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HQ

O Maestro, o Cuco e a Lenda: Wagner Willian adianta a trama e as origens de sua próxima HQ e apresenta a construção de duas páginas da obra

Quem segue o quadrinista Wagner Willian no Facebook já está acompanhando algumas prévias divulgadas por ele de sua próxima HQ, O Maestro, o Cuco e a Lenda. O álbum será o primeiro trabalho em quadrinhos do artista em seguida ao sucesso de Bulldogma. Perguntei ao autor sobre o andamento da produção. Segundo ele, o livro já tem 1/3 finalizado. “Daqui a pouco chego nas partes complicadas do roteiro”, diz o Willian. “Existem algumas camadas dentro da história e saber posicioná-las vai ser difícil”, conta.

Pedi pro Wagner Willian uma prévia desse processo de produção e ele me enviou quatro versões de duas páginas da HQ. Ele também deu uma prévia sobre o enredo da obra e as origens da história desse novo trabalho, que começou como um livro ilustrado e acabou virando um quadrinho. A partir de agora, aspas do quadrinista:

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“A Lenda do Cuco surgiu em uma outra história, chamada Silvestre, sobre um velho caçador. Sem conseguir caçar nada, ele inventava e relembrava algumas lendas. Me pareceu tão peculiar que resolvi contá-la em um livro infantil de 32 páginas. Logo vi que eram insuficientes. Havia alguma coisa ali naquela história que merecia mais páginas. Subiram para 40. Eu já estava tomado pela lenda. Amaldiçoado seria a palavra certa. Precisava entrar em cada pedaço dela. Para isso, a narrativa em quadrinhos me pareceu mais eficiente, construindo um cenário à sua volta, como se a erigisse em um pedestal. Dobrei as 80 páginas esboçadas. E agora, em sua finalização, desisti de supor seu tamanho final.

Terrível maldição essa, que além do roteiro atinge também o estilo visual. Por algum motivo obscuro comecei por algo mais realista. Mas como você sabe, o traço sintético, estilizado, possui um apelo maior por comunicar mais rapidamente uma ideia, um gesto. Senti uma empatia mais forte com o personagem dessa forma. As páginas a seguir fazem parte do começo da história, quando o personagem retorna para o lugar onde viveu a infância. Dentre essa estilização você percebe que há uma mais dinâmica e outra mais ‘preciosa’. Para essa última versão, destrinchei a fala do avô em vários quadros, ressaltando o próprio texto ao conceber todo o gestual do personagem. Entendi que ao fazer isso, meu envolvimento enquanto leitor, tornou-se maior. Ou foi apenas mais um sintoma da Maldição do Cuco.”

Versão 1:

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Versão 2:

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Versão 3:

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Versão 4:

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HQ

O making of de uma sequência de duas páginas de São Paulo dos Mortos Vol. 03, por Daniel Esteves e Alex Rodrigues

A campanha de financiamento coletivo do terceiro volume da série São Paulo dos Mortos estará aberta no Catarse até o dia 28 de outubro de 2016. Até o momento, o projeto do roteirista Daniel Esteves conseguiu 104% da meta pedida na campanha, tendo arrecadado R$ 11.561,00. Assim como nas duas primeiras edições da coleção e em obras clássicas do gênero, São Paulo dos Mortos propõe uma reflexão sobre a sociedade em que vivemos a partir de um futuro próximo pós-apocalíptico no qual o mundo foi assolado por uma praga zumbi. No caso, como diz o nome da HQ, a história é ambientada em São Paulo.

Pedi para o autor da obra um especial nos mesmos moldes dos já produzidos pra cá por Dalton Cara, Liber Paz, Felipe Nunes e Murilo Martins, mostrando o passo a passo de um trecho do quadrinho. A sequência de duas páginas escolhida por Esteves antecede uma invasão de dois dos protagonistas do álbum ao Templo de Salomão, a sede da Igreja Universal do Reino de Deus – nas palavras do quadrinista, “aquele prédio grandioso e horrível localizado no Brás”.

O texto a seguir é de autoria de Daniel Esteves e apresenta cada uma das etapas de construção dessa sequência em parceria com o desenhista Alex Rodrigues. Cá entre nós, um tremendo serviço em relação a como construir um gibi e um enorme incentivo pra quem ainda não investiu na campanha do São Paulo dos Mortos Vol. 3. Saca que massa:

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MAKING OF – São Paulo dos Mortos
por Daniel Esteves
Ilustrações de Alex Rodrigues

São Paulo dos Mortos surgiu em 2013. Naquele ano viabilizamos no catarse e, junto a diversos artistas, publicamos o primeiro volume. Composto por cinco histórias, a motivação primordial para sua existência foram alguns fatos políticos da época. A principal história da edição, Carona para o Governador, falava sobre a violência da Polícia Militar e a respeito da criminosa reintegração de posse do Governo de São Paulo, contra a comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos. A HQ trazia inclusive a participação ‘especial’ do eterno governador de São Paulo Geraldo Alckmin. Além dessa, tivemos outras quatro histórias no primeiro e uma história no segundo volume, com o personagem ‘Mortoboy’, um motoboy que atua arrumando coisas difíceis para as pessoas durante o apocalipse zumbi.

