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Posts com a tag Richard Linklater

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Boyhood, por Kevin Tong

Já comentei por aqui como gosto dos pôsteres do Kevin Tong – sério, dá pra passar um tempão lá no site do artista. Aí que ele tá com uma obra na exposição dedicada à filmografia do Richard Linklater lá na galeria da Mondo em Austin. Dessa vez, o trabalho dele foi inspirado em Boyhood e ficou massa demais. O pessoal da Mondo tá librando aos poucos as artes em exposição, mas dá pra encontrar uma ou outra coisa bem fodas nuns sites especializados. Lá no OMG Posters tem umas peças que não vi mais em nenhum lugar ainda, vai lá ver.

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Dazed and Confused, por James Flames

A homenagem aqui de cima do artista James Flames para o clássico Dazed and Confused faz parte da próxima exposição em cartaz na galeria da Mondo em Austin, a partir do dia 12 de março. Os responsáveis pelo espaço aproveitaram a proximidade da estreia de Everybody Wants Some no mês de abril para organizar uma exposição dedicada à filmografia de Richard Linklater. Algumas poucas obras da exposição foram reveladas até o momento, todas disponíveis no site da Mondo. Tô muito no aguardo pra saber o que mais foi produzido – e ainda mais pela estreia de Everybody Wants Some.

ExpoLinklater

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Everybody Wants Some, por Richard Linklater

Só pra não deixar passar passar, porque não é todo dia que dá as caras um pôster novo de filme do Richard Linklater, né não? Como já explicou o diretor, Everybody Wants Some é uma espécie de sequência espiritual de Dazed and Confused. Vamovê como funciona isso aí. Lançamento tá marcado pra abril do ano que vem. Atualizado, dia 22/12: daí que saiu o trailer do filme, olha aí:

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Os filmes de Richard Linklater

Em 2013 entrevistei o jornalista Matt Zoller Seitz, autor do livro The Wes Anderson Collection e editor do site do Roger Ebert. Perguntei como ele achava que os filmes do Wes Anderson seriam lembrados daqui 50 anos. O raciocínio completo dele tá aqui, mas a resposta terminava assim: “Eu odiaria pensar nele como um daqueles diretores que apenas aos 99 anos ganha um Oscar honorário já numa cama de hospital e com um respirador”. Depois de Birdman deixar Boyhood e O Grande Budapest Hotel pra trás no Oscar, acho que aumenta bastante a tendência de isso acontecer, não só com o Wes Anderson, mas também com o Richard Linklater. Os dois filmes não ficariam melhores por causa de um Oscar, mas acredito que seria um reconhecimento mais que merecido pelas singularidades dos trabalhos de ambos. De qualquer forma, como bem diz esse texto aqui que o André me mostrou, daqui uns anos, ninguém vai lembrar do Oscar de 2015, mas todo mundo vai se lembrar de Boyhood – e também de Budapeste, acho. Pensei nisso tudo enquanto via essa homenagem em vídeo aos filmes de Richard Linklater. Ele é outro que também considero mó privilégio poder acompanhar ao vivo o crescimento de sua filmografia. Ó:

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Richard Linklater e a conexão entre Boyhood e a trilogia Antes do Amanhecer/ Antes do Pôr do Sol/ Antes da Meia-Noite

JesseMason1

Já falei por aqui: Boyhood é o filme de 2014.  A obra está agendada para chegar aos cinemas brasileiros apenas dia 23 de outubro, então permita-se criar altas expectativas até lá. Assim como acho que a carta do personagem Ethan Hawke para o protagonista do filme não é um spoiler, também acredito que as informações a seguir não estragam de forma alguma a experiência de ver o filme, mas caso você prefira chegar zerado ao cinema, pare por aqui, combinado?

Como você já deve saber, Boyhood conta a história de um garoto chamado Mason, ao longo de 12 anos de sua vida. Começa com ele lá pelos cinco ou seis anos e termina quando ele chega aos 18. Vemos algumas das mais marcantes experiências de sua juventude. E o diretor Richard Linklater filmou a produção também ao longo desses 12 anos, com os mesmos atores. Todo ano o grupo se encontrava, eles trabalhavam no roteiro e filmavam algumas cenas.

Dentre as muitas coisas que saí do cinema pensando foi se a história iria parar por ali, com Mason aos 18 anos. Também diretor da trilogia Antes do Amanhecer/ Antes do Pôr do Sol/ Antes da Meia-Noite, Richard Linklater é chegado num trabalho a longo-prazo. Foram quase dez anos entre cada um dos filmes da série protagonizada por Julie Delpy e Ethan Hawke (também intérprete do pai de Mason). Ele não poderia fazer o mesmo com Boyhood? Daqui a doze anos veríamos o que teria acontecido com Mason entre os 18 e os 30.

JesseMason2

Claro, não fui o único a cogitar essa possibilidade. O pessoal da Empire também pensou nisso. E eles tiveram a oportunidade de perguntar a Linklater. O questionamento foi feito pelo repórter Simon Crook. Ele quis saber se havia alguma possibilidade de continuação de produção. Segundo o texto da revista, o cineasta hesita um pouco, pensa e responde:

“Bem, agora ele vai estar em seus primeiros períodos da faculdade, então eu sei como vai ser a vida do Mason pelos próximos anos. Mas depois disso? … Sabe, eu estava pensando: não seria sensacional se o Mason largasse a faculdade, entrasse em um trem e conhecesse uma garota na Europa…”

Sacou? Para ele, o Mason de Boyhood e o Jesse de Ethan Hawke na trilogia Antes do Amanhecer/ Antes do Pôr do Sol/ Antes da Meia-Noite poderiam ser a mesma pessoa. Se você parar pra pensar bem, há várias semelhanças entre os personagens. Ambos nasceram no Texas, os pais dos dois são divorciados e mesmo as personalidades de Jesse e Mason são bastante parecidas. Mas aí tem aquela outra coisa, não seriam ambos também o próprio Richard Linklater?

Como o próprio diretor já comentou, a inspiração para o encontro de Jesse e Celine em Antes do Amanhecer veio de um encontro real dele com uma garota na Filadelfia em 1989. Então provavelmente as origens de Mason também não devem ser tããão distantes assim das de Linklater. Em Antes do Pôr do Sol, antes de encontrar Celine, Jesse está lançando seu romance na livraria Shakespeare and Company em Paris. Você lembra a resposta do personagem para um jornalista que pergunta se seu livro conta uma história autobiográfica? “Hum, bem, olha…no final das contas não é tudo autobiográfico?”.

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O Black Album dos Beatles, produzido por Richard Linklater e Ethan Hawke para Boyhood

Acho difícil pra caramba escrever sobre Boyhood. Em poucas palavras, ficarei bastante surpreso caso veja algo melhor nos cinemas em 2014. O filme foi produzido ao longo de 12 anos por Richard Linklater. Com os mesmos atores, ele contou 12 anos da vida de uma família, focando no crescimento de um dos filhos. Ele começa com o garoto aos seis anos, com os pais recém-separados, e segue até os 18. O ponto é que esse esforço todo do Linklater para filmar ao longo de mais de uma década é quase detalhe quando o filme é projetado. A passagem é tão sutil que as vezes nem lembramos que estamos vendo o tempo passar de verdade na tela. Foda demais.

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Quando o protagonista já tá lá pelos 15 anos o pai dele dá de presente para o garoto uma coletânea dos Beatles. O nome da mixtape presente no cd é Black Album e reúne as principais obras dos quatro Beatles após o término da banda. No entanto a coletânea foi produzida de verdade pelo Ethan Hawke, intérprete do pai do protagonista do filme, para sua filha na vida real. Fiquei sabendo dessa história via BuzzFeed, que publicou a carta produzida pelo ator para sua filha e adaptada para o personagem principal do filme, Mason. Na cena que o presente é mencionado, parte dessa explicação é citada pelo pai do garoto.

Segue a tradução da carta do personagem com a explicação do presente e em seguida a lista com todas as músicas dos três CDs da coletânea. O original, em inglês, tá lá no BuzzFeed:

“Mason,

Eu queria te dar de presente de aniversário algo que dinheiro não pode comprar, algo que apenas um pai pode dar para um filho, como uma relíquia de família. Isso é o melhor que consegui. E desde já, minhas desculpas.

Meu presente para você: O BLACK ALBUM DOS BEATLES.

O único trabalho do qual fiz parte e pelo qual sinto algum orgulho por envolver algo nascido em um espírito de colaboração – a ideia não pertence a ninguém especificamente, mas surge daquela magia criativa imprevisível que acontece quando energias colidem.

Isso é o melhor trabalho solo de John, Paul, George e Ringo pós-Beatles. Eu basicamente reuni a banda exclusivamente para você. Tem essa coisa que acontece quando você ouve muito dos trabalhos solos deles separadamente – muito Lennon: de repente há um pequeno clima de egocentrismo; muito Paul e pode ficar sentimental – vamos assumir, há um transtorno de personalidade meio patético aqui; muito George: ok, todos temos o nosso lado espiritual, mas só é legal por seis minutos, certo? Ringo: ele é engraçado, irreverente e cool, mas ele não consegue cantar – ele teve alguns hits nos anos 70 (até mais que Lennon), mas você não vai pra casa e se matar de ouvir um Ringo Starr do início ao fim, você simplesmente não vai fazer isso. Quando você junta os trabalhos deles, no entanto, quando você coloca um do lado do outro e deixa fluir – eles aprimoram-se e você começar a ouvir: O S B E A T L E S.

Apenas escute o CD inteiro, ok?

Acho que talvez seja o fato do Lennon ter sido baleado e morto aos 40 (um das últimas músicas compostas por ele foi Life Begins at 40, que ele escreveu pro Ringo – e eu não consegui me convencer a incluir a canção no mix pois ironia da situação ainda não é engraçada pra mim) e eu acabei de chegar aos 40 e isso resultou no BLACK ALBUM. Eu ouço essas canções e por alguma razão (talvez o sofrimento constante e transformador do divórcio com a sua mãe) me encho de tristeza pelo término amargo da amizade entre John e Paul. Eu sei, eu sei, eu sei, isso não tem nada a ver comigo, mas caramba, me explique mais uma vez porque o amor não pode durar para sempre. Por quê ficamos egoístas? Por quê eles ficaram? Por quê costumamos ver dons como possíveis ameaças e diferenças como deficiências? Por quê não conseguimos perceber que nossos atritos podem ser utilizados para polir as qualidades de outra pessoa?

Li uma história sobre a morte da mãe do John:

Ele era um adolescente revoltado – com um canivete no bolso, cigarro nos lábios e sexo na cabeça. No funeral da mãe desequilibrada e recém-falecida (que ele havia acabado de ficar mais próximo), ele – bêbado e puto – socou um membro da banda e deu o fora. Alguns anos mais novo, o Paul – um moleque que ainda não ligava muito pra garotas, ainda UNCOOL e presente na banda graças às suas habilidades com a guitarra apesar de ser meio infantil – correu atrás do John na rua dizendo: “John, por quê você está sendo tão babaca?”.

O John respondeu, “Minha mãe acabou de morrer, porra!”

E o Paul disse, “Você nunca perguntou sobre a minha mãe.”

“O que tem ela?”

“Ela também está morta.”

Eles se abraçaram no meio da rua. Aparentemente o John disse, “Podemos por favor começar uma porra de banda de rock’n’roll?”.

Essa história respondeu a dúvida presente no meu cérebro ao longo de todo minha vida como ouvinte de música: Se os Beatles estiveram juntos ao longo de apenas 10 anos e os membros da banda eram tão novos ao longo desse período, como eles conseguiram escrever Help, Fool on the Hill, Eleanor Rigby, Yesterday, e A Day in the Life? Eles eram apenas caras de 25 anos cercados por garotas em frente aos seus hotéis e com direito ao tanto de champagne que um moleque consegue beber. Como eles conseguiram desenvolver suas mentes para feitos artísticos tão grandiosos?

Eles conseguiram pois estavam sofrendo. Eles sabiam que o amor não dura pra sempre. Eles descobriram isso ainda muito novos.

No BLACK ALBUM é possível ouvir os caras cantando sobre a vida adulta: casamento, paternidade, sobriedade, crescimento espiritual, a vacuidade do sucesso material – Starting Over, Maybe I’m Amazed, Beautiful Boy, The No No Song, God – e eles ainda estão plenamente conscientes desse fato: o amor não é eterno.

Eu não quero que isso seja verdade. Eu quero Lennon/McCartney escrevendo lindamente juntos para sempre, mas esse é o objetivo? Da mesma forma, se o objetivo de uma rosa fosse durar para sempre, seria feita de pedra, certo? Então como lidamos com essa ideia com graça e maturidade? Se você é romântico, como eu, é difícil não tentar encontrar algum indício da retomada da amizade entre eles. Todos os sinais apontavam para isso.

Quando Paul esteve no SNL recentemente, ele tocou praticamente apenas canções do Lennon. E ele fez isso explicitamente feliz.

Ouça Here Today do Paul.

Você consegue escutar Two of Us (a última canção que eles escreveram juntos) e não sofrer um pouco? O que estavam pensando aqueles dois garotos sem as mães, que outro dia estavam abraçados no meio da rua, quando eles escreveram “The two of us have memories longer then the road that stretches out ahead”?

A dinâmica da separação deles, como em qualquer divórcio, é um mistério. Alguns dizem que Paul, o pupilo, havia superado John, o mentor, e eles não conseguiam chegar a um novo equilíbrio. Outros dizem que o Paul era um pentelho que pegou todos os direitos das canções dos outros três. E ainda tem os que falam que sem o Brian Epstein não havia mediador entre os egos deles. Vai saber.

