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Posts de Ramon Vitral

HQ / Matérias

Joe Sacco fala sobre Palestina, conflitos, extrema-direita e Rolling Stones

Entrevistei o quadrinista e jornalista Joe Sacco para o jornal Folha de S. Paulo. O ponto de partida da conversa foi o lançamento da nova edição brasileira de Palestina, cânone do jornalismo em quadrinhos, pela editora Veneta. Falamos sobre o que mudou nos 30 anos desde sua ida ao Oriente Médio para a produção do livro, ele comentou sua opção por narrar seus trabalhos sob a perspectiva civil, apontou paralelos entre conflitos motivados pela posse de terras em diferentes países, lamentou a ascensão de governos de extrema-direita e de discursos e práticas anti-Palestina e adiantou um pouco sobre uma HQ que está produzindo sobre os Rolling Stones.

Você lê o meu texto sobre Palestina, com algumas das falas de Joe Sacco, clicando aqui. Na imagem no abre do post, foto do arquivo pessoal do autor, com ele entre entrevistas, em um campo memorial militar em Jerusalém no início dos anos 1990.

Página de Palestina, HQ de Joe Sacco publicada pela editora Veneta (Divulgação)
Entrevistas / HQ

Papo com Ed Brubaker, autor de Pulp e Criminal: “De repente, é como se algumas pessoas não quisessem admitir que os nazistas eram os bandidos”

Não lembro do meu primeiro contato com um quadrinho com roteiro do norte-americano Ed Brubaker. Talvez tenha sido Batman – O Homem que Ri ou a série Gotham Central, originalmente publicada em português como Gotham City Contra o Crime. Lembro que gostei muito das duas leituras, mas só passei a dar atenção especial aos trabalhos dele após ler os primeiros encadernados de Criminal, lá para o fim dos anos 2000.

Há alguns meses reli os primeiros Criminal, terminei a série e fui atrás de outros títulos do roteirista em parceria com o ilustrador Sean Philips. Me impressiona a regularidade e o volume de trabalho dos dois. Eles não se propõem a refletir ou experimentar em relação às possibilidades da linguagem dos quadrinhos, mas são claros e extremamente eficazes em sua proposta de divertir.

Aproveitei o anúncio do lançamento de uma série de títulos de Brubaker e Philips em português, pela editora Mino, e fui atrás do roteirista. Entrevistei o escritor e transformei esse papo em texto para a edição de julho da Sarjeta, minha coluna sobre histórias em quadrinhos no site do Instituto Itaú Cultural. A conversa rolou no início de junho, algumas semanas antes dos dois troféus do Prêmio Eisner recém-conquistados pelo autor – melhor novo álbum gráfico, por Pulp, e melhor quadrinho digital, por Friday, parceria com Marcos Martin.

O foco principal da entrevista com Brubaker foi em Pulp, primeiro dos títulos dele com Philips a ser lançado pela Mino. Mas ele também falou sobre a construção do universo de Criminal, comentou sobre sua dinâmica de trabalho com o parceiro criativo de mais de 20 anos e expôs algumas das mágoas que guarda de sua passagem pela Marvel. Você lê a Sarjeta clicando aqui e confere, a seguir, a íntegra da minha entrevista com Ed Brubaker:

“É um faroeste, mas ambientado na década de 1930”

Quadros de Pulp, HQ de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

Eu quero começar sabendo como você está. Como você está lidando com a pandemia? A pandemia afetou de alguma forma a sua produção e a sua rotina diária?

Sim, para o bem e para o mal. Finalmente voltei a ler livros o tempo todo, o que é bom, e decidimos fazer graphic novels em vez de séries mensais, então o trabalho foi realmente produtivo. Mas não saí muito, nem fiz muitos exercícios, e estou pagando por isso agora, tentando voltar um pouco à forma.

E como você acha que isso vai afetar o seu ambiente profissional? Imagino que você esteja conversando com outros autores e com seus editores sobre isso tudo. Como você acha que isso pode mudar a forma como se produz e vende quadrinhos?

Eu não sei, honestamente. Acho que intensificaram coisas como a publicação via Kickstarter, mas as grandes editoras americanas parecem ter sobrevivido muito bem. Na verdade 2020 foi um dos maiores anos para os quadrinhos em muito tempo, eu acho, em termos de vendas. Mas acho que mais pessoas estão pensando em vender direto aos consumidores e coisas do tipo.

Pulp é protagonizado por fora-da-lei aposentando tentando viver em um ambiente urbano, mas não apenas. Qual era a sua proposta quando você começou a escrever esse quadrinho?

O livro foi feito principalmente para ser um estudo de personagem sobre um fora-da-lei que envelhece à medida que o fascismo está varrendo o mundo. Vendo aquela ligação entre os proprietários de terras do Velho Oeste com seus próprios exércitos privados, e a semelhança entre isso e o fascismo, como o capitalismo sempre teve esse lado sombrio. No final das contas, é um faroeste, mas ambientado na década de 1930.

“Pulp também é sobre eu quase morrendo”

Página de Pulp, HQ de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

Quadrinhos seguem sendo vistos por muitos como obras escapistas. Qual você considera o papel de bons escapismos em contextos tão tristes e pessimistas como o cenário de Pulp e a atual realidade mundial?

Eu acho que realmente depende. Eu sei que nos últimos anos, do jeito que o mundo tem andado, eu tive menos interesse em escrever histórias deprimentes, e quero trazer algo mais divertido para nossos leitores… Mas eu sempre tendo a adicionar algum tipo de tragédia ou tristeza de alguma forma. Isso é apenas vida, eu acho. Quero que as pessoas possam se identificar com as histórias que contamos, bem como se distrair um pouco com elas. Mas é possível fazer as duas coisas. Eu acho O Grande Gatsby tanto imensamente divertido quanto incrivelmente comovente, então esse é sempre o objetivo.

Você pode me falar, por favor, sobre a sua relação com publicações pulp? O que você vê de mais interessante nelas?

Tenho muitas lembranças nostálgicas desse tipo de coisa, desde a infância. Havia essas brochuras de Men’s Adventure quando eu era criança – como The Executioner, The Destroyer, etc – e também reimpressões de personagens antigos como Doc Savage e Conan, com capas pintadas realmente incríveis. Essas coisas realmente me atraíram, e ainda gosto da aparência de todos esses livros daquela época. A estética da coisa toda. Isso é o que nos inspirou, recentemente, para os livros de Reckless, a aparência e sensação daqueles velhos livros de bolso dos anos 1960 e 1970.

Acho que uma grande sacada de Pulp é ser um quadrinho pulp sobre obras pulp. O que veio primeiro: a história de Pulp ou a ideia de desenvolver um quadrinho pulp? Ou veio tudo junto (uma HQ pulp sobre obras pulp)?

Tudo começou porque Sean queria um faroeste e eu não tinha nenhuma ideia. Então comecei a pensar em meus filmes de faroeste favoritos, e aí me lembrei que havia alguns homens nos anos 1930 que afirmavam ser o Butch Cassidy (nenhum deles realmente era, no fim das contas) e a partir daí a história começou a se encaixar. Gostei da ideia de um velho fora-da-lei escrevendo histórias pulp que eram a versão mais feliz de sua juventude.

Além disso, o livro também é muito sobre eu quase morrendo e me preocupando em deixar minha esposa sem nada. Isso me assombrou por cerca de um ano antes de eu finalmente escrever Pulp, então foi uma maneira de processar esses sentimentos como ficção.

“Várias pessoas me acusaram de ser um esquerdista maluco”

Página de Pulp, HQ de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

Vivemos um período de ascensão do fascismo em todo o mundo. Foi de alguma forma satisfatório para você ter um herói em uma missão de encarar fascistas?

Sim, eu pensei que seria muito “pulp” ter os bandidos como nazistas, mas sendo o mais realista possível. Todas aquelas coisas no livro realmente aconteceram em Nova York naquele momento. Muitas pessoas ainda ficam surpresas ao saber sobre aquele comício nazista naquela noite, o que é triste. E várias pessoas me acusaram de ser um esquerdista maluco por fazer dos nazistas os bandidos de uma obra de ficção histórica, o que não passa de insanidade. De repente, é como se algumas pessoas não quisessem admitir que os nazistas eram os bandidos. Eu nunca pensei que isso aconteceria na minha vida, honestamente.

Aliás, a maior parte dos seus trabalhos que li são sombrios, violentos e pessimistas de diferentes maneiras. Você se considera uma pessoa pessimista? 

Acho que depende do dia. Sou pessimista em relação às pessoas e ao nosso futuro. Sou pessimista sobre as mudanças climáticas e nossa capacidade de lidar com elas. Mas na maioria das vezes eu tento não pensar sobre essas coisas e apenas vivo a minha vida da melhor maneira que posso e aproveitando cada dia. Às vezes escrevo coisas sombrias porque são histórias de crime e porque acho que tenho algumas coisas dentro de mim que precisam aflorar.

Apesar de My Heroes Have Always Been Junkies ser um spin-off de Criminal, ela funciona como uma obra autônoma, assim como Pulp. Como é essa experiência para você? Trabalhar tendo em visto um número limitado de páginas? Como esse tipo de restrição espacial contribuiu para o desenvolvimento das suas histórias?

Eu odeio ter que me preocupar com o tamanho de uma história. Prefiro apenas escrevê-las, sem ter uma contagem de páginas definida, mas por causa da realidade do mercado de quadrinhos e dos prazos, temos que ter um objetivo geral antes de começarmos a trabalhar, para descobrirmos quanto vai custar a impressão e coisas do tipo e quanto tempo o Sean vai levar para desenhar.

“Quando já está tudo desenhado, deixo o Sean maluco pedindo um monte de pequenos ajustes”

Página de Pulp, HQ de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

Você tem planos para outras obras fechadas como Pulp e My Heroes Have Always Been Junkies?

Não tem nada certo neste momento. Estamos fazendo livros com o dobro do tamanho agora, e acabando de terminar o terceiro do que será uma série de cinco em sequência.

Você pode me falar um pouco sobre a sua dinâmica com o Sean Phillips? Vocês são parceiros de longa data, como funciona a relação de vocês? Como um contribui para o trabalho do outro? Que tipo de troca ocorre entre vocês?

Fazemos o mesmo desde o início. Dou a ele uma vaga ideia de como será o livro e envio um roteiro de oito ou doze páginas por vez, ele desenha à medida que eu escrevo e nunca quer saber o que virá a seguir. Trocamos muitos e-mails e às vezes peço a ele para alterar algo que não funcione, mas na maioria das vezes nos entendemos perfeitamente. No final, quando já está tudo desenhado e com letras, eu deixo ele maluco pedindo um monte de pequenos ajustes no diálogo ou na narração, ou partes que quero cortar porque soa redundante.

Acho que as cores do Jacob Philips estão contribuindo imensamente para as suas parcerias com o Sean Phillips. Como é a sua dinâmica de trabalho com ele?

Assim como faço com o pai dele, eu envio ao Jake algumas instruções aqui e ali depois que as páginas chegam, e é isso. De vez em quando dou conselhos sobre carreira ou sobre Hollywood para seus outros quadrinhos. Normalmente apenas digo ao Jake o que gosto no que ele está fazendo. E quando Reckless estava começando, enviei a ele algumas fotos e cenas de filmes para ajudá-lo na paleta de cores de Los Angeles na década de 1980.

“Amo a sensação tátil de livros e quadrinhos, bem como as histórias que eles contam”

Página de Pulp, parceria de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

Sobre Criminal, o quanto você já tinha traçado desse universo quando deu início à série lá em 2006? Como se dá essa construção e costura das tramas de Criminal? 

Eu tinha os primeiros três ou quatro livros mais ou menos mapeados e as ligações entre alguns dos personagens. Mas muito disso é apenas instintivo. Eu escrevo todas as histórias que sinto que precisam ser escritas para aquele mundo e não planejo mesmo com antecedência. Por exemplo, enquanto trabalhávamos no ano mais recente de Criminal eu não fazia ideia que ia acabar contando o arco maior de história que tinha em mente desde o começo, Cruel Summer, mas então pareceu certo e fui lá e fiz.

Aliás, vocês têm planos de dar continuidade a Criminal após os eventos de Cruel Summer? Vocês consideram explorar outras tramas com coadjuvantes como fizeram em My Heroes Have Always Been Junkies?

Claro, sempre espero retornar a Criminal para mais histórias.

No ano passado entrevistei um ex-parceiro de trabalho seu, o Jason Lutes, por causa do lançamento da edição brasileira de Berlim. Ele me falou algo que passa para os alunos dele sobre a importância da clareza em uma HQ. Não que elas devam ser desenhados com clareza, mas que as intenções e a forma como você está se expressando devem ser claras. Vejo muita dessa clareza nos seus trabalhos. O que você considera mais importante quando está criando uma história em quadrinhos?

Contar uma boa história, provavelmente. Manter os leitores envolvidos e dar a eles uma história que valha à pena e todo um pacote que valha seu dinheiro. Eu amo a sensação tátil de livros e quadrinhos, bem como as histórias que eles contam. Mas sim, eu, o Jason e todo o nosso grupo de amigos na década de 1990… Tínhamos um grupo semanal que se reunia e conversava sobre quadrinhos e mostrávamos nossos trabalhos uns aos outros, e todos nós estávamos muito interessados em quadrinhos como uma forma de arte a ser explorada. Portanto, não me surpreende que tenhamos várias propostas semelhantes com os nossos trabalhos.

“A Image é como ter a sua própria editora com outra pessoa que investindo todo o dinheiro”

Quadros de Pulp, HQ de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

A Image é uma editora que trabalha com a manutenção dos direitos das obras com seus autores. Como tem sido a sua experiência com eles até aqui?

Excelente. A Image é como ter a sua própria editora com outra pessoa que investindo todo o dinheiro. Consegui um acordo único com eles, que nos permite fazer qualquer coisa que quisermos sem ter que apresentar ideias ou tentar ser comercial e essa foi a melhor coisa que já aconteceu na minha carreira. Liberdade total, propriedade total e controle de todos os aspectos da impressão.

Você falou recentemente sobre sua decepção com a ausência de créditos ao seu nome nas adaptações da Marvel para o cinema com o Soldado Invernal. Esse tipo de crítica e questionamento com as grandes empresas da indústria do entretenimento não é de hoje, mesmo lendas dos quadrinhos como Jack Kirby, Joe Simon e Joe Schuster sofreram com isso. Qual lição você tira dessa sua experiência com os Estúdios Marvel?

Não se trata de falta de crédito, mas de falta de pagamento por esse crédito. Eles percorreram uma longa estrada ao dar mais reconhecimento aos autores dos trabalhos que eles exploram, mas não vai muito além disso. Mas eu sabia que eles eram assim quando trabalhei lá, não é nenhuma novidade. Minha reclamação é mais específica à minha situação pessoal e às coisas que me foram prometidas. Não é surpresa que essas corporações gigantescas não queiram tratar os criadores de maneira justa, essa é a história do mercado editorial e do cinema.

Qual a memória mais antiga da presença de quadrinhos na sua vida?

São as tiras de jornal de Peanuts ou os desenhos animados da Marvel dos anos 60. Depois, quando eu tinha uns 3 ou 4 anos, meu pai deu para mim e para o meu irmão uma caixa enorme de quadrinhos que ele ganhou de amigos do escritório. Muitos quadrinhos antigos de várias editoras, Marvel, Archie, EC. Todo o tipo de coisa. Foi assim que vi pela primeira vez o Homem-Aranha.

Página de Pulp, obra de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

No que você está trabalhando no momento?

Estou tentando terminar o roteiro de Destroy All Monsters, o terceiro livro da série de graphic novels Reckless.

Fico curioso: o que você pensa ao ver o seu trabalho sendo publicado em um país como o Brasil? Você fica curioso em relação à forma como seu trabalho é lido e interpretado em uma realidade tão distinta da sua?

Sim, claro. E eu realmente espero que as traduções sejam ótimas.

Você pode recomendar algo que tenha visto, ouvido ou lido recentemente?

Claro. Se você conseguir encontrar, o sexto episódio da segunda temporada de Mythic Quest é um dos melhores episódios de série de televisão que já assisti. E recentemente assisti a todos os episódios de Columbo, que é bobo, mas divertido. No momento, estou atualizando os livros do [inspetor] Rebus, do Ian Rankin, eles são sempre viciantes.

A capa de Pulp, obra de Ed Brubaker e Sean Philips (Divulgação)

HQ / Matérias

Sarjeta #22: Ed Brubaker, Sean Philips, Pulp e Criminal

Está no ar a 22ª edição da Sarjeta, minha coluna mensal sobre histórias em quadrinhos no site do Instituto Itaú Cultural. Entrevistei o quadrinista norte-americano Ed Brubaker, coautor de Pulp, Criminal e outras obras que serão publicadas no Brasil em um futuro próximo pela editora Mino. Conversamos sobre as origens e o desenvolvimento de alguns de seus trabalhos mais recentes, as dinâmicas de sua produção com o ilustrador Sean Philips e algumas mágoas que ele guarda de sua passagem pela Marvel. Na entrevista que fecha a coluna, uma conversa com o quadrinista Bruno Guma, autor de Pile up e Pequena Green.

Você lê a 21ª Sarjeta clicando no link a seguir: Sarjeta #22: Ed Brubaker fala sobre HQs policiais, mágoas com a Marvel e boas histórias.

Entrevistas / HQ

Papo com os editores da revista Ragu: “São registros que nos ajudarão a compreender esse Brasil de hoje daqui a muitos anos”

A revista Ragu está de volta. Idealizada e editada por Christiano Mascaro e João Lin, a publicação teve oito números lançados entre março de 2000 (Ragu #0) e agosto de 2009 (Ragu #7), além de alguns spin-offs. A recém-lançada nona edição da revista (Ragu #8) reúne trabalhos de mais 40 artistas, convidados e editados por Mascaro e Lin na companhia dos jornalistas e pesquisadores Paulo Floro e Dandara Palakonf (também coeditores da revista Plaf).

Com capa assinada pelo artista gráfico alemão Henning Wagenbreth e publicada pelo Cepe HQ, a Ragu #8 é um dos mais importantes títulos e uma das mais belas publicações de 2021. A revista faz jus à história e ao legado de um das coletâneas mais celebradas das HQs nacionais. Aliás, sobre a história da revista recomendo a matéria A saga da revista Ragu, escrita por Dandara Palankof para a revista Plaf.

“A ideia era que as histórias refletissem o momento que vivemos, mas não queríamos impor”, me conta Mascaro sobre o pauta passada por ele e seus colegas de edição para os artistas convidados para a revista. “Não queríamos perder a liberdade característica da Ragu e nem queríamos uma edição panfletária, temendo histórias repetitivas. Também para evitar que ela eventualmente ficasse datada. Acho que acertamos”.

Mascaro respondeu às minhas perguntas junto com Lin, Floro e Palankof. Eles me contaram sobre as origens da Ragu, a produção e a curadoria dessa nona edição e o futuro da revista. Listo a seguir os nomes de todos os artistas participanto da Ragu #8 e, em seguida, a íntegra da minha conversa com os quatro editores. Saca só:

Aline Lemos, Aline Zouvi, Allan Sieber, Alves, Amanda Miranda, Ayodê França, Cau Gomes, Celso Hartkopf, Christiano Mascaro, Fábio Zimbres, Flavão, Flavush, Gabriela Güllich, Gomez, Greg, Guazzelli, Henning Wagenbreth, Jaca, João Lin, João Pinheiro, Julia Balthazar, Laerte Coutinho, Lalo, LoveLove6, Luiza Nasser, Mafé, Márcio Vieira, Mariana Waechter, Marília Marz, Miguel Carvalho, Miguel Moura, Nuno Sousa, Puiupo, Rafael Coutinho, Rafael Sica, Raoni Assis, Raul Souza, Rogi Silva (autor da arte que abre o post), Samuca, Silvino e Taís Koshino.

“Precisamos de válvulas de escape que carreguem criticidade e que nos permitam abstrair sem perder a noção do que se passa”

Arte da HQ de Amanda Miranda presente na revista Ragu #8 (Divulgação)

A nova edição da Ragu tem início com a reprodução de dois parágrafos da escritora Toni Morrison sobre o papel da arte em um mundo machucado e sangrando. A revista está sendo publicada pouco depois do Brasil passar a marca de mais de 500 mil mortos de COVID-19, em meio ao governo fascista de Jair Bolsonaro. Qual vocês consideram o papel de uma publicação como a Ragu dentro desse contexto?

João Lin: Considero que seja o mesmo papel de todo e qualquer coletivo que esteja antenado com o tempo que estamos vivendo e que acredite num Brasil democrático, com o mínimo que se deve esperar de uma democracia: a manutenção dos direitos básicos, segurança alimentar, educação de qualidade, saúde gratuita para a população e políticas públicas que garantam igualdade de direitos para os grupos historicamente excluídos e marginalizados.

