Vitralizado

Posts por data dezembro 2019

Cinema / HQ / Séries

Até 2020!

Interrompo as atividades do Vitralizado por uns dias até o início de 2020. A menos que você seja um daqueles dois ou três que conferem o blog todo o dia, imagino que não faltarão posts antigos e leituras atrasados ao longo de umas possíveis duas semanas de folga que devo me dar. Então recomendo uma investida nos arquivos aqui do lado. Aliás, reuni por aqui as entrevistas e as matérias que realizei em 2019, chegou a ver?

Gosto dos rumos que o Vitralizado tá tomando, tenho cada vez mais clara pra mim a linha editorial do blog e também fica cada vez mais explícito como é importante eu estar me divertindo enquanto tô fazendo isso aqui. Diminuí o ritmo em 2019 e estipulei não mais do que 15 posts por mês, acho que isso contribuiu bastante pruma melhoria no conteúdo do blog. Menos posts, mas posts mais elaborados, reflexivos e propositivos.

Pretendo seguir nessa pegada em 2020 e logo mais estarei no seu aguardo outra vez. Enfim, é isso aí, agradeço a leitura e a companhia e desejo uma ótima passagem de ano pra todos nós. Inté!

(Peguei a arte que abre o post lá no The Bristol Board. Pin-up do Jaime Hernandez com as personagens Maggie e Hopey publicado originalmente no calendário Love & Rockets e depois republicada em Love & Rockets Library Vol. 15, lançado pela Fantagraphics em agosto de 1997)

O cartaz de 7 anos do Vitralizado, com arte de Giovanna Cianelli

Cinema / HQ / Séries

Vitralizado 2019: entrevistas

Acho que já comentei por aqui antes como o Vitralizado e as matérias que assino são uma imensa desculpa pra conversar com pessoas que admiro. Por isso as entrevistas que publico por aqui acabam sendo o conteúdo que mais gosto de produzir e compartilhar.

Como fiz com as minhas matérias publicadas em 2019, facilito também o esquema procê aproveitar seu tempo livre nas próximas semanas e reúno aqui os links de todas a entrevistas publicadas no blog nos últimos 12 meses. Muito papo bão, muita gente massa. Saca só:

Luciana Falcon * Afonso Andrade * Ing Lee e Larissa Kamei * Gabriela Gullich e João Veloso * Lobo Ramirez * Panhoca (aqui e aqui) * Jão * Sérgio Chaves (aqui e aqui) * Naoki Urasawa * Lelis * Kainã Lacerda * Una * Giovanna Cianelli * Diego Gerlach * Mitie Tekatani * Luiz Navarro * Victor Bello * Galvão Bertazzi * Fabio Vermelho * Jillian Tamaki * Chabouté * Paula Puiupo * Thiago Borges * Lucas Gehre * David Lloyd * Lovelove6 * Roger Cruz * Deborah Salles e Sofia Nestrovski * Helô D’Ângelo * Box Brown * Pedro D’Apremont * Tom Gauld * Jason * Érico Assis * Adrian Tomine * Ing Lee * Emily Carrol * Aline Lemos * Aline Zouvi * Rodrigo Okuyama * Marcello Quintanilha * Emilly Bonna * Emil Ferris * Rodrigo Rosa * Emilio Fraia * Guilherme Kroll * Claudio Martini * Rogério de Campos.

Cinema / HQ / Séries

Vitralizado 2019: matérias

Ó, 2019 chegando ao fim, 2020 quase aí, suspeito que não apareça mais nada de novo por aqui nos próximos dias. Na falta de novidades, vou facilitar o esquema procê aproveitar seu tempo livre nas próximas semanas e reunir os links de matérias e artigos que assinei por aqui e fora do blog ao longo desses 12 meses.

