Vitralizado

Posts com a tag Rutu Modan

HQ

Cartões-postais de uma pandemia, por Adrian Tomine e Rutu Modan

Já comentei por aqui que curto cartões-postais, né? Pois é, curto muito cartões-postais. Daí achei bem massa esse especial aqui da New Yorker batizado de Postcards from a Pandemic com ilustradores de várias partes do mundo mostrando suas cidades sob os efeitos do isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus.

Chamo atenção para o Adrian Tomine mostrando um pouco de sua rotina em família em Nova York e para a Rutu Modan apresentando uma praia vazia de Tel Aviv, mas também tem a italiana Bianca Bagnarelli retratando Bologna, a espanhola Ana Galvan ilustrando Madrid e outros. Recomendo um pulo lá no site da New Yorker para conferir a série completa.

O trabalho da quadrinista Rutu Modan para a série Postcards from a Pandemic, da New Yorker
HQ

Uma HQ com início, meio e fim em um único painel, por Rutu Modan

Eu já tinha dado início aos preparativos para a Série Postal quando o New York Times publicou uma matéria pedindo que quadrinistas criassem uma narrativa completa, uma HQ com início, meio e fim, em um único painel. A matéria foi batizada de The Comics Artists Challenge e saiu na edição do jornal do dia 13 de outubro de 2015. Dentre os autores convidados a participar da brincadeira estavam artistas como Anders Nilsen, Jillian Tamaki e Ariel Schrag. No entanto, o meu trabalho preferido é esse aqui em cima, de autoria da Rutu Modan. Ela pegou um painel de A Propriedade e desconstruiu a cena explicando os vários fatos e detalhes que compõe esse enredo. Bem massa. Você lê a íntegra da matéria por aqui.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Rutu Modan e A Propriedade ##

Gosto muito de A Propriedade. Sou fã do livro desde seu lançamento em inglês em 2013 e fiquei muito feliz da publicação ter finalmente saído em português. Aproveitei e corri atrás da Rutu Modan para conversar sobre o gibi e algumas das minhas interpretações sobre a obra. Das conversas mais legais que já saíram por aqui. Aproveito para chamar atenção para todo catálogo recente de quadrinhos da WMF Martins Fontes. Nos últimos anos eles já haviam lançados os excelentes Os Ignorantes e Pagando por Sexo. Em 2015, além de A Propriedade, publicaram pérolas como Uma Vida Chinesa, Snowden e Hoje é o Último Dia do Resto de Sua Vida. Só coisa boa.

Entrevistas / HQ

“O mais importante é não ter medo de contar a verdade mais desagradável possível” diz a autora de A Propriedade

Antes de tudo, fica o aviso: a entrevista a seguir está repleta de spoilers. Caso você não tenha lido A Propriedade, guarde o link para depois, combinado? Ainda por aqui? Vamos lá: A Propriedade é sem dúvidas um dos grandes quadrinhos lançados no Brasil em 2015. Até o momento, ele ocupa o topo da minha lista junto com Mate Minha Mãe, do quadrinista norte-americano Jules Feiffer. Premiado com o Eisner de Melhor Graphic Novel de 2013, o gibi chega por aqui com atraso, mas com o mesmo vigor da época de seu lançamento. Aproveitei a publicação da edição em português para correr atrás da autora do quadrinho, a israelense Rutu Modan. Ela foi extremamente atenciosa e respondeu uma das entrevistas mais interessantes já publicadas por aqui. Transformei esse papo em matéria pro Uol. Também recomendo a leitura do meu texto para uma melhor compreensão de A Propriedade e da formação de Modan. Então é isso: leu A Propriedade e a minha matéria? Manda bala com a conversa abaixo. Papo bem legal. Ó:

Propriedade

A Propriedade mostra a ida de uma garota israelense e sua avó para Varsóvia em uma busca relacionada à história de suas famílias durante a 2ª Guerra Mundial. É uma narrativa universal, mas trata de tópicos muito distantes da realidade brasileira. O que você sente ao ver seu trabalhando sendo publicado no Brasil? Você costuma pensar que algo escrito e desenhado por você pode ser consumido por um público de uma realidade tão distante da sua?

Antes de tudo, estou muito empolgada por ser a primeira vez que um livro meu é lançado no Brasil.

Quando crio uma história posso me preocupar que os leitores não vão entender tudo, mas não posso fazer nada em relação a isso. Explicar demais torna a história cansativa e se você fizer apenas coisas que todo mundo vai entender, será uma história rasa e sem graça. Como leitor, você quer ler algo novo, você quer que uma história convincente. Apenas quando o autor está sendo específico ele consegue ser completamente honesto, por estar escrevendo sobre algo que conhece. Os eventos e os ambientes da história são apenas o corpo da história. A alma da história está nos personagens e lá no fundo (peço desculpas pelo clichê) temos mais semelhanças do que diferenças entre nós. Então mesmo que você não entenda todos os detalhes, você entende os personagens e é isso que importa.

Talvez seja um preconceito da minha parte, mas quando penso em um autor de Israel eu acabo esperando uma obra com conteúdo político. Isso acontece com você? Quero dizer, você supreende as pessoas por seus quadrinhos não sejam explicitamente políticos?

Sou questionada constantemente por que meus quadrinhos não são sobre o nosso contexto político (mas nunca por israelenses). Eu entendo essa expectativa. Também acho que as pessoas ficam ansiosas para entender “o que está acontecendo por aí”, por que não podemos resolver o problema como seres humanos normais. Talvez elas esperem que eu possa explicar todo esse contexto pelos meus quadrinhos. Peço desculpas, mas não posso. É ainda mais confuso e assustador viver essa realidade do que acompanhar pela televisão.

Escrever sobre a situação política seria mais como fazer jornalismo em quadrinhos. É um gênero que admiro como leitora, mas nunca me senti 100% segura fazendo. Já tentei, mas senti que estava expondo a minha opinião e tendo a acreditar que há muitas opiniões sendo expressas sobre o conflito e a a minha seria apenas mais uma sem importância. Nunca vi ninguém mudar sua opinião por causa da opinião de outra pessoa, mas um u ponto de vista expresso de forma honesta é sempre interessante e pode abrir algumas mentes. É muito mais fácil sentir empatia por alguém que me conta uma experiência pessoal sem querer me converter. Não tomarei uma posição defensiva, como faço, por exemplo, quando leio um artigo de um jornalista que apoia o governo.

Histórias são exatamente isso, contar alguma coisa a partir de um determinado ponto de vista. Posso até inventar alguns gráficos, cada um deles com um ponto de vista diferente, e será mais próximo da realidade, o que acaba sendo sempre ambivalente e mostrando os muitos pontos de vista de vários tópicos.Tendo deixado isso claro, eu acho que minhas opiniões políticas podem estar presentes em meu livros, como vocês diz na próxima questão.

Propriedade2

Continue reading

HQ / Matérias

Rutu Modan e os diversos níveis de leitura de A Propriedade

A Propriedade é um dos meus quadrinhos preferidos de todos os tempos desde que li a HQ em 2013. A obra finalmente ganhou uma edição em português, pela WMF Martins Fontes. Corri atrás da Rutu Modan, autora do gibi e consegui uma entrevista bem legal com a quadrinista israelense. Dos papos mais interessantes que já fiz com um autor de quadrinho. Nossa conversa virou matéria no Uol. Em breve aparece a íntegra desse papo por aqui. Vai lá dar uma lida no meu texto enquanto isso.