Paulo Floro: Concordo com Lin que o momento atual pede que todos os artistas que acreditam na democracia tragam alguma contribuição para esse embate contra o fascismo. Não é um momento comum. O que me deixa realmente feliz é ver que a Ragu 8 poderá servir como um documento importante do papel dos quadrinhos de discutir questões urgentes a partir da sensibilidade e talento de artistas incríveis. São registros que nos ajudarão a compreender esse Brasil de hoje daqui muitos anos no futuro. 

Christiano Mascaro: Toni Morrison escreveu esse texto quando Bush filho assumiu a presidência. Imagina, ia piorar bem ainda. Estamos passando por um período já longo de muitas dores. O Brasil mergulhou numa crise política, institucional e econômica antes da pandemia, que só veio agravar e evidenciar essa condição em que nos encontramos. Precisamos de “válvulas de escape” que carreguem criticidade e que nos permitam abstrair sem perder a noção do que se passa. Mais do que isso. Que nos auxilie no entendimento dessa sandice toda e nos tire desse torpor.

Dandara Palankof: Acho que a Ragu sempre teve uma perspectiva política porque fazer arte como Mascaro e Lin se propõe sempre acaba levando a isso de uma forma ou de outra (as histórias do Menino de Rua Gigante são um exemplo muito claro). Quando essa Ragu começou a ser gestada ainda nem tínhamos chegado ao início da pandemia no Brasil (chegamos até a nos encontrar presencialmente antes disso), mas o desastre da atual presidência já era uma nuvem sobre as cabeças de todo mundo – até porque a gente vem nesse descalabro desde 2016. Então creio que a vontade de refletir sobre o estado das coisas acabou sendo meio natural, de tentar exorcizar um pouco esse nosso estado de exceção.

Eu queria voltar lá atrás e saber mais sobre as origens da Ragu. Vocês podem contar um pouco sobre o ponto de partida da revista? Como ela teve início? Qual era a proposta inicial de vocês com a Ragu?

Lin: A Ragu surgiu principalmente da nossa necessidade de publicar nossas histórias, ilustrações, cartuns, e de ver nas bancas uma revista de quadrinhos autorais, coisa que era rara nos anos 2000 quando fizemos a primeira edição da revista  (número zero). Ter uma publicação que “mirasse” na produção nordestina de quadrinhos também era nossa intenção, visto que era raro autores da região publicarem em revistas “nacionais”.  

Mascaro: As primeiras conversas sobre a Ragu acho que ocorreram em 1998, 1999. Ela saiu em 2000. Era um cenário em que o quadrinho estava muito em baixa. Mesmo o quadrinho mainstream estava sendo pouco publicado. Acho que o que resume bem nossa motivação original, e meio que ela segue como bússola, era fazer uma revista de quadrinhos que queríamos ver nas bancas (ainda existiam bancas). Nossa ideia também era a de publicar autores e introduzir outras vozes que estivessem fora do eixo Rio-São Paulo. Não era uma voz com sotaque necessariamente, apenas novos autores contando histórias próprias. À medida que ela passou a ser publicada ela foi ganhando público fora do Recife e aos poucos ampliamos nosso leque de colaboradores. Foi um processo natural de expansão do nosso alcance, tanto com leitores como colaboradores.

“Considero a produção dos quadrinhos hoje mais inventiva”  

Página de Rafael Sica presente na Ragu #8 (Divulgação)

E quais vocês consideram as principais diferenças, os maiores contrastes, entre o mercado brasileiro de quadrinhos da época da estreia da Ragu e o cenário atual, no qual a revista está voltando?

Lin: A quantidade de quadrinhos publicados (falo de quadrinhos independentes) era muito menor e a diversidade também. A possibilidade de publicar um livro de quadrinhos, uma história longa por uma editora era bem menor naquele cenário. Também considero a produção dos quadrinhos hoje mais inventiva, mais criativa, mais ousada, com um pé na realidade e muita liberdade para divagar e recriar mundos. 

Mascaro: Naquela época não tinha um mercado propriamente. Isso é um exagero e uma verdade ao mesmo tempo. De quadrinho nacional podemos dizer que não tinha mesmo (mercado). É algo muito recente. Essa pulsão de hoje é inédita. Ela é profundamente estimulante e inspiradora. O quadrinho brasileiro não só é compatível com o que se produz fora – mas é dos mais interessantes.

Por que voltar com a Ragu hoje? Como esse projeto teve início?

Lin: Desde a edição 7 da revista, fizemos algumas tentativas de retorno buscando financiamento via editais públicos, mas não tivemos sorte. Nunca paramos de buscar alternativas para editar a Ragu. Essa edição é resultado dessas tentativas.. 

Mascaro: Na verdade a gente nunca quis parar. Durante todo esse tempo aplicamos o projeto nas Leis de Incentivo a Cultura, ano a ano, mas nunca mais fomos contemplados. Ano passado conseguimos aprovar nosso projeto com a Cepe, que tinha criado um selo de quadrinhos e acolheu a Ragu.

“Nossa ideia foi estender a experiência da colaboração para a edição”

Quadros da HQ de Aline Zouvi para a revista Ragu #8 (Divulgação)

Por que chamar o Paulo Floro e a Dandara Palankof para coeditar esse novo número da Ragu?

Lin: Temos muita afinidade com Paulo e Dandara, quando vimos a Plaf já nos identificamos com a forma deles pensarem quadrinhos. A nossa aproximação foi se dando nas conversas sobre quadrinhos, nos espaços de reflexão sobre a produção gráfica-visual e na instigação para a criação de ações como festivais e mostra de quadrinhos e ilustração aqui em Recife. Essa parceria na edição também abria a possibilidade da Ragu chegar junto de autores e autoras dessa nova geração.

Mascaro: Nossa ideia foi estender a experiência da colaboração para a edição. Queríamos trabalhar junto com a Plaf, revista que admiramos e respeitamos. Carol não pôde porque estava terminando o doutorado. Paulo e Dandara são peças importantes para a qualidade que essa edição traz. Seus insights, ponderações e curadoria enriqueceram muito o produto final. 

Paulo e Dandara, o que representou para vocês trabalhar nessa nona edição da Ragu? Quais vocês consideraram o maior desafio desse projeto?

Floro: Pra mim foi uma honra participar desse projeto, pois a Ragu sempre foi uma referência importante pra mim desde que comecei a cobrir e acompanhar quadrinhos. Quando criamos a Plaf pensamos logo de cara em trazer uma reportagem histórica sobre a Ragu como forma de recuperar um legado que consideramos importante para os quadrinhos brasileiros, mas sobretudo para a cena artística aqui do Nordeste. O desafio para esta nova edição foi conectar o espírito inovador das primeiras edições da Ragu com este novo número, mas acho que conseguimos isso com a seleção de autoras e autores deste novo número. Essa seleção tem a cara da Ragu ao mesmo tempo em que insere a revista no contexto desse cenário atual dos quadrinhos, que é bem mais instigante e prolífico que no início dos anos 2000. 

Dandara: É o tipo de coisa que nunca imaginei que um dia faria, que estaria contribuindo em um projeto como esse, que significa tanta coisa, que tem tanta história. Eu até alguns anos era só uma leitora e entusiasta, às vezes acho até meio surreal. Acho que Paulo sintetizou bem, talvez o maior desafio tenha sido esse de pensar o que poderia ser essa nova Ragu, nesse momento do quadrinho brasileiro, nesse contexto sociopolítico. Mas a proposta que então Lin e Mascaro botaram na mesa pra essa edição foi perfeita nesses aspectos, a partir daí foi só uma questão de ir dando forma a ela.

Quadro da HQ de João Pinheiro para a Ragu #8 (Divulgação)

Queria saber como foi a dinâmica entre vocês na edição. Como foi esse trabalho em equipe? Como vocês distribuíram as funções de cada um?

Lin: Não pensamos antecipadamente como se daria o trabalho na edição, fomos construindo de maneira espontânea à medida que as demandas iam surgindo. As indicações dos nomes para a edição eram colocadas na mesa e todos juntos avaliávamos até chegar a um consenso. A relação/interação com os autores e autores se deu a partir da proximidade com os/as colaboradores/as. Cada um de nós se responsabilizou por um grupo de autores/as com os quais tínhamos maior afinidade.

Mascaro: Além de todos opinarem em tudo, dividimos por cada editor um número de colaboradores e a administração dessa troca (fazer contato, encaminhar e receber burocracia, acompanhamento da produção, etc). Tudo foi muito orgânico. Discutíamos sobre o que recebíamos e lapidamos juntos essa edição. Diogo, além de participar dessas discussões, foi nossa ponte na dinâmica com a editora. Eu também fiquei responsável pelo design – sugerindo a sequência das histórias para dar o ritmo da revista. 

“A ideia era que as histórias refletissem esse momento que vivemos”

Quadro da HQ de Aline Lemos para a Ragu #8 (Divulgação)

Vocês estabeleceram algum filtro ou recorte editorial para os trabalhos publicado nessa Ragu #8? Qual foi a encomenda feita por vocês aos artistas que participaram da revista?

Lin: Nós estabelecemos um tema/guarda-chuva que orbitava em torno da ideia de engajamento e posicionamento político diante do momento que vivemos. Apesar disso a liberdade nas abordagens tinha que ser garantida e até estimulada, assim garantimos uma diversidade de olhares e percepções ampla e sem restrições para a criação e experimentação. Acho que isso sempre foi presente na Ragu. A encomenda foi feita para contemplar esse “grande tema”, mas estimulando a livre expressão sobre ele.

Floro: Inclusive nós decidimos evitar comentar muito esse tema em releases e na própria Ragu, pois queríamos que as HQs falassem por si. Acho que a seleção deixa isso bem claro, esse ativismo artístico a partir da experiência da linguagem dos quadrinhos. 

Mascaro: Trabalhamos com o que chamamos de um “quase conceito” para a edição. Mandamos um texto sobre essa ideia para os colaboradores junto com o convite. A ideia era que as histórias refletissem esse momento que vivemos, mas não queríamos impor. Poderiam, claro, abordar de qualquer maneira. Diretamente, metaforicamente, sugerir ou ir direto ao ponto. Como quisessem. Os colaboradores também poderiam ignorar esse “quase conceito”. Não queríamos perder a liberdade característica da Ragu e nem queríamos uma edição panfletária, temendo histórias repetitivas. Também para evitar que ela eventualmente ficasse datada. Acho que acertamos. Ela é “quase temática”. Essa edição reflete o espírito do nosso tempo de maneira crítica, lúdica e estimulante. Também tem coisas completamente fora desse recorte. Esses “respiros” ajudaram a balancear a edição. 

