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O potencial não aproveitado da série do Demolidor no Netflix

Minhas opiniões em relação à série do Demolidor pro Netflix ainda não estão inteiramente formatadas. O herói é meu personagem preferido da Marvel: ele tem a cronologia mais consistente, os melhores coadjuvantes, algumas das melhores histórias da editora e a personalidade mais elaborada. Os alter-egos de Homem de Ferro, Thor e Capitão América são extremamente rasos quando comparados com a bagagem de Matt Murdock. Isso tudo tornou imensa minha expectativa em relação a esses 13 episódios da série. De supetão, no calor do momento, logo após ter acabado de assistir a primeira temporada, não tenho dúvida: é um programa ótimo, mas a história não estaria na minha lista de melhores protagonizadas pelo vigilante da Cozinha do Inferno.

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Como A Queda de Murdock explica a relação entre o Universo Marvel no cinema e no Netflix

Dia 10 de abril estreia a série do Demolidor no Netflix. Tenho altas expectativas em relação a essas produções ampliando o universo cinematográfico da Marvel. Outro dia até falei por aqui do potencial desses seriados serem ainda melhores que os próprios filmes do estúdio. Uma das coisas que me faz acreditar nisso está ligada à própria dinâmica de uma série de TV. Claro, o que a Marvel está fazendo com seus filmes é tornar seus produtos para o cinema mais semelhantes a um seriado: cada longa é um episódio e cada uma das Fases que reúnem as produções é uma temporada. Também é possível fazer uma relação com revistas de histórias em quadrinhos: cada filme/episódio é uma edição, cada fase/temporada é um arco de histórias. Tendo cada uma das cinco produções do Netflix entre oito e treze episódios, cada arco poderá ser muito mais aprofundado que as obras para o cinema, óbvio.

GuerraInfinita

Apesar de Agents of S.H.I.E.L.D. ter encontrado seu rumo, ainda acho a série meio deslocada na cronologia do Universo Marvel. Tenho curiosidade em relação a como os fatos ligados ao enredo dos Inumanos serão inserido no filme do grupo, com lançamento em 2019. Acredito que os filmes continuarão determinando os rumos das séries. Sempre de cima pra baixo, do maior pro menor, e tudo relacionado a Inumanos será explicado no filme, como se Agents of S.H.I.E.L.D. jamais houvesse existido. A mesma regra valerá para as séries do Netflix. Talvez, em pelo menos uma das duas partes de Vingadores: Guerra Infinita, a galera toda dê as caras pro pau contra o Thanos. Será uma oportunidade única de juntar todo mundo num mesmo campo de batalho e mostrar o quão fodão é o inimigo da vez. Fala sério: quando você era pequeno e tinha seus bonequinhos, não deixava pro final da história uma luta épica envolvendo todo mundo? Pois é, esses são os bonequinhos do Kevin Feige e ele sabe que será a hora de reunir a tropa toda.

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Pensando nessa relação entre filmes e séries da Marvel lembrei de algumas cenas que retratam perfeitamente a relação entre os personagens desses dois contextos diferentes. Tá tudo em A Queda de Murdock, talvez a melhor história do Demolidor. Frank Miller estava no seu auge e David Mazzucchelli ainda era um artista de revistas de super-heróis. O vilão Bazuca está destruindo a Cozinha do Inferno, quebrando tudo enquanto enfrenta o Demolidor. O estrago é tão grande que os três principais Vingadores precisam dar as caras. Capitão América, Thor e Homem de Ferro chegam ao mesmo tempo pra controlar a situação. A cena é narrada do ponto de vista de Ben Urich, amigo do Demolidor. Ele deixa claro o desnível entre a simbologia dos quatro heróis ali presentes: o alter-ego de Matt Murdock é o cara que toma conta da Cozinha do Inferno e os três protegem o planeta. O mesmo conceito volta a a ser explorado mais pra frente na mesma obra, quando o Demolidor percebe a presença do Capitão América por perto e narra como seus sentidos estão detectando a presença de uma criatura superior.

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Por mais épicos que sejam os eventos narrados nos programas do Netflix, eles devem seguir essa mesma lógica. O que acontece na série, fica por lá, e isso é conveniente para engrandecer ainda mais os principais produtos da Marvel hoje em dia, os filmes e os personagens que compõem os Vingadores.

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Lembro de uma entrevista de Jeph Loeb quando as produções do Netflix foram anunciadas. Quadrinista de altos e baixos, ele ficou responsável por produzir os trabalhos da Marvel para televisão. Ele disse o que passou na sua cabeça quando viu no cinema o exército alienígena comandado por Loki surgir no céu acima da Torre Stark no primeiro Vingadores. “No Universo Marvel de verdade, dez quarteirões dali há um lugar chamado Cozinha do Inferno, habitado por Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Esses caras não estarão envolvidos em um incidente bélico intergalático”. Papum. A fala casa perfeitamente com os significados presentes nesses encontros de A Queda de Murdock. Dê um jeito de ler (ou reler) esse gibi até 10 de abril.

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Minha cronologia para o Demolidor e o trailer da série do herói para o Netflix

Acho que já comentei por aqui que o personagem da Marvel com as minhas histórias preferidas é o Demolidor. Também sei que já disse sobre a minha relação com cronologias de hqs: cabe ao leitor fazer uma seleção própria dos enredos que compõem a história de cada personagem. Tô longe de ter lido tudo lançado até hoje que seja protagonizado ou tenha participação do Demolidor, mas poucos heróis tem uma cronologia composta por histórias tão canônicas quanto o alter-ego do advogado Matt Murdock.

