Vitralizado

Posts por data novembro 2019

HQ

Charles Burns fala sobre a produção do álbum Dédales. Assista!

O quadrinista norte-americano Charles Burns esteve na França para o lançamento de seu mais novo trabalho, o álbum Dédalesjá compartilhei umas páginas de preview por aqui, lembra? Nessa viagem ele esteve na livraria Mollat, em Bordeaux, para falar sobre esse livro novo, o primeiro após Sem Volta. A conversa foi gravada e acabou de entrar no ar no canal da livraria no YouTube. Ótimos 35 minutos de conversa. Dá o play:

HQ

3ª (19/11) é dia de bate-papo com Rafael Coutinho sobre o lançamento de O Beijo Adolescente – Volume 1

Tenho um convite para você! Caso esteja em São Paulo na próxima terça-feira, 19/11, recomendo um pulo no Espaço Breu (R. Barra Funda, 444), às 19h30, para me ver entrevistando ao vivo o quadrinista Rafael Coutinho sobre a recém-publicada coletânea da editora Todavia reunindo os três volumes da série O Beijo Adolescente.

Além do papo ainda vai ter música, bebida, exposição de originais da HQ e sessão de autógrafos. Você confere outras informações sobre essa festa na página do evento no Facebook.

O Beijo Adolescente está entre os meus trabalhos preferidos do Rafael Coutinho e essa coletânea reunindo os três volumes originais do quadrinho é dos grandes lançamentos do ano. Vai ser legal descobrir por lá quais os planos do autor para o futuro da série.

E se quiser ter uma prévia do que pode rolar nesse papo, recomendo uma olhada em algumas das entrevistas que já fiz com o Rafael Coutinho. Conversamos sobre o lançamento de Mensur em 2017, sobre a primeira edição da Feira Des.Gráfica em 2016, sobre o saudoso Nébula em 2015 e sobre a campanha de financiamento coletivo de O Beijo Adolescente #3 em 2013. Nos vemos na terça?

Cinema

Little White Lies #82: Uncut Gems

Vivemos tempos muito loucos nos quais o astro de Um Maluco no Golfe é o protagonista de um dos filmes mais badalados do ano. O drama Uncut Gems, dirigido pelos irmãos Benny Safdie e Josh Safdie e protagonizado pelo ator Adam Sandler, estampa a capa da 82ª edição da revista de cinema inglesa Little White Lies, com arte assinada pela ilustradora e quadrinista Tavan Maneetapho – recomendo uma investida no site dela, muita arte massa e uns quadrinhos interessantes.

Não achei lá no IMDB a data de lançamento do filme no Brasil, mas ele entra em cartaz nos Estados Unidos dia 13 de dezembro e imagino que por aqui só rola mais pra perto da temporada de premiações de 2020. Ó o trailer:

HQ

O mundo segundo Chris Ware

Você já deve ter visto esse por aí, mas fica aqui o registro de mais um trabalho do quadrinista Chris Ware. Dessa vez ele assina a capa da 89ª edição da Review, suplemento literário do jornal inglês The Guardian, com o título O Mundo Segundo Chris Ware. A publicação conta com uma entrevista com o autor e uma resenha de Rusty Browntrabalho mais recente do artista e com promessa de lançamento para 2020 no Brasil, pela Companhia das Letras. Você lê isso tudo clicando aqui.

E aproveito pra lembrar de dois podcasts recentes estrelados pelo Chris Ware que linkei por aqui: o The Virtual Memories Show, do apresentador Gil Roth, e o Design Matters, apresentado pela Debbie Millman.

HQ

Sobre a remuneração de profissionais para a mediação de eventos de histórias em quadrinhos

O mercado brasileiro de histórias em quadrinhos jamais será profissionalizado enquanto profissionais contratados para a mediação de mesas, bate-papos e painéis não forem devidamente remunerados. Por mais óbvio e lógico que seja esse raciocínio, são cada vez mais comuns os convites que recebo para trabalhar de graça em eventos públicos ou privados, com patrocinadores e, ocasionalmente, com cobrança de ingressos caros e fins lucrativos.

