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Cartões-postais de uma pandemia, por Adrian Tomine e Rutu Modan

Já comentei por aqui que curto cartões-postais, né? Pois é, curto muito cartões-postais. Daí achei bem massa esse especial aqui da New Yorker batizado de Postcards from a Pandemic com ilustradores de várias partes do mundo mostrando suas cidades sob os efeitos do isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus.

Chamo atenção para o Adrian Tomine mostrando um pouco de sua rotina em família em Nova York e para a Rutu Modan apresentando uma praia vazia de Tel Aviv, mas também tem a italiana Bianca Bagnarelli retratando Bologna, a espanhola Ana Galvan ilustrando Madrid e outros. Recomendo um pulo lá no site da New Yorker para conferir a série completa.

O trabalho da quadrinista Rutu Modan para a série Postcards from a Pandemic, da New Yorker
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– Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs – Os nomes dos 21 jurados da premiação

O Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs já tem seus vencedores. Os três primeiros colocados, assim como todas as obras listadas e os rankings dos 21 jurados serão anunciados no dia 13 de abril (segunda-feira), a partir das 12h, nos blog Vitralizado e Balbúrdia. No post de hoje, revelamos os nomes dos jurados convidados a participar do Grampo 2020.

O Prêmio Grampo surgiu em 2016 inspirado na saudosa votação de melhores do ano do blog Gibizada, do jornalista Télio Navega, no jornal O Globo. Assim como ele fazia, eu e os editores do Balbúrdia, Lielson Zeni e Maria Clara Carneiro, convidamos várias pessoas envolvidas de diferentes formas na cena brasileira de quadrinhos a produzirem rankings com aqueles que elas consideram os 10 melhores títulos publicados no país no ano anterior. A ideia é que esse júri passe por mudanças pontuais a cada ano. Em 2020 há dois jurados que participam pela primeira vez da votação: o quadrinista Daniel Lopes e a jornalista Mariana Viana.

Para a quinta edição do Prêmio Grampo chamamos um jurado a mais do que nos anos prévios, completando 21 votantes entre quadrinistas, editores, pesquisadores, jornalistas e lojistas. Então anote aí: no dia 13 de abril (segunda-feira), a partir das 12h, você encontrará aqui e no Balbúrdia os rankings individuais de cada um dos jurados e a lista completa com todos os títulos votados. Enquanto isso, apresentamos os 21 jurados de 2020:

Aline Zouvi [quadrinista, cartunista e pesquisadora];
Carlos Neto [jornalista e youtuber do Papo Zine];
Carol Ito [quadrinista, jornalista, pesquisadora e editora do Políticas];
Cecilia Arbolave [editora, jornalista, tradutora, curadora da Miolo(s), entre outros eventos e sócia da Lote 42, Banca Tatuí e Sala Tatuí];
Dandara Palankof [tradutora, jornalista, pesquisadora e editora da Revista Plaf];
Daniel Lopes [quadrinista e co-organizador da Feira Dente];
Daniela Cantuária Utescher [livreira, editora, curadora do Ugra Fest, entre outros eventos e sócia da Ugra Press];
Douglas Utescher [livreiro, editor, curador do Ugra Fest, entre outros eventos e sócio da Ugra Press];
Érico Assis [tradutor, pesquisador, jornalista e crítico];
Gabriela Borges [jornalista, mestre em antropologia e criadora do selo Mina de HQ];
Jéssica Groke [quadrinista];
Liber Paz [professor da UTFPR, quadrinista, youtuber, crítico, pesquisador e membro do Balbúrdia e do Kitinete HQ];
Lielson Zeni [editor, pesquisador, crítico e roteirista, membro do Balbúrdia];
Luli Penna [quadrinista e ilustradora];
Maria Clara Carneiro [professora da UFSM, tradutora, pesquisadora, crítica e membro do Balbúrdia];
Mariana Viana [jornalista e editora do perfil Fora do Plástico];
Milena Azevedo [roteirista, crítica e curadora de eventos];
Paulo Floro [jornalista e editor das revistas O Grito e Plaf];
PJ Brandão [pesquisador e produtor do HQ Sem Roteiro Podcast];
Ramon Vitral [jornalista, crítico e editor do Vitralizado];
Thiago Borges [jornalista, editor do blog O Quadro e o Risco e da revista Banda].

