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Posts na categoria Literatura

HQ / Literatura

Dois contos de Neil Gaiman

Gaiman

A foto aqui de cima é do hall da Biblioteca Britânica logo em seguida à conversa do Neil Gaiman com Tori Amos. Depois do evento principal, Gaiman subiu ao palco instalado na entrada da Biblioteca e leu duas de suas histórias presentes no livro Um Calendário de Contos (aliás, o pdf do livro tá disponível na íntegra). Gravei as duas leituras feitas pelo autor. Na primeira ele está acompanhado pelo artista Dave McKean, responsável pelas capas de Sandman. O ilustrador também apresentou uma de suas canções do projeto 9 Lives, em que ele canta enquanto suas animações são mostradas em uma tela. Olha aí:

Literatura / Matérias

The Martian: um relato de sobrevivência em Marte

Nos meus primeiros dias em Londres vi no metrô uma propaganda sobre o livro The Martian, recém-lançado e de autoria do engenheiro de software norte-americano Andy Weir. Terminei de ler a obra em alguns poucos dias e entrevistei o autor. Descobri que o livro será lançado no Brasil em breve e que a Fox comprou os direitos de adaptação para cinema ou televisão. Transformei isso tudo em uma matéria publicada hoje no Estadão:

TheMartianEstadão

Um relato de sobrevivência em Marte

Ficção científica criada por engenheiro de software faz sucesso na Nasa e deve virar filme pelos estúdios Fox

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

O 17.º astronauta a pisar em Marte não poderia imaginar seu destino fatídico. Tido como morto por seus companheiros de missão, ele foi deixado no planeta vermelho com estoque limitado de alimento e sem qualquer forma de comunicação com a Terra. O engenheiro de software norte-americano Andy Weir também não imaginava que seu conto de ficção científica publicado em um site pessoal ganharia uma versão impressa por um dos maiores grupos editorias dos Estados Unidos e teria seus direitos para o cinema comprados pela 20th Century Fox.

The Martian (O Marciano, 385 páginas, US$15) chegou às livrarias dos Estados Unidos e da Inglaterra no início de fevereiro, pela Crown, um dos selos da Random House. O livro tem previsão de lançamento no Brasil no segundo semestre de 2014, pela Editora Arqueiro, sem nome e preços definidos.

Os primeiros boatos sobre o filme ligam o roteirista de Guerra Mundial Z, Cloverfield e do seriado Lost, Drew Gorddard, à direção. Mais recentemente, sites norte-americanos especializados em bastidores de Hollywood cogitaram que o ator Matt Damon poderia protagonizar a produção.

“Eu postava cada um dos capítulos no meu site. Então resolvi publicar na Amazon para as pessoas lerem mais facilmente em seus e-readers. Vendeu muito bem e isso chamou a atenção da editora”, explica Andy Weir em entrevista por e-mail.

Ainda trabalhando em tempo integral como engenheiro, Weir tem recebido críticas bastante positivas por seu primeiro romance. “Essa é uma ficção científica em um nível que nem mesmo Arthur C. Clarke chegou”, exaltou o diário nova-iorquino The Wall Street Journal em referência a um dos cânones do gênero, o autor de 2001: Uma Odisseia no Espaço, morto em 2008.

Em seguida à entrevista ao Estado, Weir publicou em sua página no Facebook que as próximas semanas seriam as últimas nas empresa de computação na qual trabalhou nos últimos anos. “Tenho uma oportunidade para trabalhar com o emprego dos meus sonhos e preciso arriscar. Caso contrário, eu me arrependeria pelo resto da minha vida”, avisou na rede social.

Estratégia. O livro de Andy Weir é contado a partir dos registros do protagonista em seu computador pessoal. Já consciente após ser atingido por uma tempestade de areia, o engenheiro mecânico Mark Watney retorna ao acampamento da segunda missão tripulada da Nasa a Marte. Com ração para apenas 50 dias e 300 litros de água, o herói passa a pensar uma estratégia para sobreviver até a próxima viagem da Nasa ao planeta, em aproximadamente quatro anos.

As soluções mirabolantes criadas pelo engenheiro Mark Watney para tentar resistir até o retorno de uma nave terrestre são um dos pontos altos do livro.

Na internet, Andy Weir foi celebrado pelo bom uso de seus conhecimentos científicos no romance e foi respaldado por empregados da própria agência espacial americana. “Recebi vários e-mails de funcionários da Nasa que gostaram bastante”, conta o engenheiro de software.

Na entrevista abaixo, o autor contou ter criado um programa de computador para simular a rota mais precisa entre a Terra e Marte presente em sua obra.

