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O potencial não aproveitado da série do Demolidor no Netflix

Minhas opiniões em relação à série do Demolidor pro Netflix ainda não estão inteiramente formatadas. O herói é meu personagem preferido da Marvel: ele tem a cronologia mais consistente, os melhores coadjuvantes, algumas das melhores histórias da editora e a personalidade mais elaborada. Os alter-egos de Homem de Ferro, Thor e Capitão América são extremamente rasos quando comparados com a bagagem de Matt Murdock. Isso tudo tornou imensa minha expectativa em relação a esses 13 episódios da série. De supetão, no calor do momento, logo após ter acabado de assistir a primeira temporada, não tenho dúvida: é um programa ótimo, mas a história não estaria na minha lista de melhores protagonizadas pelo vigilante da Cozinha do Inferno.

O elenco é o ponto alto do programa. Charlie Cox, Deborah Ann Woll e Elden Henson foram muito bem escalados pra compor o trio Matt-Karen-Foggy. Vondie Curtis-Hall é um tremendo Ben Urich e o Wilson Fisk de Vicent D’Onofrio é um personagem maior na televisão do que em sua versão original nos quadrinhos. A Enfermeira Noturna de Rosario Dawson e o Stick de Scott Glenn também matam a pau. Aliás, a partir da aparição do mestre do herói, seguida por um tremendo episódio sobre a infância do Rei do Crime, o programa ganha muita qualidade. O problema pra mim é nunca chegar lá, no potencial que uma série de 13 episódios do Demolidor possui.

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São bastante ingênuas as estratégias de Karen e Urich pra incriminar Fisk. A violência é explícita e as lutas muto bem coreografadas, mas ainda plásticas demais. A fotografia tem aquela cara limpa de filme da Marvel, falta sujeira nas ruas e sinto falta de uma certa granulação nas imagens. É o mesmo universo dos Vingadores, mas o contexto é diferente, não basta ser mais escuro, falta uma distinção estética em relação à turma do Capitão América. Nos flashbacks do passado de Fisk há essa versão mais granulada da imagem e o ganho é imenso.

Acompanho com atenção cada passo da Marvel como estúdio e considero histórico e muito bem-sucedido o esforço da empresa em construir seu universo em live action. Entendo que há uma fórmula por trás desse sucesso, uma estética própria sendo seguida e uma imensa linha de raciocínio focada em um público que tornou a Marvel em um dos estúdios mais poderosos de Hollywood. O Demolidor do Netflix está 100% de acordo com essa lógica e é um tremendo produto construído dentro desse padrão. O meu problema pode ter sido criar uma expectativa errada em relação a essa obra. Vi em alguns instantes, quase todos protagonizados por Fisk, um tom acima das demais aventuras da Marvel. Um potencial dramático épico, com cara de ópera, a altura dos enredos do Demolidor nos quadrinhos.

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Ok, o saldo é positivo, apesar de eu não ter sido tão receptivo quanto a maior parte do público. A longo prazo, talvez, essa primeira leva de episódios pode ser tão inocente para a cronologia do personagem no Netflix quanto os primeiros quadrinhos do herói, com o uniforme amarelo. Não faltam enredos para isso e vi referências e pontas-soltas de sobra para que aconteça. É o Demolidor, cara. É preciso distinguir a realidade dele do mundo colorido e de piadas de Tony Stark, Peter Quill e, em breve, Scott Lang. A vida de Matt Murdock é uma tragédia sem fim, sinto muito.

A médio prazo, pelo menos até o lançamento de Inumanos, prevejo sucessos e mais sucessos pra Marvel. Acredito que Kevin Feige tenha consciência da necessidade do estúdio se reiventar em seguida ao fim da Fase 3. Pensava que as séries do Netflix já começariam a dar esse novo passo, o que não aconteceu em Demolidor. Vingadores: Era de Ultron e Homem-Formiga vão me alegrar aos montes, mas serão mais do mesmo. Aguardo a chegada do seriado de Jessica Jones com a mesma expectativa que criei por Demolidor. Quero algo maior da Marvel.

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PS: me recuso a acreditar no destino dado a Ben Urich.

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