O Vitralizado é a minha base de operações, o núcleo da coisa toda, mas ele acaba me levando a outras publicações e espaços que ecoam o conteúdo do blog. Em 2019 rolaram colaborações com Folha de São Paulo, TV Globo, O Globo, UOL, Estado de Minas, Editora Globo e Revista Banda, além da minha coluna no site do Instituto Itaú Cultural. Ó:

Matérias: Naoki Urasawa fala sobre mangás, emoções, música e a exposição Isto é Manga * Lelis fala sobre tecnologia digitais, aquarelas, Photoshop e Reconexão * Jilian Tamaki fala sobre memórias de infância, mangás e Aquele Verão * David Lloyd fala sobre V de Vingança, distopias, facismo, Bolsonaro, Trump e Boris Johnson * Deborah Salles e Sofia Nestrovski falam sobre Viagem em Volta de uma Ervilha, gatos e coisas miúdas do cotidiano * Daniel Semanas fala sobre Roly Poly, k-pop e redes sociais * Box Brown fala sobre cannabis, racismo e a ilegalização da maconha nos EUA * Tom Gauld fala sobre Golias, solidão, melancolia e policiais lunares * Adrian Tomine fala sobre Intrusos, sua primeira edição solo em português * Marcello Quintanilha fala sobre futebol, memória e Luzes de Niterói * Mike Deodato Jr. fala sobre sua saída da Marvel e parceria com Jeff Lemire * Emil Ferris fala sobre Minha Coisa Favorita é Monstro.

Artigo: Tempo e espaço ao mesmo tempo: uma reflexão sobre como os quadrinhos expandem a narrativa sequencial mesmo sem precisar de outras mídias ou da internet.

Sarjeta: A vanguarda dos quadrinhos nacionais está fora do radar do grande público * Escória Comix e Pé-de-Cabra: respostas das HQs brasileiras a tempos sombrios * 2020 é ano de FIQ e Bienal de Quadrinhos, os principais eventos do calendário nacional de HQs.

HQ

Giovanna Cianelli, Paula Puiupo e o projeto gráfico de A Ilha do Tesouro

A designer e ilustradora Giovanna Cianelli assina o projeto gráfico de algumas das minhas publicações preferidas de 2019. Ela foi a responsável por pensar o visual de três lançamentos recentes da editora Pipoca & Nanquim (Sob o Solo, Gastaria Tudo com Pizza e A Floresta das Árvores Retorcidas), é dela o projeto de várias das belíssimas edições da Aleph nesse ano (incluindo parcerias com Rafael Coutinho e Marcela Cantuária e as artes matadoras da nova edição de Laranja Mecânica) e também coube a ela pensar os projetos gráficos da editora Antofágica. Também teve o cartaz de sete anos do Vitralizado, mas esse eu sou suspeito pra comentar.

Pela Antofágica, alguns meses após trabalhar com Lourenço Mutarelli na nova edição de A Metamorfose, de Franz Kafka, Cianelli voltou a trabalhar com uma quadrinista em A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson. A publicação conta com várias ilustrações de Paula Puiupo – que também já colaborou aqui com o blog assinando a oitava edição da Série Postal.

Ainda tô no meio da leitura dessa nova edição de A Ilha do Tesouro, mas tô curtindo um monte os conceitos explorados por Cianelli e a equipe da Antofágica com as ilustrações da Paula Puiupo. Pedi pra Giovanna Cianelli um pouco de bastidores desse projeto e ela enviou as as imagens e os comentários a seguir, contando o ponto de partida e o desenvolvimento da publicação. Ó que massa:

“Sobre as ilustras: produzimos um video com a Puiupo em que ela fala sobre o processo. Não sei se você chegou a ver:

“O lance de o Dani [Daniel Lameira, editor da Antofágica] ter escolhido a Paula para ilustrar esse livro e fugir do óbvio piratesco é, pra mim, um dos grandes méritos dessa edição. Essa escolha foi consciente, ele buscou e pediu pra ela explorar essa psicodelia das imagens. A referência que o Dani curtiu e pediu para ela explorar foi essa:

“Primeiro, ela nos enviou umas imagens preto e branco (que eu já achei incrível, mesmo sem cor):

E outras já encaminhadas com o pastel:

“Essa foi a primeira imagem finalizada que ela enviou:

“Sobre o projeto gráfico, eu não queria ir pro piratesco clássico também, então procurei coisas luxuosas do século XVIII e XIX. Uma das fontes é inspirada no lettering do Casino Monte-Carlo de Mônaco. Mando algumas fotos desse cassino:

“A Antofágica tem esse lance de misturar o clássico com o contemporâneo, pra constrastar com essa fonte super antiga, escolhi a Avara que é uma fonte open source da froundy francesa Velvetyne.

Nas páginas iniciais e finais usei um degradê vermelho, pensando em queimaduras de sol (bem abstrato aqui rs). As fontes da capa foram redesenhadas a partir de embalagens antigas de whisky. 