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Vitralizado #90 – 03.2020

Ei. Cê tá bem? Protegido? São muitas informações e preocupações e um monte de gente ruim pra porra que só atrapalha. É difícil administrar isso tudo. Me pergunto constantemente sobre a lógica de um blog de quadrinhos no meio desse caos. Mas faz bem pra mim, distrai e faz pensar. E como também tô bem por conta da galera que leio, espero estar oferecendo algum escape ou porto seguro pra alguns de vocês. Sigamos!

Reúno a seguir a os principais posts do Vitralizado em março de 2020, o 90º mês de existência do blog. Segue o sumário:

*Entrevistei o quadrinista norte-americano Craig Thompson, autor de Retalhos e Habibi. O foco da conversa foi Space Dumplins, primeiro trabalho infantil do artista, publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras. Transformei esse papo em matéria pra Folha de São Paulo e depois compartilhei a íntegra dessa conversa por aqui;

*Também entrevistei o quadrinista Box Brown, autor de Andre The Giant e Cannabis, sobre o lançamento da edição brasileira de Tetris. Esse papo virou o foco da sexta edição da Sarjeta, minha coluna mensal sobre histórias em quadrinhos no site do Instituto Itaú Cultural. E você confere a minha entrevista completa com o autor por aqui. Ah! Peguei emprestada a arte que abre o post lá no tumblr do Box Brown;

*Aliás, na Sarjeta ainda tem uma nota sobre o adiamento do FIQ e os planos dos organizadores da Bienal de Quadrinhos de Curitiba para a edição de 2020 em meio à pandemia do coronavírus. Você também vê por lá um papo com a quadrinista Grazi Fonseca;

*Revelamos as datas dos anúncios dos vencedores e das listas do Prêmio Grampo 2020, cê viu? E aí, quais são as suas apostas? Quem leva os Grampos de Ouro, Prata e Bronze em 2020?;

*A quadrinista Cristina Daura é a autora da arte do cartaz do ELCAF 2020;

*O Chris Ware publicou um quadrinho sobre o coronavírus na New Yorker e assinou a arte da capa da edição de 6 de abril da revista;

>> Veja o que rolou no Vitralizado #89 – 02.2020;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #88 – 01. 2020;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #87 – 12.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #86 – 11.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #85 – 10.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #84 – 09.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #83 – 08.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #82 – 07.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #81 – 06.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #80 – 05.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #79 – 04.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #78 – 03.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #77 – 02.2019;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #76 – 01.2019
>> Veja o que rolou no Vitralizado #75 – 12.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #74 – 11.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #73 – 10.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #72 – 09.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #71 – 08.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #70 – 07.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #69 – 06.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #68 – 05.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #67 – 04.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #66 – 03.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #65 – 02.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #64 – 01.2018;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #63 – 12.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #62 – 11.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #61 – 10.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #60 – 09.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #59 – 08.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #58 – 07.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #57 – 06.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #56 – 05.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #55 – 04.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #54 – 03.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #53 – 02.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #52 – 01.2017;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #51 – 12.2016;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #50 – 11.2016;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #49 – 10.2016;
>> Veja o que rolou no Vitralizado #48 – 09.2016.

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– Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs – Dia 13/04, às 12h, Vitralizado + Balbúrdia

O Prêmio Grampo 2020 de Grandes HQs já tem data, hora e local para acontecer. Os vencedores da quinta edição do principal prêmio da crítica especializada de quadrinhos do Brasil serão anunciados no dia 13 de abril, segunda-feira, às 12h, em posts compartilhados nos blogs Vitralizado e Balbúrdia e no tumblr do prêmio. Além das obras vencedoras do Grampos de Ouro, Prata e Bronze, no dia 13 também serão apresentados rankings individuais dos jurados convidados para a edição de 2020 do prêmio.

Na imagem acima você confere a nova identidade visual do Prêmio Grampo, criada pelo designer Jairo Rodrigues.