Algumas ideias pro primeiro volume ficaram de fora. Entre elas uma onde um Pastor de uma igreja evangélica era mordido por um zumbi durante uma sessão de exorcismo. Outra ideia deixada pro futuro foi dum personagem dentista, que trabalharia nesse mundo novo arrancando dentes de zumbis para que as famílias pudessem continuar convivendo com o parente ‘zumbificado’.

Dito isso, falaremos sobre uma das histórias que estará no terceiro volume. Ambientada no Templo de Salomão, a sede da Igreja Universal do Reino de Deus, aquele prédio grandioso e horrível localizado no Brás, resgata a antiga ideia do Pastor, mas de forma diferente. Além disso, o Doutor (aquele dentista citado anteriormente), estará nessa HQ, assim como em outra do álbum. Teremos também o retorno do Mortoboy, fazendo parte dessa mesma história no Templo de Salomão. Apesar de no primeiro volume não trabalharmos muito com a ideia de personagens fixos, isso foi pensado no segundo e será parte grande do conteúdo do terceiro volume. Abaixo alguns esboços para os dois personagens citados, o Doutor e o Mortoboy, ambos feitos pelo ilustrador Alex Rodrigues. O Mortoboy é conteúdo produzido da segunda edição, já o Doutor é desenho novo.

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Normalmente eu escrevo todas as ideias no papel, depois vou criando personagens e ambiente (se isso for necessário, depende da história), e tento criar o máximo possível da história. A seguir penso em quantas páginas isso vai ter, mesmo que não consiga ser exato nesse processo, mas prefiro dividir a ação pelas páginas, para pensar no ritmo e no que eu conseguirei colocar na HQ. O que eu entrego para o desenhista é um ROTEIRO-FINAL dividido em páginas, decupado em quadros, com as descrições e textos de cada cena, porém, tentando ser o mais objetivo possível, e evitando tirar o espaço para a criatividade do desenhista. A seguir exemplo de duas páginas de roteiro:

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Com esse roteiro em mãos o artista (Alex Rodrigues) fez os primeiros thumbnails das páginas. A partir dele discutimos as cenas, e algumas coisas são repensadas, gerando outros esboços. Isso funciona muito bem com desenhistas que tenho um grande contato, como é o caso dele. Por exemplo, na quarta página o roteiro falava em 4 cenas, mas o Alex desmembrou uma delas, deixando a página com 05 quadros. Depois de me enviar o esboço a gente conversou e vi a necessidade de uma cena a mais para fechar a ação.

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Depois disso ele partiu para uma versão mais acabada da página, como o processo dele é todo digital então seria quase o equivalente a um lápis. Para não haver dúvidas batemos mais uma vez com o roteiro antes de ele finalizar.

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A seguir a finalização dele. Essas páginas ainda estão em processo de produção, faltando as onomatopeias e balões, que serão aplicados.

Normalmente esse é o processo de produção de uma página. O roteiro final que entrego aos desenhistas, os esboços que recebo, as conversas em cima disso, com sugestões de ambos os lados e a versão final. Algumas vezes as páginas saem mais facilmente, noutras demora um pouco mais.

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HQ

O making-of de uma página de O Segredo da Floresta, por Felipe Nunes

A HQ O Segredo da Floresta tem lançamento previsto pra setembro de 2016. Produção do Stout Club, o gibi tem argumento do Rafael Albuquerque e do Thedy Corrêa, que também assina o roteiro. O desenho é do Felipe Nunes e as cores são da Fabi Marques. Acompanho com atenção o trabalho do Felipe Nunes desde o lançamento de Klaus, pelo qual ele venceu o troféu HQMix na categoria Novo Talento Desenhista. Ano passado, ele publicou por conta própria o excelente Dodô.

Nas últimas semanas, a medida que O Segredo da Floresta começa a ser finalizado, o Nunes começou a adiantar algumas prévias do quadrinho na internet. Minha maior curiosidade no momento é ver um artista conhecido, até agora, principalmente por seu trabalho autoral, produzindo a partir do texto de outras pessoas. Também fico curioso em relação às cores no desenho dele, ainda mais por Klaus e Dodô serem trabalhos belíssimos em preto e branco.

