1970 — quando produziram Tubarão (1975) e o primeiro Guerra nas Estrelas (1977) — que concebeu o próprio conceito de blockbuster: apesar das estreias mais barulhentas de 2014 estarem previstas para maio, há grandes lançamentos de Hollywood espalhados por todo o ano, e não apenas concentrados no verão do hemisfério norte, como era a regra.

“Alguns dos filmes de 2013, que pareciam ideias originais e não eram baseados em livros ou quadrinhos e nem continuações, são muito fracos”, analisa o crítico de cinema da revista britânica Little White Lies, Adam Lee Davies. Para ele, o fracasso comercial de obras como Depois da Terra, Oblivion e Elysium deve explicar a tendência crescente de sequências e adaptações chegando às telas em 2014. Davies acha que há apenas um lançamento que foge deste padrão este ano: a ficção científica Interstellar, do diretor Christopher Nolan. “O enredo está sendo mantido em segredo, como o Nolan costuma fazer, mas parece tratar de viagem no tempo e universos paralelos e isso é promissor, visto o que ele fez em A Origem”, aposta.

A falta de originalidade predominante em Hollywood não é a única crise em vigência na indústria de cinema norte-americana. Em uma palestra realizada em junho do ano passado, George Lucas e Steven Spielberg previram o fim da era dos blockbusters e contaram estar passando por dificuldades para seguirem com seus projetos. Segundo eles, o conteúdo autoral de séries produzidas diretamente para a televisão e o crescimento da indústria de games são alguns dos elementos que estão contribuindo para a dúvida com relação ao sistema de produção e ao financiamento por parte dos grandes estúdios.

Para o editor-chefe da revista Rolling Stone, Pablo Miyazawa, as transformações citadas por Lucas e Spielberg estão inseridas em um cenário maior: “A TV e os games estão conseguindo compreender a demanda, decifrar o zeitgeist, melhor que as outras mídias. Mas não acho que o exemplo dessas mídias possa se aplicar a Hollywood”. Para ele, o cinema precisa se reinventar. “A tendência é que o cinema tenha que depender cada vez mais de artifícios como o 4D para atrair multidões e se diferenciar de outras experiências. A charada é como entregar esse tipo de recurso a um preço mais acessível, de modo que justifique ao consumidor sair de casa e gastar dinheiro.”

Além da terceira parte de O Hobbit, do terceiro Jogos Vorazes e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, Miyazawa diz ter curiosidade em relação a Need for Speed, adaptação do jogo de corrida, e a versão para cinema do musical da Broadway Into the Woods, com Meryl Streep e Johnny Depp.

Outra tendência, de acordo com o crítico de cinema do site Omelete, Marcelo Hessel, é a garantia de pelo menos um blockbuster por estúdio. “Com a falta de dinheiro, muitos deles reduziram o número de filmes produzidos e a tendência é apostar nas franquias conhecidas”, explica. Em suas apostas para 2014, Hessel cita a nova versão de Godzilla, a continuação de Planeta dos Macacos e o novo capítulo da versão cinematográfica do Universo Marvel, Guardiões da Galáxia. “Os filmes-eventos vão continuar sendo os produtos já testados junto ao público e novamente teremos surpresas de bilheteria fora da curva, como Gravidade em 2013”, diz.

Também curiosa em relação ao novo X-Men, ao segundo Espetacular Homem-Aranha e Godzilla, a jornalista Ana Maria Bahiana crê que o formato de blockbuster tende a sobreviver graças ao público de outros países além dos EUA: “O modelo vai continuar enquanto mercados internacionais — como o Brasil — estiverem em expansão, aumentando o número de telas e trazendo a receita que ainda pode suportar o formato. Mas há um limite”

Rumo ao espaço

Abril e maio seguem sendo meses mais concorridos para blockbusters. Em 2014, o período verá uma guerra entre os personagens da Marvel Comics nos cinemas. Dona dos direitos do Homem-Aranha nas telas, a Sony lança mais um filme do herói, a Fox reforça suas produções com os mutantes dos X-Men e o estúdio Marvel lança o segundo Capitão América (foto). Em agosto será a vez de Guardiões da Galáxia, também da Marvel. “Ver personagens que criei, como o Patriota de Ferro, ganharem vida nas telas é muito emocionante”, conta o ilustrador brasileiro Mike Deodato Jr. Desenhista da Marvel, ele aposta no filme do grupo intergalático como o destaque de 2014: “Vai ser o grande teste deles. Se conseguirem fazer sucesso com personagens tão desconhecidos, o estúdio ficará entre os maiores do mundo em termos de poder e influência, acredito”.