O Prêmio Grampo surgiu em 2016 inspirado na saudosa votação de melhores do ano do blog Gibizada, do jornalista Télio Navega, no jornal O Globo. Assim como ele fazia, eu e os editores do Balbúrdia, Lielson Zeni e Maria Clara Carneiro, convidamos várias pessoas envolvidas de diferentes formas na cena brasileira de quadrinhos a produzirem rankings com aqueles que elas consideram os 10 melhores títulos publicados no país no ano anterior

Antes do dia 13, marcamos para 6 de abril, próxima segunda-feira, também às 12h, a revelação dos nomes dos 21 jurados da edição de 2020, em posts simultâneos no Vitralizado e no Balbúrdia.

O plano inicial para o Grampo 2020 era a realização de uma cerimônia na loja Ugra, em São Paulo, como aconteceu nas duas edições mais recentes do prêmio. No entanto, por conta da pandemia do coronavírus, optamos por realizar essa quinta edição apenas na internet, como foi nas edições de 2016 e 2017. Ficamos na expectativa de retomar o evento físico a partir de 2021.

Então é isso, dia 6 de abril anunciamos os jurados e dia 13 o resultado final e os rankings individuais. Enquanto isso, queremos saber: quais são as suas apostas para o Grampo 2020?

Lielson Zeni, Maria Clara Carneiro e Ramon Vitral

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Bedtime, por Chris Ware

O quadrinista Chris Ware é o autor da arte da capa do próxima número da revista New Yorker, a edição anual sobre saúda da publicação, não coincidentemente lançada em meio à pandemia do coronavírus. O autor de Jimmy Corrigan e Building Stories conta no site da revista como uma conversa com a filha de 15 anos serviu de inspiração para a criação da arte, batizada por ele de Bedtime.

“Como tática de procrastinação, às vezes pergunto para a minha filha de quinze anos sobre o que a tira ou desenho em que estou trabalhando deveria ser – não apenas porque isso me afasta da minha mesa de trabalho, mas porque, como a maioria das crianças da geração dela, ela presta atenção ao mundo. Então, enquanto desenhava a capa desta edição de saúde, fiz a pergunta”.

“‘Faça com que seja sobre como a maioria dos médicos tem filhos e famílias’, disse ela”, conta o quadrinista em seu relato à editora Françoise Mouly. Recomendo uma ida ao site da New Yorker para saber o resto dessa história. Vem cá. Aliás, chegou a ver o quadrinho assinado pelo Chris Ware pra New Yorker tratando do coronavírus? Recomendo também.

Entrevistas / HQ

Papo com Box Brown, autor de Tetris: “É quase impossível não ter algum propósito comercial na sua arte”

Entrevistei o quadrinista norte-americano Box Brown sobre o lançamento da edição brasileira de Tetris, prevista para o início de abril, pela editora Mino, e transformei esse papo em matéria publicada na sexta edição da Sarjeta, minha coluna mensal sobre histórias em quadrinhos no site do Instituto Itaú Cultural. Você lê meu texto clicando aqui.

Também autor dos excelentes Cannabis, Andre The Giant e An Entity Observes All Things, Brown é um dos meus autores preferidos. Ele é capaz de manter seu estilo seja na produção seus trabalhos independentes para a Retrofit Comics ou em suas obras documentais para a First Second Books.

Recomendo a leitura da Sarjeta para você saber mais sobre a história e a produção de Tetris e depois uma investida na entrevista a seguir – feita quando Brown ainda viria ao Brasil para o Mino Day, evento da editora Mino que estava marcado para abril, mas acabou adiado por conta da epidemia do coronavírus.

No minha conversa com o autor falamos sobre a presença de videogames em sua vida, sobre seus métodos de pesquisa e produção, sobre a relação entre arte e comércio e sobre seu novo livro, Child Star. Saca só:

“Tetris foi algo imenso no momento perfeito para mim”

Quadros de Tetris, HQ de Box Brown publicada no Brasil pela editora Mino

Você tem um histórico de trabalhos documentais sobre temas que parecem caros a você: a biografia do André The Giant, a história da ilegalização da maconha nos Estados Unidos e Tetris. Qual foi o ponto de partida de Tetris? Por que contar a história daquele que talvez seja o mais famoso dos games?