Entrevista. Andy Weir, engenheiro de software e escritor independente.

‘Sempre fui fã de viagens espaciais’

AndyWeir

Como surgiu a ideia do livro?

Estava imaginando como seria uma missão tripulada a Marte. Passei a considerar todas as formas possíveis de tudo dar errado e como a tripulação agiria. Percebi como essas vá- rias falhas poderiam resultar em uma história bastante inte- ressante. Depois levei três anos para escrever.

Sua formação como engenheiro ajudou na produção do livro?

Sempre fui grande fã de viagens espaciais tripuladas, en- tão comecei a escrever já com um enorme conhecimento da área. A partir daí fiz uma pesquisa enorme. Minha profissão também fez muita diferença. Eu precisei criar alguns programas de computação que simulassem a órbita do percurso que os astronautas fazem entre a Terra e Marte e depois o caminho de volta.

Como o livro acabou sendo publicado por uma grande editora?

Inicialmente eu postava cada um dos capítulos no meu site. Então resolvi publicar na Amazon para as pessoas lerem mais facilmente em seus e-readers. Vendeu muito bem e isso chamou a atenção dos editores da Crown, uma divisão da Random House.

E o quanto você precisou pesquisar além dos seus conhecimentos?

Gastei um tempo enorme fazendo pesquisas e toda a matemática do livro, mas eu gosto desse tipo de coisa, então não foi um problema pra mim. Para cada novo problema que o Mark enfrentava eu tentava encontrar a solução.

Depois que o livro foi lançado você parou de trabalhar como engenheiro?

Ainda estou trabalhando em tempo integral como engenheiro. Caso consiga um adiantamento para o próximo livro, pretendo largar o emprego e viver apenas como escritor.

Sobre o que será esse segundo livro?

Será uma ficção científica intensa, como The Martian.

Você soube de alguém da Nasa que tenha lido o livro?

Não soube de qualquer comentário oficial da Nasa sobre o livro, mas recebi vários e-mails de funcionários.

HQ / Literatura

Neil Gaiman e as histórias de fantasmas

Gaiman

Em um evento paralelo ao Ted em Vancouver, o Neil Gaiman apresentou ontem um ensaio sobre histórias de fantasmas. O pessoal do Brain Pickings gravou alguns trechos da fala do escritor. Ele tenta explicar o que torna os enredos de terror tão populares. Seguem os áudios publicados no Brain Pickings e a transcrição da primeira fala (se alguém topar traduzir, é só postar nos comentários, que eu atualizo e dou o devido crédito):

Why tell ghost stories? Why read them or listen to them? Why take such pleasure in tales that have no purpose but, comfortably, to scare?

I don’t know. Not really. It goes way back. We have ghost stories from ancient Egypt, after all, ghost stories in the Bible, classical ghost stories from Rome (along with werewolves, cases of demonic possession and, of course, over and over, witches). We have been telling each other tales of otherness, of life beyond the grave, for a long time; stories that prickle the flesh and make the shadows deeper and, most important, remind us that we live, and that there is something special, something unique and remarkable about the state of being alive.

Fear is a wonderful thing, in small doses. You ride the ghost train into the darkness, knowing that eventually the doors will open and you will step out into the daylight once again. It’s always reassuring to know that you’re still here, still safe. That nothing strange has happened, not really. It’s good to be a child again, for a little while, and to fear — not governments, not regulations, not infidelities or accountants or distant wars, but ghosts and such things that don’t exist, and even if they do, can do nothing to hurt us.

And this time of year is best for a haunting, as even the most prosaic things cast the most disquieting shadows.

The things that haunt us can be tiny things: a Web page; a voicemail message; an article in a newspaper, perhaps, by an English writer, remembering Halloweens long gone and skeletal trees and winding lanes and darkness. An article containing fragments of ghost stories, and which, nonsensical although the idea has to be, nobody ever remembers reading but you, and which simply isn’t there the next time you go and look for it.

Literatura

A capa americana do novo livro de Haruki Murakami

NovoMurakami

Colorless Tsukuru Tazaki and His Years of Pilgrimage é o mais recente livro de Haruki Murakami, foi lançado no Japão em abril de 2013. Hoje a editora americana do escritor confirmou o lançamento do livro em inglês pra agosto de 2014, mas a edição já está em pré-venda na Amazon. Aqui tem umas imagens da capa da edição japonesa, qual você prefere? Daí que vi essa notícia do lançamento do livro nos Estados Unidos, fui procurar umas coisas sobre o Murakami e acabei esbarrando com esse documentário da BBC sobre ele, produzido em 2011. Bem massa, olha aí: