Neil Gaiman e o futuro da mídia impressa

Passei os últimos dias na expectativa de esbarrar com algum vídeo do discurso que o Neil Gaiman fez na London Book Fair no começo da semana passada. Vi um monte de comentários e textos sobre a fala, mas até agora não achei nada gravado. A meia hora de papo dele foi sobre o crescimento do mercado de livros digitais e a mudança no papel das editoras. Traduzi alguns trechos que encontrei em sites lá de fora.

“As pessoas me pedem previsões para a mídia impressa e como o digital está mudando as coisas. Aí eu digo que a minha única previsão é que tudo vai mudar. Amazon, Google e todos essas coisas provavelmente não são os inimigos. Agora, os inimigos são aqueles que se recusam a entender que o mundo está mudando.”

“O modelo do futuro – o mesmo que tenho aplicado com enorme entusiasmo no meu blog desde que ele surgiu, em 2001 – é o de tentar tudo. Errar. Surpreender. Tentar coisas diferentes. Falhar. Falhar ainda mais. E ter sucesso de formas que nunca teríamos imaginado ano passado ou há uma semana. Estamos no limiar: podemos criar regras ou quebrar outras que ninguém nunca pensou em quebrar.”

“As pessoas me perguntam se deveríamos estar protegendo os portões com mais cuidado e eu digo sim, o que faz tanto sentido quanto qualquer outra opção. Podemos imaginar um mundo em que autores não ganham dinheiro por livros vendidos, mas cobraríamos por cada leitura. Ou então um mundo em que, ao comprar o livro impresso, você leva a versão para ebook e áudio. A verdade é que o que quer que possamos inventar provavelmente dará certo.”

“Suspeito que uma coisa deveríamos estar fazendo é criando livros mais bonitos, menores e melhores. Deveríamos explorar o fetiche do objeto e dar motivo para as pessoas comprarem objetos, e não só conteúdo, se queremos vender objetos.”

No final da fala, ele citou uma conversa que teve com o Douglas Adams sobre o assunto: “Perguntei se ele achava que os ebooks representariam o fim do livro impresso. Ele respondeu dizendo que tubarões existiam na época dos dinossauros e continuam a existir e o motivo disso é que não apareceu nada tão bom em ser um tubarão como os tubarões são. Da mesma forma, livros impressos são muito bons como livros impressos.”

 

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Ramon Vitral

Meu nome é Ramon Vitral, sou jornalista e nasci em Juiz de Fora (MG). Edito o Vitralizado desde 2012 e sou autor do livro Vitralizado - HQs e o Mundo, publicado pela editora MMarte.

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