Pedi pro Nunes escrever aqui pro blog sobre a produção de O Segredo da Floresta. Ele me mandou o making-of de uma página, do roteiro à versão finalizada, já com os balões e um teste do texto final. A partir daqui, quem escreve é o quadrinista:

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“O Segredo da Floresta conta a história de dois meio-irmãos, Lucca e Nina, filhos da mesma mãe, que depois de uma situação são obrigados a viajar só com o pai (dele) e alguns amigos pra pescar e acampar. Os dois não se dão muito bem e o acampamento é um jeito de tentar melhorar essa relação, mas aí algumas situações bizarras acontecem nessa floresta.

Tivemos algumas discussões sobre a história pra conseguir captar a essência de cada cena, como quadrinizar isso e tudo mais. Decidimos que o melhor seria escrever uma escaleta com todos os tópicos de acontecimentos da história, sem determinar o número de páginas que ocupariam e com diálogos de intenção, ou seja, apenas demonstrando o que cada personagem falaria em cada cena. Como é minha primeira experiência com roteiro de outra pessoa, acho que isso foi até positivo pra me dar um pouco mais de liberdade na hora de decupar as páginas, de entender o ritmo e acrescentar algo da minha própria bagagem com quadrinhos. O roteiro vinha mais ou menos assim:

14 – Página inteira que apresenta Lucca, no seu quarto, com Dita, arrumando a sua mochila para o passeio. Nota-se o seu computador e decoração de um pequeno nerd.

15 – Página oposta, inteira também, apresentando Nina, no seu quarto, arrumando a sua mochila, visivelmente irritada com o passeio eminente. No quarto dela podemos mostrar alguma referência a música (rock?), alguns troféus (volêi?) e coisas de menina.

Conversando com o Thedy e o Rafa, achamos melhor juntar essas duas cenas em uma páginas só. Depois de algumas ideias, achei legal essa solução onde os quadros são contrapostos nas diagonais da página. Sabia que queria uma visão de cima, mas não fazia a menor ideia de como desenhar isso.

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Depois que eles acharam que a ideia poderia ficar legal, comecei o lápis. Meu processo tem sido bem mais complicado do que já foi, por alguns motivos.

Meu lápis é naturalmente bem sujo, cheio de traços, não costumo apagar SEMPRE que erro e isso acaba virando uma salada bizarra que dificultava muito na hora de passar a arte final, por não saber direito que linha era a certa (hahahha) e pelo sebo que o grafite fazia no papel. Decidi começar a usar um sulfite tosco, normal, pra fazer o lápis. Mas também no formato A3, ao contrário de muita gente que chega a fazer no A4 e depois ampliar.

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Essa é a etapa mais difícil, onde preciso ir atrás das referências pro quarto dela (que por ser rabugenta e meio adolescente pensei em bandas de post-punk de atitude, geralmente com mulheres ou algo do tipo). Pro quarto do Lucca, precisava acomodar Dita, a cadela dele (e ponto central da história) na cama e, depois de pensar sobre o que ele faria na história, sugeri alguns pôsteres de filmões de terror ou aventura.

Enquanto o quarto dele deveria ser mais arrumado, o dela teria de ser uma zona. Enfim. Desse ponto, depois de pronto, escaneio, transformo em CMYK e mantenho apenas o Cyan (aquele azulzinho delícia), pra daí diagramar nas proporções, consertar algo e reforçar os requadros e imprimir num Canson decente, a uns 20-30% de tinta. Nesse ponto ainda consigo fazer pequenas alterações com lápis antes da arte final, caso ache necessário

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A arte final eu faço com um pincel n.0 (podendo alternar com um pincel n.2, que usava pra tudo até esse quadrinho, e uma caneta nanquim 0.8) e nanquim normal (alterno entre o Talens de 50 paus ou aquele Acrilex tosqueira de 3 hahahha Ambos funcionam super bem.

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Depois de escaneada em CMYK, costumo usar o canal do Magenta ou do Amarelo (o que tiver menos resquício daquele fantasminha azul ), transformo em tons de cinza e trato os Levels e aplico um Threshold, pra deixar a imagem apenas em Preto e Branco, sem pontos de cinza. Pro meu desenho isso funciona, porque não trabalho com aguada, mas com um desenho mais blocado no contraste, sem variação tonal.

A partir daí, limpo a página e mando pra Fabi, que está fazendo a cor. Geralmente eu tento passar um direcionamento do que acho que caberia na página, às vezes eu e o Rafa damos alguns palpites do que pode ficar massa mas pra essa em específico ela fez toda por conta e, até agora, ficou a mais legal das que temos prontas.

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Os balões também não tão na minha responsabilidade, então esse quadrinho tem sido pra mim um processo de desapego com o material final.

