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Posts com a tag Adrian Tomine

Cinema / HQ

Orson Welles, por Adrian Tomine

Semana pesada, deu nem tempo de passar direito por aqui, mas acho que a entrevista com Victor Bello sobre O Alpinista mereceu ocupar um espaço de destaque, na cabeceira do blog por uns diazinhos a mais, tô certo?

Dando uma atualizada pra arejar as coisas, mas com razão de ser. Esbarrei com esse retrato do Orson Welles assinado pelo Adrian Tomine publicado em uma edição da New Yorker de 2004. Vi lá no sempre excelente The Bristol Board.

HQ

Ghost World, por Adrian Tomine

Já esbarrou com essa página aqui em cima por aí? Se trata de mais uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, próximo álbum do Adrian Tomine, com lançamento previsto nos Estados Unidos para o primeiro semestre do ano que vem. No caso, a página em questão mostra o Tomine em uma sessão de autógrafos no Japão, em 2003, na qual ele é confundido com o Daniel Clowes, autor do clássico Ghost World.

Eu já tinha compartilhado algumas outras páginas da HQ por aqui, cê chegou a ver? Aos poucos começo a sacar que o livro se trata de uma espécie de coletânea de causos e experiências do autor da série Optic Nerve ao longo de sua carreira como quadrinista. Quero muito essa HQ. Aproveito a deixa pra perguntar: já leu a minha entrevista com o Adrian Tomine?

Cinema / HQ

Era Uma Vez em… Hollywood, por Adrian Tomine

O Adrian Tomine assina arte que ilustra a resenha da revista New Yorker sobre Era Uma Vez em… Hollywood, filme novo do cineasta Quentin Tarantino. Com estreia prevista nos cinemas brasileiros para o dia 15 de agosto, o longa é ambientado na Los Angeles de 1969 e tem os atores Brad Pitt e Leonardo DiCaprio como protagonistas.

Como já virou tradição antes da divulgação de um novo trabalho, às vésperas de revelar essa ilustração mais recente o Tomine apresentou algumas etapas de produção da arte na conta dele no Instagram. Reproduzo essas prévias divulgadas pelo autor a seguir, junto com o trailer do filme. Você lê a crítica da New Yorker clicando aqui.

Uma etapa da ilustração de Adrian Tomine para a crítica da revista New Yorker sobre Era Uma Vez em… Hollywood
Uma etapa da ilustração de Adrian Tomine para a crítica da revista New Yorker sobre Era Uma Vez em… Hollywood
Uma etapa da ilustração de Adrian Tomine para a crítica da revista New Yorker sobre Era Uma Vez em… Hollywood

[atualização com o rascunho inicial da ilustração, compartilhado por Tomine no Instagram após à publicação do post]

O rascunho de uma versão não utilizada da arte de Adrian Tomine para a resenha da New Yorker de Era Uma Vez em… Hollywood
HQ

Confira uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum de Adrian Tomine

Dá pra esbarrar com uma ou outra notícia relevante no meio da barulheira toda da San Diego Comic Con. O que vi de mais interessante até agora foi o anúncio da Drawn & Quarterly sobre os lançamentos do selo pra 2020, incluindo o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine, batizado de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist e com publicação prevista para o verão norte-americano do próximo ano.

Os editores do quadrinhos ainda não revelaram nenhuma sinopse da obra, mas esbarrei com uma prévia de seis páginas da HQ lá na seção Stories do Instagram da Drawn & Quartery. Essa prévia inicial é ambientada na San Diego Comic Con de 1996, quando Tomine concorreu ao Prêmio Eisner na categoria de Melhor História Curta em disputa que ainda contava com o Daniel Clowes e o Chris Ware e na qual o troféu acabou ficando com uma obra do Evan Dorkin – autor da série Beats of Burden.

Daí me pergunto: com Intrusos publicado português, dá pra ser otimista é cogitar que a porteira tá aberta pra mais trabalhos do Adrian Tomine por aqui? Enfim, enquanto isso, deixo a prévia, em baixa resolução, que printei lá da conta da Drawn & Quartery. Ó:

Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Entrevistas / HQ

Papo com Adrian Tomine, autor de Intrusos: “Já escrevi histórias de várias maneiras, mas o ingrediente em comum é o tempo. Gosto de pensar numa história durante bastante tempo, às vezes durante anos”

Intrusos é o primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado em português. O trabalho do autor só havia dado as caras por aqui antes em 11 páginas de Comic Book: O Novo Quadrinho Americano, publicado em 1999 pela editora Conrad. É muito pouco para um dos nomes mais interessantes da narrativa gráfica norte-americana e um dos principais representantes do universo dos quadrinhos autorais feitos nos Estados Unidos.