Ah, porque Tetris foi algo imenso no momento perfeito para mim. O Game Boy saiu quando eu tinha 8 ou 9 anos e veio com o Tetris. A minha família inteira jogava. Foi o primeiro jogo que me permitiu criar uma conexão com o meu pai e outros adultos, porque eles também jogavam. Foi a primeira vez que eles realmente compreenderam a obsessão da minha geração por videogames.

Você pode me contar sobre a sua relação com videogames? Você lembra do seu primeiro contato com games? Qual foi o primeiro jogo que você jogou? Você lembra do seu primeiro contato com tetris?

Eu jogo desde sempre. Quando eu tinha 5 anos ganhei um Nintendinho de Natal. Isso foi em 1985. Logo depois ganhamos um Atari usado, depois um Sega e um TurboGrafx 16 e tudo mais o que veio depois. Eu também joguei muitos jogos de fliperama nas minhas quebradas. A loja de quadrinhos tinha duas máquinas de videogame onde eu jogava de tudo. Eu lembro que tinha de tudo por lá, pinball também, ainda tinham os quadrinhos, os cards e as balas. Era um verdadeiro paraíso.

“A história do Tetris é um ótimo exemplo de interseção entre arte e comércio”

E como foi o seu primeiro contato com a história por trás da produção de Tetris? Quando você ouviu falar pela primeira vez sobre todas as questões políticas relacionadas ao desenvolvimento do jogo?

Sim. Quando eu era criança havia duas versões do Tetris para o Nintendinho. Havia um que se parecia com todos os outros da Nintendo e, também, uma versão diferente produzida pela Tengen, com um cartucho diferente, preto. Não se parecia em nada com os outros jogos. O boato era que o cartucho preto era ilegal… Mas era tudo o que sabíamos! Isso criou um ar legal de mistério em torno do jogo. Mas depois, muito mais tarde, me deparei com um documentário sobre a história do Tetris. Sou entusiasta de documentários e a história do Tetris é um ótimo exemplo de interseção entre arte e comércio.

Durante a sua infância, teve algum jogo ou console que você quis muito ter e não teve?

Sim, muitos jogos que até cheguei a joguar depois e descobri que são horríveis haha Quando eu era criança jogávamos um único jogo por semanas, meses até. Agora eu jogo 20 em um único dia brincando com o meu Switch. Eu lembro de querer desesperadamente um Sega Saturno e nunca ganhar um.

“A minha série de jogos favorita de todos os tempos é The Legend of Zelda e também a minha história favorita”

Quadro de Tetris, HQ de Box Brown publicada no Brasil pela editora Mino

Qual jogo mais marcou a sua vida? Houve algum jogo ou console em particular que mudou em definitivo a sua relação com video games?

Eu diria que foi Final Fantasy 7. Eu joguei quando tinha 17 anos e fiquei tão obcecado que eu dispensava festas. Era maravilhoso para mim que um jogo pudesse ter uma história tão rica, ser tão complexo e desafiador e ainda assim divertido.

Vejo debates e discussões cada vez mais constantes em torno da “narrativa” de mídias como quadrinhos e games. Em termos narrativos, o que mais te interessa nessas duas mídias?

Acredito definitivamente na importância da narrativa. Eu não consigo jogar um jogo que não conte uma boa história, mesmo que os gráficos sejam incríveis. Acho que o mesmo vale para os quadrinhos para mim. Eu preciso que me contem uma história. A maioria dos jogos que jogo hoje são de simulação de negócios, mas mesmos nesses jogos, com o objetivo de administrar um sistema ao invés de completar uma missão, são as narrativas que direcionam a jogabilidade. Quando falta uma estrutura narrativa coesa ao jogo, ele pode ficar mecanizado. A minha série de jogos favorita de todos os tempos é The Legend of Zelda e também a minha história favorita. Eu jogo esses jogos repetidamente e amo a história mais do que qualquer coisa.

“Queria que as páginas brilhassem, lembrando um pouco um videogame”

Página de Tetris, HQ de Box Brown publicada no Brasil pela editora Mino

Eu fico muito curioso em relação à administração do conteúdo que você reuniu em Tetris. São muitas datas, muitos personagens. Você criou algum método de trabalho ou algum filtro para selecionar o que entraria e o que ficaria de fora do livro?