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Tudo fica mais fácil nessa divisão de etapas e é uma maneira diferente de trabalhar, já que sempre estive acostumado a cuidar de toda a parte gráfica sozinho. A experiência do gibi tem me ajudado muito a entender melhor o que faço, principalmente com os pontos e as sugestões que o Albuquerque levanta em narrativa, enquadramentos. Ele tem uma visão bem diferente de quadrinhos do Fábio Moon e do Gabriel Bá [de quem Nunes é estagiário], por exemplo, e é muito bom ter essa ótica pra acumular possibilidades.

O quadrinho, se Deus quiser, sai em setembro. Cruzem os dedos: tô trabalhando pra isso hahaha”

HQ

Liber Paz e os dois momentos da produção de Dias Interessantes

O quadrinista Liber Paz lançou sua segunda HQ impressa na mais recente edição do FIQ. De acordo com o autor, Dias Interessantes é “uma história em quadrinhos sobre boas intenções, escolhas difíceis e aquelas coisinhas intangíveis que chacoalham as nossas almas”. Com um belo roteiro, designs de páginas muito bem pensados e ótimos diálogos, a HQ conta a história de um casal às vésperas de um término inevitável surpreendido com uma gravidez inesperada.

Dois anos após chamar atenção por sua estreia em As Coisas que Cecília Fez, Paz produziu uma HQ madura, cheia de referências a cultura pop, na qual ele investe em possibilidades de paginação e texto pouco exploradas em gibis nacionais. Recomendo fortemente a leitura da resenha de Dias Interessantes feita pelo Paulo Cecconi no Blog da Itiban.

Pedi para o quadrinista fazer uma espécie de making-of de Dias Interessantes. O resultado foi um relato curioso e detalhado sobre os dois principais momentos da produção da obra. O texto a seguir é assinado por Liber Paz:

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HQ

Dalton Cara e a queda de Don Juan

As onze páginas do quinto capítulo da HQ Don Juan di Leônia são o ponto alto da obra recém-lançada do quadrinista Dalton Cara. Sobre o empenho de três vítimas do lendário conquistador em conseguirem suas vinganças, o álbum mostra um acordo feito pelas mulheres com o diabo para que elas alcancem seus objetivos. Enquanto isso, o protagonista tenta fugir das armadilhas arquitetadas pelo quarteto. O enredo do livro é um detalhe perto do apuro visual de Cara. Ápice do quadrinho, o capítulo cinco do gibi mostra um flashback essencial ao desenrolar da trama, durante uma queda do herói da história. É digna de nota a forma como o artista aplica sua bagagem como infografista e designer de jornais e revistas para administrar e gerenciar as informações distribuídas em cada quadro.

Pedi para o quadrinista que ele fizesse um making-of da produção do capítulo em questão. Ele me mandou alguns comentários, o roteiro e o passo a passo da ilustração de três páginas. O texto em itálico é de Cara. Saca só que massa:

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HQ

O making-of de Murilo Martins para o cartaz da Ugra Zine Fest 2015

Está marcada para os dias 19 e 20 de setembro a 5ª edição da Ugra Zine Fest, um dos principais eventos de quadrinhos, zines e publicações independentes do país. Ainda em construção, a programação do encontro está disponível lá no site da Ugra – que está frenética em 2015, como você deve ter lido na minha entrevista com o Douglas Utescher. O cartaz do evento ficou por conta do Murilo Martins, que também deu as caras por aqui recentemente. Corri atrás do Murilo pra ele ma falar da produção da peça. Batemos um papo rápido e ele me contou o passo a passo da obra. Saca só:

Quando o Douglas te pediu para trabalhar nesse cartaz?

Acho que foi no começo de maio. Ele me perguntou se eu faria o pôster da Ugra Zine Fest desse ano e eu topei na hora. Eu adoro pôster, pra mim é o filé dos trabalhos de design – um pôster de festival de zines e quadrinhos então…É tipo “dream job”.

Qual conceito ele pediu pra você explorar?

Só me pediu o básico: o evento acontece num determinado dia, num determinado local, tem esse texto e os logos de patrocinadores. Eu é que perguntei se ele queria alguma linha criativa específica, ou se tinha alguma coisa/cor/tema proibidos (trabalho com direção de arte faz tempo e sempre rolam uns direcionamentos). Mas nem, foi o famoso “tema livre”.

Dentro desse conceito, o que você pensou em fazer?

A ideia é bem simples, é até meio besta explicar: mostrar a diversidade de publicações independentes que rola no festival. Comecei a rabiscar e me veio essa imagem de “textura de personagens lendo coisas diferentes”. Mas quando eu comecei a fazer a conta de quantos personagens eu ia precisar, vi logo que era aquele tipo de ideia com um conceito simples, mas muito trabalhosa na execução.

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