O conceito criado por Stan Lee e Bill Everett pro herói é ponto de partida pra versão definitiva da origem do personagem, O Homem Sem Medo, escrita por Frank Miller e com desenhos do John Romita Jr. Depois vou pras mais de 30 edições da série do personagem nos anos 80 comandadas por Frank Miller, quando foi concebida a versão que conhecemos do herói. Pulo pra uma das sagas mais dramáticas publicadas pela Marvel, A Queda de Murdock, também com texto de Miller e com a arte do David Mazzucchelli. Putz, que quadrinho. Nos final dos anos 90 tem um arco menor, mas essencial pra essa narrativa, assinado por Kevin Smith e com desenhos do Joe Quesada. Aí vou pra 2001, quando começa o arco de 55 números da revista do Demolidor com roteiro do Brian Bendis e ilustrações do Alex Maleev.

Tenho certeza que vou voltar a reler Demolidor um dia, mas a história do personagem poderia muito bem terminar exatamente no último quadro concebido por Bendis e Maleev. Claro, nem citei as histórias solo protagonizadas pela Elektra com texto do Frank Miller e mais um ou outro bom especial do herói. O negócio é que esses materiais que mencionei são obviamente a fonte de inspiração pros 13 primeiros episódios da série do personagem pro Netflix. Copiado e colado, dá pra ver pelo trailer. Sério: a gente tá distraído pela barulheira toda feita por essa galera dos Vingadores, mas acho que a obra-prima da Marvel fora dos quadrinhos pode muito bem ser essa leva de séries produzidas pelo Netflix.

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Disney/Marvel + Netflix

Escrevi pro site da Galileu sobre a parceria entre Disney/Marvel com o Netflix. Acho que tem potencial pra sair coisa mais legal que o os filmes protagonizados pelos Vingadores. Os quadrinhos do Brian Bendis entre 2001 e 2006 com os personagens presentes nesse acordo são das melhores séries que já li da Marvel. Minha matéria tá aqui.

 

Disney-Marvel e Netflix: o que esperar dessa parceria de gigantes

Contrato entre as empresas prevê quatro séries televisivas a partir de 2015

por Ramon Vitral

Dois universos em expansão uniram forças. A Walt Disney Company, dona da Marvel Comics, e a Netflix assinaram um contrato de proporções inéditas na semana passada: quatro personagens da editora norte-americana de histórias em quadrinhos ganharão séries exclusivas no canal líder de audiência pela internet a partir de 2015. O contrato prevê pelo menos uma temporada de 13 episódios para cada série, culminando em um seriado de menor duração, protagonizado pelo Defensores, o grupo composto pelos protagonistas dos programas individuais (Demolidor, Luke Cage, Punho de Ferro e Jessica Jones).

Produzidas em conjunto pela divisão televisiva da Marvel e os estúdios de TV ABC, as séries serão fruto do segundo acordo entre Disney e Netflix em pouco mais de um ano. Em dezembro de 2012, o canal foi escolhido pelo conglomerado californiano para exibir com exclusividade todos seus filmes na televisão por assinatura a partir de 2016 – seja da Marvel, um novo Star Wars ou qualquer lançamento da Pixar.

Em comunicado anunciando o acordo, o presidente da Marvel Enterteinment chamou o negócio de “sem precedentes”, ao casar a plataforma do Netflix e os enredos da Marvel. Provavelmente ambientadas no mesmo universo dos oito filmes protagonizados pelo Vingadores e pelo seriado Agents of S.H.I.E.L.D., as séries devem expandir os cenários da versão com atores das criações do quadrinista Stan Lee. No entanto, as produções televisivas a serem lançadas a partir de 2015 devem estar longe da abordagem de ficção científica de Os Vingadores, O Incrível Hulk, O Capitão América, dos três Homem de Ferro e dos dois Thor.

Os quatro heróis do acordo entre Disney e Netflix são extremamente urbanos. O mais popular deles, o Demolidor, ganhou filme em 2003, com Ben Affleck no papel principal. Assim como acontece até hoje com os personagens do Quarteto Fantástico e dos X-Men, na época os direitos de adaptações do Demolidor pertenciam aos estúdios Fox. No entanto, o contrato de licenciamento exigia determinado número de produções durante determinado período. O fracasso de público e crítica do longa com Affleck inibiu os produtores e os direitos retornaram à Marvel em 2012. Para não ter o mesmo prejuízo, em seguida à trilogia Homem-Aranha com o ator Tobey Maguire, a Sony deu nova encarnação ao herói, em O Espetacular Homem-Aranha, com Andrew Garfield.

Luke Cage e Punho de Ferro foram criados, respectivamente, em 1972 e 1974. Autoproclamados heróis de aluguel, a dupla atua em Nova York, em imediações próximas às do advogado cego Matt Murdock, alter-ego do Demolidor. Já Jessica Jones foi concebida nos anos 2000, em Alias (imagens), um dos títulos precursores do selo Marvel Max, a linha adulta da editora. Com vários poderes, Jessica chegou a trabalhar para os Vingadores, mas largou sua carreira para atuar como detetive particular. Entre 2001 e 2006, com roteiros assinados pelo escritor Brian Michael Bendis, a séries de quadrinhos de Jessica Jones e Demolidor foram interligadas ao longo de vários enredos, ainda com a presença de Cage e Punho de Ferro.

Em seu tumblr, o autor dos títulos celebrou a versão em live action da heroína:“Nunca pensei que esse dia ia chegar. O primeiro quadrinho da Marvel com a palavra fuck ganha seu próprio show!”.