Dandara: E acho que no fim esse “quase tema” funcionou melhor do que se houvesse uma proposta,  um conceito fechados, um briefing que direcionasse demais. As histórias são muito diversas, muito plurais em abordagens e estéticas. Mas para além de uma antologia que mostra os artistas sendo tão sinceros, por causa dessa liberdade, todas essas histórias meio que se entrelaçam em um outro plano, mas relações de causa e efeito vindas das estruturas nas quais se baseiam nossas relações e sistemas sociais. Creio que essa Ragu, em sua totalidade, acaba sendo uma bela representação disso que dificilmente poderia ser realizada de outro modo.

E como foi o trabalho de seleção dos artistas que participaram dessa nova Ragu? Quais foram os critérios de vocês? Por que chamar as pessoas que vocês chamaram?

Lin: Diversidade de olhares e de lugares de fala nos orientou nas escolhas. Além disso a “presença”, atuação, engajamento dos autoras e autores no momento atual com a sua produção gráfica nos ajudou nas escolhas. 

Floro: A Ragu 8 deixa bem explícito o quanto a cena atual de quadrinhos no Brasil hoje é diversificada. E falo isso em todos os sentidos, tanto do ponto de vista dos interesses artísticos, das temáticas, identidades, origens, estilos…

Dandara: Todo mundo trouxe vários nomes e jogou na roda meio que tentando antever, a partir das características de cada um, o que possivelmente eles trariam pra compor o que acredito que todos queríamos que fosse um grande mosaico. Daí somos quatro com muitas intersecções, mas muitas diferenças – e esse era o objetivo, creio que a pluralidade da edição comece desde a pluralidade dos nossos olhares. E no processo de chegar a esses consensos, talvez o que guiasse foi o entendimento de que todos ali teriam algo de pujante a “dizer” (e coloco entre aspas pq obviamente a gente não tá falando só dos aspectos mais literais). E acho que que foi um objetivo cumprido, não creio que haja uma só página nessa edição pela qual o leitor passa passar batido.

“A pluralidade de maneiras de propor narrativas denota uma maturidade incontestável do nosso quadrinho”

Página da HQ de Laerte e Rafael Coutinho para a Ragu #8 (Divulgação)

Gostei muito da capa. Por que convidar o Henning Wagenbreth? Vocês fizeram alguma encomenda em particular para ele?

Lin: O trabalho do Henning dialoga com essa perspectiva crítica presente na Ragu e especialmente nesta edição. Além disso é um cara que tem uma relação com elementos da cultura nordestina como a literatura de cordel. Em 2018 ele fez uma grande exposição em Berlin que envolvia essas referências da literatura de cordel no trabalho dele e da xilogravura como elemento presente na sua produção gráfica, no seu desenho. 

Mascaro: Tínhamos o desejo de convidá-lo há muito tempo. João conheceu ele anos atrás num evento em Porto Alegre, eu acho. E ajudou o Henning na pesquisa sobre cordel para uma exposição em Berlim. Quando conseguimos aprovar a edição o convidamos. Ele não seguiu, necessariamente, o “quase conceito” e fez uma capa linda. Ela tem muita força. Lembro que quando o convidamos ele respondeu: “se vocês acham que sou a pessoa certa eu topo”. 

Mando essas perguntas às vésperas do lançamento da revista, imagino que a edição já esteja fechada. Qual balanço vocês fazem do resultado final desse oitavo número? O que mais surpreendeu cada um de vocês?

Mascaro: Gosto muito da edição. Acho que ela marca o retorno do projeto traduzindo de maneira contundente não só o momento que estamos passando, mas também o momento do quadrinho brasileiro. A pluralidade de maneiras de propor narrativas, muito distintas entre si, todas poderosas, denota uma maturidade incontestável do nosso quadrinho. Outro aspecto muito importante nessa edição é a presença feminina. Quando a Ragu começou era bem raro. Incrível como mudou rápido.  Hoje elas são parte fundamental desse movimento no quadrinho brasileiro. É importante criar canais para essas novas narrativas – são muitos lugares de vozes que precisam ser contemplados. Acho que é isso que a Ragu sempre fez e acredito que continua fazendo. 

“A cada nova HQ que chegava todos ficávamos impressionados”

Quadros da HQ de Marília Marz para a Ragu #8 (Divulgação)

Aliás, vocês podem, por favor, cada um, comentar algum dos trabalhos impressos publicado nesse retorno da Ragu que tocou ou chamou a sua atenção por algum motivo específico?

Lin: Gosto muito da forma direta, de como se implica explícitamente a Aline Zouvi na sua HQ. A simplicidade do seu desenho. Me toca forte também a melancolia e desencanto do olhar de Sica, o pôster é muito forte com aquele cenário desolador. Os trabalhos de Zimbres e Jaca tem a pegada experimental e nonsense que me instigam e que tem uma presença marcante na história da Ragu.