Ontem foi publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo a minha matéria sobre o lançamento de Intrusos no Brasil. Eu entrevistei Tomine e no texto apresento algumas falas dele sobre o desenvolvimento desse projeto e também sobre fazer e pensar quadrinhos e viver nos EUA de Donald Trump. O texto está disponível no site do jornal. Reproduzo a seguir a íntegra da entrevista – traduzida pelo tradutor/ pesquisador/ editor/ crítico Érico Assis (valeu, Érico!). Saca só:

“Quem lê meus quadrinhos teve que, de certa forma, correr atrás. São leitores que já se interessam pelo que eu faço ou, no mínimo, se interessam por quadrinhos”

Quadros de uma das histórias de Intrusos, primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil

Você pode contar um pouco sobre as suas principais referências? Quais obras foram essenciais para a sua formação como autor? O que você tem lido ultimamente?

Minhas primeiras inspirações vieram dos gibis da Marvel dos anos 1970 e dos Peanuts de Charles Schulz. Foi o que fez eu querer ser cartunista. Depois que eu cresci, tive influência muito forte dos gibis “underground” ou “alternativos” como Love & Rockets, Eightball e Yummy Fur. Também fiz faculdade de Letras-Literatura, que foi meu contato com livros que eu não teria lido de outro modo e que despertou meu interesse por literatura moderna. Li faz pouco um livro chamado Homesick for Another World [Saudades de Outro Mundo], de Ottessa Moshfegh, que gostei muito.

Eu fico curioso em relação ao alcance do seu trabalho. Você é bastante conhecido para o público de quadrinhos, mas também tem estado cada vez mais presente em revistas como New Yorker e outras não relacionadas ao mundo das HQs. Esses universos são muito diferentes para você?

São. Na prática, penso como dois empregos à parte, mas com certeza um influencia o outro. Imagino que eu não ia me contentar só com um.

Eu também fico curioso em relação à recepção do público em relação às suas publicações independentes e curtas e a republicação posterior em encadernados. Você acha que a experiência é muito diferente para os leitores?

Não sei direito. Acho que essa pergunta é para os leitores!

Quadros de uma das histórias de Intrusos, primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil

Eu gosto muito das cartas das edições avulsas de Optic Nerve. Quando você começou acho que cartas eram a principal forma de contato dos seus leitores com você e imagino que isso tenha mudado e o retorno se tornado mais fácil e imediato. Você sente essa mudança no relacionamento e na interação com os seus leitores?

Não mudou muito para mim, pois não divulgo meu e-mail e não estou no Twitter nem no Facebook. A melhor maneira de entrar em contato comigo é enviar uma carta para minha caixa posta. Sinceramente não sei como outros artistas conseguem ter o envolvimento direto com os leitores e ainda ter tempo de produzir!

Você relatou recentemente uma comoção negativa por parte dos leitores da New Yorker por causa de uma capa mostrando sua experiência em um acampamento com a sua família. É muito diferente o retorno que você tem de uma capa como essa do que a resposta que costuma ter com os seus quadrinhos?

Olha, quem lê meus quadrinhos teve que, de certa forma, correr atrás. São leitores que já se interessam pelo que eu faço ou, no mínimo, se interessam por quadrinhos. Mas a capa da New Yorker fica diante de um público muito maior, por isso às vezes a reação é outra. Às vezes vejo comentários que sugerem que a pessoa não tem familiaridade alguma nem com a ideia do cartunismo ou de ilustração, aí levam a imagem muito para o literal!

“A arte que é sincera, principalmente a que enfoca a interação humana, pode ter algo de universal”

Quadros de uma das histórias de Intrusos, primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil

Você começou a fazer quadrinhos ainda adolescente. Hoje você tem 44 anos e filhos. Imagino que sua leitura do mundo tenha mudado bastante durante esse período. O seu público também mudou? Quem você vê lendo os seus quadrinhos atualmente?

Quando faço sessões de autógrafos, fico muito contente quando vejo gente na plateia que amadureceu comigo e com meu trabalho, assim como gente que nem era nascida quando eu comecei a publicar. O público está mais diversificado, em todos os sentidos, e isso é gratificante.