Várias das interferências que foram feitas na diagramação do livro foram colaborações da Barbara Prince, que coordenou a edição, e do  Leonardo Ortiz, que fez a diagramação. É um livro cheio de detalhes e que fizemos com muito carinho!”

A capa de A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, em edição da Antofágica

HQ

Está no ar a convocatória para a terceira edição da Revista Pé-de-Cabra

Viu que tá no ar a convocatória para a terceira edição da Revista Pé-de-Cabra? Editada pelo quadrinista Panhoca, a publicação teve seu primeiro número lançado em março de 2018, o segundo em maio de 2019 e agora o terceiro está previsto para o primeiro semestre de 2020, tendo como tema “televisão”.

Fui ver com o Panhoca a motivação por trás do tema e ele respondeu: “É onde tudo rola. A treta toda rola na Globo e a distração também tá na Globo. Tem jornal, novela e filme a rodo. O ataque e a defesa do governo, tão tudo ali. E o Gugu, claro”. A arte da chamada da convocatória é assinada pelo quadrinista Kainã Larcerda.

Você encontra as regras e prazos para envio dos trabalhos na página da Pé-de-Cabra no Facebook, mas reproduzo a seguir a lista com algumas das exigências:

“Você que odeia a televisão, que sonha em participar dA Fazenda, RIP Gugu, participou do Raul Gil quando criança, visita a vó só porque lá tem TV à cabo, enfim, absolutamente qualquer coisa que possa se relacionar a TELEVISIÓN, chegou a sua hora de ser STAR. Para mandar trabalhos para essa edição você precisa cumprir isso aqui ó:

01. Os trabalhos podem ser histórias em quadrinhos, colagens, ilustrações 1 a 6 páginas, no formato 16 x 24,5 cm, mas o foco mesmo vai ser majoritariamente em história em quadrinhos;
02. Os trabalhos devem ser em preto e branco, somos grandes fãs da era de ouro da TV brasileira e as cores saeam caras para imprimir;
03. Não mande pra gente um trabalho que não é teu PORRA. Isso é plágio;
04. Conteúdos racistas, xenofóbicos, homofóbicos serão excluídos e o autor devidamente esculachado no horário nobre em rede nacional;
05. Serão avaliados os trabalhos enviados até o dia 25 de março de 2020;
06. Envie os trabalhos para [email protected] escaneados em 300 dpi e tratados. Imagens com baixa resolução ou sem tratamento serão dispensadas e encaminhadas para compor o quadro de estrelas da Record.
07. Os trabalhos enviados deverão dialogar com o tema TELEVISÃO. Pode pirar à vontade em cima do tema;
08. Cada participante selecionado leva 5 revistas para casa (infelizmente a gente é fodido e é o jeito que conseguimos pagar).
09. Não será analisado o portfólio, os trabalhos como paquita ou se vc foi dublê do Marcos Pasquim. A gente vai olhar só a arte que foi enviada.
10. Teu nome e instagram já é creditado no rodapé e no índice. Não precisa botar isso na imagem.

Entrevistas / HQ

Papo com Luciana Falcon, coordenadora da Bienal de Quadrinhos de Curitiba: “Nosso compromisso sempre foi com a promoção dos quadrinhos, mas mais ainda com o desenvolvimento cultural de uma forma mais abrangente”

Escrevi na terceira edição da coluna Sarjeta sobre os dois principais eventos de quadrinhos do Brasil em 2020, o FIQ, em Belo Horizonte, e a Bienal de Quadrinhos de Curitiba. A 6ª edição do evento na capital de paranaense está marcada pra rolar entre os dias 6 e 9 de agosto, sempre com entrada gratuita. Bati um papo com a coordenadora da Bienal, Luciana Falcon, para saber mais sobre seus planos e expectativas para o evento.

Você lê o meu texto para a Sarjeta #3 ali no site do Instituto Itaú Cultural. Compartilho a seguir a íntegra da minha entrevista com a responsável pela Bienal, na qual também conversamos sobre escolha do tema “Música e Quadrinhos” para essa sexta edição do festival e do papel da Bienal em um contexto de conservadorismo aflorado no país. Saca só:

“Buscamos sempre privilegiar as HQs autorais, as independentes e as que promovam a experimentação, a diversidade de linguagens e novos caminhos”

Registro da edição de 2018 da Bienal de Quadrinhos de Curitiba (Divulgação)

Junto com o FIQ, a Bienal de Quadrinhos de Curitiba é um dos principais eventos de HQs do Brasil, mas a proporção e a relevância do evento foi algo construído com o tempo. Qual balanço vocês fazem hoje do que a Bienal era quando surgiu, e o que ela é hoje, como um desses grandes marcos bienais das HQs nacionais?

A Bienal está caminhando para a sua sexta edição e isso já traz alguns aprendizados que vêm fazendo parte dessa construção.

Costumo dizer que para produzir um evento dedicado a HQ, como a Bienal é,  não basta entender ou gostar de HQs. Nosso compromisso sempre foi com a promoção dos quadrinhos, mas mais ainda é com o desenvolvimento cultural  de uma forma mais abrangente. Somos produtores culturais, queremos e devemos agregar, daí derivam nossos intentos com outras ações correlatas e, mais recentemente, com a ideia de recorte temático, possibilitando reflexões de nossos tempos e da implicação cultural por meio da produção de HQs. 

Nesse sentido, temos testado ao longo dos anos (com algum êxito), abordagens e articulações para engajar parceiros para criarmos as condições (financeiras sobretudo) e o ambiente necessário para aprofundar reflexões mais elaboradas sobre as HQs.

Nosso intuito passou de uma visão panorâmica das HQs, nas duas primeiras edições, para um recorte propositivo sobre temas e cruzamentos que podemos elaborar a partir das produções de HQs.

Vocês conseguem definir a linha editorial-curatorial da Bienal? Como vocês definem o recorte que a Bienal faz e apresenta hoje em termos de autores e publicações?

Desde 2016, quando o evento se torna Bienal de Quadrinhos de Curitiba, abrimos a curadoria para múltiplos realizadores das HQs. Autores, desenhistas, editores, jornalistas, tradutores e críticos se revezaram na curadoria das últimas três edições ao lado da Mitie Taketani, a embaixadora das HQs em Curitiba e curadora honorária da Bienal.

A ideia é termos uma voz plural e contextualizada na produção de HQs através da curadoria onde, a cada edição, de acordo com o tema, a gente consiga somar conhecimentos (muitas vezes específicos), sobre o que se pretende mostrar.

Busca-se sempre privilegiar as HQs autorais, as independentes e as que promovam a experimentação, a diversidade de linguagens e novos caminhos. Mas evidentemente temos presente, senão nas atividades oficiais, todo tipo de HQs através dos expositores na Feira da Bienal e no Palco Ocupa – espaço livre para programação de atividades propostas pelos participantes da Feira. Como dissemos, nosso intuito é agregar.

“O que dá o tom do que iremos discutir na edição seguinte é o calor que gera o último dia do evento”

Registro da edição de 2018 da Bienal de Quadrinhos de Curitiba (Divulgação)

Quais são as expectativas de vocês para a Bienal de 2020? Por que “música” como o tema principal do evento?

Tivemos um grande divisor de formato de produção em 2016, quando o pagamento do patrocínio via edital público do Paraná foi suspenso dias antes do evento. Nos rearticulamos em 2018 e nos fortalecemos ainda mais, resistindo bravamente.

Neste ano, estamos em expansão de nossa potência de produção com ações fora de Curitiba. Circulamos na África, Europa e Festivais Internacionais, o que nos possibilitou ver outros formatos de eventos e estreitar relações para novas parcerias que já estarão presentes em 2020, em Curitiba.

Temos as melhores possibilidades para a próxima edição (e isso é um tanto bizarro no contexto cultural atual do Brasil) e as expectativas são as mais elevadas.

A edição de 2018 – A cidade nas HQs – trouxe uma reflexão estendida da edição 2016, onde falamos sobre representatividades e o contexto político-social nas HQs. Em 2018, buscamos mostrar a cidade como “suporte” do que havíamos discutido em 2016. De como a cidade agrega ou exclui, como interagimos no caos ou nas cidades dos sonhos, futurísticas ou ainda as fantásticas. Alguns debates foram bem depressivos devido à perspectiva nada otimista em relação a futuros, especialmente naquela véspera de eleições presidenciais.

O que dá o tom do que iremos discutir na edição seguinte é o calor que gera o último dia do evento. E, sob aquela ótica desoladora das cidades que havíamos discutido e pelo futuro que se anunciava, resolvemos que precisávamos nos mexer, como quem espanta algo que insiste em nos paralisar.

Sabemos sobre silenciamentos, sabemos sobre paralisações, sobre isolamentos, sobre desarticular movimentos, e nesse sentido não sucumbiremos. Vamos estar juntos, vamos celebrar, vamos cantar bem alto e dizer subjetividades por outro viés. Música e HQs nasceu do calor do último dia da Bienal. E agora vamos pra pista.

Por que o convite para o Fabio Zimbres participar da curadoria da Bienal?

Como ele mesmo colocou no título em seu texto de abertura da exposição Bienal Publica 2018, do qual ele foi editor da publicação: Samba Antigo.

A Bienal é necessária para todos nós porque ela promove o essencial na cultura, o encontro. Já ouvimos muitíssimos relatos de pessoas dizendo da satisfação de ter conhecido ou encontrado este ou aquele na Bienal. 

Com a gente não foi diferente, encontramos o Zimbres, foi “um luxo só, como um samba antigo” espelhando seu texto. Queríamos muito continuar a trabalhar e pensar a Bienal com ele, editando o Bienal Publica novamente. Mas, ao final do evento, quando vislumbramos o tema, parecia que algo havia se fechado.

Mitie Taketani e o Fabrizio Andriani completariam a curadoria nas HQs, mas foi inevitável pensarmos em alguém para versar sobre produção musical. Parafraseando ainda o Zimbres, como outro “samba antigo”, convidamos um parceiro de muitos projetos, o Vadeco, para compor a curadoria.

Todos trazem referências distintas em seus repertórios de HQ e música para a seleção dos convidados. Mas como dissemos, não basta conhecer HQs ou música nesse caso. A Bienal se faz com a vontade de estar junto, com ideias compartilhadas, com articulação para fazer as coisas acontecerem. E, finalizando as citações do texto do Zimbres: “Bienal (e toda nossa equipe), seu requebrado me maltrata”.

“Esperamos a presença maciça do público, principalmente num período de tantos cortes e escassez em programações culturais”

Registro da edição de 2018 da Bienal de Quadrinhos de Curitiba (Divulgação)

Como a crise econômica, social e política que assola o país, somada à crise do mercado editorial, tende a impactar a realização da próxima Bienal?

Tentamos incansavelmente e insistentemente exercer nossa função de trabalhadores da cultura. Isso também inclui ocupar os espaços (ainda que poucos) de promoção cultural, sejam físicos, ou projetos de incentivo, iniciativas privadas, institucionais, acadêmicas, públicas, etc. Este tem sido o caminho e estamos tendo resultados.

Se por um lado implementamos o engajamento e articulação, por outro buscamos executar a melhor qualidade, diversidade e propósito na programação para garantir a manutenção das parcerias, da Bienal e no que se deseja enquanto desenvolvimento cultural.

Nossa programação é (e sempre será) totalmente gratuita, apesar de não ser um evento público da prefeitura de Curitiba, como muitos confundem. Esperamos a presença maciça do público, principalmente num período de tantos cortes e escassez em programações culturais. Vamos ofertar diversas atividades para todos, como shows, exposições, oficinas, conversas, cinema, programação infantil, festas, etc. Esperamos que isso se reverta também em vendas aos expositores.

Quero acreditar que a nossa rede de parceiros (editoras, instituições, etc) vai dar continuidade ao que estamos executando com muita seriedade e relevância.

Desde o dia 1º de janeiro de 2019 o Brasil é governado por um presidente de extrema-direita, militarista, pró-tortura, fascista, misógino, machista, xenófobo, homofóbico e racista que reflete muito do que é a nossa sociedade hoje. Qual você considera o papel de um festival como a Bienal dentro desse contexto? 

Basicamente, mas não superficialmente, fazer pensar, refletir. Este sem dúvida é o principal papel. É dar destaque num recorte o que podemos elaborar em pensamentos que ampliem, que nos pegue de surpresa, que ponha dúvida, que questione, que vá contra certezas absolutas ou imposições.

O Brasil é mundialmente conhecido pela música, ela está em nós e diz muito sobre como convivemos, sobre nossa diversidade. É um excelente suporte da nossa voz, sem esquecer dos corpos, que nos interessam também, nosso movimento, nosso traço. Queremos mexer dos pés a cabeça e fazer pensar.

Registro da edição de 2018 da Bienal de Quadrinhos de Curitiba (Divulgação)