Floro: Todos os trabalhos ficaram incríveis, a cada nova HQ que chegava todos ficávamos impressionados. Eu gosto muito da experimentação que Aline Lemos faz com o próprio suporte das HQs através da colagem e do lambe-lambe. Mariana Waechter também me chamou atenção por sua HQ que tem um clímax e plot twist bem interessante. E também gosto dos trabalhos mais experimentais como Zimbres, Flavush, Luiza Nasser. 

Dandara: Eu sei que pode parecer conversa de mãe que diz que não tem filho preferido, mas: todas. Sério. Todas. Por todas essas razões que a gente veio citando até aqui. E mesmo as histórias mais longas ainda são curtas, além das ilustras; e mesmo assim eu olho pra todas e vejo muita alma, muita entrega – e nisso incluo as páginas dos próprios Lin e Mascaro, que são dois monstrinhos. Acho que foi resultado da mistura do momento que a gente vive com a crença no projeto e na história da Ragu. Foi um privilégio enorme poder contar com artistas e obras nesse nível – e aproveito então pra agradecer mais uma vez a todos eles: obrigada por terem topado a empreitada, obrigada por esses trabalhos incríveis, obrigada por fazerem quadrinhos. A Ragu só existe por causa desse fogo. E falando nisso: obrigada a Lin e Mascaro (que são dois monstrinhos, já disse isso?) por nunca terem desistido de trazer a Ragu de volta. E obrigada por levar a gente pra junto pra participar desse momento.

Vocês têm planos para dar continuidade à revista após esse oitavo número?

Lin: Sim, estamos negociando com a Cepe a continuidade da Ragu (formato mix), mas também estamos com planos de outras publicações com o selo Ragu, como foi o caso da Ragu Cordel e da edição Domínio Público. 

Floro: A ideia com essa parceria com a Cepe é manter a regularidade de uma edição por ano da Ragu. 

A capa da revista Ragu #8, com arte de Henning Wagenbreth (Divulgação)

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Está no ar o Catarse da IMPRESSORAMA, caixa de experiências gráficas do Jão

Está no ar a campanha de financiamento coletivo recorrente da IMPRESSORAMA, nova investida de publicações impressas do quadrinista Jão. O projeto é voltado para a assinatura de uma caixa reunindo os trabalhos mais recentes do autor com histórias em quadrinhos: as novas HQs do universo PARAFUSO ZERO, que contam com a minha participação como editor, e as novas aventuras do guerreiro Flores, O Bárbaro. Você assina o Catarse da IMPRESSORAMA clicando aqui.

As publicações PARAFUSO ZERO presentes na IMPRESSORAMA consistem na contraparte física da PARAFUSO ZERO: Experiência, newsletter que você assina de graça na qual Jão explora outras perspectivas de seu mundo de superseres apresentado ao mundo em PARAFUSO ZERO: Vigilantes (2016) na companhia de Ing Lee, Jéssica Groke e La Cruz (com edição minha e revisão da jornalista Carolina de Assis). Você assina a newsletter PARAFUSO ZERO: Experiência, de graça, clicando aqui.

Páginas de Flores, O Bárbaro que estarão presentes na caixa da IMPRESSORAMA

Além dos meus textos e das minhas entrevistas com os autores envolvidos no projeto, cada uma das 20 edições semanais da newsletter ainda vai contar com uma história de Jão, uma página de Ing Lee para a história Dapdapada, uma página de Jéssica Groke para Querência e uma página de La Cruz para UÓ.

Os meus trabalhos com Jão em seu universo PARAFUSO ZERO começaram lá em 2018. Estamos conversando sobre as histórias e os desdobramentos de suas ideias para o seu universo de superseres há mais de três anos, sempre refletindo sobre como apresentá-las ao mundo. O projeto está ganhando vida após ser aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e tenho um orgulho imenso do que produzimos até aqui. Por isso, reforço o convite, assine a newsletter PARAFUSO ZERO: Experiência e apoie o Catarse da IMPRESSORAMA.

IMPRESSORAMA, nova investida de publicações impressas do quadrinista Jão

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Assine PARAFUSO ZERO: Experiência, nova newsletter do quadrinista Jão

O quadrinista Jão agendou para o dia 20 de julho o envio da primeira edição da newsletter PARAFUSO ZERO: Experiência, projeto que marca o retorno do autor ao seu universo de superseres. Fui o responsável pela edição dos quadrinhos e pela produção dos textos e das entrevistas presentes em cada uma das edições. Além de quadrinhos e ilustrações de Jão, a newsletter ainda conta com obras assinadas por Ing Lee, Jéssica Groke e La Cruz (e revisão da jornalista Carolina de Assis). Você assina a newsletter PARAFUSO ZERO: Experiência, de graça, clicando aqui.

Além dos meus textos e das minhas entrevistas com os autores envolvidos no projeto, cada uma das 20 edições semanais da newsletter ainda vai contar com uma história de Jão, uma página de Ing Lee para a história Dapdapada, uma página de Jéssica Groke para Querência e uma página de La Cruz para UÓ.

Os meus trabalhos com Jão em seu universo PARAFUSO ZERO começaram lá em 2018. O projeto está ganhando vida após ser aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Em um futuro próximo vamos tratar de outros desdobramentos dessa empreitada. Além da newsletter, também teremos algumas investidas impressas protagonizadas pelos mesmos superseres de PARAFUSO ZERO: Vigilantes, mas conto mais em um próximo post. Aguenta aí que logo mais volto com novidades.