Bem, a primeira coisa que eu fiz foi criar uma espécie de árvore genealógica de todos os personagens e como estão conectados uns aos outros, mantive isso em um quadro de cortiça na frente da minha mesa enquanto estava criando o livro. Isso meio que se tornou aqueles retratos no início de cada capítulos. Me ajudou a apresentar os inúmeros personagens que desempenharam algum papel nessa história.

E você se preocupava em tornar a leitura da HQ divertida em meio a tantos dados e informações?
Sim, eu fiquei muito preocupado com isso. A maior parte da história trata de vários homens em roupas de negócios durante reuniões. Eu tive que ficar buscando soluções para tornar o livro visualmente dinâmico. Acho que é por isso que escolhi o amarelo, para manter as páginas visualmente atraentes. Eu também queria que as páginas brilhassem, lembrando um pouco um videogame. 

“Você precisa torcer para que o seu trabalho não esteja sendo influenciado por suas necessidades financeiras, mas é quase impossível que isso aconteça”

Quadros de Tetris, HQ de Box Brown publicada no Brasil pela editora Mino

Tetris me fez pensar bastante sobre controle criativo e direitos de propriedades intelectuais. Videogames são mídias caras e talvez sejam a indústria criativa mais rentável do mundo. Qual você considera o impacto do sistema capitalista em indústrias criativas como a dos games e dos quadrinhos?

Isso é algo que os quadrinhos também precisam lidar, assim como os videogames. Na verdade é algo que toda forma de arte acaba tendo de enfrentar de alguma maneira. Você é constantemente confrontado com a possibilidade de fazer coisas por dinheiro. Estamos todos na mira dessa mesma arma. É quase impossível não ter algum propósito comercial na sua arte. Todos nós temos que viver. Você precisa torcer para que o seu trabalho não esteja sendo influenciado por suas necessidades financeiras, mas é quase impossível que isso aconteça. 

O Brasil passa por uma intensa crise política, econômica e social, sendo governado por um governo de extrema direita. O Bolsonaro é provavelmente um pouco mais estúpido, xenófobo, conservador e pior de todas as formas do que o Trump. Quais as suas expectativas para a sua visita ao Brasil? O que a mídia dos Estados Unidos tem noticiado sobre a realidade brasileira?

Estou um pouco nervoso por ir para tão longe de casa, com certeza. O hype da mídia sobre o Brasil nos EUA definitivamente alimenta os medos das pessoas. Existem alguns documentários da Netflix que eu tenho medo de assistir. Eu moro com um monte de eleitores do Trump no meu bairro, então estou me preparando para conhecer a versão brasileira dessas pessoas… Será que elas estarão interessadas no meu livro?

“Me interesso por luta-livre profissional, porque amo as técnicas utilizadas pelos lutadores para iludir o público”

Quadros de Tetris, HQ de Box Brown publicada no Brasil pela editora Mino

Você está trabalhando atualmente em algum trabalho novo? Você tem previsão de lançamento para uma próxima publicação?

Tenho um livro novo para ser lançado em junho nos Estados Unidos, chamado Child Star. É o meu primeiro trabalho de ficção. Minha primeira graphic novel para valer. É sobre um ator infantil na década de 1980.

A última: Cannabis foi publicado aqui e Tetris está às vésperas de seu lançamento em português. Games e drogas são temas muito populares em todo o mundo, mas wrestling nem tanto, pelo menos não no Brasil. Qual argumento você utilizaria para convencer os brasileiros a dar uma chance ao wrestling e assim dar uma chance a Andre The Giant ser publicado por aqui?

Meu livro sobre André The Giant, é o meu best-seller de todos os tempos e acho que é uma cartilha muito boa de como funciona a luta-livre. Me interesso por luta-livre profissional, porque amo as técnicas utilizadas pelos lutadores para iludir o público. É semelhante à maneira como um mágico trabalha ou um vendedor de óleo de cobra.

A capa de Tetris, álbum do quadrinista Box Brown publicado no Brasil pela editora Mino