Eu toquei Hey Jude pra sua irmã outro dia e ela ouviu várias vezes. Contei pra ela que a música foi escrita por McCarney para o filho de Lennon após o divórcio de seu pai e ela prestou ainda mais atenção. O George uma vez disse que Hey Jude foi o início do fim dos Beatles. O Brian Epstein havia acabado de morrer e John e Paul estavam sozinhos para administrar o recém-criado selo Apple. Eles gravaram Hey Jude e Revolution como single. Normalmente, o Brian decidia qual música seria ladoA e qual seria lado B, mas agora estava por conta deles. O John acreditava que Revolution era uma canção de rock política importante e que eles precisavam se colocar como uma banda adulta. O Paul achava que Revolution era brilhante, mas os Beatles eram uma banda essencialmente pop e então eles deviam abrir com Hey Jude. Ele sabia que seria um hit monstruoso e que política deveria vir num lado B subversivo. Eles votaram. Hey Jude venceu por 3 a 1. O George disse que o John sentiu uma espécie de golpe de estado por parte do Paul. Ele não estava explicitamente triste, mas ele começou a recuar. Não era mais a banda dele.

A ironia/lição dessa história está em uma outra história que ouvi: assim que Hey Jude/Revolution ficou pronto, os garotos tiveram a ideia maquiavélica de levar o single novo para uma festa de lançamento do novo disco dos Rolling Stones. O Mick Jagger diz que assim que os quatro chegaram e deixaram escapar estavam com o single, todo mundo clamou por escutar tão logo terminou o lado um do disco dos Stones. Assim que os Beatles começaram a tocar, o single ficou virando de um lado pro outro. O lado dois de Beggar’s Banquet dos Stones jamais chegou perto da agulha.

Então não importa o quão louco o John fosse, ele não era tão louco assim…

Um vez perguntaram ao John se ele voltaria a tocar com o Paul, ele respondeu: “A dúvida pra mim é o que tocar. É tudo pela música. Nós tocamos bem juntos – se ele tiver uma ideia e precisar de mim, eu estaria interessado”.

Eu amo isso.

Talvez a lição seja: o amor não dura pra sempre, mas a música que o amor cria talvez sim.

Eu e sua mãe não conseguimos fazer o amor durar pra sempre, mas você é a nossa música, meu amigo.

“And in the end, the love you take is equal to the love…”

Eu te amo. Feliz aniversário.

Seu Pai.”

Ufa. Demais né? As canções do BLACK ALBUM, com playlists que criei para cada um dos discos:

Disco 1:
1. Paul McCartney & Wings, “Band on the Run”
2. George Harrison, “My Sweet Lord”
3. John Lennon feat. The Flux Fiddlers & the Plastic Ono Band, “Jealous Guy”
4. Ringo Starr, “Photograph”
5. John Lennon, “How?”
6. Paul McCartney, “Every Night”
7. George Harrison, “Blow Away”
8. Paul McCartney, “Maybe I’m Amazed”
9. John Lennon, “Woman”
10.Paul McCartney & Wings, “Jet”
11. John Lennon, “Stand by Me”
12. Ringo Starr, “No No Song”
13. Paul McCartney, “Junk”
14. John Lennon, “Love”
15. Paul McCartney & Linda McCartney, “The Back Seat of My Car”
16. John Lennon, “Watching the Wheels”
17. John Lennon, “Mind Games”
18. Paul McCartney & Wings, “Bluebird”
19. John Lennon, “Beautiful Boy (Darling Boy)” 20. George Harrison, “What Is Life”

Disco 2:
1. John Lennon, “God”
2. Wings, “Listen to What the Man Said”
3. John Lennon, “Crippled Inside”
4. Ringo Starr, “You’re Sixteen You’re Beautiful (And You’re Mine)”
5. Paul McCartney & Wings, “Let Me Roll It”
6. John Lennon & The Plastic Ono Band, “Power to the People”
7. Paul McCartney, “Another Day”
8. George Harrison, “If Not For You (2001 Digital Remaster)”
9. John Lennon, “(Just Like) Starting Over”
10. Wings, “Let ‘Em In”
11. John Lennon, “Mother”
12. Paul McCartney & Wings, “Helen Wheels”
13. John Lennon, “I Found Out”
14. Paul McCartney & Linda McCartney, “Uncle Albert / Admiral Halsey”
15. John Lennon, Yoko Ono & The Plastic Ono Band, “Instant Karma! (We All Shine On)”
15. George Harrison, “Not Guilty (2004 Digital Remaster)”
16. Paul McCartney & Linda McCartney, “Heart of the Country”
17. John Lennon, “Oh Yoko!”
18. Wings, “Mull of Kintyre”
19. Ringo Starr, “It Don’t Come Easy”

Disco 3:
1. John Lennon, “Grow Old With Me (2010 Remaster)”
2. Wings, “Silly Love Songs”
3. The Beatles, “Real Love”
4. Paul McCartney & Wings, “My Love”
5. John Lennon, “Oh My Love”
6. George Harrison, “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)”
7. Paul McCartney, “Pipes of Peace”
8. John Lennon, “Imagine”
9. Paul McCartney, “Here Today”
10. George Harrison, “All Things Must Pass”
11. Paul McCartney, “And I Love Her (Live on MTV Unplugged)”