Não me importo em mediar de graça eventos envolvendo artistas e publicações independentes. Faço mediações do tipo constantemente e continuarei a fazer sempre que estiver com a agenda livre, o local seja de fácil acesso e as obras a serem debatidas sejam do meu interesse. No entanto, considero ofensivos convites do tipo partindo de eventos com suporte – seja público ou privado – que não envolvam nenhum tipo de remuneração. 

Recebi dois convites do tipo recentemente partindo de organizadores de convenções de cultura pop de grande porte que me deram como justificativas: 1) “não dispomos de recurso de cachê” e 2) “gastamos tudo para conseguir trazer os convidados”. Desculpas amadoras e inaceitáveis. São eventos que cobram ingressos caros, ostentam seus convidados nacionais e internacionais e cobram de seus expositores.

Não dispõe de recurso de cachê? Pois deveria dispor. Gastou tudo para trazer seus convidados? Pois deveria ter administrado melhor. Repito: desculpas amadoras e inaceitáveis.

Nos sete anos do Vitralizado já imprimi uma coleção composta por 21 postais assinados por ilustradores, designers e quadrinistas, e todos foram remunerados. Não faço mais do que a obrigação de alguém que encomendou um serviço a outra pessoa, mas lembro que o blog é uma empreitada independente e sem fins lucrativos que, ainda assim, jamais deixou de pagar a um colaborador. Não faz sentido que um evento de grande porte com artistas internacionais e cobrança de ingressos não aja da mesma forma. 

Na maior parte das vezes, convites para mediações não remuneradas partem de empresas que se aproveitam de uma cena criativa para promover suas marcas às custas de um trabalho profissional, seja ele artístico ou jornalístico – no meu caso. Não se trata de “paixão pelos quadrinhos”, justificativa canalha e ingênua. É exploração mesmo.

Exploração inclusive que fomenta de forma deliberada esse amadorismo conveniente aos interesses dessas empresas. A infantilização crescente nos debates relacionados às histórias em quadrinhos no Brasil (sobre a qual falei na coluna que publiquei semana passada no site do Itaú Cultural) passa pelo uso de mão de obra não gabaritada para conduzir discussões e pelo escanteio de profissionais com formação, estudo e currículo para tratar desses temas em mesas, debates e bate-papos. Sem massa crítica, resta apenas massa de manobra, colecionismo, ostentação e consumismo.

Aguardo os próximos convites.

(na imagem que abre o texto, arte do Basil Wolverton tirada lá do sensacional The Bristol Board)

HQ

Chris Ware e Chip Kidd conversam sobre HQs, design e Rusty Brown. Ouça!

Outro dia recomendei por aqui a entrevista da Lynda Berry para a jornalista Debbie Millman no podcast Design Matters. Aí que o episódio dessa semana do mesmo programa é uma conversa envolvendo a apresentadora, o quadrinista Chris Ware e o designer Chipp Kidd. O papo é sobre HQs, design e Rusty Brown – novo trabalho do autor de Jimmy Corrigan, com lançamento prometido para 2020 no Brasil.

Recomendo o episódio sem ainda ter conseguido ouví-lo até o fim, mas não tem erro em já passar a dica procês. É o maior quadrinista do Ocidente e o responsável pelo acabamento de suas publicações. O Chris Ware é gênio e o Chipp Kidd meio gênio, então é quase uma hora de conversa com 1,5 gênio. Enfim, ouça logo ou faça como eu e guarde o link aí pra escutar logo mais. Aqui ó.

Ah, lembrando que já recomendei outro podcast ótimo que já contou com a presença do Chris Ware recentemente, o Virtual Memories Show do jornalista Gil Roth. Papo dos bons também.

(na arte que abre o post, página de Rusty Brown divulgada pela revista New Yorker)