Aliás, ter filhos e se tornar pai afetou de alguma forma o seu trabalho? O quanto essa experiência influencia nos temas e na produção da suas obras?

Ter virado pai é de longe a maior influência que houve no meu trabalho nos últimos dez anos. Mudou como (e quando) eu trabalho, mas também me mudou profundamente como pessoa, o que eu suponho que não tenho como deixar de transpassar no trabalho.

Há uma mistura de melancolia e tristeza que percorre o seu trabalho e de outros quadrinistas norte-americanos da sua geração. Você vê esse padrão? Você consegue elaborar alguma justificativa para o predomínio desses temas?

Sim, acho que você encontrou bem o ponto, mas não sei explicar.

“Eu me atraio por histórias que expressem uma experiência ou ponto de vista que seja singular e que se, por acaso, for bem desenhada ou tiver um design legal, melhor ainda”

Quadros de uma das histórias de Intrusos, primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil

O mundo tem ficado cada vez mais conservador, preconceituoso e xenófobo. Isso afeta o seu trabalho? Você se sente estimulado de alguma forma a tratar desses temas nos seus trabalhos?

Bom, isso que você falou afeta as pessoas de várias maneiras, e é importante manter as coisas em perspectiva. Tive dificuldade em botar o trabalho em dia nos últimos anos porque o noticiário anda muito penoso, deprimente, vergonhoso e não para nunca. Mas estou ciente de que há outros artistas nesse mundo que são afetados de forma direta e profunda pelas mesmas notícias que me afetam, mas de maneiras que nem tenho como imaginar. Ser afetado só no emocional é um grande privilégio.

O que você pensa ao ver o seu trabalho sendo publicado em um país como o Brasil? Você fica curioso em relação à forma como seu quadrinho será lido e interpretado em uma realidade tão diferente daquela em que você vive?

Sim, sempre fico curioso. Meus quadrinhos foram traduzidos para vários idiomas, publicados em lugares distantes, e eu nunca tenho noção de como são recebidos. Mas, ao mesmo tempo, é uma lisonja. Não é tão incomum eu pensar no meu trabalho traduzido, pois sempre me atraí pela arte, pelo cinema, pela literatura, pelos quadrinhos etc. traduzidos de outras línguas. Já descobri que a arte que é sincera, principalmente a que enfoca a interação humana, pode ter algo de universal.

O que mais te interessa em quadrinhos hoje?

Meu interesse primário nos quadrinhos, principalmente como leitor, continua o mesmo de vinte anos atrás. Eu me atraio por histórias que expressem uma experiência ou ponto de vista que seja singular e que se, por acaso, for bem desenhada ou tiver um design legal, melhor ainda.

“Já escrevi histórias de várias maneiras, mas o ingrediente em comum é o tempo. Gosto de pensar numa história durante bastante tempo, às vezes durante anos”

Quadros de uma das histórias de Intrusos, primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil

Você pode contar um pouco sobre o desenvolvimento de seus personagens? Você tem algum hábito particular de observar pessoas na sua rotina diária?

Acho que você trata de um ponto crucial: observação. Eu acredito que os tipos de histórias que eu crio são o resultado direto de eu observar, escutar e matutar… ou seja, por eu ser um introvertido que mais absorve do que interage com o mundo. Acho que também importa sempre se perguntar: “É assim que uma pessoa de verdade fala e se comporta? Ou eu estou me baseado no que eu vi na TV ou no cinema?” Às vezes essa resposta é complicada (principalmente porque muita gente de verdade fala de um jeito que tem muita influência da TV e do cinema), mas descobri que é um caminho importante para se chegar na escrita que é crível e que se identifica como humana.

As suas histórias costumam ter algum ponto de partida em comum? Você já sabe como cada quadrinho vai terminar quando começa a criá-lo?

Já escrevi histórias de várias maneiras, mas o ingrediente em comum é o tempo. Gosto de pensar numa história durante bastante tempo, às vezes durante anos. Posso não estar trabalhando nela direto, mas ela está lá num cantinho da cabeça, se remexendo, perdendo as arestas, evoluindo. Essa é uma grande sacada: deixar o subconsciente dar jeito na história que ela vai melhorar, como se acontecesse uma coisa mágica.

A capa da edição brasileira de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine, publicada pela editora Nemo